"Se somos seres espirituais percorrendo um caminho humano, e não seres humanos que podem estar a transitar por um caminho espiritual, (...) então a vida não é só uma jornada, mas também uma peregrinação ou busca." Jean Shinoda Bolen
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Publicidade clandestina
domingo, 26 de outubro de 2008
SOMOS SERES MULTIDIMENSIONAIS

Física quântica aplicada à era da consciência
SOMOS CONSCIÊNCIAS MULTIMODAIS COEXISTINDO
Temos fragmentos de lembranças dessas outras dimensões onde estamos coexistindo, mas ainda não estamos desenvolvidos o suficiente em lucidez para acessar essas vidas – realidades com plenitude.
Somos parte de um montante holográfico. Nossa totalidade divide-se em algo como se fossem pontos de luz/consciência estando simultaneamente em todos os tempos.
Saber dessa condição nos faz concluir que podemos ter acesso constante aos outros tempos nossos de actuação e também nos habilita a ampliar as nossas capacidades totais, pois certamente poderemos a todo instante criar novas realidades.
As nossas crenças se traduzem nas nossas realidades e se você fizer um trabalho eficiente com o seu poder pessoal poderá concretizar muito mais do que jamais imaginou para si mesmo. As nossas crenças subliminares também possuem muita força para se materializar, são para-realidades prontas, nas quais estamos coexistindo. Por isso a necessidade séria do auto-conhecimento, para que jamais possamos criar algo baseado na baixa auto-estima, etc. Por conta disso, a importância de se reconhecer e de se transmutar um pensamento agregado a uma imagem obsessiva.
Ex.: Uma constante visualização de um acidente de carro, já es
tá acontecendo em outro nível de realidade... Daí para baixar para este plano, basta um descuido. Existe uma forma de tratamento para acessar esses padrões de realidades multimodais e transmutá-los, é através de um processo chamada "imagética".
Por intermédio de ampliação da consciência em lucidez fora do corpo, também se pode entrar em contacto com as outras dimensões nas quais habitamos.
Neste sentido somos acometidos pela oportunidade de usarmos todo esse aparato criativo a nosso favor, buscando nesse movimento a ampliação da nossa consciência e como consequência podemo-nos envolver num porquê existencial mais genuíno.
Estamos todos agindo simultaneamente, ora como participantes inseridos dentro de um suposto contexto, ora como observadores neste imenso show.
Somos
os actores de nós mesmos, por isso é que necessitamos de saber com clareza e responsabilidade sobre o modo como estamos actuando em cada instante, podendo assim desenvolver as nossas habilidades e sermos os senhores criadores das nossas realidades com total consciência, deixando de ser definitivamente seres autómatos.
Por isso é altamente relevante a importância da busca sincera e da participação lúcida onde quer que possamos estar. Sempre exigindo de nós mesmos a consciência da totalidade.
É certo que novos caminhos se vão abrindo na medida em que se avança pela própria vontade de se ter consciência e lucidez. Estes são processos pelos quais qualquer consciência encarnada ou não pode passar.
Somos grandes, temos a divindade em nós. É hora de acordar. Busque parcerias que estejam no mesmo propósito."
Imagens: Google
LOUISE HAY CONDECORADA
Louise Hay foi condecorada no passado dia 22 Outubro com o prémio Minerva. Criado por Maria Kennedy Shriver para celebrar o trabalho de mulheres que fizeram a diferença com as suas vidas, que enriqueceram o mundo colocando os seus dons ao serviço da humanidade. O prémio chama-se Minerva em honra da deusa romana que simboliza as mulheres que deram um passo em frente e que ajudaram a transformar o mundo com a sua coragem, força e sabedoria. Pode ver a inspiradora história de Louise Hay no link:
http://www.oprah.com/media/
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Feminicídio

Leia aqui sobre a situação no Brasil em relação aos crimes mais recentes praticados contra as mulheres.
Imagem: http://tranca-rua.blogspot.com/2007_08_01_archive.html
domingo, 19 de outubro de 2008
MANUAL DE ASSERTIVIDADE
Descubra a sua outra parte...Há uma poderosa e intrínseca parte de nós próprias que permaneceu incógnita até hoje, cheia de energias por explorar. Anos de repressão obrigaram esta parte de nós próprias a procurar esconderijo nos recessos da nossa alma. E porque não a compreendemos, tudo fazemos para a manter no escuro, que nos parece ser o lugar a que pertence.
É a Cabra que Há
Todas a conhecemos. Está mesmo quase à superfície da nossa consciência e da nossa cultura. É uma parte de nós inteligente, confiante e digna que sabe muito bem o que quer. Diz-nos para não aceitarmos menos do que o que nos é devido. E avisa-nos quando estamos prestes a embarcar em comportamentos derrotistas,
A Cabra que Há em Nós não é aquela parte de nós que às vezes é estúpida, mazinha ou sisuda. Ela nem entra em comportamentos derrotistas, nem se impõe abusivamente aos outros.
A Cabra que Há em Nós não entra em discussões estéreis, nem mesmo por desporto. Não se rala com isso.
A Cabra que Há em Nós nunca entra em discussões subtis com adversários que não estejam à altura. E nunca receia dizer “Eles que se lixem se não aguentam uma boa piada”.
Para mim, esta é uma verdade auto-evidente: libertando-A, poderemos usar o seu poder e energia para os nossos mais altos desígnios.
Se a ignorarmos, corremos o risco de a ver soltar os cavalos enraivecidos se a pressão de ser Simpática se tornar demasiado forte. Todas nós já vimos isso acontecer; e não é algo bonito de se ver.
Quando não reconhecemos a existência da Cabra que Há em Nós, ficamos com borbulhas. Ou engordamos. Ou tornamo-nos fúteis, resmungonas, choramingas, histéricas. (...)
Como é que podemos pôr fim a estes comportamentos derrotistas, particularmente após uma vida inteira de Toximpatia?
Basta uma frasezinha:
“NÃO ME PARECE.”
Elizabeth Hilts, Descubra a Cabra Secreta que Há em Si, Bizâncio
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Ainda O REINO DAS MULHERES...

Livro muito inspirador. Estou a adorar. Dos confins da China, chega-nos uma luz belíssima - por via de um homem, o argentino Ricardo Coler -, o exemplo duma comunidade onde a vida se organiza de modo completamente diferente da nossa e onde as mulheres, e toda a comunidade, estão a ganhar, nitidamente. A ganhar em vitalidade, em liberdade, em harmonia.
"(...) o facto de um sistema (o patriarcado) ter mais seguidores do que outro não implica que este último seja inexequível, daí que possamos dizer: nem toda a humanidade vive em sistema patriarcal. Seja como for, a verdade é que não existe um único sistema. O patriarcado não é essencial aos seres humanos, e a experiência Mosuo mostra que há outras soluções possíveis, e que estas não representam o fim da sociedade, a ausência de leis ou a desintegração daquilo que no seu seio constitui uma família. A verdade é que no matriarcado a instituição familiar parece mais sólida e ter mais vitalidade do que a família ocidental. E impressiona ver como os Mosuo não fazem discursos morais para defenderem o seu sistema.
No matriarcado, o desprezo pela violência e pela acumulação de dinheiro torna a vida mais amável e prazenteira.
Terá a humanidade, num passado remoto, vivido maioritariamente sob sistemas com grande marca feminina? Evidentemente que sim. Poderá acontecer o mesmo no futuro?"

Diálogo entre o autor e um subchefe da aldeia:
"- É verdade - respondo eu então -, é claro que as diferenças são muito grandes. Muitas vezes tenho dificuldade em pensar no sistema Mosuo. Mulheres a mandar, distribuição das responsabilidades no interior da família, a economia, os apelidos dados aos filhos.
- No seu país é muito diferente?
- Claro, é claro que é muito diferente. Um homem casa-se com uma mulher e têm filhos. Ambos vivem debaixo do mesmo tecto, os filhos vivem com o pai e com a mãe e o homem é considerado chefe da família.
Acabo de dizer isto e sinto-me ridículo. Trata-se de frases feitas, como tantas outras que repetimos a toda a hora e que não suportam uma segunda observação mais cuidada. Coisas como "Cristóvão Colombo descobriu a América", como se na América não houvesse pessoas, e os índios, que geração após geração ali viviam, tivessem precisado de um europeu para começarem a existir.
Pergunto a mim mesmo: são assim tantas as diferenças?
Se o matriacrcado implica que o poder esteja do lado das mulheres, e também a ausência de casamento, a falta do pai, o uso do dinheiro por parte de uma mulher proprietária, cujos filhos recebem o seu apelido, mulher que, além disso, escolhe o homem com quem passa as noites, então eu não precisava de sair do meu bairro para ver casos semelhantes!... Será que entre nós não existem mulheres que não precisam de marido para se manterem, ficarem grávidas ou terem vida social? E as famílias consanguíneas? Quantos lares das nossas cidades são formados por uma mulher e os seus filhos, a que se junta uma avó, lares em que todos os que se juntam diariamente para jantar têm entre si laços de sangue em primeiro grau?Qual é então a diferença?

Creio que há uma. A mulher Musuo vive nas condições em que vive e sente que é esse o seu lugar. Não anseia por encontrar o homem da sua vida, com quem se poderá sentir completa e assim atingir um estado de felicidade que, supostamente, somente esse homem lhe poderá dar. Na sociedade Mosuo, nem a mulher nem a comunidade consideram o casal como o conjunto ideal.
No Ocidente, situações semelhantes a esta são mais resultantes da resignação que da convicção e, em geral, registaram no passado alguma situação traumática impossível de superar."
Ricardo Coler, O Reino das Mulheres, Quetzal
Imagens:
http://www.mosuoproject.org/
e Mosuo Minority
sábado, 11 de outubro de 2008
O Show de Truman... Quem dirige o nosso?

Mais um daqueles filmes que nunca perdem actualidade. Vi-o quando saiu, em 1998 ou 1999, e agora gostei muito de o rever - desta vez em VHS, não encontrei em DVD.
Veja aqui uma interessante análise e compare com o famoso e actual Zeitgeistmovie.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
O Tigre e o Dragão e... a Mulher Selvagem
Querem ter um vislumbre da Mulher Selvagem de que fala Clarice Pinkola Estés em Mulheres que Correm com os Lobos? Sim? Então vejam O TIGRE E O DRAGÃO, de Ang Lee. E regalem-se. Lavem a alma...Aquelas mulheres não estão a ser homens, mas a viver uma parte vital da psique feminina, a parte da profunda vitalidade que nos foi roubada quando nos transformaram no "sexo fraco", em tecnologia de reprodução, objectos de prazer e decoração, robots domésticos, senhoras bem comportadas, serviçais do patriarcado...
Imagem: Google
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Escrevo, logo existo...
Este belo texto afinal é daqui..."(...)Cada mulher que empunha uma caneta ou um teclado de computador, com pc ou sem pc...rs...está fazendo parte dessa revolução pq somos muito mais capazes do que supunhamos ou do que queriam eles que acreditássemos...Cada mulher que ousa escrever mais e ler mais está de mãos dadas construindo a nossa rede de amor fraterno e Lealdade Feminina, está construindo o Mater Mundi O mundo vindouro da Deusa...Acendendo a luz da sabedoria ancestral iluminando a nossa alma feminina para a nossa evolução...
"Mulheres de todo o mundo,
Leiam Mulher
Escrevam Mulher!"
LEALDADE FEMININA
Imagem: Google
É bom saber...
Um abraço...e até breve,
rosa leonor"
MUSUO - Uma Sociedade sem Violência
Fica no Sudoeste da China e é uma das últimas sociedades matriarcais.Mas, apesar de mandarem, as mulheres não valorizam o poder da mesma forma que um homem. O exemplo disso é que “a” chefe da aldeia é um homem. Dizem que eles são mais aptos para funções comunitárias. São questões administrativas que pouco lhes interessam. A figura do chefe carece da importância que tem no Ocidente.
Na casa familiar, gerida pela matriarca – geralmente uma anciã, mas que também pode ser jovem - , moram todos os parentes do lado materno, homens ou mulheres, da avó aos netos. Grande parte do espaço é reservado a uma divisão comum, que serve de cozinha, sala de estar e oratório. A esta, vão sendo acrescentados pequenos apartamentos individuais e exclusivos para mulheres acima dos 13 anos, a idade que marca o início da idade adulta. Aos homens é destinado apenas um quarto comum.
As matriarcas ameaçam os filhos com o casamento quando não lhes agrada o seu comportamento. Não existe vínculo formal entre homem e mulher: cada um vive na sua casa e, à noite, eles visitam as mulheres com quem marcaram encontro. Este tipo de relação é chamado “axia”, que significa “relação íntima entre amantes”.
Dentro dos seus apartamentos, as Musuo podem receber visitas com toda a privacidade.
... a mulher fica dispensada dos trabalhos agrícolas durante um ano.
E não tem qualquer importância social e afectiva. Como o casamento não existe, as crianças nunca chegam a conhecê-lo. As figuras masculinas são os tios, que ajudam a cuidar das crianças, mas com os quais não se estabelecem o mesmo tipo de laços. Só às mães cabe a educação e autoridade sobre as crianças.
Uma das coisas que mais impressionou Ricardo Coler foi a ausência de violência, física ou verbal. “Não é por medo de serem castigados, é por vergonha. A agressividade é vista como um desonra. A não-violência é uma das marcas dos matriarcados”.
Os Musuo são uma sociedade verdadeiramente solidária, onde os velhos nunca são deixados ao abandono. “Têm um sentido de comunidade muito forte, não existe a competição desapiedada.”
Apesar de já ter visitado outros matriarcados, Ricardo Coler surpreendeu-se com o que encontrou em Loshui. “As Musuo são a mais pura das sociedades matriarcais que visitei. Todos temos ideias que nos parecem naturais e de que nunca duvidamos. Bem... muitas delas desmoronam-se na aldeia das Musuo. Isso fez-me repensar questões que acreditava serem definitivas.” As sociedades ocidentais lucravam em ter mais mulheres no poder? Ricardo é realista: “Não aconteceria só por estar uma mulher no governo. Uma mulher pode estar no poder fazendo o mesmo que um homem. A boa influência não vem da mulher, mas sim do lado feminino de todos os seres humanos.”
Ali “aprendi que há uma alternativa.”
Revista Activa, Outubro/2008 (adaptado)
Imagens: http://cronicascatai.blogspot.com/2008/06/leituras-o-reino-das-mulheres.html
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Visitas ao blog
domingo, 5 de outubro de 2008
Hoje marchou-se em Barcelona por uma Declaração dos Direitos Humanos da Mulher
Conforme acabo de ler em Mulheres & Deusas, mas já no Séc. XVIII, durante a Revolução Francesa, se pensou nisso, como se pode ler aqui.Imagem: Google
Quando Deus criou um patriarcado... e nós tivemos de levar com ele em cima...
“Como se se movesse no interior da rodopiante coluna de ar, José entrou em casa, cerrou a porta atrás de si, e ali ficou encostado por um minuto, aguardando que os olhos se habituassem à meia penumbra. Ao lado dele, a candeia brilhava palidamente, quase sem irradiar luz, inútil. Maria, deitada de costas, estava acordada e atenta, olhava fixamente um ponto em frente, e parecia esperar. Sem pronunciar palavra, José aproximou-se e afastou devagar o lençol que a cobria. Ela desviou os olhos, soergueu um pouco a parte inferior da túnica, mas só acabou de puxá-la para cima, à altura do ventre, quando ele já se vinha debruçando e procedia do mesmo modo com a sua própria túnica, e Maria, entretanto, abrira as pernas, ou as tinha aberto durante o sonho e desta maneira as deixara ficar, fosse por inusitada indolência matinal ou pressentimento de mulher casada que conhece os seus deveres. Deus, que está em toda a parte, estava ali, mas, sendo aquilo que é, um puro espírito, não podia ver como a carne dele penetrou a carne dela, criadas uma e outra para isso mesmo, e, provavelmente, já nem lá se encontraria quando a semente sagrada de José se derramou no sagrado interior de Maria, sagrados ambos por serem a fonte e a taça da vida, em verdade há coisas que o próprio Deus não entende, embora as tivesse criado. Tendo pois saído para o pátio, Deus não pôde ouvir o som agónico, como um estertor, que saiu da boca do varão no instante da crise, e menos ainda o levíssimo gemido que a mulher não foi capaz de reprimir. Apenas um minuto, ou nem tanto, repousou José sobre o corpo de Maria. Enquanto ela puxava para baixo a túnica e se cobria com o lençol, tapando depois a cara com o antebraço, ele, de pé no meio da casa, de mãos levantadas, olhando o tecto, pronunciou aquela sobre todas terrível bênção, aos homens reservada, Louvado sejas tu, Senhor, nosso Deus, rei do universo, por não me teres feito mulher.* Ora, a estas alturas, Deus já nem no pátio devia estar, pois não tremeram as paredes da casa, não desabaram, nem a terra se abriu. Apenas, pela primeira vez, se ouviu Maria, e humildemente dizia, como de mulheres se espera que seja sempre a voz, Louvado sejas tu, Senhor, que me fizeste conforme a tua vontade, ora, entre estas palavras e as outras, conhecidas e aclamadas, não há diferença nenhuma, repare-se, Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra, está patente que quem disse isto podia, afinal, ter dito aquilo. Depois, a mulher do carpinteiro José levantou-se da esteira, enrolou-a juntamente com a do marido e dobrou o lençol comum.”José Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Caminho, 5ª edição, pág. 26 e 27
* Segundo parece, este continua a ser um mantra da religião judaica...
Imagem: http://imagensbiblicas.wordpress.com
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
À noite logo se vê...
Como tenho de preparar o visionamento dum filme por uma turma, e ainda hoje não tinha dado a minha caminhada, calcei os ténis e fui lá abaixo, às profundezas da cidade, ao clube de vídeo. É raro sair assim, e cada vez que isso acontece é sempre uma estranheza constatar que neste início do século XXI a rua ainda é, praticamente em exclusivo, um lugar dos homens... A rua, os cafés, em todo o lado eles estão livremente, sós ou em grupos, enquanto em casa por certo a mulher lhes lava a loiça e lhes trata dos filhos...Luxo extremo: vaguear pela cidade à noite, no sossego do trânsito, dentro do mistério do jogo da luz e da sombra, com esta temperatura amena do início do Outono...
Um cliente no clube de vídeo, por certo instigado pelo inusitado de uma mulher sozinha a requisitar um filme às nove e tal da noite, encadeia a sua conversa com a que o funcionário estava a ter comigo sobre o filme... Não há pachorra...
PS - Este texto é de ontem e hoje já posso acrescentar que, infelizmente, o tal filme, Cartas de Iwo Jimo, não merecia mesmo a deslocação... Embora venha indicado no manual - para miúdos de 14 anos! - e tenha lido que é uma "balada pela paz", é na verdade uma amostra - a evitar - da sinistra loucura em que o desalmado poder patriarcal é perito...
Imagem: Google
A Mulher e a actual crise

Vem isto a propósito de um comentário meu no blog de Rosa Leonor, e está bem visto, sim senhora, cara amiga...
"(...) penso que o meu livro pode acrescentar algo a essa grande questão, modéstia à parte, claro…de qualquer forma penso que em nenhuma parte do mundo as mulheres escaparam à manipulação do seu ser e embora possam estar activas e ser poderosas são-no dentro do sistema patriarcal que é como quem diz, presas nas suas armadilhas e sem a consciência inerente ao princípio feminino nem conscientes da sua fragmentação interna e só se elas tivessem integrado as duas mulheres divididas dentro de si, podiam fazer a diferença…Eu não as quero desresponsabilizar, mas é, como eu digo, no meu livro algures, uma contradição e um paradoxo esperar que dentro do sistema que tem uma estrutura de dominação da mulher este a liberte e a deixe ser ela própria…mesmo que lhe dê liberdade nunca permitiria a sua verdadeira consciência; não pode porque a suprimiu e dá apenas acesso à mulher ao poder no masculino e aí a mulher deixa de ser mulher e a maioria ou não consegue aguentar-se ou não lhe interessa no fundo os jogos de poder do homem, ou então não podem dividir-se entre o poder e a família…essa foi a armadilha em que as mulheres dos países avançados caíram…"
Rosa Leonor
UMA LÍNGUA DE HOMENS

A HISTÓRIA, OU AS PALAVRAS
"O homo faber; o homo sapiens; o homem é um animal racional; os homens descobriram o fogo; os homens da pré-história; o homem é um animal religioso; os patriarcas; deus é pai; os faraós; o homem é um animal social; os filósofos gregos; os imperadores romanos; as eternas aspirações do homem; os guerreiros; os cavaleiros; os soldados; os marinheiros; os descobridores; os aventureiros; o homem da renascença; o homem tem sede de conhecimento; os físicos; os matemáticos; os homens lutam pela sua liberdade; os homens fazem o progresso técnico; os homens do governo; a declaração dos direitos do homem; os homens da imprensa; os homens lutam pelo poder; a exploração do homem pelo homem; milhões de homens morreram na guerra; os homens de boa vontade; a arte é uma necessidade do homem; o homem face à natureza..."
Um dia perguntei:
-ONDE ESTÃO AS MULHERES?
Esplicaram-me primeiro que as mulheres têm ficado quase sempre em casa, fazendo filhos e tricot; explicaram-me depois, com a grande paciência com que sempre fui tratada, que, quando se dizia homem, as palavras deviam ser vistas com maiúsculas, Homem, e se pretendia com isso significar “ser humano", e todas as importantes coisas com ele relacionadas.
-Mas porque ficaram as mulheres em casa? E porque desaparecem elas nessa sombra linguística? - perguntei várias vezes, sem que me dessem resposta.
Noutro dia, ou mais precisamente, numa tarde de sol da minha adolescência meditativa, escrevi um poema:
"Eu quereria conquistar palavras..."
Seguiam-se os vários fins e propósitos que eu destinava às palavras que eventualmente conquistasse.
Só muito mais tarde me apareceu a estranheza da forma condicional do poema. Não me passara pela cabeça dizer "eu quero...". Tão longínquas me pareciam as possibilidades de acção e escolha que eu remetia a minha vontade para a expressão de um devaneio.
Crescida, adulta, meu filho, pequeno, perguntou-me:
-Mãe, é verdade que são os homens que fazem tudo?
A História está nos livros; mas a história das mulheres é só decifrável ao longo de cada vida.
Maria Isabel Barreno, O Espaço do Silêncio
Imagem: Jardim de Crivelli, Paula Rego
Bullying feminino...
Garota Fora do Jogo (tradução brasileira), no original: Odd Girl Out), de Rachel Simmons* Rachel Simmons iniciou a sua pesquisa de modo informal. Ao dar-se conta de que não havia bibliografia sobre o assunto, ela enviou um e-mail para todas as mulheres que conhecia, com indagações simples como “Você já foi atormentada ou provocada por outra menina?Explique como foi isso. Que influência isso teve na sua vida até hoje?” As destinatárias repassaram a mensagem para outras amigas e, em 24 horas, o correio electrónico de Rachel ficou abarrotado de respostas emocionadas e cheias de detalhes. Isso estimulou-a a debater o tema nas escolas, com meninas de 11 a 14 anos. Quando o farto material recolhido lhe deu a ideia de escrever um livro, ela decidiu passar um ano aprofundando a pesquisa em dez instituições de ensino de diferentes regiões dos EUA, entrevistando alunas, pais, professores e funcionários, enquanto promovia discussões em salas de aula. Rachel também entrevistou cerca de 50 mulheres adultas fora do círculo escolar.
http://www.traca.com.br
*Rachel Simmons é fundadora e directora do Girls Leadership Institute.
Imagem: Paula Rego
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
A CRISE FINANCEIRA - UMA NOVA PROPOSTA PARA A HUMANIDADE
No entanto a crise monetária internacional pode ter consequências radicais que só começam a emergir a partir de Maio de 2009.
Em 1998 descrevemos esta crise
Qualquer plano para recuperar a economia é, nesta etapa, um artifício para ganhar tempo. Esta crise foi criada em gabinetes secretos para forçar as nações do mundo a aceitarem regimes para-totalitários, com base no medo e na insegurança, e não será por medidas económicas que pode ser evitada, pois está desenhada para eclodir, com ou sem planos financeiros de emergência.
A crise é artificial mas tem um imenso poder. E tem poder porque a Humanidade adormeceu e se fixou em símbolos de valor que são insuficientes para representar o ser humano. A nossa moeda é uma moeda-número e não uma moeda-trabalho ou uma moeda-inteligência ou uma moeda-sensibilidade, representa um valor quantitativo divorciado da qualidade do ser humano.
O poder deste tipo de instabilidade para gerar pânico só é possível na medida em que as pessoas perderam amplitude em relação aos símbolos de valor. As agências obscuras que despoletaram esta crise fizeram-no na certeza de que o valor é representado por quantidade-dinheiro e não por qualidade-dinheiro. E sem um símbolo de valor, consensual, uma sociedade desagrega-se rapidamente.
E a crise significa que chegou o momento da Humanidade, começando pelos que detêm o poder político, financeiro e executivo, compreender que os nossos símbolos de valor - entre eles o dinheiro - servem para criar a sequência desenvolvimento»
e não para funcionarem como uma droga irresponsável que mantém o planeta em transe.
Desta crise pode emergir uma moeda-qualidade, uma forma de dinheiro desconhecida, que depende directamente da qualidade psíquica da vida para ter qualquer valor. Esse é o cenário futuro positivo. Uma nova moeda baseada no Ser.
Se assim não for, creio que teremos rapidamente que recuperar a nossa relação rural com a vida e com a Natureza.
Isto implica que o momento do reencontro e reunião daqueles que estão interiormente em contacto com o plano para a iluminação da Terra, nas áreas de protecção às quais se sentem ligados, está a aproximar-se.
Até 2010, cada individuo deverá estar já economicamente estabilizado e psicologicamente centrado na sua tarefa e na zona rural - ou urbana se for o caso - para a qual foi chamado desde há anos. Este é o momento de grandes decisões e da definição das nossas prioridades.
É o poder espiritual e autenticamente humano destes indivíduos, unidos, trabalhando dentro do que se pode chamar união em liberdade e cooperação em independência, que pode dissolver os campos obscuros da psicotrónica do governo-sombra e do baixo magnetismo da atmosfera psíquica colectiva e acender faróis de esperança, criatividade e vida nos pontos centrais do actual drama terrestre.
Este texto não é um convite a fazer as malas, abandonar a cidade e alienar-se das responsabilidades e oportunidades da actual civilização, mas um sinal para que nos preparemos para criar uma rede de áreas naturais prontas para sustentar a população em caso de crise aguda.
André Louro de Almeida, Setembro 2008, retirado do blog Iridia Lumina (obrigada Carla S.)
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Cultivar a Rendição
"Relaxar, sentir o amor no nosso coração e manter isso como nosso principal objectivo em todas as situações – é esse o significado da rendição espiritual. Ela transforma-nos, tornando-nos pessoas mais profundas, mais atraentes.No zen-budismo, existe um conceito chamado “mente zen”, ou “mente do principiante”. Eles dizem que a mente deve ser como uma tigela de arroz vazia. Se já estiver cheia, o universo não consegue preenchê-la. Se estiver vazia, tem espaço para receber. Isso implica que, quando achamos que já temos tudo planeado, não conseguimos aprender. O insight verdadeiro não consegue revelar-se numa mente que não está aberta para recebê-lo. Rendição é um processo de esvaziar a mente.
Segundo a tradição crística, é esse o significado de “tornar-se uma criancinha”. Criancinhas não acham que sabem o significado das coisas. Na verdade, sabem que não sabem. Elas interrogam as pessoas mais velhas e mais sábias, a fim de que lhes expliquem o significado das coisas. Nós somos crianças que não sabem, mas pensam que sabem. O sábio não finge saber o que é impossível saber. “Eu não sei” pode ser uma declaração poderosa. Quando entramos numa situação sem saber, há algo dentro de nós que sabe. Com a nossa mente consciente, damos um passo para trás a fim de que um poder superior dentro de nós possa dar um passo em frente e guiar-nos.
Precisamos de menos pose e de mais carisma verdadeiro. Originalmente, carisma era um termo religioso, que significava “do espírito” ou “inspirado”. Designava o acto de deixar a luz emanar de nós, uma centelha que não tem preço. Uma energia invisível com efeitos visíveis. Render-se, simplesmente amar, não é desaparecer como pano de fundo. Pelo contrário, é quando nos tornamos brilhantes. Quando deixamos a nossa própria luz brilhar.
Fomos feitos para brilhar. Observe as criancinhas. Elas são tão genuínas antes de começarem a tentar ser, porque demonstram o poder da verdadeira humildade. Isso também serve de explicação para a “sorte do principiante”. Quando entramos numa situação sem conhecer as regras, não fingimos que sabemos como descobri-las e não sabemos ainda o que deve ser temido. Isso liberta a mente para criar a partir do seu próprio poder superior. As situações mudam de figura e as luzes acendem-se simplesmente porque as nossas mentes se abriram para receber o amor. Saímos do nosso próprio caminho.
Quando achamos que é difícil ter sucesso, assim ele se torna para nós. O sucesso na vida não precisa de envolver tensão negativa. Não temos de lutar o tempo todo. Na verdade, a tensão ambiciosa limita a nossa capacidade de sermos bem sucedid
os, porque nos mantém num estado contraído, tanto emocional como fisicamente. Como o açúcar refinado da saúde mental, parece que nos dá energia, mas não é verdade; há um aumento da intensidade, seguido por uma queda. Cultivar a tranquilidade mental, ou a rendição, é como comer alimentos saudáveis. Não nos fornece energia de imediato, mas ao longo do tempo fornece-nos muito mais energia.
Marianne Williamson, Um Retorno ao Amor
Imagens: Herman Smorenburg

