
Mais um daqueles filmes que nunca perdem actualidade. Vi-o quando saiu, em 1998 ou 1999, e agora gostei muito de o rever - desta vez em VHS, não encontrei em DVD.
Veja aqui uma interessante análise e compare com o famoso e actual Zeitgeistmovie.
"Se somos seres espirituais percorrendo um caminho humano, e não seres humanos que podem estar a transitar por um caminho espiritual, (...) então a vida não é só uma jornada, mas também uma peregrinação ou busca." Jean Shinoda Bolen

Querem ter um vislumbre da Mulher Selvagem de que fala Clarice Pinkola Estés em Mulheres que Correm com os Lobos? Sim? Então vejam O TIGRE E O DRAGÃO, de Ang Lee. E regalem-se. Lavem a alma...
Este belo texto afinal é daqui...
Fica no Sudoeste da China e é uma das últimas sociedades matriarcais.Mas, apesar de mandarem, as mulheres não valorizam o poder da mesma forma que um homem. O exemplo disso é que “a” chefe da aldeia é um homem. Dizem que eles são mais aptos para funções comunitárias. São questões administrativas que pouco lhes interessam. A figura do chefe carece da importância que tem no Ocidente.
Na casa familiar, gerida pela matriarca – geralmente uma anciã, mas que também pode ser jovem - , moram todos os parentes do lado materno, homens ou mulheres, da avó aos netos. Grande parte do espaço é reservado a uma divisão comum, que serve de cozinha, sala de estar e oratório. A esta, vão sendo acrescentados pequenos apartamentos individuais e exclusivos para mulheres acima dos 13 anos, a idade que marca o início da idade adulta. Aos homens é destinado apenas um quarto comum.
As matriarcas ameaçam os filhos com o casamento quando não lhes agrada o seu comportamento. Não existe vínculo formal entre homem e mulher: cada um vive na sua casa e, à noite, eles visitam as mulheres com quem marcaram encontro. Este tipo de relação é chamado “axia”, que significa “relação íntima entre amantes”.
Dentro dos seus apartamentos, as Musuo podem receber visitas com toda a privacidade.
... a mulher fica dispensada dos trabalhos agrícolas durante um ano.
E não tem qualquer importância social e afectiva. Como o casamento não existe, as crianças nunca chegam a conhecê-lo. As figuras masculinas são os tios, que ajudam a cuidar das crianças, mas com os quais não se estabelecem o mesmo tipo de laços. Só às mães cabe a educação e autoridade sobre as crianças.
Uma das coisas que mais impressionou Ricardo Coler foi a ausência de violência, física ou verbal. “Não é por medo de serem castigados, é por vergonha. A agressividade é vista como um desonra. A não-violência é uma das marcas dos matriarcados”.
Os Musuo são uma sociedade verdadeiramente solidária, onde os velhos nunca são deixados ao abandono. “Têm um sentido de comunidade muito forte, não existe a competição desapiedada.”
Apesar de já ter visitado outros matriarcados, Ricardo Coler surpreendeu-se com o que encontrou em Loshui. “As Musuo são a mais pura das sociedades matriarcais que visitei. Todos temos ideias que nos parecem naturais e de que nunca duvidamos. Bem... muitas delas desmoronam-se na aldeia das Musuo. Isso fez-me repensar questões que acreditava serem definitivas.” As sociedades ocidentais lucravam em ter mais mulheres no poder? Ricardo é realista: “Não aconteceria só por estar uma mulher no governo. Uma mulher pode estar no poder fazendo o mesmo que um homem. A boa influência não vem da mulher, mas sim do lado feminino de todos os seres humanos.”
Ali “aprendi que há uma alternativa.”
Revista Activa, Outubro/2008 (adaptado)
Imagens: http://cronicascatai.blogspot.com/2008/06/leituras-o-reino-das-mulheres.html
Conforme acabo de ler em Mulheres & Deusas, mas já no Séc. XVIII, durante a Revolução Francesa, se pensou nisso, como se pode ler aqui.
“Como se se movesse no interior da rodopiante coluna de ar, José entrou em casa, cerrou a porta atrás de si, e ali ficou encostado por um minuto, aguardando que os olhos se habituassem à meia penumbra. Ao lado dele, a candeia brilhava palidamente, quase sem irradiar luz, inútil. Maria, deitada de costas, estava acordada e atenta, olhava fixamente um ponto em frente, e parecia esperar. Sem pronunciar palavra, José aproximou-se e afastou devagar o lençol que a cobria. Ela desviou os olhos, soergueu um pouco a parte inferior da túnica, mas só acabou de puxá-la para cima, à altura do ventre, quando ele já se vinha debruçando e procedia do mesmo modo com a sua própria túnica, e Maria, entretanto, abrira as pernas, ou as tinha aberto durante o sonho e desta maneira as deixara ficar, fosse por inusitada indolência matinal ou pressentimento de mulher casada que conhece os seus deveres. Deus, que está em toda a parte, estava ali, mas, sendo aquilo que é, um puro espírito, não podia ver como a carne dele penetrou a carne dela, criadas uma e outra para isso mesmo, e, provavelmente, já nem lá se encontraria quando a semente sagrada de José se derramou no sagrado interior de Maria, sagrados ambos por serem a fonte e a taça da vida, em verdade há coisas que o próprio Deus não entende, embora as tivesse criado. Tendo pois saído para o pátio, Deus não pôde ouvir o som agónico, como um estertor, que saiu da boca do varão no instante da crise, e menos ainda o levíssimo gemido que a mulher não foi capaz de reprimir. Apenas um minuto, ou nem tanto, repousou José sobre o corpo de Maria. Enquanto ela puxava para baixo a túnica e se cobria com o lençol, tapando depois a cara com o antebraço, ele, de pé no meio da casa, de mãos levantadas, olhando o tecto, pronunciou aquela sobre todas terrível bênção, aos homens reservada, Louvado sejas tu, Senhor, nosso Deus, rei do universo, por não me teres feito mulher.* Ora, a estas alturas, Deus já nem no pátio devia estar, pois não tremeram as paredes da casa, não desabaram, nem a terra se abriu. Apenas, pela primeira vez, se ouviu Maria, e humildemente dizia, como de mulheres se espera que seja sempre a voz, Louvado sejas tu, Senhor, que me fizeste conforme a tua vontade, ora, entre estas palavras e as outras, conhecidas e aclamadas, não há diferença nenhuma, repare-se, Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra, está patente que quem disse isto podia, afinal, ter dito aquilo. Depois, a mulher do carpinteiro José levantou-se da esteira, enrolou-a juntamente com a do marido e dobrou o lençol comum.”José Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Caminho, 5ª edição, pág. 26 e 27
* Segundo parece, este continua a ser um mantra da religião judaica...
Imagem: http://imagensbiblicas.wordpress.com
Como tenho de preparar o visionamento dum filme por uma turma, e ainda hoje não tinha dado a minha caminhada, calcei os ténis e fui lá abaixo, às profundezas da cidade, ao clube de vídeo. É raro sair assim, e cada vez que isso acontece é sempre uma estranheza constatar que neste início do século XXI a rua ainda é, praticamente em exclusivo, um lugar dos homens... A rua, os cafés, em todo o lado eles estão livremente, sós ou em grupos, enquanto em casa por certo a mulher lhes lava a loiça e lhes trata dos filhos...Um cliente no clube de vídeo, por certo instigado pelo inusitado de uma mulher sozinha a requisitar um filme às nove e tal da noite, encadeia a sua conversa com a que o funcionário estava a ter comigo sobre o filme... Não há pachorra...
PS - Este texto é de ontem e hoje já posso acrescentar que, infelizmente, o tal filme, Cartas de Iwo Jimo, não merecia mesmo a deslocação... Embora venha indicado no manual - para miúdos de 14 anos! - e tenha lido que é uma "balada pela paz", é na verdade uma amostra - a evitar - da sinistra loucura em que o desalmado poder patriarcal é perito...
Imagem: Google


"O homo faber; o homo sapiens; o homem é um animal racional; os homens descobriram o fogo; os homens da pré-história; o homem é um animal religioso; os patriarcas; deus é pai; os faraós; o homem é um animal social; os filósofos gregos; os imperadores romanos; as eternas aspirações do homem; os guerreiros; os cavaleiros; os soldados; os marinheiros; os descobridores; os aventureiros; o homem da renascença; o homem tem sede de conhecimento; os físicos; os matemáticos; os homens lutam pela sua liberdade; os homens fazem o progresso técnico; os homens do governo; a declaração dos direitos do homem; os homens da imprensa; os homens lutam pelo poder; a exploração do homem pelo homem; milhões de homens morreram na guerra; os homens de boa vontade; a arte é uma necessidade do homem; o homem face à natureza..."
Um dia perguntei:
-ONDE ESTÃO AS MULHERES?
Esplicaram-me primeiro que as mulheres têm ficado quase sempre em casa, fazendo filhos e tricot; explicaram-me depois, com a grande paciência com que sempre fui tratada, que, quando se dizia homem, as palavras deviam ser vistas com maiúsculas, Homem, e se pretendia com isso significar “ser humano", e todas as importantes coisas com ele relacionadas.
-Mas porque ficaram as mulheres em casa? E porque desaparecem elas nessa sombra linguística? - perguntei várias vezes, sem que me dessem resposta.
Noutro dia, ou mais precisamente, numa tarde de sol da minha adolescência meditativa, escrevi um poema:
"Eu quereria conquistar palavras..."
Seguiam-se os vários fins e propósitos que eu destinava às palavras que eventualmente conquistasse.
Só muito mais tarde me apareceu a estranheza da forma condicional do poema. Não me passara pela cabeça dizer "eu quero...". Tão longínquas me pareciam as possibilidades de acção e escolha que eu remetia a minha vontade para a expressão de um devaneio.
Crescida, adulta, meu filho, pequeno, perguntou-me:
-Mãe, é verdade que são os homens que fazem tudo?
A História está nos livros; mas a história das mulheres é só decifrável ao longo de cada vida.
Maria Isabel Barreno, O Espaço do Silêncio
Imagem: Jardim de Crivelli, Paula Rego
Garota Fora do Jogo (tradução brasileira), no original: Odd Girl Out), de Rachel Simmons* Rachel Simmons iniciou a sua pesquisa de modo informal. Ao dar-se conta de que não havia bibliografia sobre o assunto, ela enviou um e-mail para todas as mulheres que conhecia, com indagações simples como “Você já foi atormentada ou provocada por outra menina?Explique como foi isso. Que influência isso teve na sua vida até hoje?” As destinatárias repassaram a mensagem para outras amigas e, em 24 horas, o correio electrónico de Rachel ficou abarrotado de respostas emocionadas e cheias de detalhes. Isso estimulou-a a debater o tema nas escolas, com meninas de 11 a 14 anos. Quando o farto material recolhido lhe deu a ideia de escrever um livro, ela decidiu passar um ano aprofundando a pesquisa em dez instituições de ensino de diferentes regiões dos EUA, entrevistando alunas, pais, professores e funcionários, enquanto promovia discussões em salas de aula. Rachel também entrevistou cerca de 50 mulheres adultas fora do círculo escolar.
http://www.traca.com.br
*Rachel Simmons é fundadora e directora do Girls Leadership Institute.
Imagem: Paula Rego
No entanto a crise monetária internacional pode ter consequências radicais que só começam a emergir a partir de Maio de 2009.
Em 1998 descrevemos esta crise
Qualquer plano para recuperar a economia é, nesta etapa, um artifício para ganhar tempo. Esta crise foi criada em gabinetes secretos para forçar as nações do mundo a aceitarem regimes para-totalitários, com base no medo e na insegurança, e não será por medidas económicas que pode ser evitada, pois está desenhada para eclodir, com ou sem planos financeiros de emergência.
A crise é artificial mas tem um imenso poder. E tem poder porque a Humanidade adormeceu e se fixou em símbolos de valor que são insuficientes para representar o ser humano. A nossa moeda é uma moeda-número e não uma moeda-trabalho ou uma moeda-inteligência ou uma moeda-sensibilidade, representa um valor quantitativo divorciado da qualidade do ser humano.
O poder deste tipo de instabilidade para gerar pânico só é possível na medida em que as pessoas perderam amplitude em relação aos símbolos de valor. As agências obscuras que despoletaram esta crise fizeram-no na certeza de que o valor é representado por quantidade-dinheiro e não por qualidade-dinheiro. E sem um símbolo de valor, consensual, uma sociedade desagrega-se rapidamente.
E a crise significa que chegou o momento da Humanidade, começando pelos que detêm o poder político, financeiro e executivo, compreender que os nossos símbolos de valor - entre eles o dinheiro - servem para criar a sequência desenvolvimento»
e não para funcionarem como uma droga irresponsável que mantém o planeta em transe.
Desta crise pode emergir uma moeda-qualidade, uma forma de dinheiro desconhecida, que depende directamente da qualidade psíquica da vida para ter qualquer valor. Esse é o cenário futuro positivo. Uma nova moeda baseada no Ser.
Se assim não for, creio que teremos rapidamente que recuperar a nossa relação rural com a vida e com a Natureza.
Isto implica que o momento do reencontro e reunião daqueles que estão interiormente em contacto com o plano para a iluminação da Terra, nas áreas de protecção às quais se sentem ligados, está a aproximar-se.
Até 2010, cada individuo deverá estar já economicamente estabilizado e psicologicamente centrado na sua tarefa e na zona rural - ou urbana se for o caso - para a qual foi chamado desde há anos. Este é o momento de grandes decisões e da definição das nossas prioridades.
É o poder espiritual e autenticamente humano destes indivíduos, unidos, trabalhando dentro do que se pode chamar união em liberdade e cooperação em independência, que pode dissolver os campos obscuros da psicotrónica do governo-sombra e do baixo magnetismo da atmosfera psíquica colectiva e acender faróis de esperança, criatividade e vida nos pontos centrais do actual drama terrestre.
Este texto não é um convite a fazer as malas, abandonar a cidade e alienar-se das responsabilidades e oportunidades da actual civilização, mas um sinal para que nos preparemos para criar uma rede de áreas naturais prontas para sustentar a população em caso de crise aguda.
André Louro de Almeida, Setembro 2008, retirado do blog Iridia Lumina (obrigada Carla S.)
"Relaxar, sentir o amor no nosso coração e manter isso como nosso principal objectivo em todas as situações – é esse o significado da rendição espiritual. Ela transforma-nos, tornando-nos pessoas mais profundas, mais atraentes.No zen-budismo, existe um conceito chamado “mente zen”, ou “mente do principiante”. Eles dizem que a mente deve ser como uma tigela de arroz vazia. Se já estiver cheia, o universo não consegue preenchê-la. Se estiver vazia, tem espaço para receber. Isso implica que, quando achamos que já temos tudo planeado, não conseguimos aprender. O insight verdadeiro não consegue revelar-se numa mente que não está aberta para recebê-lo. Rendição é um processo de esvaziar a mente.
Segundo a tradição crística, é esse o significado de “tornar-se uma criancinha”. Criancinhas não acham que sabem o significado das coisas. Na verdade, sabem que não sabem. Elas interrogam as pessoas mais velhas e mais sábias, a fim de que lhes expliquem o significado das coisas. Nós somos crianças que não sabem, mas pensam que sabem. O sábio não finge saber o que é impossível saber. “Eu não sei” pode ser uma declaração poderosa. Quando entramos numa situação sem saber, há algo dentro de nós que sabe. Com a nossa mente consciente, damos um passo para trás a fim de que um poder superior dentro de nós possa dar um passo em frente e guiar-nos.
Precisamos de menos pose e de mais carisma verdadeiro. Originalmente, carisma era um termo religioso, que significava “do espírito” ou “inspirado”. Designava o acto de deixar a luz emanar de nós, uma centelha que não tem preço. Uma energia invisível com efeitos visíveis. Render-se, simplesmente amar, não é desaparecer como pano de fundo. Pelo contrário, é quando nos tornamos brilhantes. Quando deixamos a nossa própria luz brilhar.
Fomos feitos para brilhar. Observe as criancinhas. Elas são tão genuínas antes de começarem a tentar ser, porque demonstram o poder da verdadeira humildade. Isso também serve de explicação para a “sorte do principiante”. Quando entramos numa situação sem conhecer as regras, não fingimos que sabemos como descobri-las e não sabemos ainda o que deve ser temido. Isso liberta a mente para criar a partir do seu próprio poder superior. As situações mudam de figura e as luzes acendem-se simplesmente porque as nossas mentes se abriram para receber o amor. Saímos do nosso próprio caminho.
Quando achamos que é difícil ter sucesso, assim ele se torna para nós. O sucesso na vida não precisa de envolver tensão negativa. Não temos de lutar o tempo todo. Na verdade, a tensão ambiciosa limita a nossa capacidade de sermos bem sucedid
os, porque nos mantém num estado contraído, tanto emocional como fisicamente. Como o açúcar refinado da saúde mental, parece que nos dá energia, mas não é verdade; há um aumento da intensidade, seguido por uma queda. Cultivar a tranquilidade mental, ou a rendição, é como comer alimentos saudáveis. Não nos fornece energia de imediato, mas ao longo do tempo fornece-nos muito mais energia.
Marianne Williamson, Um Retorno ao Amor
Imagens: Herman Smorenburg
Este post tem uma parte bucólica e outra... panfletária. Leia até ao fim, sff.Como não nos cansámos muito, antes do almoço na varanda da adega, fomos andar pelos campos em volta, que é onde o nosso amor ainda consegue ir mais fundo. Os campos onde já o Outono começa a espalhar a sua marca, na erva que ressuscita, nos últimos frutos alcandorados no topo das árvores antigas e a que ninguém parece dar importância: os figos, as maçãs. E, nos arbustos, as últimas amoras e as ameixas selvagens, as “ameixas de cão”, como se diz lá na minha terra.
É fácil rirmos e brincarmos. Ah, também contámos anedotas. Sexuadas. A Baubo baixou – estamos todas, mais coisa menos coisa, na faixa certa...
Como diz o Régio, “Eu tenho a minha loucura/E ergo-a como um facho a arder na noite escura”. É cá dos meus...
Finalmente, já tenho o meu leitor de DVDs! E lá consegui ver ontem o Frida que há anos esperava na prateleira. Grande filme, por falar em loucura e em alguém que ergueu o seu facho bem firme naquela noite escura - e agora ilumina-nos... Sublime Frida! Um filme de mulher, óbvio, só uma mulher para saber onde arranjar um Diego Rivera plus vrai que nature: Alfred Molina! Onde é que o homem tem andado (para além de O Código Da Vinci, onde faz de... bispo!)? Sex appel de cortar a respiração... Qual Richard Gere, qual António Banderas!?...
* "O Género do Poder" saiu esta semana, na segunda página do jornal "Região de Rio Maior".
Imagens: Google ( a primeira é bonita, mas, claro, as moçoilas em nós são um bocadinho menos evidentes... Quanto a adereços, a verga e o barro deram lugar ao plástico. E já ninguém carrega nada, há o tractor...)
Hinos nacionais belicistas, não!!!
internacional e a Rede de Acção Internacional sobre as Armas Ligeiras é mais uma acção
que podemos considerar em relação estreita com a concretização dos direitos humanos
consagrados na DUDH. Todos os anos milhões de pessoas em todo o mundo e de todas as
idades sofrem as consequências do comércio irresponsável de armas. (...)”
“A sociedade civil tem um papel fundamental nas iniciativas de prevenção das situações
de abuso e violação de Direitos Humanos. As ONG lideram actualmente as campanhas
mais importantes para a prevenção do recrutamento de crianças-soldado e motivam a
população a participar activamente no processo. A educação é o pilar destas iniciativas
como espaço de sensibilização e construção da paz. O envolvimento e participação de
todos pode ser feito de várias formas mas tem sempre um objectivo comum. É através da
compreensão e tolerância, da luta contra a discriminação e do diálogo intercultural que
podemos avançar na consolidação da paz.”
Há dias, em conversa com uma colega de outra escola, fiquei a saber que alguém, uma professora, prepara uma tese de mestrado sobre o tema das relações entre género e poder. Poder, neste caso, na Escola. Gostei de saber. Dá-nos esperança constatar que se questionam factos que em certos ambientes parecem tão naturais, para não dizer convenientes. É agradável perceber que afinal cidadania não é um mero conceito da moda que fica bem Na verdade, apesar do número de professoras ser esmagadoramente superior ao dos professores, são estes que, em grande maioria, confirmam as estatísticas (nem precisávamos delas neste caso...), asseguram o poder. Desconheço a distribuição em outros países, nomeadamente na UE, mas em Portugal a disparidade é gritante. As mulheres, que têm a seu cargo, quase em exclusivo, a educação, na família como na escola – num perigoso desequilíbrio, diga-se –, quando chegam às posições hierárquicas de topo, gentilmente, gentlemen first, cedem os lugares aos homens.
Ignoro as conclusões da referida tese, mas não me pareceria estranho que coincidíssemos em alguns pontos. Primeiro, a Escola parece ser um bom trampolim para a política local... Segundo, as meninas parecem transitar da alçada do papá para a do marido, tendo em muitos casos passado pela do padre, e depois, no trabalho, para a do director. Pena que não aproveitem a profissão para se autonomizarem, usufruindo da boleia dada pelo esforço que desenvolveram (sozinhas!) na aquisição das competências requeridas... Inconscientemente procura-se segurança no másculo domínio, como numa das últimas missas a que assisti, em que quatro homens (três padres e um bispo) oficiavam para uma bem numerosa assembleia composta quase exclusivamente por mulheres...
- Qual é o problema? - já ouço perguntarem.
São vários. E graves. É óbvio que convinha primeiro entender a representação social do poder e o modo como cada um dos géneros o encara.
O homem, por norma, parece encarar o exercício do poder e da autoridade como um direito de que naturalmente se sente investido. Um direito “divino”. Afinal nas instâncias superiores reina um deus e o seu filho, não? Ao poder masculino associa-se, também por norma, toda uma panóplia de sinais exteriores, uns mais palpáveis do que outros, que vão do doutor e engenheiro ao carro topo de gama e à piscina, dos resorts de luxo à vénia, do orgulho da mamã (e aqui abre-se a hipótese para teses ainda mais complexas...) ao aumento do sex-appel e, claro, à conquista da mulher-troféu. E para uma parte considerável das mulheres este estatuto é o mais perto que ambicionam estar do poder. É o poder que uma Hera ferida colhe do seu Zeus... E isto, claro, para só falar dos gadgets softs, dos cor-de-rosa, porque há os outros, os mais duros e cinzentões, que vão dos tanques aos obuses, passando pelas ogivas e por aí fora...
Já para as mulheres (aquelas que se assumem como tal e não como homens disfarçados), em grande número muito competentes e superpreparadas, o poder é visto essencialmente como um peso e uma responsabilidade. Mais uma a juntar à extensa lista... Ele tende a ser encarado por elas como um autêntico serviço que, abnegadamente, de forma menos imponente e colorida, se presta à comunidade e que, como tal, prescinde de sinais exteriores. Pena, porque o público parece que até gosta...
Lamento dizê-lo, mas este é o autêntico poder de que a sociedade humana precisa. Como de pão para a boca, literalmente. Basta reflectirmos sobre a conexão que facilmente se pode estabelecer entre a subalternidade das mulheres e a pobreza e a violência no mundo.
Imagem: Google

(...)
Uma das realidades mais tristes da nossa cultura é que a ascendência do masculino ferido levou à exaustão emocional. Onde o feminino não é valorizado, um homem não tem verdadeira intimidade com o seu oposto, a sua outra “metade”. Muitas vezes, não pode canalizar as suas energias na direcção de uma relação amorosa visto que o seu parceiro, supostamente, não tem valor. Privado do seu oposto igual porque o feminino é visto como inferior, o macho frustrado predominante fica esgotado: “onde o sol brilha sempre, há um deserto”. As florestas secam, os rios secam, o solo estala. A terra morre.”
Publicada por Rosa Leonor
De Mulheres & Deusas este importantíssimo texto de Sylvia B. Perera:
“Na verdade, muito do que Inana simbolizava para os sumérios foi exilado desde aquela época: muitas das qualidades ostentadas pelas deusas do mundo superior foram dessacralizadas no Ocidente, assumidas por divindades masculinas, (...) idealizadas pelo código moral e estático do Patriarcado. É por isso que a maioria das deusas gregas foram engolidas pelos pais e a deusa hebraica foi despotenciada. Restam-nas apenas deusas minimizadas ou restritas apenas a determinados aspectos. E muitos dos poderes antes apresentados pela Deusa perderam a conexão com a vida da mulher: o feminino apaixonadamente erótico e lúdico; o feminino multifacetado dotado de vontade própria, ambicioso, real.
CAMINHO PARA A INICIAÇÃO FEMININA
Sylvia B. Perera
Publicada por Rosa Leonor – Mulheres & Deusas