sábado, 11 de outubro de 2008

O Show de Truman... Quem dirige o nosso?


Mais um daqueles filmes que nunca perdem actualidade. Vi-o quando saiu, em 1998 ou 1999, e agora gostei muito de o rever - desta vez em VHS, não encontrei em DVD.
Veja aqui uma interessante análise e compare com o famoso e actual Zeitgeistmovie.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O Tigre e o Dragão e... a Mulher Selvagem

Querem ter um vislumbre da Mulher Selvagem de que fala Clarice Pinkola Estés em Mulheres que Correm com os Lobos? Sim? Então vejam O TIGRE E O DRAGÃO, de Ang Lee. E regalem-se. Lavem a alma...

Aquelas mulheres não estão a ser homens, mas a viver uma parte vital da psique feminina, a parte da profunda vitalidade que nos foi roubada quando nos transformaram no "sexo fraco", em tecnologia de reprodução, objectos de prazer e decoração, robots domésticos, senhoras bem comportadas, serviçais do patriarcado...

Imagem: Google

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Escrevo, logo existo...

Este belo texto afinal é daqui...

"(...)Cada mulher que empunha uma caneta ou um teclado de computador, com pc ou sem pc...rs...está fazendo parte dessa revolução pq somos muito mais capazes do que supunhamos ou do que queriam eles que acreditássemos...Cada mulher que ousa escrever mais e ler mais está de mãos dadas construindo a nossa rede de amor fraterno e Lealdade Feminina, está construindo o Mater Mundi O mundo vindouro da Deusa...Acendendo a luz da sabedoria ancestral iluminando a nossa alma feminina para a nossa evolução...

Cada mulher que ousa escrever e ler escrever e ler MULHER sobre a mulher para a mulher...é um ponto de não-retorno para o mundo Mater Mundi (tbm os homens, que despertam sua sensibilidade feminina, reconhecendo-se imediatamente em religação com a Deusa, e entendendo que não podem mais continuar usufruindo e perpetuando a lealdade patriarcal desse sistema moribundo...)

Meu infinito e eterno agradecimento profundo e sincero a todas as mulheres que escreveram e que escrevem...sobre a Mulher e para a Mulher...E tbm às mulheres que leem mulheres, que fazem eco dessas idéias todas dentro da própria alma, e reverberam em suas entranhas as vibrações do Mater Mundi vindouro, co-criando um mundo novo em nossos úteros cósmicos...sementes de luz..."

"Mulheres de todo o mundo,
Leiam Mulher
Escrevam Mulher!"

LEALDADE FEMININA

Imagem: Google

É bom saber...

"Queria dizer-lhe que sim, que são as nossas amigas brasileiras que mais nos visitam...e que há dias uma delas me dizia justamente que o meu blogue, o seu e o da Juliana eram a grande ajuda para o seu trabalho!!!

Um abraço...e até breve,
rosa leonor"

MUSUO - Uma Sociedade sem Violência

Fica no Sudoeste da China e é uma das últimas sociedades matriarcais.As mulheres são o sexo forte e decidem a vida de todos.O médico e jornalista argentino viveu entre esse povo e da experiência resultou um livro: O REINO DAS MULHERES.

Em Musuo, mais propriamente na aldeia de Loshui onde viveu, Ricardo Coler encontrou mulheres que são as gestoras e chefes de família, onde não existe casamento, as crianças nunca conhecem o pai e a violência não existe. Esta sociedade onde as mulheres estão no topo da hierarquia é uma das últimas ainda existentes em todo o mundo.

Aqui nenhuma mulher se pode queixar de educação machista, de diferença de oportunidades ou de tratamento desigual. Elas são as únicas proprietárias da casa de família e dos campos e têm a última palavra em todas as decisões. O apelido que usam é o da mãe. São elas que determinam o estilo de vida na aldeia. Aos homens competem trabalhos como a construção de casas.

Mas, apesar de mandarem, as mulheres não valorizam o poder da mesma forma que um homem. O exemplo disso é que “a” chefe da aldeia é um homem. Dizem que eles são mais aptos para funções comunitárias. São questões administrativas que pouco lhes interessam. A figura do chefe carece da importância que tem no Ocidente.

Apartamentos exclusivos para mulheres
Na casa familiar, gerida pela matriarca – geralmente uma anciã, mas que também pode ser jovem - , moram todos os parentes do lado materno, homens ou mulheres, da avó aos netos. Grande parte do
espaço é reservado a uma divisão comum, que serve de cozinha, sala de estar e oratório. A esta, vão sendo acrescentados pequenos apartamentos individuais e exclusivos para mulheres acima dos 13 anos, a idade que marca o início da idade adulta. Aos homens é destinado apenas um quarto comum.

Casar é castigo...
As matriarcas ameaçam os filhos com o casamento quando não lhes agrada o seu comportamento. Não existe vínculo formal entre homem e mulher: cada um vive na sua casa e, à noite, eles visitam as mulheres com quem marcaram encontro. Este tipo de relação é chamado “axia”, que significa “relação íntima entre amantes”.
Dentro dos seus apartamentos, as Musuo podem receber visitas com toda a privacidade.

Quando os filhos nascem...
... a mulher fica dispensada dos trabalhos agrícolas durante um ano.

Pai é palavra desconhecida
E não tem qualquer importância social e afectiva. Como o casamento não existe, as crianças nunca chegam a conhecê-lo. As figuras masculinas são os tios, que ajudam a cuidar das crianças, mas com os quais não se estabelecem o mesmo tipo de laços. Só às mães cabe a educação e autoridade sobre as crianças.

Não há lugar à violência
Uma das coisas que mais impressionou Ricardo Coler foi a ausência de violência, física ou verbal. “Não é por medo de serem castigados, é por vergonha. A agressividade é vista como um desonra. A não-violência é uma das marcas dos matriarcados”.
Os Musuo são uma sociedade verdadeiramente solidária, onde os velhos nunca são deixados ao abandono. “Têm um sentido de comunidade muito forte, não existe a competição desapiedada.”

Uma lição de vida
Apesar de já ter visitado outros matriarcados, Ricardo Coler surpreendeu-se com o que encontrou em Loshui. “As Musuo são a mais pura das sociedades matriarcais que visitei. Todos temos ideias que nos parecem naturais e de que nunca duvidamos. Bem... muitas delas desmoronam-se na aldeia das Musuo. Isso fez-me repensar questões que acreditava serem definitivas.” As sociedades ocidentais lucravam em ter mais mulheres no poder? Ricardo é realista: “Não aconteceria só por estar uma mulher no governo. Uma mulher pode estar no poder fazendo o mesmo que um homem. A boa influência não vem da mulher, mas sim do lado feminino de todos os seres humanos.”

Ali “aprendi que há uma alternativa.”

Revista Activa, Outubro/2008 (adaptado)

Imagens: http://cronicascatai.blogspot.com/2008/06/leituras-o-reino-das-mulheres.html

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Visitas ao blog


Depois de ter introduzido um mapa de visitas, fiquei surpreendida por verificar que mais de 5o% dos meus visitantes são... do Brasil! E não de Portugal... Também é de lá que me tem chegado a maior parte dos comentários.
Curioso, porque de há uns tempos para cá apetece-me imenso visitar esse país...

domingo, 5 de outubro de 2008

Hoje marchou-se em Barcelona por uma Declaração dos Direitos Humanos da Mulher

Conforme acabo de ler em Mulheres & Deusas, mas já no Séc. XVIII, durante a Revolução Francesa, se pensou nisso, como se pode ler aqui.
Imagem: Google

Quando Deus criou um patriarcado... e nós tivemos de levar com ele em cima...

“Como se se movesse no interior da rodopiante coluna de ar, José entrou em casa, cerrou a porta atrás de si, e ali ficou encostado por um minuto, aguardando que os olhos se habituassem à meia penumbra. Ao lado dele, a candeia brilhava palidamente, quase sem irradiar luz, inútil. Maria, deitada de costas, estava acordada e atenta, olhava fixamente um ponto em frente, e parecia esperar. Sem pronunciar palavra, José aproximou-se e afastou devagar o lençol que a cobria. Ela desviou os olhos, soergueu um pouco a parte inferior da túnica, mas só acabou de puxá-la para cima, à altura do ventre, quando ele já se vinha debruçando e procedia do mesmo modo com a sua própria túnica, e Maria, entretanto, abrira as pernas, ou as tinha aberto durante o sonho e desta maneira as deixara ficar, fosse por inusitada indolência matinal ou pressentimento de mulher casada que conhece os seus deveres. Deus, que está em toda a parte, estava ali, mas, sendo aquilo que é, um puro espírito, não podia ver como a carne dele penetrou a carne dela, criadas uma e outra para isso mesmo, e, provavelmente, já nem lá se encontraria quando a semente sagrada de José se derramou no sagrado interior de Maria, sagrados ambos por serem a fonte e a taça da vida, em verdade há coisas que o próprio Deus não entende, embora as tivesse criado. Tendo pois saído para o pátio, Deus não pôde ouvir o som agónico, como um estertor, que saiu da boca do varão no instante da crise, e menos ainda o levíssimo gemido que a mulher não foi capaz de reprimir. Apenas um minuto, ou nem tanto, repousou José sobre o corpo de Maria. Enquanto ela puxava para baixo a túnica e se cobria com o lençol, tapando depois a cara com o antebraço, ele, de pé no meio da casa, de mãos levantadas, olhando o tecto, pronunciou aquela sobre todas terrível bênção, aos homens reservada, Louvado sejas tu, Senhor, nosso Deus, rei do universo, por não me teres feito mulher.* Ora, a estas alturas, Deus já nem no pátio devia estar, pois não tremeram as paredes da casa, não desabaram, nem a terra se abriu. Apenas, pela primeira vez, se ouviu Maria, e humildemente dizia, como de mulheres se espera que seja sempre a voz, Louvado sejas tu, Senhor, que me fizeste conforme a tua vontade, ora, entre estas palavras e as outras, conhecidas e aclamadas, não há diferença nenhuma, repare-se, Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra, está patente que quem disse isto podia, afinal, ter dito aquilo. Depois, a mulher do carpinteiro José levantou-se da esteira, enrolou-a juntamente com a do marido e dobrou o lençol comum.”

José Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Caminho, 5ª edição, pág. 26 e 27

* Segundo parece, este continua a ser um mantra da religião judaica...

Imagem: http://imagensbiblicas.wordpress.com

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

À noite logo se vê...

Como tenho de preparar o visionamento dum filme por uma turma, e ainda hoje não tinha dado a minha caminhada, calcei os ténis e fui lá abaixo, às profundezas da cidade, ao clube de vídeo. É raro sair assim, e cada vez que isso acontece é sempre uma estranheza constatar que neste início do século XXI a rua ainda é, praticamente em exclusivo, um lugar dos homens... A rua, os cafés, em todo o lado eles estão livremente, sós ou em grupos, enquanto em casa por certo a mulher lhes lava a loiça e lhes trata dos filhos...
Luxo extremo: vaguear pela cidade à noite, no sossego do trânsito, dentro do mistério do jogo da luz e da sombra, com esta temperatura amena do início do Outono...

Um cliente no clube de vídeo, por certo instigado pelo inusitado de uma mulher sozinha a requisitar um filme às nove e tal da noite, encadeia a sua conversa com a que o funcionário estava a ter comigo sobre o filme... Não há pachorra...

PS - Este texto é de ontem e hoje já posso acrescentar que, infelizmente, o tal filme, Cartas de Iwo Jimo, não merecia mesmo a deslocação... Embora venha indicado no manual - para miúdos de 14 anos! - e tenha lido que é uma "balada pela paz", é na verdade uma amostra - a evitar - da sinistra loucura em que o desalmado poder patriarcal é perito...

Imagem: Google

A Mulher e a actual crise


Vem isto a propósito de um comentário meu no blog de Rosa Leonor, e está bem visto, sim senhora, cara amiga...


"(...) penso que o meu livro pode acrescentar algo a essa grande questão, modéstia à parte, claro…de qualquer forma penso que em nenhuma parte do mundo as mulheres escaparam à manipulação do seu ser e embora possam estar activas e ser poderosas são-no dentro do sistema patriarcal que é como quem diz, presas nas suas armadilhas e sem a consciência inerente ao princípio feminino nem conscientes da sua fragmentação interna e só se elas tivessem integrado as duas mulheres divididas dentro de si, podiam fazer a diferença…Eu não as quero desresponsabilizar, mas é, como eu digo, no meu livro algures, uma contradição e um paradoxo esperar que dentro do sistema que tem uma estrutura de dominação da mulher este a liberte e a deixe ser ela própria…mesmo que lhe dê liberdade nunca permitiria a sua verdadeira consciência; não pode porque a suprimiu e dá apenas acesso à mulher ao poder no masculino e aí a mulher deixa de ser mulher e a maioria ou não consegue aguentar-se ou não lhe interessa no fundo os jogos de poder do homem, ou então não podem dividir-se entre o poder e a família…essa foi a armadilha em que as mulheres dos países avançados caíram…"
Rosa Leonor

UMA LÍNGUA DE HOMENS


A HISTÓRIA, OU AS PALAVRAS

Ensinavam-me e eu aprendia:
"O homo faber; o homo sapiens; o homem é um animal racional; os homens descobriram o fogo; os homens da pré-história; o homem é um animal religioso; os patriarcas; deus é pai; os faraós; o homem é um animal social; os filósofos gregos; os imperadores romanos; as eternas aspirações do homem; os guerreiros; os cavaleiros; os soldados; os marinheiros; os descobridores; os aventureiros; o homem da renascença; o homem tem sede de conhecimento; os físicos; os matemáticos; os homens lutam pela sua liberdade; os homens fazem o progresso técnico; os homens do governo; a declaração dos direitos do homem; os homens da imprensa; os homens lutam pelo poder; a exploração do homem pelo homem; milhões de homens morreram na guerra; os homens de boa vontade; a arte é uma necessidade do homem; o homem face à natureza..."

Um dia perguntei:
-ONDE ESTÃO AS MULHERES?

Esplicaram-me primeiro que as mulheres têm ficado quase sempre em casa, fazendo filhos e tricot; explicaram-me depois, com a grande paciência com que sempre fui tratada, que, quando se dizia homem, as palavras deviam ser vistas com maiúsculas, Homem, e se pretendia com isso significar “ser humano", e todas as importantes coisas com ele relacionadas.
-Mas porque ficaram as mulheres em casa? E porque desaparecem elas nessa sombra linguística? - perguntei várias vezes, sem que me dessem resposta.

Noutro dia, ou mais precisamente, numa tarde de sol da minha adolescência meditativa, escrevi um poema:
"Eu quereria conquistar palavras..."
Seguiam-se os vários fins e propósitos que eu destinava às palavras que eventualmente conquistasse.
Só muito mais tarde me apareceu a estranheza da forma condicional do poema. Não me passara pela cabeça dizer "eu quero...". Tão longínquas me pareciam as possibilidades de acção e escolha que eu remetia a minha vontade para a expressão de um devaneio.

Crescida, adulta, meu filho, pequeno, perguntou-me:
-Mãe, é verdade que são os homens que fazem tudo?
A História está nos livros; mas a história das mulheres é só decifrável ao longo de cada vida.
Maria Isabel Barreno, O Espaço do Silêncio

Imagem: Jardim de Crivelli, Paula Rego

Bullying feminino...

Garota Fora do Jogo (tradução brasileira), no original: Odd Girl Out), de Rachel Simmons*

"A cultura oculta da agressão às meninas, de Rachel Simmons, é um livro revelador - no mínimo. Isso porque discute um assunto polémico, o bullying, termo utilizado para definir a tiranização, a ameaça, a intimidação e a opressão exercidas por crianças e adolescentes. E mais: fala desse tema enfocando um universo que costuma ser relegado para segundo plano quando o assunto é agressão - o das meninas. Pais, professores e profissionais que lidam com crianças e adolescentes vão encontrar nessa leitura uma arma poderosa para entender e combater o problema. Resultado de um estudo pioneiro de Rachel Simmons, o livro, que faz parte da série Pais, Tais e Profissionais, começou a ser elaborado de maneira informal: a partir de depoimentos de amigas da cientista política norte-americana. Quando foi publicado nos Estados Unidos, Garota Fora do Jogo ficou várias semanas na lista dos dez livros mais vendidos do The New York Times. Muito se fala sobre violência nas escolas - meninos que surram colegas ou levam armas para a sala de aula. Mas e as meninas? Será que não há maldades no universo feminino infanto-juvenil? É claro que há. Só que ninguém vê. Em geral, as garotas não deixam rastos de violência, destruição e vandalismo. A sua agressividade é indirecta, não-física, dissimulada. Segundo as pesquisas feitas por Rachel Simmons, elas normalmente preferem usar a maledicência, a exclusão, a fofoca, apelidos maldosos e manipulações para infligir sofrimento psicológico às vítimas. Os seus métodos são quase invisíveis ao olhar dos pais e professores mais atentos, já que as garotas dificilmente se metem em ruidosas rodas de briga. O mais comum é que elas atinjam as suas vítimas espalhando boatos, passando bilhetinhos, disparando olhares coercivos, conspirando, jogando as colegas umas contra as outras. O bullying feminino, embora menos visível, é tão destrutivo quanto o masculino, ou até mais, pois a auto-estima da vítima é aniquilada sem que o problema seja discutido na escola, em casa, nos meios de comunicação ou no universo académico.

Rachel Simmons iniciou a sua pesquisa de modo informal. Ao dar-se conta de que não havia bibliografia sobre o assunto, ela enviou um e-mail para todas as mulheres que conhecia, com indagações simples como “Você já foi atormentada ou provocada por outra menina?Explique como foi isso. Que influência isso teve na sua vida até hoje?” As destinatárias repassaram a mensagem para outras amigas e, em 24 horas, o correio electrónico de Rachel ficou abarrotado de respostas emocionadas e cheias de detalhes. Isso estimulou-a a debater o tema nas escolas, com meninas de 11 a 14 anos. Quando o farto material recolhido lhe deu a ideia de escrever um livro, ela decidiu passar um ano aprofundando a pesquisa em dez instituições de ensino de diferentes regiões dos EUA, entrevistando alunas, pais, professores e funcionários, enquanto promovia discussões em salas de aula. Rachel também entrevistou cerca de 50 mulheres adultas fora do círculo escolar. Em Garota Fora do Jogo, a autora explora a dinâmica da crueldade emocional entre amigas íntimas. O que faz com que uma menina conspire contra outra? E porque é que a vítima tem dificuldade para se desenvencilhar da agressora? Muitas preferem ser maltratadas a serem ignoradas, ter falsas amigas a não ter amiga alguma. Por que mantêm elas o ciúme e a competição em segredo? Rachel Simmons aproveita para rever o conceito de garota popular, tão precioso às adolescentes. Neste mundo, a amizade é uma arma, e a dor provocada por um grito não é nada em comparação com um dia de silêncio de alguém. Não há gesto mais devastador do que um voltar de costas, explica a autora, que acredita ser tão importante discutir o bullying quanto o estupro, a violência doméstica e a saúde da mulher."

http://www.traca.com.br

*Rachel Simmons é fundadora e directora do Girls Leadership Institute.

Imagem: Paula Rego

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A CRISE FINANCEIRA - UMA NOVA PROPOSTA PARA A HUMANIDADE

Entramos numa crise económica irreversível.

No entanto a crise monetária internacional pode ter consequências radicais que só começam a emergir a partir de Maio de 2009.

Em 1998 descrevemos esta crise em detalhe. Falamos da desactivação dos pilares da actual civilização. As gravações das conferências sobre a matriz Melquisedeque, a Matriz Cristóide e os Portais tornaram-se mais actuais que nunca.

Qualquer plano para recuperar a economia é, nesta etapa, um artifício para ganhar tempo. Esta crise foi criada em gabinetes secretos para forçar as nações do mundo a aceitarem regimes para-totalitários, com base no medo e na insegurança, e não será por medidas económicas que pode ser evitada, pois está desenhada para eclodir, com ou sem planos financeiros de emergência.

A crise é artificial mas tem um imenso poder. E tem poder porque a Humanidade adormeceu e se fixou em símbolos de valor que são insuficientes para representar o ser humano. A nossa moeda é uma moeda-número e não uma moeda-trabalho ou uma moeda-inteligência ou uma moeda-sensibilidade, representa um valor quantitativo divorciado da qualidade do ser humano.

O poder deste tipo de instabilidade para gerar pânico só é possível na medida em que as pessoas perderam amplitude em relação aos símbolos de valor. As agências obscuras que despoletaram esta crise fizeram-no na certeza de que o valor é representado por quantidade-dinheiro e não por qualidade-dinheiro. E sem um símbolo de valor, consensual, uma sociedade desagrega-se rapidamente.

E a crise significa que chegou o momento da Humanidade, começando pelos que detêm o poder político, financeiro e executivo, compreender que os nossos símbolos de valor - entre eles o dinheiro - servem para criar a sequência desenvolvimento»sustentabilidade»saciabilidade»identidade»liberdade»pesquisa,

e não para funcionarem como uma droga irresponsável que mantém o planeta em transe.

Desta crise pode emergir uma moeda-qualidade, uma forma de dinheiro desconhecida, que depende directamente da qualidade psíquica da vida para ter qualquer valor. Esse é o cenário futuro positivo. Uma nova moeda baseada no Ser.

Se assim não for, creio que teremos rapidamente que recuperar a nossa relação rural com a vida e com a Natureza.

Isto implica que o momento do reencontro e reunião daqueles que estão interiormente em contacto com o plano para a iluminação da Terra, nas áreas de protecção às quais se sentem ligados, está a aproximar-se.

Até 2010, cada individuo deverá estar já economicamente estabilizado e psicologicamente centrado na sua tarefa e na zona rural - ou urbana se for o caso - para a qual foi chamado desde há anos. Este é o momento de grandes decisões e da definição das nossas prioridades.

É o poder espiritual e autenticamente humano destes indivíduos, unidos, trabalhando dentro do que se pode chamar união em liberdade e cooperação em independência, que pode dissolver os campos obscuros da psicotrónica do governo-sombra e do baixo magnetismo da atmosfera psíquica colectiva e acender faróis de esperança, criatividade e vida nos pontos centrais do actual drama terrestre.

Este texto não é um convite a fazer as malas, abandonar a cidade e alienar-se das responsabilidades e oportunidades da actual civilização, mas um sinal para que nos preparemos para criar uma rede de áreas naturais prontas para sustentar a população em caso de crise aguda.

André Louro de Almeida, Setembro 2008, retirado do blog Iridia Lumina (obrigada Carla S.)

Imagem: Ashtar, André Louro de Almeida

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Cultivar a Rendição

"Relaxar, sentir o amor no nosso coração e manter isso como nosso principal objectivo em todas as situações – é esse o significado da rendição espiritual. Ela transforma-nos, tornando-nos pessoas mais profundas, mais atraentes.

No zen-budismo, existe um conceito chamado “mente zen”, ou “mente do principiante”. Eles dizem que a mente deve ser como uma tigela de arroz vazia. Se já estiver cheia, o universo não consegue preenchê-la. Se estiver vazia, tem espaço para receber. Isso implica que, quando achamos que já temos tudo planeado, não conseguimos aprender. O insight verdadeiro não consegue revelar-se numa mente que não está aberta para recebê-lo. Rendição é um processo de esvaziar a mente.

Segundo a tradição crística, é esse o significado de “tornar-se uma criancinha”. Criancinhas não acham que sabem o significado das coisas. Na verdade, sabem que não sabem. Elas interrogam as pessoas mais velhas e mais sábias, a fim de que lhes expliquem o significado das coisas. Nós somos crianças que não sabem, mas pensam que sabem. O sábio não finge saber o que é impossível saber. “Eu não sei” pode ser uma declaração poderosa. Quando entramos numa situação sem saber, há algo dentro de nós que sabe. Com a nossa mente consciente, damos um passo para trás a fim de que um poder superior dentro de nós possa dar um passo em frente e guiar-nos.

Precisamos de menos pose e de mais carisma verdadeiro. Originalmente, carisma era um termo religioso, que significava “do espírito” ou “inspirado”. Designava o acto de deixar a luz emanar de nós, uma centelha que não tem preço. Uma energia invisível com efeitos visíveis. Render-se, simplesmente amar, não é desaparecer como pano de fundo. Pelo contrário, é quando nos tornamos brilhantes. Quando deixamos a nossa própria luz brilhar.

Fomos feitos para brilhar. Observe as criancinhas. Elas são tão genuínas antes de começarem a tentar ser, porque demonstram o poder da verdadeira humildade. Isso também serve de explicação para a “sorte do principiante”. Quando entramos numa situação sem conhecer as regras, não fingimos que sabemos como descobri-las e não sabemos ainda o que deve ser temido. Isso liberta a mente para criar a partir do seu próprio poder superior. As situações mudam de figura e as luzes acendem-se simplesmente porque as nossas mentes se abriram para receber o amor. Saímos do nosso próprio caminho.

Quando achamos que é difícil ter sucesso, assim ele se torna para nós. O sucesso na vida não precisa de envolver tensão negativa. Não temos de lutar o tempo todo. Na verdade, a tensão ambiciosa limita a nossa capacidade de sermos bem sucedidos, porque nos mantém num estado contraído, tanto emocional como fisicamente. Como o açúcar refinado da saúde mental, parece que nos dá energia, mas não é verdade; há um aumento da intensidade, seguido por uma queda. Cultivar a tranquilidade mental, ou a rendição, é como comer alimentos saudáveis. Não nos fornece energia de imediato, mas ao longo do tempo fornece-nos muito mais energia.

Isso não quer dizer que temos de ficar sentados na posição de lótus o dia inteiro. Ainda ficamos excitados, mas de maneira mais calma. Muitas pessoas associam a vida espiritual a um filme de segunda categoria, mas Deus não elimina todos os dramas da nossa vida. Só o dramalhão. E não existe drama maior do que o verdadeiro crescimento pessoal. Nada pode ser verdadeiramente mais dramático do que meninos transformando-se em homens e meninas em mulheres...

Algo de extraordinário acontece quando nos rendemos e simplesmente amamos. Fundimo-nos com outro mundo, com um reino de poder que já existia dentro de nós. O mundo muda quando nós mudamos. Fica mais macio, quando nós amolecemos. O mundo ama-nos quando decidimos amá-lo."

Marianne Williamson, Um Retorno ao Amor

Imagens: Herman Smorenburg

domingo, 28 de setembro de 2008

Vindimas de Outono

Este post tem uma parte bucólica e outra... panfletária. Leia até ao fim, sff.

Ontem, ritual das vindimas da I. e do J. no Vale de Teira. Lá nos vieram à garganta as velhas melodias de sempre, da Laurindinha e do seu marinheiro, às do Rui Veloso, às francesas e por aí fora à medida que, caoticamente, nos iam passando pela cabeça. O importante era celebrarmos a alegria de estarmos mais uma vez ali juntas. O amor que nos une de companheiras/irmãs de longos anos. Começámos a contar: quase vinte, vinte, vinte e um!... Mais o nosso irmão/companheiro J., mais o T., um querido também, que, naturalmente, se juntou a nós.

Como não nos cansámos muito, antes do almoço na varanda da adega, fomos andar pelos campos em volta, que é onde o nosso amor ainda consegue ir mais fundo. Os campos onde já o Outono começa a espalhar a sua marca, na erva que ressuscita, nos últimos frutos alcandorados no topo das árvores antigas e a que ninguém parece dar importância: os figos, as maçãs. E, nos arbustos, as últimas amoras e as ameixas selvagens, as “ameixas de cão”, como se diz lá na minha terra.

É fácil rirmos e brincarmos. Ah, também contámos anedotas. Sexuadas. A Baubo baixou – estamos todas, mais coisa menos coisa, na faixa certa...

Mas, hélas, não é possível interessar as minhas irmãs/companheiras pelos meus temas mais sérios... Óbvio que estamos na idade de Júpiter, o que mais queremos é mesmo more fun per second... Também eu, claro!

Mas... há vida para além disso. Há questões que, por pudor, medos de enfrentar a fera do patriarcado, do status quo, do mainstream, por pura síndroma da normose, morrem ali. E parece aceitar-se sem se questionar essa pata, esse grilhão, sobre nós, como se de um destino inelutável se tratasse ou, talvez, de forma mais "sensata", pensando-se no conforto que daí advém. Ponto final.

Ah, o meu texto no Região*. Ah, pois... e não se vai mais longe...

E o companheirismo parece ter armadilhas destas. O grupo tem tendência para normalizar, nivelar. Quem quer deixar crescer asas... elas incomodam... Chega pra lá com o teu discurso “feminista” rançoso... Isso já era, é coisa de museu. E a coisa entra nesse corpo de dor (como diria o Eckart Tolle) e o estereótipo instala-se e o pessoal não aguenta...

Depois, lá pelo 300, espanto/desconforto por os meus projectos serem tão pessoais. Ah, pois é, só queriam meio pacote, não?... Humildade a mais, descrição a mais, cedência a mais torna-se campo estéril onde nada cresce...

Como diz o Régio, “Eu tenho a minha loucura/E ergo-a como um facho a arder na noite escura”. É cá dos meus...

Post 2 – Outra cá das minhas

Finalmente, já tenho o meu leitor de DVDs! E lá consegui ver ontem o Frida que há anos esperava na prateleira. Grande filme, por falar em loucura e em alguém que ergueu o seu facho bem firme naquela noite escura - e agora ilumina-nos... Sublime Frida! Um filme de mulher, óbvio, só uma mulher para saber onde arranjar um Diego Rivera plus vrai que nature: Alfred Molina! Onde é que o homem tem andado (para além de O Código Da Vinci, onde faz de... bispo!)? Sex appel de cortar a respiração... Qual Richard Gere, qual António Banderas!?...

* "O Género do Poder" saiu esta semana, na segunda página do jornal "Região de Rio Maior".

Imagens: Google ( a primeira é bonita, mas, claro, as moçoilas em nós são um bocadinho menos evidentes... Quanto a adereços, a verga e o barro deram lugar ao plástico. E já ninguém carrega nada, há o tractor...)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Já lá vai uma semana...

... e eu sem tempo pra escrever nada para aqui. Só planificações e preparação de aulas... E ainda nem comecei a 100%...
Mas estou viva! E tenho saudades de bloguear como dantes, de visitar os meus favoritos.
Rosa, há semanas que não a visito... nem a Lealdade Feminina, nem nada...
Um abraço, entretanto.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Hino nacional: manter fora do alcance das crianças!

Hinos nacionais belicistas, não!!!

Acabam de me enviar uma news-letter da Amnistia Internacional que visa a prevenção do uso das armas... É dirigida aos professores, com propostas de actividades para os alunos e tudo. Todo o texto é muito sensato e oportuno, dizendo coisas como:

“A campanha “Controlar as Armas” realizada pela AI em parceria com a Oxfam
internacional e a Rede de Acção Internacional sobre as Armas Ligeiras é mais uma acção
que podemos considerar em relação estreita com a concretização dos direitos humanos
consagrados na DUDH. Todos os anos milhões de pessoas em todo o mundo e de todas as
idades sofrem as consequências do comércio irresponsável de armas. (...)”


“A sociedade civil tem um papel fundamental nas iniciativas de prevenção das situações
de abuso e violação de Direitos Humanos. As ONG lideram actualmente as campanhas
mais importantes para a prevenção do recrutamento de crianças-soldado e motivam a
população a participar activamente no processo. A educação é o pilar destas iniciativas
como espaço de sensibilização e construção da paz. O envolvimento e participação de
todos pode ser feito de várias formas mas tem sempre um objectivo comum. É através da
compreensão e tolerância, da luta contra a discriminação e do diálogo intercultural que
podemos avançar na consolidação da paz.”

Muito bem! Subscrevo. Mas...

Interessante o timing... Logo hoje que cometi a gaffe de, num teste de avaliação de diagnóstico da compreensão oral, que se encontrava no manual, dar a ouvir aos meus alunos o Hino Nacional declamado por – ainda por cima... – uma voz feminina. Tive de interromper, porque – horror dos horrores!... - todas as minhas células se recusaram a ouvir mais uma vez aquele grito lancinante de... “Às armas! Às armas!" . Assim, duas vezes!

Qualquer campanha de prevenção do uso de armas pela população terá que inevitavelmente começar pela modificação da letra de “A Portuguesa”... A data de validação já prescreveu há muito... O grau de toxicidade é letal...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O Género do Poder

Há dias, em conversa com uma colega de outra escola, fiquei a saber que alguém, uma professora, prepara uma tese de mestrado sobre o tema das relações entre género e poder. Poder, neste caso, na Escola. Gostei de saber. Dá-nos esperança constatar que se questionam factos que em certos ambientes parecem tão naturais, para não dizer convenientes. É agradável perceber que afinal cidadania não é um mero conceito da moda que fica bem em qualquer Projecto Educativo...

Na verdade, apesar do número de professoras ser esmagadoramente superior ao dos professores, são estes que, em grande maioria, confirmam as estatísticas (nem precisávamos delas neste caso...), asseguram o poder. Desconheço a distribuição em outros países, nomeadamente na UE, mas em Portugal a disparidade é gritante. As mulheres, que têm a seu cargo, quase em exclusivo, a educação, na família como na escola – num perigoso desequilíbrio, diga-se –, quando chegam às posições hierárquicas de topo, gentilmente, gentlemen first, cedem os lugares aos homens.

Ignoro as conclusões da referida tese, mas não me pareceria estranho que coincidíssemos em alguns pontos. Primeiro, a Escola parece ser um bom trampolim para a política local... Segundo, as meninas parecem transitar da alçada do papá para a do marido, tendo em muitos casos passado pela do padre, e depois, no trabalho, para a do director. Pena que não aproveitem a profissão para se autonomizarem, usufruindo da boleia dada pelo esforço que desenvolveram (sozinhas!) na aquisição das competências requeridas... Inconscientemente procura-se segurança no másculo domínio, como numa das últimas missas a que assisti, em que quatro homens (três padres e um bispo) oficiavam para uma bem numerosa assembleia composta quase exclusivamente por mulheres...

- Qual é o problema? - já ouço perguntarem.

São vários. E graves. É óbvio que convinha primeiro entender a representação social do poder e o modo como cada um dos géneros o encara.

O homem, por norma, parece encarar o exercício do poder e da autoridade como um direito de que naturalmente se sente investido. Um direito “divino”. Afinal nas instâncias superiores reina um deus e o seu filho, não? Ao poder masculino associa-se, também por norma, toda uma panóplia de sinais exteriores, uns mais palpáveis do que outros, que vão do doutor e engenheiro ao carro topo de gama e à piscina, dos resorts de luxo à vénia, do orgulho da mamã (e aqui abre-se a hipótese para teses ainda mais complexas...) ao aumento do sex-appel e, claro, à conquista da mulher-troféu. E para uma parte considerável das mulheres este estatuto é o mais perto que ambicionam estar do poder. É o poder que uma Hera ferida colhe do seu Zeus... E isto, claro, para só falar dos gadgets softs, dos cor-de-rosa, porque há os outros, os mais duros e cinzentões, que vão dos tanques aos obuses, passando pelas ogivas e por aí fora...

Já para as mulheres (aquelas que se assumem como tal e não como homens disfarçados), em grande número muito competentes e superpreparadas, o poder é visto essencialmente como um peso e uma responsabilidade. Mais uma a juntar à extensa lista... Ele tende a ser encarado por elas como um autêntico serviço que, abnegadamente, de forma menos imponente e colorida, se presta à comunidade e que, como tal, prescinde de sinais exteriores. Pena, porque o público parece que até gosta...

Lamento dizê-lo, mas este é o autêntico poder de que a sociedade humana precisa. Como de pão para a boca, literalmente. Basta reflectirmos sobre a conexão que facilmente se pode estabelecer entre a subalternidade das mulheres e a pobreza e a violência no mundo.

Imagem: Google

sábado, 13 de setembro de 2008

O Domínio Masculino e a Exaustão Emocional


Os dois posts que se seguem, de importância fundamental, foram copiados de Mulheres & Deusas:

“O desequilíbrio das nossas instituições fundamentais, que reflectem um Deus pai no topo de uma trindade totalmente masculina, teve uma influência devastadora no mundo Ocidental.
Com o rápido desenrolar dos acontecimentos devido a avanços da ciência nos últimos trezentos anos e
especialmente nos últimos cinquenta, a fractura na sociedade Ocidental e na psique humana tornou-se cada vez mais evidente. A poluição do planeta e o abuso flagrante das nossas crianças estão intimamente relacionados com esta falha fundamental .

(...)

Uma das realidades mais tristes da nossa cultura é que a ascendência do masculino ferido levou à exaustão emocional. Onde o feminino não é valorizado, um homem não tem verdadeira intimidade com o seu oposto, a sua outra “metade”. Muitas vezes, não pode canalizar as suas energias na direcção de uma relação amorosa visto que o seu parceiro, supostamente, não tem valor. Privado do seu oposto igual porque o feminino é visto como inferior, o macho frustrado predominante fica esgotado: “onde o sol brilha sempre, há um deserto”. As florestas secam, os rios secam, o solo estala. A terra morre.”

In MARIA MADALENA E O SANTO GRAAL Margaret Starbird

Rosa Leonor

A Dessacralização do Feminino

De Mulheres & Deusas este importantíssimo texto de Sylvia B. Perera:


“Na verdade, muito do que Inana simbolizava para os sumérios foi exilado desde aquela época: muitas das qualidades ostentadas pelas deusas do mundo superior foram dessacralizadas no Ocidente, assumidas por divindades masculinas, (...) idealizadas pelo código moral e estático do Patriarcado. É por isso que a maioria das deusas gregas foram engolidas pelos pais e a deusa hebraica foi despotenciada. Restam-nas apenas deusas minimizadas ou restritas apenas a determinados aspectos. E muitos dos poderes antes apresentados pela Deusa perderam a conexão com a vida da mulher: o feminino apaixonadamente erótico e lúdico; o feminino multifacetado dotado de vontade própria, ambicioso, real.

Na verdade, as mulheres têm vivido apenas no domínio pessoal, na periferia da cultura do Ocidente, em funções fortemente circunscritas, frequentemente subordinadas a homens, posição social, filhos etc., ocultando sua necessidade de poder e paixão, vivendo em segurança e secundariamente na relação com nomes sobrecarregados, nos quais se projectou todo o poder que a cultura legitima para eles. O que se tornou assim comportamento colectivamente aceitável para as mulheres, perdeu a conexão com o sagrado, ao mesmo tempo em que a estatura da Deusa era reduzida. Tornou-se cada vez mais hiperbólico o superego patriarcal, originalmente necessário para inculcar a sensibilidade ética; a seguir, esse superego foi fortalecido pela Igreja cristã institucional, com o fim de disciplinar as emoções tribais e selvagens do mundo medieval. A partir da mudança do Utilitarismo e da época Vitoriana, o superego que comprimiu e reprimiu durante tanto tempo essas energias vitais, que agora elas têm de irromper, forçando entre outras coisas, o retorno da Deusa à cultura ocidental.”

CAMINHO PARA A INICIAÇÃO FEMININA
Sylvia B. Perera

Rosa Leonor