domingo, 9 de novembro de 2008

Quando as Mulheres Falavam...

“No final do século IV da nossa era, uma patrícia romana, de cinquenta e um anos de idade, inicia um diário, ou antes uma espécie de agenda. Sobre tabuinhas de buxo, regista as compras que projecta fazer, entradas de dinheiro, ditos engraçados, cenas que a tocaram. Durante vinte anos, Apronenia Avitia dedica-se a esta tarefa meticulosa, desdenhando ver a morte do Império, o poder cristão que se vai estendendo, as tropas godas que investem a Cidade por três vezes. Gosta de ouro, dos grandes parques e jardins, das barcas carregadas de ânforas e de aveia que passam no Tibre. Gosta de descer às cozinhas e devorar imprevistamente o que lá se encontra. Gosta do cheiro e da delicadeza do prazer. Gosta de beber. Gosta de homens que se esquecem de tempos a tempos do olhar dos outros homens. Gosta dos batentes das janelas que não deixam passar a luz do dia.

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XV. Adolescentes de ombro encostado às colunas

Jovens adolescentes que conhecem os primeiros langores.
Jovens adolescentes que conhecem os primeiros instantes em que o desejo de viver se retira do espaço do corpo como o oceano do oeste cada dia vai descobrindo lentamente os mexilhões e as praias de areia.
Jovens adolescentes que alimentam e repisam o desejo de se matar por causa de um livro grego que leram, uma observação ofensiva de um pedagogo, o rosto de uma mulher de Subura. Estão de pé. Encostam o ombro a uma coluna. Flutua ainda em seu redor um vago odor a leite ou a sémen. Têm os olhos postos no vazio. Os cabelos roçam-lhes o pescoço. O ar vindo do “compluvium” desalinha-os por momentos. A pele deles arrepia-se.

XVI. Gatos e perdizes

Tenho dois gatos malhados, de coleira amarela, e perdizes às riscas azuis, do azul dos esmaltes do Egipto.

XVII. A cadelinha

Muola, a cadelinha que nasceu debaixo do leito de Publius, dorme de barriga para o ar. Respira com mais suavidade do que uma criança ainda com leite nos lábios. De noite, sinto-lhe a pata a acariciar-me a pele do braço: quer mijar.

XVIII. Coisa que é preciso não esquecer

A madeira pintada representa as rocas de fiar das Parcas.

XIX. Q. Alcimius

Às suas propostas mais ousadas, mais tímidas, no amor do prazer em que os seus membros, a sua voz, o seu olhar me mergulhavam, não o deixava acabar o pedido. Dizia sim sem sombra de hesitação.

XX. Noites de fome

Então as noites sem pelo menos três orgasmos pareciam-nos noites de fome.

XXI. Coisas que dão um sentimento de paz

Gosto do ruído dos carros em Roma.
Dos banhos de sol nos terraços, ao entardecer.
Do sono pesado de um homem que gozou.
Dos colchões do Nilo.
Das estrelas, quando a madrugada pouco a pouco as apaga.
Detesto os velhos, ou pelo menos os que parecem sempre acompanhados pela morte.

XXIV. Coisas a fazer

Holocausto da gralha.
Vinte almofadas de cotovelo.
Oito cortinas de carros de duas rodas.”

As Tábuas de Buxo de Apronenia Avitia, apresentadas por Pascal Quignard, Livros Cotovia

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Toda a Mulher Quer o Acesso à sua Verdadeira Identidade e Poder...

Nem mais...

Comentário encontrado no blog Mulheres & Deusas:

"Achei num blog muito interessante, nas minhas "andanças" pela Internet, o seguinte comentário:

O PARADOXO DA MULHER - PASSES MÁGICOS, DE CARLOS CASTANEDA

...em outra ocasião ele falou que o pomo de discórdia para os feiticeiros do antigo México era o fato de as mulheres, que têm a estrutura orgânica, o útero, que poderia facilitar a entrada delas no domínio da percepção pura, não terem nenhum interesse em utilizá-lo. Tais xamãs viam isso como o paradoxo da mulher: ter o poder infinito à sua disposição e nenhum interesse em obter acesso a ele. Contudo Don Juan não tinha nenhuma dúvida de que essa falta de desejo em fazer alguma coisa não era natural. Era aprendida.

Acho que a descoberta do poder feminino e a falta de interesse em como acessá-lo infelizmente ainda se aplica nos dias de hoje aqui no Brasil, e o mais grave, é que ainda é "ensinado", pois no fundo da alma toda mulher quer o acesso à sua verdadeira identidade e poder, mas seus olhos são vendados desde crianças, quando é colocada uma boneca Barbie em suas mãos e seus olhos são ofuscados pelas luzes da vitrines dos shopping-centers,o colorido dos comerciais da televisão, e são induzidas a sonhar com os galãs adolescentes hollywoodianos através de filmes de bandas infanto-juvenis.
Espero que pessoas como vc e várias que tenho encontrado pela internet continuem a abrir os caminhos,para que cada vez mais mulheres possam reencontrar e acessar o seu verdadeiro poder."

Anna Paim

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A Educação das Raparigas


Como é do conhecimento geral, a mais famosa entertainer americana da actualidade, Oprah Winfrey, criou recentemente na África do Sul uma escola de liderança para raparigas. Conheço pessoas que se indignaram: tratar-se-ia de uma regressão no equilíbrio das relações entre os géneros pelo carácter discriminatório da coisa, embora desta vez de sinal contrário. Pessoalmente, achei a ideia brilhante e muito oportuna.

Como disse certa vez uma famosa juíza italiana, para que os seres humanos “nasçam” de facto iguais em direitos e oportunidades, certos ajustes e correcções terão de ser introduzidos no processo. No processo educativo, no caso.

O bem-estar a todos os níveis das sociedades humanas, ninguém o ignora já, está directamente relacionado com a paridade entre ambos os géneros no exercício do poder, no equilíbrio da sua participação nas instâncias de decisão. E, melhor do que em qualquer outro lugar do mundo, será porventura no continente africano que esse desequilíbrio se paga mais caro: veja-se o fascínio pela guerra e a consequente desvalorização da vida, a pobreza das maiorias, o saque de recursos levado a cabo pelos homens de poder. Aí, por exemplo, as ONG sabem muito bem que se os alimentos não forem entregues directamente às mulheres, às mães, ninguém come...

Por que razão o poder das mulheres ainda se circunscreve tanto ao lar, à família, à intimidade é, sem dúvida, uma longa história. Que o mundo precisa da ascensão urgente de um poder genuinamente feminino, que sirva de contraponto a um poder excessivamente masculino, é outra, igualmente longa.

Vale a pena tentar perceber ambas, mas o que me trouxe agora aqui foi a constatação de que, no seio mesmo da nossa comunidade escolar, o problema se põe com uma agudeza quase “africana”. Enquanto educadores, temos responsabilidades nesta matéria. Trata-se de uma questão de cidadania – tema do Projecto Educativo da nossa Escola.

Isto porque há dias, assistindo ao debate entre as duas listas concorrentes à Associação de Estudantes, verifiquei com espanto que apenas uma das listas apresentava, sobre o palco do espaço Polivalente, uma rapariga. Quando perguntei se na outra lista não havia raparigas, foi-me dito que sim, mas que, por “vergonha”, elas não subiam ao palco...

Então, vejamos, deixem-me situar: 2008, século XXI, país integrante da União Europeia... Alguma coisa não batia certo ali...

Só tenho uma turma na Escola (as outras são no E.P. de Alcoentre), mas pela amostra, não me parece nada mal o desempenho das raparigas. Pelo contrário, nesta faixa etária pelo menos, elas ganham aos pontos: inteligência, conhecimento do mundo, maturidade, bom senso, sentido de responsabilidade, capacidade de trabalho... nada parece faltar a estas jovens. Será o excesso de atributos que as penaliza? Pode uma comunidade, de alunos ou outra, dispensar tamanho capital humano?

O que impede então as alunas (e as mulheres em geral) de o usarem? Quais as razões da sua “vergonha” de se apresentarem diante de um grupo enquanto os rapazes o fazem com tanto à vontade? Que ideia têm do PODER os nossos jovens? O conceito de poder enquanto normal exercício de uma cidadania responsável poderia ensinar-se? Claro, sobretudo pelo exemplo...

Imagem: Mark Ryden

terça-feira, 4 de novembro de 2008

o Decrescimento Sustentável...

Na rubrica intitulada “Perfis do Futuro”, a revista Pública, de 2 de Novembro último, traça o perfil de Joana Rigato (28 anos), professora de Filosofia do ensino secundário e membro da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Igreja Católica. Prova de que, apesar de tudo, também por lá existe gente interessante...
OK... aqui vou-me já adiantando ao comentário da querida Rosa Leonor... Sim as igrejas são (as) grandes responsáveis pelo sistema de dominação patriarcal em que vivemos, pela lógica de todo o sistema... Pena que tanta sensatez não sirva para denunciar a própria estrutura que faz com que uma pessoa deste quilate não tenha perfil para ocupar cargos relevantes na sua hierarquia, só porque... nasceu MULHER!
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Excertos:

Depois de algum tempo em Moçambique, diz ela: a formatação ocidental é tão forte que se quer impor a todos a lógica da eficiência, ao mesmo tempo que achamos que estamos preparados para a diversidade e não temos preconceitos colonialistas”... Mas “o preconceito está dentro de nós, somos paternalistas e temos pouca capacidade de escuta.”

Casada com um italiano, escolheu viver em Portugal, porque “em Itália a consciência social está mais desenvolvida.”

“Com o marido e amigos, fundou uma pequena associação para divulgar o comércio justo e a interculturalidade, a Roda Inteira.”

Sobre a televisão, diz: É um instrumento perverso de manipulação. Através da Net, tenho acesso ao que é importante e me interessa, faço-o de forma activa, enquanto a TV retira qualidade de vida e espírito crítico.”

“O que mais me sensibiliza neste momento é o conceito de decrescimento sustentável. Interessa a sustentabilidade, mas mais importante seria inverter a loucura de querer crescer infinitamente e não consumir o desnecessário.” Isto implica mesmo com a noção de comércio justo: “Se fazemos uma loja de comércio justo, damos uma alternativa às pessoas, mas continuamos a reduzir o ser humano a um consumidor, além de fazer do consumo pelo consumo um beco sem saída para o planeta.”

“O consumo inútil é, portanto, a sua batalha: É muito difícil viver do essencial quando tudo ensina a ser consumidor. Trabalhamos dez a doze horas por dia apenas para consumirmos mais. Estragamos a nós e ao planeta. Quanto mais liberta estiver dessa lógica, mais feliz sou. É preciso tempo para respirar ar puro, para rezar, para as relações humanas, para apreciar a natureza. É necessário uma ética comercial diferente e uma economia ao serviço das pessoas. É preciso viver a sobriedade e a ética do necessário.”

Sites: http://oquesubjaz.blogspot.com

http://www.transamericana.org/joana_ita.asp


sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Honrar a morte e agradecer os dons da vida...


Samhain

Hemisfério Norte: 31 de Outubro
Hemisfério Sul: 1 de Maio

O Samhain (pronuncia-se "sou-en"), também chamado de Halloween, Hallowmas, Véspera de Todos os Sagrados, Véspera de Todos os Santos, Festival dos Mortos e Terceiro Festival da Colheita, é o mais importante dos oito Sabbats dos Bruxos. Como Halloween, é um dos mais conhecidos de todos os Sabbats fora da comunidade wiccana e o mais mal-interpretado e temido.

Samhain celebra o final do Verão, governado pela Deusa. (O nome Samhain significa "Final do Verão".)

Samhain é também o antigo Ano Novo celta / druida, o início da estação da cidra, um rito solene e o festival dos mortos. é o momento em que os espíritos dos seres amados e dos amigos já falecidos devem ser honrados. Houve uma época na história em que muitos acreditavam que era a noite em que os mortos retornavam para passear entre os vivos. A noite de Samhain é o momento ideal para fazer contacto e receber mensagens do mundo dos espíritos.

A versão cristã do Samhain é o Dia de Todos os Santos (1o de Novembro), que foi introduzido pelo Papa Bonifácio IV, no século VII, para substituir o festival pagão. O Dia dos Mortos (que cai a 2 de Novembro) é outra adaptação cristã ao antigo Festival dos Mortos. é observado pela Igreja Católica Romana como um dia sagrado de preces pelas almas do purgatório...

CONTINUA...

Imagem: http://images.google.pt/imgres?imgurl=http://www.4qf.org/_Samhain/_Img/MotherAltar.JPG&imgrefurl=http://www.4qf.org/_Samhain/index.htm&h=340&w=511&sz=13&hl=pt-PT&start=5&sig2=sU2-F4dgBk2L9jlIi8sO1A&usg=__kDXIUde48DH2Q4eycH3I4udWxtk=&tbnid=cr38VLONvPKAlM:&tbnh=87&tbnw=131&ei=pwsLSZGYA47y0AS8odSeBA&prev=/images%3Fq%3Dsamhain%26gbv%3D2%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DG



quinta-feira, 30 de outubro de 2008

A força do colectivo...

"A força do colectivo é a força do noite - a Lua, o psiquismo sociocultural que prende a pessoa ao passado da sociedade a que pertence. Esta sociedade funciona como uma força de inércia involutiva. Dane Rudyard diz que a força da individuação é a força do dia - o Sol, a consciência humana, que é a força inteligente da existência. Inteligência que dia a dia cada ser humano conquista ou não para si próprio."
Maria Flávia de Monsaraz
Imagem: Google

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A história de Mellen-Thomas Benedict

"Esta é uma experiência “pós-mortendas mais fantásticas e maravilhosas que já li até hoje. Um doente em fase terminal (de cancro) esteve morto mais de hora e meia e voltou de novo à vida, ficando completamente curado, para contar tudo o que viu e experimentou no “outro lado”, ou seja, num outro estado.

Na verdade já existem imensos casos relatados em livros sobre pessoas que estiveram mortas clinicamente, e voltaram a viver inexplicavelmente, curadas de suas doenças completamente. A ciência não encontra para isso qualquer explicação e a Medicina diz apenas que essas curas são “remissões expontâneas”... constatando apenas factos registando testemunhos ou experiências pessoais dos que vivenciaram coisas nas plagas espirituais.

A história de Mellen-Thomas Benedict é no entanto a mais impressionante e interessante de todas pela forma como tudo aconteceu, descrevendo tudo o que viu e sentiu quando vislumbrou a Luz de outras dimensões, dizendo que falou com o que julga ser Deus muito diferente dos conceitos que fazem sobre Ele as próprias Religiões. De resto, Thomas Benedict diz mesmo a este respeito o seguinte..."

Ler aqui: http://www.novaera-alvorecer.net/viagem_a_luz_e_voltar.htm

Publicidade clandestina

Ultimamente tem aparecido publicidade no meu blog, MAS É CLANDESTINA, uma vez que eu não activei o tal do ADSENSE... Será um vírus?!

domingo, 26 de outubro de 2008

SOMOS SERES MULTIDIMENSIONAIS


Física quântica aplicada à era da consciência - Silvia Malamud

SOMOS CONSCIÊNCIAS MULTIMODAIS COEXISTINDO EM DIVERSAS REALIDADES:

"Somos compostos por milhares de fragmentos de luz, que estão simultaneamente em diversas realidades habitando outros tempos e histórias.

Temos fragmentos de lembranças dessas outras dimensões onde estamos coexistindo, mas ainda não estamos desenvolvidos o suficiente em lucidez para acessar essas vidas – realidades com plenitude.

Somos parte de um montante holográfico. Nossa totalidade divide-se em algo como se fossem pontos de luz/consciência estando simultaneamente em todos os tempos.

Saber dessa condição nos faz concluir que podemos ter acesso constante aos outros tempos nossos de actuação e também nos habilita a ampliar as nossas capacidades totais, pois certamente poderemos a todo instante criar novas realidades.

Todas as vertentes de um projecto/vida estão extradimensionadas em realidades paralelas que chamamos de multimodais e algumas dessas possibilidades podem "colapsar" no plano terrestre a qualquer instante.

As nossas crenças se traduzem nas nossas realidades e se você fizer um trabalho eficiente com o seu poder pessoal poderá concretizar muito mais do que jamais imaginou para si mesmo. As nossas crenças subliminares também possuem muita força para se materializar, são para-realidades prontas, nas quais estamos coexistindo. Por isso a necessidade séria do auto-conhecimento, para que jamais possamos criar algo baseado na baixa auto-estima, etc. Por conta disso, a importância de se reconhecer e de se transmutar um pensamento agregado a uma imagem obsessiva.

Ex.: Uma constante visualização de um acidente de carro, já está acontecendo em outro nível de realidade... Daí para baixar para este plano, basta um descuido. Existe uma forma de tratamento para acessar esses padrões de realidades multimodais e transmutá-los, é através de um processo chamada "imagética".

Por intermédio de ampliação da consciência em lucidez fora do corpo, também se pode entrar em contacto com as outras dimensões nas quais habitamos.

Existem inúmeras consciências que estão aqui no planeta num momento espiritual bastante diferente da consciência do buscador. Isto mostra um abandono do si mesmo, uma lentidão em captar a realidade e reconhecer-se como individualidade. Mas mesmo para estas que momentaneamente se esquecem de si mesmas e da imensa capacidade criadora que possuem, uma chamado constante para que acordem estará ecoando, mesmo que distante em suas consciências. Este é o processo de individuação por que todos nós encarnados passamos na nossa jornada terrena.

Em circunstâncias vizinhas, temos as diversas consciências encarnadas em moldes humanos actuando nas interligações de todas as suas partes, buscando nem que seja apenas por processos intuitivos ainda não conscientes sair do véu de ilusão em que estão vivendo. Podemos observar pela nossa própria experiência que a consciência se pode renovar a cada segundo. O estar parado passa a significar deterioração, pois o tempo na Terra age como um factor ilusório, impulsionando-nos sempre a agir, dando-nos a impressão de que tudo terá um fim.

Neste sentido somos acometidos pela oportunidade de usarmos todo esse aparato criativo a nosso favor, buscando nesse movimento a ampliação da nossa consciência e como consequência podemo-nos envolver num porquê existencial mais genuíno.

Estamos todos agindo simultaneamente, ora como participantes inseridos dentro de um suposto contexto, ora como observadores neste imenso show.

Somos os actores de nós mesmos, por isso é que necessitamos de saber com clareza e responsabilidade sobre o modo como estamos actuando em cada instante, podendo assim desenvolver as nossas habilidades e sermos os senhores criadores das nossas realidades com total consciência, deixando de ser definitivamente seres autómatos.

Por isso é altamente relevante a importância da busca sincera e da participação lúcida onde quer que possamos estar. Sempre exigindo de nós mesmos a consciência da totalidade.

Estamos nos aprimorando em nossos caminhos quando em propósitos claros e bem definidos, presentes em nossos corpos físicos, respirando e trocando ar/consciência com todas as atmosferas... Estando em tudo e vivendo o prazer do saber estar. Isto é sagrado, é a mais pura religiosidade que você pode imaginar. É o "religare". Tirando proveito de todas as experiências, na consciência do aprender. Gerando o auto-merecimento, a auto-estima, ampliando oportunidades criativas para todos. Somos criadores, criaturas divinas em pleno movimento, sempre.

São as actividades múltiplas e variadas do buscador, que tem como princípio a expansão do eu, mesmo que este não o saiba ainda ao certo. A consciência do si mesmo vai transformando os universos em que se transita em expirais de movimento para o interior de todo o ser.

É certo que novos caminhos se vão abrindo na medida em que se avança pela própria vontade de se ter consciência e lucidez. Estes são processos pelos quais qualquer consciência encarnada ou não pode passar.

Somos grandes, temos a divindade em nós. É hora de acordar. Busque parcerias que estejam no mesmo propósito."

So... don't worry so mutch...BE HAPPY!

Imagens: Google

LOUISE HAY CONDECORADA

Louise Hay foi condecorada no passado dia 22 Outubro com o prémio Minerva.

Criado por Maria Kennedy Shriver para celebrar o trabalho de mulheres que fizeram a diferença com as suas vidas, que enriqueceram o mundo colocando os seus dons ao serviço da humanidade. O prémio chama-se Minerva em honra da deusa romana que simboliza as mulheres que deram um passo em frente e que ajudaram a transformar o mundo com a sua coragem, força e sabedoria. Pode ver a inspiradora história de Louise Hay no link:

http://www.oprah.com/media/20081009_tows_louise

O prémio foi entregue numa das mais dinâmicas e vastas reuniões de mulheres dos EUA, que celebra o contributo de mulheres que inspiram outros a serem os arquitectos da mudança, partilhando internacionalmente histórias de sucesso e extraordinárias lições de vida. Para ver sobre a conferência:
http://www.oprah.com/slideshow/oprahshow/20081009_tows_women

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Feminicídio


Leia aqui sobre a situação no Brasil em relação aos crimes mais recentes praticados contra as mulheres.

Imagem: http://tranca-rua.blogspot.com/2007_08_01_archive.html

domingo, 19 de outubro de 2008

MANUAL DE ASSERTIVIDADE

Descubra a sua outra parte...

Há uma poderosa e intrínseca parte de nós próprias que permaneceu incógnita até hoje, cheia de energias por explorar. Anos de repressão obrigaram esta parte de nós próprias a procurar esconderijo nos recessos da nossa alma. E porque não a compreendemos, tudo fazemos para a manter no escuro, que nos parece ser o lugar a que pertence.

É a Cabra que Há em Nós. Vá lá, não faça de conta que não sabe do que é que estamos a falar.

Todas a conhecemos. Está mesmo quase à superfície da nossa consciência e da nossa cultura. É uma parte de nós inteligente, confiante e digna que sabe muito bem o que quer. Diz-nos para não aceitarmos menos do que o que nos é devido. E avisa-nos quando estamos prestes a embarcar em comportamentos derrotistas,

A Cabra que Há em Nós não é aquela parte de nós que às vezes é estúpida, mazinha ou sisuda. Ela nem entra em comportamentos derrotistas, nem se impõe abusivamente aos outros.

A Cabra que Há em Nós não entra em discussões estéreis, nem mesmo por desporto. Não se rala com isso.

A Cabra que Há em Nós nunca entra em discussões subtis com adversários que não estejam à altura. E nunca receia dizer “Eles que se lixem se não aguentam uma boa piada”.

Para mim, esta é uma verdade auto-evidente: libertando-A, poderemos usar o seu poder e energia para os nossos mais altos desígnios.

Se a ignorarmos, corremos o risco de a ver soltar os cavalos enraivecidos se a pressão de ser Simpática se tornar demasiado forte. Todas nós já vimos isso acontecer; e não é algo bonito de se ver.

Quando não reconhecemos a existência da Cabra que Há em Nós, ficamos com borbulhas. Ou engordamos. Ou tornamo-nos fúteis, resmungonas, choramingas, histéricas. (...)

Como é que podemos pôr fim a estes comportamentos derrotistas, particularmente após uma vida inteira de Toximpatia?

Basta uma frasezinha:

“NÃO ME PARECE.”

Elizabeth Hilts, Descubra a Cabra Secreta que Há em Si, Bizâncio

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Ainda O REINO DAS MULHERES...


Livro muito inspirador. Estou a adorar. Dos confins da China, chega-nos uma luz belíssima - por via de um homem, o argentino Ricardo Coler -, o exemplo duma comunidade onde a vida se organiza de modo completamente diferente da nossa e onde as mulheres, e toda a comunidade, estão a ganhar, nitidamente. A ganhar em vitalidade, em liberdade, em harmonia.

"(...) o facto de um sistema (o patriarcado) ter mais seguidores do que outro não implica que este último seja inexequível, daí que possamos dizer: nem toda a humanidade vive em sistema patriarcal. Seja como for, a verdade é que não existe um único sistema. O patriarcado não é essencial aos seres humanos, e a experiência Mosuo mostra que há outras soluções possíveis, e que estas não representam o fim da sociedade, a ausência de leis ou a desintegração daquilo que no seu seio constitui uma família. A verdade é que no matriarcado a instituição familiar parece mais sólida e ter mais vitalidade do que a família ocidental. E impressiona ver como os Mosuo não fazem discursos morais para defenderem o seu sistema.

No matriarcado, o desprezo pela violên
cia e pela acumulação de dinheiro torna a vida mais amável e prazenteira.

Terá a humanidade, num passado remoto, vivido maioritariamente sob sistemas com grande marca feminina? Evidentemente que sim. Poderá acontecer o mesmo no futuro?"


Diálogo entre o autor e um subchefe da aldeia:

"- É verdade - respondo eu então -, é claro que as diferenças são muito grandes. Muitas vezes tenho dificuldade em pensar no sistema Mosuo. Mulheres a mandar, distribuição das responsabilidades no interior da família, a economia, os apelidos dados aos filhos.
- No seu país é muito diferente?
- Claro, é claro que é muito diferente. Um homem casa-se com uma mulher e têm filhos. Ambos vivem debaixo do mesmo tecto, os filhos vivem com o pai e com a mãe e o homem é considerado chefe da família.

Acabo de dizer isto e sinto-me ridículo. Trata-se de frases feitas, como tantas outras que repetimos a toda a hora e que não suportam uma segunda observação mais cuidada. Coisas como "Cristóvão Colombo descobriu a América", como se na América não houvesse pessoas, e os índios, que geração após geração ali viviam, tivessem precisado de um europeu para começarem a existir.
Pergunto a mim mesmo: são assim tantas as diferenças?
Se o matriacrcado implica que o poder esteja do lado das mulheres, e também a ausência de casamento, a falta do pai, o uso do dinheiro por parte de uma mulher proprietária, cujos filhos recebem o seu apelido, mulher que, além disso, escolhe o homem com quem passa as noites, então eu não precisava de sair do meu bairro para ver casos semelhantes!... Será que entre nós não existem mulheres que não precisam de marido para se manterem, ficarem grávidas ou terem vida social? E as famílias consanguíneas? Quantos lares das nossas cidades são formados por uma mulher e os seus filhos, a que se junta uma avó, lares em que todos os que se juntam diariamente para jantar têm entre si laços de sangue em primeiro grau?

Qual é então a diferença?

Creio que há uma. A mulher Musuo vive nas condições em que vive e sente que é esse o seu lugar. Não anseia por encontrar o homem da sua vida, com quem se poderá sentir completa e assim atingir um estado de felicidade que, supostamente, somente esse homem lhe poderá dar. Na sociedade Mosuo, nem a mulher nem a comunidade consideram o casal como o conjunto ideal.

No Ocidente, situações semelhantes a esta são mais resultantes da resignação que da convicção e, em geral, registaram no passado alguma situação traumática impossível de superar."

Ricardo Coler, O Reino das Mulheres, Quetzal

Imagens:
http://www.mosuoproject.org/
e Mosuo Minority

sábado, 11 de outubro de 2008

O Show de Truman... Quem dirige o nosso?


Mais um daqueles filmes que nunca perdem actualidade. Vi-o quando saiu, em 1998 ou 1999, e agora gostei muito de o rever - desta vez em VHS, não encontrei em DVD.
Veja aqui uma interessante análise e compare com o famoso e actual Zeitgeistmovie.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O Tigre e o Dragão e... a Mulher Selvagem

Querem ter um vislumbre da Mulher Selvagem de que fala Clarice Pinkola Estés em Mulheres que Correm com os Lobos? Sim? Então vejam O TIGRE E O DRAGÃO, de Ang Lee. E regalem-se. Lavem a alma...

Aquelas mulheres não estão a ser homens, mas a viver uma parte vital da psique feminina, a parte da profunda vitalidade que nos foi roubada quando nos transformaram no "sexo fraco", em tecnologia de reprodução, objectos de prazer e decoração, robots domésticos, senhoras bem comportadas, serviçais do patriarcado...

Imagem: Google

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Escrevo, logo existo...

Este belo texto afinal é daqui...

"(...)Cada mulher que empunha uma caneta ou um teclado de computador, com pc ou sem pc...rs...está fazendo parte dessa revolução pq somos muito mais capazes do que supunhamos ou do que queriam eles que acreditássemos...Cada mulher que ousa escrever mais e ler mais está de mãos dadas construindo a nossa rede de amor fraterno e Lealdade Feminina, está construindo o Mater Mundi O mundo vindouro da Deusa...Acendendo a luz da sabedoria ancestral iluminando a nossa alma feminina para a nossa evolução...

Cada mulher que ousa escrever e ler escrever e ler MULHER sobre a mulher para a mulher...é um ponto de não-retorno para o mundo Mater Mundi (tbm os homens, que despertam sua sensibilidade feminina, reconhecendo-se imediatamente em religação com a Deusa, e entendendo que não podem mais continuar usufruindo e perpetuando a lealdade patriarcal desse sistema moribundo...)

Meu infinito e eterno agradecimento profundo e sincero a todas as mulheres que escreveram e que escrevem...sobre a Mulher e para a Mulher...E tbm às mulheres que leem mulheres, que fazem eco dessas idéias todas dentro da própria alma, e reverberam em suas entranhas as vibrações do Mater Mundi vindouro, co-criando um mundo novo em nossos úteros cósmicos...sementes de luz..."

"Mulheres de todo o mundo,
Leiam Mulher
Escrevam Mulher!"

LEALDADE FEMININA

Imagem: Google

É bom saber...

"Queria dizer-lhe que sim, que são as nossas amigas brasileiras que mais nos visitam...e que há dias uma delas me dizia justamente que o meu blogue, o seu e o da Juliana eram a grande ajuda para o seu trabalho!!!

Um abraço...e até breve,
rosa leonor"

MUSUO - Uma Sociedade sem Violência

Fica no Sudoeste da China e é uma das últimas sociedades matriarcais.As mulheres são o sexo forte e decidem a vida de todos.O médico e jornalista argentino viveu entre esse povo e da experiência resultou um livro: O REINO DAS MULHERES.

Em Musuo, mais propriamente na aldeia de Loshui onde viveu, Ricardo Coler encontrou mulheres que são as gestoras e chefes de família, onde não existe casamento, as crianças nunca conhecem o pai e a violência não existe. Esta sociedade onde as mulheres estão no topo da hierarquia é uma das últimas ainda existentes em todo o mundo.

Aqui nenhuma mulher se pode queixar de educação machista, de diferença de oportunidades ou de tratamento desigual. Elas são as únicas proprietárias da casa de família e dos campos e têm a última palavra em todas as decisões. O apelido que usam é o da mãe. São elas que determinam o estilo de vida na aldeia. Aos homens competem trabalhos como a construção de casas.

Mas, apesar de mandarem, as mulheres não valorizam o poder da mesma forma que um homem. O exemplo disso é que “a” chefe da aldeia é um homem. Dizem que eles são mais aptos para funções comunitárias. São questões administrativas que pouco lhes interessam. A figura do chefe carece da importância que tem no Ocidente.

Apartamentos exclusivos para mulheres
Na casa familiar, gerida pela matriarca – geralmente uma anciã, mas que também pode ser jovem - , moram todos os parentes do lado materno, homens ou mulheres, da avó aos netos. Grande parte do
espaço é reservado a uma divisão comum, que serve de cozinha, sala de estar e oratório. A esta, vão sendo acrescentados pequenos apartamentos individuais e exclusivos para mulheres acima dos 13 anos, a idade que marca o início da idade adulta. Aos homens é destinado apenas um quarto comum.

Casar é castigo...
As matriarcas ameaçam os filhos com o casamento quando não lhes agrada o seu comportamento. Não existe vínculo formal entre homem e mulher: cada um vive na sua casa e, à noite, eles visitam as mulheres com quem marcaram encontro. Este tipo de relação é chamado “axia”, que significa “relação íntima entre amantes”.
Dentro dos seus apartamentos, as Musuo podem receber visitas com toda a privacidade.

Quando os filhos nascem...
... a mulher fica dispensada dos trabalhos agrícolas durante um ano.

Pai é palavra desconhecida
E não tem qualquer importância social e afectiva. Como o casamento não existe, as crianças nunca chegam a conhecê-lo. As figuras masculinas são os tios, que ajudam a cuidar das crianças, mas com os quais não se estabelecem o mesmo tipo de laços. Só às mães cabe a educação e autoridade sobre as crianças.

Não há lugar à violência
Uma das coisas que mais impressionou Ricardo Coler foi a ausência de violência, física ou verbal. “Não é por medo de serem castigados, é por vergonha. A agressividade é vista como um desonra. A não-violência é uma das marcas dos matriarcados”.
Os Musuo são uma sociedade verdadeiramente solidária, onde os velhos nunca são deixados ao abandono. “Têm um sentido de comunidade muito forte, não existe a competição desapiedada.”

Uma lição de vida
Apesar de já ter visitado outros matriarcados, Ricardo Coler surpreendeu-se com o que encontrou em Loshui. “As Musuo são a mais pura das sociedades matriarcais que visitei. Todos temos ideias que nos parecem naturais e de que nunca duvidamos. Bem... muitas delas desmoronam-se na aldeia das Musuo. Isso fez-me repensar questões que acreditava serem definitivas.” As sociedades ocidentais lucravam em ter mais mulheres no poder? Ricardo é realista: “Não aconteceria só por estar uma mulher no governo. Uma mulher pode estar no poder fazendo o mesmo que um homem. A boa influência não vem da mulher, mas sim do lado feminino de todos os seres humanos.”

Ali “aprendi que há uma alternativa.”

Revista Activa, Outubro/2008 (adaptado)

Imagens: http://cronicascatai.blogspot.com/2008/06/leituras-o-reino-das-mulheres.html

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Visitas ao blog


Depois de ter introduzido um mapa de visitas, fiquei surpreendida por verificar que mais de 5o% dos meus visitantes são... do Brasil! E não de Portugal... Também é de lá que me tem chegado a maior parte dos comentários.
Curioso, porque de há uns tempos para cá apetece-me imenso visitar esse país...

domingo, 5 de outubro de 2008