quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Cultivar a Rendição

"Relaxar, sentir o amor no nosso coração e manter isso como nosso principal objectivo em todas as situações – é esse o significado da rendição espiritual. Ela transforma-nos, tornando-nos pessoas mais profundas, mais atraentes.

No zen-budismo, existe um conceito chamado “mente zen”, ou “mente do principiante”. Eles dizem que a mente deve ser como uma tigela de arroz vazia. Se já estiver cheia, o universo não consegue preenchê-la. Se estiver vazia, tem espaço para receber. Isso implica que, quando achamos que já temos tudo planeado, não conseguimos aprender. O insight verdadeiro não consegue revelar-se numa mente que não está aberta para recebê-lo. Rendição é um processo de esvaziar a mente.

Segundo a tradição crística, é esse o significado de “tornar-se uma criancinha”. Criancinhas não acham que sabem o significado das coisas. Na verdade, sabem que não sabem. Elas interrogam as pessoas mais velhas e mais sábias, a fim de que lhes expliquem o significado das coisas. Nós somos crianças que não sabem, mas pensam que sabem. O sábio não finge saber o que é impossível saber. “Eu não sei” pode ser uma declaração poderosa. Quando entramos numa situação sem saber, há algo dentro de nós que sabe. Com a nossa mente consciente, damos um passo para trás a fim de que um poder superior dentro de nós possa dar um passo em frente e guiar-nos.

Precisamos de menos pose e de mais carisma verdadeiro. Originalmente, carisma era um termo religioso, que significava “do espírito” ou “inspirado”. Designava o acto de deixar a luz emanar de nós, uma centelha que não tem preço. Uma energia invisível com efeitos visíveis. Render-se, simplesmente amar, não é desaparecer como pano de fundo. Pelo contrário, é quando nos tornamos brilhantes. Quando deixamos a nossa própria luz brilhar.

Fomos feitos para brilhar. Observe as criancinhas. Elas são tão genuínas antes de começarem a tentar ser, porque demonstram o poder da verdadeira humildade. Isso também serve de explicação para a “sorte do principiante”. Quando entramos numa situação sem conhecer as regras, não fingimos que sabemos como descobri-las e não sabemos ainda o que deve ser temido. Isso liberta a mente para criar a partir do seu próprio poder superior. As situações mudam de figura e as luzes acendem-se simplesmente porque as nossas mentes se abriram para receber o amor. Saímos do nosso próprio caminho.

Quando achamos que é difícil ter sucesso, assim ele se torna para nós. O sucesso na vida não precisa de envolver tensão negativa. Não temos de lutar o tempo todo. Na verdade, a tensão ambiciosa limita a nossa capacidade de sermos bem sucedidos, porque nos mantém num estado contraído, tanto emocional como fisicamente. Como o açúcar refinado da saúde mental, parece que nos dá energia, mas não é verdade; há um aumento da intensidade, seguido por uma queda. Cultivar a tranquilidade mental, ou a rendição, é como comer alimentos saudáveis. Não nos fornece energia de imediato, mas ao longo do tempo fornece-nos muito mais energia.

Isso não quer dizer que temos de ficar sentados na posição de lótus o dia inteiro. Ainda ficamos excitados, mas de maneira mais calma. Muitas pessoas associam a vida espiritual a um filme de segunda categoria, mas Deus não elimina todos os dramas da nossa vida. Só o dramalhão. E não existe drama maior do que o verdadeiro crescimento pessoal. Nada pode ser verdadeiramente mais dramático do que meninos transformando-se em homens e meninas em mulheres...

Algo de extraordinário acontece quando nos rendemos e simplesmente amamos. Fundimo-nos com outro mundo, com um reino de poder que já existia dentro de nós. O mundo muda quando nós mudamos. Fica mais macio, quando nós amolecemos. O mundo ama-nos quando decidimos amá-lo."

Marianne Williamson, Um Retorno ao Amor

Imagens: Herman Smorenburg

domingo, 28 de setembro de 2008

Vindimas de Outono

Este post tem uma parte bucólica e outra... panfletária. Leia até ao fim, sff.

Ontem, ritual das vindimas da I. e do J. no Vale de Teira. Lá nos vieram à garganta as velhas melodias de sempre, da Laurindinha e do seu marinheiro, às do Rui Veloso, às francesas e por aí fora à medida que, caoticamente, nos iam passando pela cabeça. O importante era celebrarmos a alegria de estarmos mais uma vez ali juntas. O amor que nos une de companheiras/irmãs de longos anos. Começámos a contar: quase vinte, vinte, vinte e um!... Mais o nosso irmão/companheiro J., mais o T., um querido também, que, naturalmente, se juntou a nós.

Como não nos cansámos muito, antes do almoço na varanda da adega, fomos andar pelos campos em volta, que é onde o nosso amor ainda consegue ir mais fundo. Os campos onde já o Outono começa a espalhar a sua marca, na erva que ressuscita, nos últimos frutos alcandorados no topo das árvores antigas e a que ninguém parece dar importância: os figos, as maçãs. E, nos arbustos, as últimas amoras e as ameixas selvagens, as “ameixas de cão”, como se diz lá na minha terra.

É fácil rirmos e brincarmos. Ah, também contámos anedotas. Sexuadas. A Baubo baixou – estamos todas, mais coisa menos coisa, na faixa certa...

Mas, hélas, não é possível interessar as minhas irmãs/companheiras pelos meus temas mais sérios... Óbvio que estamos na idade de Júpiter, o que mais queremos é mesmo more fun per second... Também eu, claro!

Mas... há vida para além disso. Há questões que, por pudor, medos de enfrentar a fera do patriarcado, do status quo, do mainstream, por pura síndroma da normose, morrem ali. E parece aceitar-se sem se questionar essa pata, esse grilhão, sobre nós, como se de um destino inelutável se tratasse ou, talvez, de forma mais "sensata", pensando-se no conforto que daí advém. Ponto final.

Ah, o meu texto no Região*. Ah, pois... e não se vai mais longe...

E o companheirismo parece ter armadilhas destas. O grupo tem tendência para normalizar, nivelar. Quem quer deixar crescer asas... elas incomodam... Chega pra lá com o teu discurso “feminista” rançoso... Isso já era, é coisa de museu. E a coisa entra nesse corpo de dor (como diria o Eckart Tolle) e o estereótipo instala-se e o pessoal não aguenta...

Depois, lá pelo 300, espanto/desconforto por os meus projectos serem tão pessoais. Ah, pois é, só queriam meio pacote, não?... Humildade a mais, descrição a mais, cedência a mais torna-se campo estéril onde nada cresce...

Como diz o Régio, “Eu tenho a minha loucura/E ergo-a como um facho a arder na noite escura”. É cá dos meus...

Post 2 – Outra cá das minhas

Finalmente, já tenho o meu leitor de DVDs! E lá consegui ver ontem o Frida que há anos esperava na prateleira. Grande filme, por falar em loucura e em alguém que ergueu o seu facho bem firme naquela noite escura - e agora ilumina-nos... Sublime Frida! Um filme de mulher, óbvio, só uma mulher para saber onde arranjar um Diego Rivera plus vrai que nature: Alfred Molina! Onde é que o homem tem andado (para além de O Código Da Vinci, onde faz de... bispo!)? Sex appel de cortar a respiração... Qual Richard Gere, qual António Banderas!?...

* "O Género do Poder" saiu esta semana, na segunda página do jornal "Região de Rio Maior".

Imagens: Google ( a primeira é bonita, mas, claro, as moçoilas em nós são um bocadinho menos evidentes... Quanto a adereços, a verga e o barro deram lugar ao plástico. E já ninguém carrega nada, há o tractor...)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Já lá vai uma semana...

... e eu sem tempo pra escrever nada para aqui. Só planificações e preparação de aulas... E ainda nem comecei a 100%...
Mas estou viva! E tenho saudades de bloguear como dantes, de visitar os meus favoritos.
Rosa, há semanas que não a visito... nem a Lealdade Feminina, nem nada...
Um abraço, entretanto.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Hino nacional: manter fora do alcance das crianças!

Hinos nacionais belicistas, não!!!

Acabam de me enviar uma news-letter da Amnistia Internacional que visa a prevenção do uso das armas... É dirigida aos professores, com propostas de actividades para os alunos e tudo. Todo o texto é muito sensato e oportuno, dizendo coisas como:

“A campanha “Controlar as Armas” realizada pela AI em parceria com a Oxfam
internacional e a Rede de Acção Internacional sobre as Armas Ligeiras é mais uma acção
que podemos considerar em relação estreita com a concretização dos direitos humanos
consagrados na DUDH. Todos os anos milhões de pessoas em todo o mundo e de todas as
idades sofrem as consequências do comércio irresponsável de armas. (...)”


“A sociedade civil tem um papel fundamental nas iniciativas de prevenção das situações
de abuso e violação de Direitos Humanos. As ONG lideram actualmente as campanhas
mais importantes para a prevenção do recrutamento de crianças-soldado e motivam a
população a participar activamente no processo. A educação é o pilar destas iniciativas
como espaço de sensibilização e construção da paz. O envolvimento e participação de
todos pode ser feito de várias formas mas tem sempre um objectivo comum. É através da
compreensão e tolerância, da luta contra a discriminação e do diálogo intercultural que
podemos avançar na consolidação da paz.”

Muito bem! Subscrevo. Mas...

Interessante o timing... Logo hoje que cometi a gaffe de, num teste de avaliação de diagnóstico da compreensão oral, que se encontrava no manual, dar a ouvir aos meus alunos o Hino Nacional declamado por – ainda por cima... – uma voz feminina. Tive de interromper, porque – horror dos horrores!... - todas as minhas células se recusaram a ouvir mais uma vez aquele grito lancinante de... “Às armas! Às armas!" . Assim, duas vezes!

Qualquer campanha de prevenção do uso de armas pela população terá que inevitavelmente começar pela modificação da letra de “A Portuguesa”... A data de validação já prescreveu há muito... O grau de toxicidade é letal...

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O Género do Poder

Há dias, em conversa com uma colega de outra escola, fiquei a saber que alguém, uma professora, prepara uma tese de mestrado sobre o tema das relações entre género e poder. Poder, neste caso, na Escola. Gostei de saber. Dá-nos esperança constatar que se questionam factos que em certos ambientes parecem tão naturais, para não dizer convenientes. É agradável perceber que afinal cidadania não é um mero conceito da moda que fica bem em qualquer Projecto Educativo...

Na verdade, apesar do número de professoras ser esmagadoramente superior ao dos professores, são estes que, em grande maioria, confirmam as estatísticas (nem precisávamos delas neste caso...), asseguram o poder. Desconheço a distribuição em outros países, nomeadamente na UE, mas em Portugal a disparidade é gritante. As mulheres, que têm a seu cargo, quase em exclusivo, a educação, na família como na escola – num perigoso desequilíbrio, diga-se –, quando chegam às posições hierárquicas de topo, gentilmente, gentlemen first, cedem os lugares aos homens.

Ignoro as conclusões da referida tese, mas não me pareceria estranho que coincidíssemos em alguns pontos. Primeiro, a Escola parece ser um bom trampolim para a política local... Segundo, as meninas parecem transitar da alçada do papá para a do marido, tendo em muitos casos passado pela do padre, e depois, no trabalho, para a do director. Pena que não aproveitem a profissão para se autonomizarem, usufruindo da boleia dada pelo esforço que desenvolveram (sozinhas!) na aquisição das competências requeridas... Inconscientemente procura-se segurança no másculo domínio, como numa das últimas missas a que assisti, em que quatro homens (três padres e um bispo) oficiavam para uma bem numerosa assembleia composta quase exclusivamente por mulheres...

- Qual é o problema? - já ouço perguntarem.

São vários. E graves. É óbvio que convinha primeiro entender a representação social do poder e o modo como cada um dos géneros o encara.

O homem, por norma, parece encarar o exercício do poder e da autoridade como um direito de que naturalmente se sente investido. Um direito “divino”. Afinal nas instâncias superiores reina um deus e o seu filho, não? Ao poder masculino associa-se, também por norma, toda uma panóplia de sinais exteriores, uns mais palpáveis do que outros, que vão do doutor e engenheiro ao carro topo de gama e à piscina, dos resorts de luxo à vénia, do orgulho da mamã (e aqui abre-se a hipótese para teses ainda mais complexas...) ao aumento do sex-appel e, claro, à conquista da mulher-troféu. E para uma parte considerável das mulheres este estatuto é o mais perto que ambicionam estar do poder. É o poder que uma Hera ferida colhe do seu Zeus... E isto, claro, para só falar dos gadgets softs, dos cor-de-rosa, porque há os outros, os mais duros e cinzentões, que vão dos tanques aos obuses, passando pelas ogivas e por aí fora...

Já para as mulheres (aquelas que se assumem como tal e não como homens disfarçados), em grande número muito competentes e superpreparadas, o poder é visto essencialmente como um peso e uma responsabilidade. Mais uma a juntar à extensa lista... Ele tende a ser encarado por elas como um autêntico serviço que, abnegadamente, de forma menos imponente e colorida, se presta à comunidade e que, como tal, prescinde de sinais exteriores. Pena, porque o público parece que até gosta...

Lamento dizê-lo, mas este é o autêntico poder de que a sociedade humana precisa. Como de pão para a boca, literalmente. Basta reflectirmos sobre a conexão que facilmente se pode estabelecer entre a subalternidade das mulheres e a pobreza e a violência no mundo.

Imagem: Google

sábado, 13 de setembro de 2008

O Domínio Masculino e a Exaustão Emocional


Os dois posts que se seguem, de importância fundamental, foram copiados de Mulheres & Deusas:

“O desequilíbrio das nossas instituições fundamentais, que reflectem um Deus pai no topo de uma trindade totalmente masculina, teve uma influência devastadora no mundo Ocidental.
Com o rápido desenrolar dos acontecimentos devido a avanços da ciência nos últimos trezentos anos e
especialmente nos últimos cinquenta, a fractura na sociedade Ocidental e na psique humana tornou-se cada vez mais evidente. A poluição do planeta e o abuso flagrante das nossas crianças estão intimamente relacionados com esta falha fundamental .

(...)

Uma das realidades mais tristes da nossa cultura é que a ascendência do masculino ferido levou à exaustão emocional. Onde o feminino não é valorizado, um homem não tem verdadeira intimidade com o seu oposto, a sua outra “metade”. Muitas vezes, não pode canalizar as suas energias na direcção de uma relação amorosa visto que o seu parceiro, supostamente, não tem valor. Privado do seu oposto igual porque o feminino é visto como inferior, o macho frustrado predominante fica esgotado: “onde o sol brilha sempre, há um deserto”. As florestas secam, os rios secam, o solo estala. A terra morre.”

In MARIA MADALENA E O SANTO GRAAL Margaret Starbird

Rosa Leonor

A Dessacralização do Feminino

De Mulheres & Deusas este importantíssimo texto de Sylvia B. Perera:


“Na verdade, muito do que Inana simbolizava para os sumérios foi exilado desde aquela época: muitas das qualidades ostentadas pelas deusas do mundo superior foram dessacralizadas no Ocidente, assumidas por divindades masculinas, (...) idealizadas pelo código moral e estático do Patriarcado. É por isso que a maioria das deusas gregas foram engolidas pelos pais e a deusa hebraica foi despotenciada. Restam-nas apenas deusas minimizadas ou restritas apenas a determinados aspectos. E muitos dos poderes antes apresentados pela Deusa perderam a conexão com a vida da mulher: o feminino apaixonadamente erótico e lúdico; o feminino multifacetado dotado de vontade própria, ambicioso, real.

Na verdade, as mulheres têm vivido apenas no domínio pessoal, na periferia da cultura do Ocidente, em funções fortemente circunscritas, frequentemente subordinadas a homens, posição social, filhos etc., ocultando sua necessidade de poder e paixão, vivendo em segurança e secundariamente na relação com nomes sobrecarregados, nos quais se projectou todo o poder que a cultura legitima para eles. O que se tornou assim comportamento colectivamente aceitável para as mulheres, perdeu a conexão com o sagrado, ao mesmo tempo em que a estatura da Deusa era reduzida. Tornou-se cada vez mais hiperbólico o superego patriarcal, originalmente necessário para inculcar a sensibilidade ética; a seguir, esse superego foi fortalecido pela Igreja cristã institucional, com o fim de disciplinar as emoções tribais e selvagens do mundo medieval. A partir da mudança do Utilitarismo e da época Vitoriana, o superego que comprimiu e reprimiu durante tanto tempo essas energias vitais, que agora elas têm de irromper, forçando entre outras coisas, o retorno da Deusa à cultura ocidental.”

CAMINHO PARA A INICIAÇÃO FEMININA
Sylvia B. Perera

Rosa Leonor

O Humano Divino


Recebido há pouco da Isabel Tostão:

O Humano Divino

não necessita buscar uma conexão com o Espírito, ele está plenamente consciente de que É Espírito e de que todas as experiências da vida, individuais e colectivas, são expressões espirituais. Não se sente separado de qualquer parte da Criação, sentindo-se intimamente conectado com o Todo.

Não tem medo da mudança, individual ou colectiva; sabe que cada experiência é uma experiência de crescimento e uma oportunidade de recriar a sua própria Presença Divina na forma humana. Conhece a natureza da ilusão na qual vive e usa-a para intensificar a experiência pessoal e servir à humanidade.

Não tem sentimentos de baixa auto-estima; sabe que nenhum fragmento de Tudo O Que É tem menos valor e mérito do que qualquer outro; Não se compara com outros de qualquer maneira, particular ou publicamente, e não se sente superior a outros. Não inveja nem se apieda de qualquer outra pessoa.

Honra as próprias necessidades e desejos, acima de todos os outros; sabe que não se pode servir verdadeiramente os outros a partir de um espaço de co-dependência ou de vítima e não pode amar ninguém sem primeiro se amar.

Sabe plenamente que a Verdade não é mantida por alguém ou qualquer coisa fora de si e que a

única Verdade é encontrada interiormente. Não tem necessidade de saber, porque tem acesso a tudo o que precisa através da intuição mais elevada.

Não pode ser infiel a si mesmo; não se compromete com a sua própria realidade e pontos de vista a favor dos de outros. Vive a vida encarnada na base do "eu escolho"e não do "eu tenho medo de..." As acções são consistentes com as palavras. Não diz uma coisa e faz outra. Não tem sentimentos de humilhação.

Não pode ser falso com os outros; não tem desejo de deturpar, de manipular ou controlar pessoas ou eventos, de ser reservado, de ser ganancioso ou desonesto até em pequenos detalhes. Vive na mais elevada integridade em todos os momentos. Tem a sabedoria de perceber quando falar e quando silenciar, quando agir e quando nada fazer, mas não alterará a expressão da verdade interior a sabor do interesse dos outros. Sabe que o que beneficia um deve beneficiar o Todo, a fim de que a Ordem Divina seja mantida. Dá e recebe num fluxo equilibrado

Tem confiança em si e consequentemente confia nos outros. Sabe que não há erros, nem fracassos, somente escolhas; está em sintonia com a consciência mais elevada que está orquestrando o Fluxo Divino da nossa experiência e evolução humana. Não tem sentimentos de culpa, vergonha, ou indecisão; Não é afectado pela crítica dos outros.

Não tem desejo de provar o certo e o errado. Sabe que todos os pontos de vista são igualmente válidos, sendo um direito inerente do livre arbítrio de cada um. Determina e impõe limites pessoais baseados na escolha e não no medo. Não discute, nem se dedica a conflitos de poder.

Não critica e nem julga os outros directa ou indirectamente; não se ocupa com ouvir para criticar e tagarelar. Não se lamenta. Não tenta incitar o drama e o conflito entre outros; sabe plenamente que a necessidade de criticar e discutir, vem do medo. Concede a todos os outros o direito de serem como eles são. Não confunde as acções do outro com o ser do outro; sabe que todos os seres são Divinos e iguais.
Opera no tempo do Agora. A consciência encarnada não está distante no passado ou no futuro, mas somente no momento do agora e na experiência escolhida deste momento. Não se preocupa nem tem arrependimentos.

É totalmente capaz de experienciar toda a extensão da emoção humana, além de ser capaz de escolher as emoções que quer sentir em qualquer experiência humana; Não experiencia a resposta emocional descontrolada e impetuosa da maior parte dos humanos.

Faz as escolhas e decisões da vida baseado na intuição mais elevada, mais do que no pensamento linear e lógico, ou nos instintos de sobrevivência baseados no medo do corpo emocional. Sabe que a intuição mais elevada opera no Fluxo Divino e não está sujeito às inconsistências do corpo emocional ou mental. Não precisa de razões, a não ser "eu escolho".

Conhece o verdadeiro significado do Amor e é incapaz de amar qualquer parte da criação mais ou menos do que qualquer outra parte. Não precisa de qualquer tipo específico de relacionamento com outros humanos, animais, etc. Escolhe os relacionamentos que intensifiquem a experiência da vida e liberta aqueles que não o façam; sabe que não é possível ferir o outro, a menos que o outro, em algum nível, tenha escolhido experienciar isto; sabe que não é possível ser ferido a menos que tenha também escolhido esta experiência.

Não teme qualquer parte da criação; não experiencia preocupação e apreensão. Não se sente ameaçado pelos pensamentos, palavras e acções de qualquer outro corpo, individual ou colectivo, mas está alerta e consciente do ambiente imediato e das escolhas potenciais apresentadas pelo mesmo.

Não se apega às pessoas ou outras formas de vida, lugares ou coisas. Não sofre com a separação ou a morte, porque sabe que todos nós estamos eternamente conectados no Um e que a separação que parece existir no plano da Terra é uma ilusão.

Não experiencia as variações normais da vida humana, porque está livre do carma e opera a um nível de frequência acima da dualidade; Raramente experiencia a doença ou o ferimento, porque o corpo está livre da influência dos pensamentos emocionais inferiores. Pode transmutar as energias inferiores dos outros sem ser afectado por elas.

Não julga nem condena os eventos do mundo; sabe que eles são uma manifestação da consciência colectiva e que a mais poderosa ferramenta para mudar o mundo é a própria transformação. Pode escolher trabalhar activamente pela mudança no mundo, se assim for guiado pela intuição mais elevada.

É capaz de agir com compaixão verdadeira em todos os momentos, servindo à humanidade e prestando este auxílio que é necessário num espaço mais elevado e de não julgamento. Não tem agenda pessoal ou motivações para auxiliar outros; escolhe fazer isto ou não, baseando-se na intuição mais elevada

Não tem interesse em se colocar acima dos outros, controlando as crenças ou acções dos outros, assumindo o poder pessoal dos outros; não tem nada a provar a quem quer que seja.

Honra os limites colocados pelos outros, individuais e colectivos; respeita o livre arbítrio e o espaço pessoal de cada um em todos os momentos e as leis da terra na qual vive. Ocasionalmente escolhe ultrapassar um limite, mas faz isso assumindo total responsabilidade pela possibilidade das consequências.

Levanta-se todos os dias com um sentimento de alegria e excitação sobre o que pode se revelar, mas não tem expectativas sobre o que pode ser experienciado, embora assuma total responsabilidade como co-criador. Deseja plenamente experienciar tudo aquilo que co-criou.

É um catalizador extremamente poderoso para a mudança transmutacional na Terra. Irradia as frequências mais elevadas do Amor, Luz e Alegria, continuamente, na consciência planetária. Cura e transmuta as energias do medo na Terra e suas formas de vida, simplesmente por estar na forma humana.

O AMOR...É A AUSÊNCIA DO MEDO.

Canalização de Metatron através de Reniyah Wolf

Obrigada, Isabel.

Imagens: Herman Smorenburg



terça-feira, 9 de setembro de 2008

Abrir caminho para o novo...

Os meus visitantes habituais que me perdoem esta longa ausência, mas tem sido um frenesim de limpezas... Dois dias inteiros só para limpar o meu escritório... Quilos de papel foram já para a reciclagem, velhos manuais e outros livros que já não me interessavam aliviaram do seu peso a minha estante. A secretária mudou de sítio - agora estou em frente da janela, vejo árvores, casas, o céu!... Ganhei espaço, leveza. Até o meu velho sofá recuperou da sua função de mero estorvo e, com uma banqueta para os pés (obrigada Vie e Marta!), está ali à espera que me aniche nele outra vez para retomar a leitura de "Eat, Pray, Love", de Elizabeth Gilbert (em inglês!... hehehe!). Recomendado pela Ana C. Está a ser mais fácil do que pensava... e interessante.
Também do roupeiro saíram sacos de tralha inútil. Para além do pó...
Bom, a verdade é que, não sei bem de onde, chegou-me agora a energia para fazer as alterações com que sonhava há anos...
E, como não sou a única com a urgência em me libertar do velho, ganhei uma fabulosa máquina de costura...

Mas eis que faço uma pausa para ler os mails... e encontro esta pérola da Karen Bishop!...

28 de Agosto de 2008

ALGO MARAVILHOSO ESTÁ PRESTES A ACONTECER

Saudações!
Preparem-se! Outubro trará uma plena manifestação dos nossos novos
papéis, dos nossos novos propósitos, e uma série inteiramente nova de
'responsabilidades' para com o nosso belo planeta terra. As nossas
'carreiras' descolarão, pois então estaremos equilibrados e preparados
para oferecer os serviços dos nossos cor
ações àqueles que precisarem deles. Não somente os nossos novos portais serão activados para receber dinheiro, mas muitos milagres, conexões mais elevadas com outros, novas esperanças e sonhos, e muito de tudo o mais cairão no nosso colo também. Haverá tanto acontecendo para nós em Outubro, que mal seremos capazes de nos ajustar!

Durante esta calmaria das últimas semanas, nós estivemos sendo submetidos a um processo de preparação para os nossos novos papéis. Estamos a abrir-nos mais, e preparando-nos de muitos modos para assumir novas responsabilidades. Nós estaremos mantendo muito mais luz, e, portanto, assumindo muito mais responsabilidade para o despertar e a evolução do planeta. As nossas 'atribuições' muito novas estão-nos sendo conferidas mais seguramente agora.

Dentro desta calmaria ou olho da tempestade, pode parecer muito
tranquilo. Podemos pensar que os nossos empregos estão desaparecendo, que a nossa fonte de rendimento está diminuin
do e talvez para sempre, ou até que estamos aqui girando os nossos polegares impacientemente, sem que nada mais ocorra em qualquer lugar. Nós precisávamos de um descanso e de nos refazer das energias devastadoras de Julho e da última parte de Junho. Após este período tranquilo e ainda dentro da calmaria, nós então começamos a 're-ligação', ou melhor, o período de preparação para o nosso serviço à humanidade... o nosso serviço àqueles que estão em diferentes degraus da escada evolutiva. E realmente nós seremos necessários.

O eclipse solar total de 1º de Agosto abriu a porta para estes novos
adventos. Foi o começo de algo muito novo... finalmente. Mais
recentemente, foi o momento de deixarmos ir. Foi o
momento de limpar e remover qualquer coisa nas nossas vidas que já não era conveniente, que nos deprimia, e que nos colocava em um espaço pouco desejável. As interacções e manifestações do ano p
assado que não foram tão agradáveis como teríamos esperado, terminaram por completo agora. O momento para fazer o que realmente não queríamos fazer terminou por completo nesta altura.
Vivenciar qualquer aborrecimento terminou agora. Quaisquer sacrifícios de nossa parte terminaram por completo agora.

Nós abandonamos literalmente um mundo e estamos agora plenamente enredados noutra realidade. Esta nova realidade é tão simples, a manifestação de qualquer pensamento nosso é tão rápida, tão amorosa, tão ordenada, tão livre, tão completa, e tão mágica... Actualmente, estas energias estão nos envolvendo, mas de um modo muito mais tranquilo e calmo. Quando Outubro chegar, elas estarão muito mais poderosas, tocantes, e manifestarão tanto para nós que poderemos tornar-nos sobrecarregados com tantas coisas boas. Durante este momento de movimento para o novo, alguns dos nossos animais companheiros que incorporaram muito da nossa velha energia estão escolhendo partir.
Embora eles não nos acompanhem na sua forma actual, eles já fizeram planos de voltar em situações diferentes e estão muito excitados quanto ao seu retorno... caso retornem novamente para nós ou pa
ra os nossos amados.

Se vocês não estiverem actualmente vivenciando a serenidade
mencionada acima, eu sugiro-vos que não deixem ir inteiramente ainda o velho mundo ou a velha realidade. Tudo o que precisam de fazer é fechar a porta. Fechem uma porta e abram outra. Liguem-se a algo diferente das velhas manifestações externas. Removam o velho, literalmente ou não. Aproveitem o tempo para vós mesmos. Se ainda estiverem no trabalho, quando chegarem a casa, desliguem o telefone, a Internet, a televisão, e dêem um passeio maravilhoso, leiam um livro agradável, cozinhem, façam algo criativo, tomem um banho quente, ou simplesmente fique
m completamente em outro espaço.

Afastem-se do velho.

Recuse-se a ser uma parte disso. Recuse-se a participar nos dramas de outros. Olhe para a frente. Veja um novo horizonte. Saiba que ele está realmente lá, apenas esperando por si. Decida o que realmente quer fazer agora. Saiba que haverá um espaço para isso. Lembre-se daquilo que deseja oferecer ao mundo. E saiba que esta dádiva de serviço esteve sempre dentro de si... Você precisa de aprender algo novo. E saiba também que um presente de serviço pode ser uma obra de arte, uma peça musical, ou algo que sirva para se conectar com os outros com uma luz mais elevada.

Afim de que as coisas se estabilizem durante esta transição massiva
do velho mundo para a nova realidade, algumas coisas foram colocadas no lugar para manterem firmes as energias durante a queda.
Inicialmente, os novos bebés estão chegando. Estes novos pequenos seres
estão chegando em número elevado, aos dois e três de cada vez, chegando tão
rapidamente quanto é possível. Por haver muitos deles, e por eles carregarem uma vibração muito elevada, eles estão preparando uma grade muito sólida para a criação do novo.

Outra força estabilizadora é Barack Obama. Ele será equilibrado e posicionado perfeitamente para unir todo o planeta, criando ainda outra grade de unidade que servirá para estabilizar as coisas tanto quanto possível durante a queda. Nós nos conectaremos e nos apoiaremos através de sua liderança divina intensamente evoluída. Tudo, como sempre, está em divina e perfeita ordem. As coisas realmente estão sendo organizadas muito perfeitamente, incluindo-nos! Nós seremos uma peça adicional, mantendo juntas as coisas durante a queda, enquanto auxiliamos na transição.

Assim agora é o momento de examinar o que é que vocês real e verdadeiramente querem oferecer ao mundo. Eu posso assegurar-vos que, quando se conectarem com o plano da vossa alma, serão milagrosamente colocados para oferecer o vosso melhor ao mundo. Não precisam de saber como, nem precisam de fazer grandes planos com grandes detalhes. Precisam somente de se conectar com o desejo do vosso coração, começar, o resto se encaixará por si mesmo.

Deixem ir o velho. Abandonem as vossas velhas responsabilidades se
se sentirem confortáveis em fazer isto. Saibam que o esforço acabou.
Saibam que não precisam de sustentar nada nem ninguém novamente.
Saibam que as energias desagradáveis não podem estar onde estão... se elas se apresentarem, ignore-as, pois elas somente querem a sua energia e a sua luz... vocês têm coisas melhores a fazer.
Desconectem-se da velha realidade e confiem que quando o fizerem, se encontrarão nos portais do Céu.

http://www.whatsuponplanetearth.com

Desejo-vos o Céu no vosso coração, a luz das estrelas na vossa alma e milagres em vossas vida nestes tempos milagrosos.

Até à próxima vez,

Karen

Imagens: Google

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

"Só o Amor é Real"...

AS FLORESTAS TROPICAIS DE AMOR
Uma mensagem de Deus canalizada por Gloria Wendroff

28 de Agosto de 2008

O amor é verdadeiro, e o amor vem do coração, e não é verdade que o amor pode se machucar. No entanto direi que não existe nenhum coração Humano que não conheça a dor. Cada coração carrega seu próprio subterfúgio de dor.

Não existem corações feridos, pois não existe nenhum coração no mundo que possa viver sem amor. Onde existe amor, não existe ferimento. E é impossível que um coração sequer possa existir sem amor. Só corações com amor existem. Entretanto, Meus filhos tiveram corações feridos, e Meus filhos sabem o que é ter um coração dolorido.

Tu dissiparias todas as dores dos corações. Se pudesses desviar a dor de pelo menos um coração, tu a desviarias. Gostarias de evitar que qualquer coração sofresse, entretanto pisoteaste alguns corações. Tens que admitir isto. Mas o coração que pisoteaste mais é o que está localizado no teu peito. Da mesma forma que um homem às vezes bate na sua esposa, tu bateste no teu coração. Restringiste a batida do teu coração. Tu o silenciaste. Pisaste no teu coração. Teu coração tem medo de afligir-te, então tu o afliges. Quanto mais evitas te comprometer com teu coração, mais dolorido ele se sente.

Teu coração é incapaz de ser magoado, no entanto o magoas. A Verdade do teu coração não é o que percebeste. Fizeste dele um filhote de passarinho que ainda não está pronto para voar. Tu o refreaste, mantendo-o num ninho onde há muito tempo ele já não cabia mais. Com certeza agora está na hora de libertares teu coração. Retira as amarras com que o prendeste. Liberta-te da ideia de que teu coração pode se ferir. Pára de feri-lo. Precisas te desapegar do teu coração, e precisas te desapegar desses ferimentos imaginários do teu coração. Os ferimentos que percebes realmente não requerem cura, ou a cura deles está em serem livres. Mantiveste teu coração em cativeiro durante tempo demais!

Teu coração não foi feito para sofrer. Teu coração foi feito para a liberdade. Deixa teu coração ser livre! Teu coração sabe melhor do que tu o que ele deveria ser. Teu coração gostaria de te libertar das correntes em que te prendeste. Protestaste contra o corte do teu coração da mesma forma que te acorrentarias a uma árvore a fim de prevenir que ela fosse derrubada. Só que prendeste a corrente com tanta força, que agora tu é que estás machucando a árvore. Embora tenhas a intenção de proteger teu coração, tens estado machucando-o.

Ouve-me. A melhor protecção que podes oferecer ao teu coração é deixá-lo ser livre. Desamarra-o agora. Esfrega os pulsos dele. Recupera a circulação do teu coração.

Se cobriste teu coração com gelo, fizeste isto com a ideia de prolongar a vida dele, mas foste mal orientado. Nenhum coração foi feito para ser gelado. Todos os corações são feitos para serem aquecidos pelo sol. Retira os pacotes de gelo de cima dele. Simplesmente joga-os fora. Gelo derrete. Teu coração não deveria precisar derreter, a não ser que o tivesses congelado.

Deixa teu coração ficar nas florestas tropicais agora. Deixa que os tambores nativos do teu coração batam com a audácia com que devem bater. Jamais um coração foi feito para ser reprimido. Todos os corações devem bater no ritmo da natureza e não no ritmo de um cálculo imposto. Teu coração estará melhor se deixares que ele cuide de sua própria vida. Ele recuperará seu ritmo. Podes estar certo de que teu coração conhece a canção que ele foi feito para cantar. E teu coração deve cantar – não uma canção que compuseste para ele, mas sua própria melodia. Chama-o de atávico, se quiseres, mas deixa teu coração ser livre para ser um coração e não uma engenhoca feita pelo homem, presa a todo tipo de conceitos criados por ti. Libera teu coração da dor, querido! Liberta-te do mito de que a restrição é uma coisa santa. Deixa teu coração bater na liberdade do amor. Deixa teu coração ser o que ele é. Lembra-te que o teu coração é Meu. Achas realmente que restringirias o Meu coração de amor?

Tradução: Vera Corrêa veracorrea46@ig.com.br

Recebido por e-mail

Imagem: Frida Kahlo


domingo, 31 de agosto de 2008

A Ânsia pela Normalidade...


Ser como toda a gente...

"As emoções destrutivas ligadas à cultura, matam em nós mesmos a harmonia e a paz da nossa sabedoria primordial".

Pierre Weil


“O poder castrador da nossa sociedade não é de ordem sexual, como afirmava Freud, mas sim, espiritual e o seu nome é: normose - a patologia da normalidade.

Ela impõe à sociedade, uma cultura do sucesso, sendo que o fracasso e o ostracismo são dos maiores medos do normótico, que busca a sua segurança em estados temporários e ilusórios, nos objectos exteriores, em conquistas e sucessos efémeros, não sabendo que a verdadeira segurança é uma condição subjectiva, resultado de uma experiência transpessoal, que se revelará de forma espontânea e natural no momento do despertar da verdadeira consciência.

O desastre é eminente para o normótico, que faz depender a sua segurança das parafernálias externas e não da paz da vida interna, a qual não depende das circunstâncias da vida externa. O normótico vive fazendo investimentos e seguros para a sua vida, mas não investe na espiritualidade, sendo esperto por alguns momentos, mas um tolo a longo prazo, pois demora muito para constatar que o acúmulo de riquezas, prestígio e poder é apenas uma troca, e não o fim, da sua falta de segurança. Na sua busca insana pela segurança financeira, o normótico perde a saúde para depois pagar de bom gosto tudo o que conquistou para ter novamente saúde física, mental e emocional. Na tentativa de conquistar a "pseudo-segurança" para a sua vida, o normótico esquece-se de vivê-la, e como resultado vive num desespero silencioso, precisando às vezes de chegar ao topo da escada do sucesso, para amargamente descobrir que a mesma estava encostada à parede errada. É justamente neste desespero silencioso que uma fracção de sanidade pode romper as paredes da normose e levá-lo ao questionamento do tipo: “Espelho, espelho meu, será que algum dia eu já vivi?”.

O normótico, ou se preferir, o entediado anónimo - é vítima de um estado de conflito interior prolongado. Na tentativa de anestesiar a dor resultante desse conflito interior, das esperanças frustradas e dos sonhos abortados, injecta "novocaína" - o anestésico do novo - em muitos aspectos da sua personalidade. Ele não sente nada de maneira vívida: nem alegria, nem tristeza, nem esperança, nem desespero. As coisas acontecem, mas ele não as regista, pois é preciso muita coragem para se permitir sentir. É alguém que vive num eterno confinamento solitário causado pelas suas crenças disfuncionais; alguém que se trancou numa rotina solitária e engoliu a chave. Alguém que vive uma vida unilateral e morre em estado imperfeito. Não possui a consciência de que a Grande Vida lhe deu uma alma, uma mente e um corpo, os quais deve procurar desenvolver de forma harmónica.

Vive dominado pelas influências do sistema de crenças do modismo social permitindo que a sociedade continue a impor-lhe as suas ilusões por meio de um fortíssimo esquema de marketing que o bombardeia de forma brutal durante as 24 horas do seu dia-a-dia. Não possui a coragem de virar a mesa contra o cliché social e assumir a responsabilidade pela sua maneira de pensar e pelo controlo da sua vida. Não é difícil constatar os resultados desse caótico modo de viver: medos, preocupações, paranóias, stresse, insatisfação, descontentamento e toda a espécie de somatização oriunda de uma pseudofelicidade. Não consegue perceber que sem satisfação interior, nenhum acúmulo de sucesso exterior consegue trazer felicidade e segurança duradouras. Como Adão e Eva, vive exilado do jardim das delícias da unidade consciente com Deus, pela acção da serpente do conformismo, tornando-se com isso, um ser limitado devido ao crédito dado ao sistema de crenças do clã a que pertence.

O normótico opta por uma forma de pensar pelo simples facto de muitas pessoas optarem por ela ou por constar de algum livro que a sociedade considera como sagrado; não consegue avaliar por si mesmo sobre a questão e ajuizar se ela é razoável ou não. Para ele, prender-se às velhas rotinas consagradas pela sociedade é muito mais seguro do que aventurar-se ao Aberto. É aquele cujo desejo mais profundo ainda dorme, mas que teme a acção perigosa de acordar. É como um cavaleiro que perdeu o domínio da carruagem e é arrastado pelos cavalos dos instintos degenerados. Vive atrelado à matéria, com o Ser ainda fechado para o que é eterno, caminhando sobre uma corda bamba, em chamas, pronta para arrebentar.

Não possui a consciência de que não é um ser material com necessidades espirituais ocasionais; mas sim, um ser espiritual com necessidades materiais ocasionais. Prefere a pseudopaz do conformismo social à angústia da busca pelo seu devir. Passa a maior parte da sua vida com um sentimento de vazio e de falta de propósito tão grande, que é como se faltasse uma parte de si mesmo. Sem que se aperceba, muito do que faz leva-o cada vez mais para a sensação de vazio interior, que procura preencher com o acúmulo de dinheiro e de matéria, prestígio e reconhecimento profissional, chegando muitas vezes a extremos como o excesso de comida, bebida, sexo ou até mesmo às drogas.

Quanto maior é o seu desespero por ocupar esse vazio interior, mais vazio se sente. Em momento algum, lhe ocorrer que essa sensação de ausência possa ser de natureza espiritual, muito embora, esse conhecimento lhe chegue de várias maneiras. É somente quando a dor chega ao seu extremo que ele começa a olhar para dentro de si e a buscar por algumas práticas espirituais, através das quais, finalmente, pode encontrar o verdadeiro conceito de objectivo e plenitude.”
(...)

PIERRE WEIL

Copiado de Mulheres & Deusas

Imagem: Portalascensional

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Entrevista com RIANE EISLER


Atenção, que há uma super-entrevista dada por RIANE EISLER ("O Cálice e a Espada") aqui. Obrigada, Lealdade Feminina!

MEU DESTAQUE:

“Primeiro, trabalhem no sentido de devolver poder às mulheres, pq se o fizermos em todo o mundo, é óbvio que estamos a fazê-lo tbm a nós próprias. Criamos não apenas oportunidades para as outras, mas para nós mesmas e nossas filhas e filhos, pq só dando mais poder às mulheres podemos alterar o sistema de domínio que hj nos ameaça. Que o nosso objetivo seja estarmos activamente envolvidas. Arranjem uma maneira de ser auto-suficientes do ponto de vista económico – independente. Em todas as relações deve haver reciprocidade, E DEVEMOS IMPORTAR-NOS CONOSCO PRÓPRIAS. TENTE CEDER PERANTE SI PRÓPRIA. Escrevi em The Power of Partnership que a regra de ouro era maravilhosa. Fazer aos outros o que querem que te façam a ti. Mas que tal se fizermos a nós próprias aquilo que gostaríamos que nos fizessem...rs...(risos dela...rs...)

Um dos melhores conselhos é: não aceite muitos conselhos! rs... Procure a resposta em si própria. Tente perceber o que a tem retraído, ouça a sua autêntica voz e procure conselhos nela. Esse pode ser um dos maiores desafios pras mulheres...”

PORQUE... DIZ A PROPAGANDA PATRIARCAL:

“... não devemos QUERER... não devemos desejar, devemos é ser desejáveis, desejadas pelos outros, . Não devemos ter objectivos, nosso objectivo deve ser ajudar os outros. Bem, fomos mesmo bem ensinadas a renunciar!

Uma grande parte da nossa alegria como seres humanos está em empenhar-se, em desejar, em antecipar. Mas a propaganda dominadora diz-nos "Não se preocupe, está tudo em ordem, só precisa estar alheio e renunciar ao prazer e à alegria."...”

terça-feira, 26 de agosto de 2008

E vou finalmente falar das minhas férias...

A Ana disse: “Foram as melhores férias da minha vida”. Eu não o disse, mas pensando bem, é difícil encontrar na memória outras férias de Verão que se lhes comparem.

Se me perguntarem o que fizemos: nada de especial. A Ana levantava-se cedo para levar o Groucho até à praia. Eu ficava na cama. Depois fazia os meus exercícios de yoga (mais ou menos), alimentava a Bia – sempre inconsolável por ter de privar com um cão... – tomava o pequeno almoço na varanda bem abrigadinha da F. e do K. - uns queridos por intermédio dos quais se manifestou a abundância deste Universo...
Quando a A. chegava, podíamos ir até à praia, atravessando os jardins do Auramar; o caminho de terra batida que ladeia aquilo que parecia ser um reduto dos franceses, com pétanque e tudo; depois a rampa de asfalto e finalmente as escadas que descem até ao areal. Ainda uns bons minutos de caminhada.

Lá em baixo, o banho, de água e de sol, as leituras e a conversa. É fácil conversar com a A.: temos ambas Mercúrio na casa quatro e sob o domínio de Júpiter, o expansivo... Temas que versaram, resumidamente, a arrumação da nossa casa interior...

Adoro a praia, o ambiente descontraído da praia, a liberdade da praia. Adoro não me ralar com celulite, flacidez, redondezas... e apanhar sol e vento no máximo de centímetros da minha pele. Agrada-me a descontracção da praia. Nunca me vestir nem pentear verdadeiramente, passar o tempo descalça, ou com os pés enfiados num chinelos indianos já a pedirem a reforma. Mas as refeições foram sempre a horas: saladas e sopas, basicamente. Em matéria de bebidas, experimentámos fazer as famosas “águas frescas”, receita da Pública dum destes domingos, que, segundo se dizia lá, são grande moda nos States...

De vez em quando caminhávamos, fazíamos a pé as largas centenas de metros pelo areal até à cidade. Uma vez a A. comprou uma grande túnica africana, que depois reproduzi, à mão, ponto por ponto, para ambas.

Segundo a interpretação feita por ela, grande especialista, sendo que a roupa simboliza os nossos relacionamentos, nós teremos adquirido ali, naqueles 23 dias, e ajudadas pelas fortes energias de Agosto, uma nova “roupagem”. Teremos então saído, daquelas longas horas de mútua análise, com uma nova maneira de nos relacionarmos, mais livre, descontraída, larga, como a túnica, onde nos sentimos tão à vontade... Que bom, já era tempo!

A verdade é que ambas reavivámos ali a nossa violenta paixão... pelo Sul, pela nonchalance do Sul. Congeminámos um Sul perpétuo para as nossas vidas - foi outro dos temas dominantes. Um Sul ao sul do Sul, como o Oriente do Álvaro de Campos...

Contra a fleuma da A., a minha vontade de fazer coisas, o bulício em mim, o meu workaholiquismo galopante dos últimos tempos, desfazia-se em pura vacuidade... Para quê fazer se podemos apenas ser? Ser um coração que vibra em agradecimento pela glória de estar vivo, pela glória da criação. Isto não é pura retórica, é o Sul em nós...

Acho extraordinário nunca nos termos aborrecido. Pelo contrário, cada vez nos sentíamos mais coladas àquele lugar: adiámos por três vezes o nosso regresso ao... Norte. No último minuto, a A. chegou a perguntar: “Mas tenho mesmo de ir?” Tinha. Era importante para ela. E não se arrependeu.

O que veio à tona na “espuma dos dias”? Quando estamos bem connosco, quando já nos libertámos de uma série de amarras, passado o retorno do Quíron (aos 50/51 ele volta ao sítio onde estava no momento em que nascemos), estamos bem em qualquer lugar, embora o Sul seja mais doce... Mais: precisamos de tão pouco para ser felizes... Outra pérola de sabedoria: para quê perdermos tempo com os medos? E ainda: em qualquer lugar, mesmo no apinhado Algarve, podemos encontrar sossego e paz se os tivermos dentro de nós... Mas há mais: praticar o desapego. De tudo. Mesmo dumas férias fantásticas com a A. à beira-mar!...

Agradecimentos:

Ao Método Louise Hay e à Astrologia, com os quais já percorremos ambas um longo caminho de autodescoberta e de amadurecimento.
À F. e ao K. que nos cederam o seu ap.
Ao Universo, generoso e protector, que nos dá tudo aquilo de que estamos a precisar no momento certo, mesmo que por vezes não compreendamos bem o que quer dizer com aquilo que nos envia...
À A., pela sua já mencionada fleuma, sabedoria, auto-centragem, independência e irreverência – tão inspiradoras e libertadoras.
A mim própria, que mereci e aceitei que merecia.

Obs. Ah, havia uma "música de fundo"... Sendo deliciosa, não era exactamente indispensável... Mas essa é só cá pra nós...

Imagens: Google

O Direito à Experiência e ao Erro

Para Rosa Leonor, Mulheres & Deusas

Querida Rosa Leonor,

Tenho lido regularmente o seu blog. Gosto quase sempre. Não gostei muito deste aqui, onde se falava das mulheres actuais e do seu desatino. Soou-me muito, vai-me desculpar, a retórica de púlpito... “As mulheres estão perdidas”. Sem a Deusa.

Veja, os padres dizem rigorosamente o mesmo há séculos e séculos, apenas mudando o género da divindade. Ora, onde me situo eu para achar que os outros estão perdidos? Qual é esse porto de abrigo, esse local de chegada, esse ancoradouro em que supostamente todos estaríamos a salvo?

Não será por certo neste planeta, nesta dimensão densa onde agora estamos encarnados... Não sem antes termos feito algum trabalho pesado, não é assim? Embora, por suposto, sejamos seres duma dimensão mais leve e luminosa, teremos vindo até cá para fazer experiências na matéria, para elevar a matéria. Ah, sim, enterramos nela os nossos pés muitas vezes, baralhamo-nos muito, equivocamo-nos com frequência. Sofremos.

Dizem-nos os mestres que o grande factor de elevação da consciência é precisamente a dor. Só quando chegamos ao limite da dor e do equívoco, podemos mudar a nossa percepção das coisas e elevar a nossa consciência. Nisto eu acredito por experiência.

Não será normal que as mulheres, precisamente elas, estejam tão confusas? Mas será que já reparou bem na confusão dos homens? Por que razão são precisamente as mulheres que nos causam sempre tanta aflição e são motivo de todo o escândalo no que toca à moral e aos “bons costumes”? Porquê tanta pressão e exigência moral sobre as mulheres? Porque são as mães? E os homens não são os pais?

Eu diria antes, como outros autores, que as raízes da questão se encontram no tema da propriedade privada e da consequente dominação masculina... Tão longe quanto isso.
E a nossa mente, formatada pelo patriarcado, não concede às mulheres o direito ao erro e à experiência. Este é um direito que precisamos urgentemente de reivindicar para nós.

Senão, vejamos, como faremos realisticamente a transição da sujeição às estruturas patriarcais, saturninas, que já prescreveram há décadas (no mínimo), como é o casamento tradicional, para a Nova Era, uraniana – a da autêntica liberdade? Como poderemos fazer os processos de individuação que se torna urgente que façamos?

Como faremos isso sem irmos lá, à experiência, sem vivermos a fundo os nossos desejos mais obscuros?

Para percebermos o equívoco, temos de mergulhar nele, a fundo. Não vejo outra maneira. Mesmo o tal sexo num vão de escada cumprirá, para essas pessoas, esse papel: viver o equívoco até ao limite, até perceber, caramba!, que, bolas!, não é isso o amor, não é isso que me preenche, não é aí que encontro a minha alma...

É mais cómodo ficarmos a pregar, perdoe o termo, bem resguardadinhos no nosso púlpito. É muito mais duro ir lá, às tais “boîtes”, e viver a fundo os nossos desejos mais inconfessados, aqueles que, vistos do altar, têm um ar tão abjecto...

Sabe, tenho muito respeito pelas mulheres que têm a ousadia de viver, de experimentar, de ir lá, iludindo-se e desiludindo-se. Confio mais no processo da experiência que num processo apenas mental, porque a mente é apenas uma parte de nós, não o todo.

Comovem-me cada vez mais essas queridas irmãs, tão bravas e tão frágeis, querendo desesperadamente encontrar o amor fora de si, onde tudo lhes diz que ele existe, quando só no fundo do seu coração o podem encontrar. Mas procurando, indo à luta. Tenho muita esperança de que um dia o consigam. Confio muito, como já disse, nos processos da experiência. E acho óptimo que tenham desejos, e a liberdade para os concretizarem, por mais estapafúrdios que possam parecer aos outros, aos padres, sobretudo. Tão melhor que o tempo em que, anexadas ao património familiar patriarcal, nem sequer sabiam que existiam enquanto pessoas, quanto mais que tinham desejos e que podiam realizá-los... Isso sim, considero eu um autêntico motivo de escândalo.

Mas sobretudo, como já disse, não gosto que nos sirvamos de todos os pretextos para culpabilizar a mulher. Ela é uma deusa, óbvio (somos todos deuses...), mas também tem a sua dimensão tão humanazinha, baralhada, perdida, equivocada...

Então, que tal mudar a perspectiva e reivindicar também para as mulheres, tão martirizadas, o direito vital à experiência e ao erro?

Imagem: Google

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Diga Não à Calçada Portuguesa!

Hoje, não resisti a comprar o jornal “Rio Maior Notícias” por causa dum título na lª página: “Mulher que caiu no Jardim Municipal trava “batalha” com autarquia riomaiorense”. O meu sentimento foi idêntico, imagino, ao de prisioneiros políticos na madrugada da queda do tal regime que os aprisionava: justiça, finalmente!...

Quando uma vez vi um indivíduo ficar de repente sentado no passeio à porta da Zara da rua Garrett em Lisboa, pensei para comigo: “Eu processava a Câmara”...

Portugal é, como todos sabemos, do signo de Peixes, que é regido pelo planeta Neptuno, que por sua vez rege também os nossos pés. A energia de Neptuno é a tal que, sendo sublime, é igualmente vaga e confusa. Neptuno lança um véu, um nevoeiro, diz-se em Astrologia, que não nos deixa ver a realidade como ela é. Neptuno, com o devido respeito, rege os passeios portugueses, o piso por onde caminhamos... Só pode.

Os passeios portugueses pretendem ser sublimes, tradicionais, únicos no mundo. São, porém, vagos e confusos. Caros. E muito perigosos. Andar nos passeios portugueses é um autêntico pesadelo...

O caso do jornal tinha a ver, não exactamente com os passeios de calçada portuguesa, mas com as chulipas, traves de madeira grosseira e irregular, do Jardim Municipal, que, entretanto, foram substituídas pelo piso mais fantástico que os meus pés já pisaram em solo nacional. Trata-se dum pavimento regular, uniforme, sólido, anti-derrapante, estável e, por certo, barato, comparativamente. Embora sendo suspeita, acho-o muito bonito, moderno, funcional, pensado para oferecer aos transeuntes aquilo que toda a gente só parece exigir da polícia: segurança!

Quando me ponho a pensar nisso, acho fantástico que num país como o nosso sacrifiquemos o bem-estar, a segurança e milhares de euros à suposta beleza dumas pedrinhas irregulares, justapostas com intervalos cada vez maiores (para poupar) por calceteiros vergados até ao último milímetro de chão a preencher. As tais pedrinhas, essas, mal eles se erguem, derreados, desatam a desconjuntar-se com a velocidade a que caem as malhas nas meias de vidro... Este Verão, em pleno centro de Albufeira, enfiei um pé num desses buracos na calçada. Sentada no chão, ocorreu-me de novo o mesmo pensamento: “Vou processar a Câmara”. Mas a dor no pé passou ao fim de três dias. E estava de férias... Estela Correia, no Jardim Municipal de Rio Maior, teve uma rotura de ligamentos no joelho esquerdo.

Lembro-me de uma vez me queixar dos passeios portugueses à minha sobrinha, que prontamente respondeu: “Oh, tia, a calçada portuguesa?! A calçada portuguesa é o nosso ex libris, é a nossa calçada, mais ninguém tem igual. Faz parte da nossa tradição, da nossa identidade!”

Sim, pensei para comigo – a indignação dela não convidava a grandes contra-argumentações –, infelizmente a nossa identidade, a nossa tradição, é composta por isso mesmo: culto da dor, exaltação do sacrifício, falta de sentido prático, desconsideração pelo outro... Os homens até andam relativamente bem nessa irregularidade com os seus sapatos rasos e largos. Mas as mulheres... pelo amor de Deus!... As pobres mulheres portuguesas usam sapatos cujo design foi concebido em países onde o pavimento dos passeios também foi pensado para: saltos altos (adoro!, adoramos!), carrinhos de bebé, canadianas, cadeiras de rodas, malas de viagem, carrinhos de compras... Para a vida! Não para o show off e o salve-se quem puder, quero lá saber! Países onde não se sacrifica a segurança a nenhuma tradição obsoleta. Nem essas mulheres deixavam que fosse de outro modo. É também com o dinheiro dos seus impostos que as cidades são geridas por lá – e por cá, embora não se note...

Tudo isto poderá parecer de pouca importância, mas é grave. É grave porque falamos do chão, do chão que pisamos, da base. O que esperamos que aconteça no topo com uma base tão escorregadia, irregular e insegura?

Que chão pisará a ASAE?!

Imagens: Google

AINDA O HI5...

Hi 5 ou caixa de Pandora?...

Acabo de receber o mimo que se segue. Ter uma Câmara Muncipal como "amigo no hi5" é superchique e sempre dará jeito, mas... será que é legal andarem a contactar todos os meus endereços electrónicos?

hi5 Câmara Batalha é agora teu amigo!

Olá Luiza,

Tu e Câmara estão agora ligados. Podem conhecer novas pessoas através dos amigos um do outro.


Contacta o teu Novo Amigo»

Obrigado por te juntares a nós,
a equipa do hi5

domingo, 24 de agosto de 2008

Prefiro os Jogos Olímpicos...

Não gosto de desporto. E adoro desporto. Sou Carneiro. Não gosto de jogos/competições olímpicas, e dou por mim fascinada com as provas, seja de que modalidade for, quando por acaso a televisão calha de estar ligada... Ainda ontem, nos dois minutos que estive em trânsito do 2º canal para o canal 25, o Infinito, vi ginastas maravilhosas, enrolando-se e desenrolando-se em/de longas fitas de cetim. Um espanto.

Não gosto do aproveitamento político, do nacionalismo rançoso – o mesmo que determina guerras e genocídios –, mas quando a/o atleta português apanha a bandeira que lhe estendem da assistência, ou mesmo quando se ouve no estádio o hino nacional, vêm-me as lágrimas aos olhos... Tenho sentimentos contraditórios. E não serei a única.

No fundo, há ali duas coisas que me fascinam: a actividade física e a auto-superação. Podemos trocar “competição” por “incentivo”, “motivação”: “Oh, ela fez em 8 minutos... Talvez eu possa fazer em 7.59.59”...

Claro, todos sabemos dos abusos, dos dopingues, da transformação de seres humanos em supermáquinas... A coisa é pesada mesmo. Por isso, quando o nosso gorduchinho disse que, de manhã, do que gostava mesmo era de dormir, indignámo-nos. Mas o Pulido Valente já explicou ontem no Público que, com o que lhes pagam, os nossos atletas têm todo o direito de serem caprichosos. Profissionalismo paga-se bem mais caro... E um senhor da Federação veio dizer que era uma vergonha, que, contrariamente ao que acontece nos países que levam a coisa à séria, nós nem sabemos o nome dos nossos atletas de alta competição. É verdade. Eu, por exemplo, não sei... Não lhes ligamos nenhuma. Só depois, quando vemos os outros com medalhas, também queremos. Atenção à infantilidade galopante!...

Há dias, vi uma reportagem sobre uns Jogos Olímpicos Seniores de que nunca tinha ouvido falar. O ambiente ali pareceu-me do melhor e mais são que se pode imaginar. Riam-se e abraçavam-se muito. Por um momento, apeteceu-me começar a treinar a corrida, aqui, na nossa novíssima ciclovia. Afinal vivo na “cidade do desporto”... A visão que tenho da janela do meu quarto é a de campos de treino e de estádios desportivos – boa energia, segundo o Feng Shui...

Nos tais jogos olímpicos, havia um homem de 90 anos a competir. Com os portugueses queixando-se da falta de apoios monetários. Por caridade, pagavam-lhes as viagens. E eles lá estavam, provando o quanto poupam à Segurança Social em subsídios para os medicamentos e lares de 3ª idade... Repletos de energia e de vitalidade, garantindo os melhores resultados em qualquer chek up.

O mais fantástico para mim, devo dizer, era o ar das atletas. Mulheres muito para lá da menopausa corriam desalmadamente, e uma portuguesa, a Joaquina, ganhou mesmo uma medalha. Estava tão feliz, parecia tão realizada que dava gosto vê-la – e vontade de estar lá, também. Tive a certeza de que era uma protegida de Artemisa, a Deusa. A mulher selvagem estava ali, apesar de toda a doçura que irradiava de Joaquina...

Tão diferente das mulheres da mesma idade que se vêem pela praia nesta altura, por exemplo – tantas! – arrastando-se, sem pinga de vitalidade, atrás das barrigas proeminentes de maridos insatisfeitos, rezingões e prepotentes, mortinhos por chegarem a casa e tomar uma cerveja refastelados no sofá. Lá, enquanto elas lhes preparam o jantar, há-de estar um ecrã qualquer, onde num relvado qualquer, hábeis matulões – esses sim, literalmente pagos ao preço do ouro – farão para/por eles todo o desporto que verdadeiramente conta neste mundo...

Prefiro os Jogos Olímpicos. Os Seniores...

Imagem: Alina Kabaeva

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

O que é isso do HI5?

Vagamente, só mesmo muito vagamente, saberei o que é o hi5. Diz-se “ter um hi5”?, “ter um perfil no hi5”? “estar no hi5”? Não faço ideia, nem nunca me interessei muito por esclarecer isso, devo confessar. Mas a algumas pessoas que conheço, conversando sobre blogues, ouvi dizer qualquer coisa como “Tenho o hi5…” ou era “Estou no hi5”?... E foi assim que fiquei a saber que a coisa existia. Certa ocasião, alguém chegou mesmo a confessar à minha frente que tinha uns quatrocentos amigos no hi5… Achei muito, mas o que sei eu sobre o assunto?

Por duas ou três vezes recebi emails onde me perguntavam se queria ser “amigo no (do?) hi5”. Nunca respondi. Basicamente por não dispor de mais tempo para me envolver com a Net. Sabe Deus o quanto o tempo para o meu blogue é esticado, negociado, usurpado, culpabilizado… E a vida, o ar puro, a natureza, o vento na face, o sol na pele…?

Bem, até que um dia destes, em pleno repouso das faculdades mentais mais elementares (pausa estival oblige…), recebo uma mensagem da Margarida Neto: “Queres ser minha amiga no hi5?” Como não, pois se sou amiga da Margarida na vida real?... E vá de dizer que sim, que queria, e de seguir os passos para onde o dito email me remetia até ao meu registo no… hi5.

No dia seguinte, ao abrir o correio, pesadelo: uma larga percentagem da minha lista de endereços electrónicos garantia ser meu amigo no hi5!!! Havia até comentários, boas-vindas, incentivos. Vi fotos da V, da MJSO, da SS, da VL, da AM, da SL, do NM… e até me foi dado perceber como se podia cotar, através de votação, uma enorme flor roxa…

Mas sobretudo verifiquei, consternada, que ter dito que sim ao pedido da Margarida me transformara a mim própria em alguém que pedia amigos no hi5… Só podia, pois nunca eu conscientemente pediria amigos no hi5 – nem noutro sítio qualquer, diga-se. Assim como a própria Margarida nunca deve ter pedido… Ou será que eu cliquei lá onde não devia?

Tenho 56 anos e os emails diziam que fulana(o) tal aceitara o meu “pedido de amizade”… Pedido de amizade?! Assim, textualmente: “G. aceitou o teu pedido de amizade”… A prova cabal da sinistra ideia de que a matriz de controlo transforma mesmo as crianças em adultos e os adultos em crianças (no pior sentido, note-se). Tudo a bem do consumo e do liberalismo económico mais selvagem… A última vez que terei pedido a alguém para ser meu amigo deveria ter 5 ou 6 anos, se é que alguma vez tal coisa me aconteceu – duvido muito que isso aconteça fora dos filmes da Disney…

Eu sei que todos somos irmãos, filhos do mesmo Pai/Mãe, que todos somos um, que todos somos o mesmo. E cada vez sinto mais tolerância, aceitação e amor por toda a humanidade e por toda a criação. Tanto sentimento de inclusão e de fraternidade que a última coisa que me passaria pela cabeça seria andar por aí a pedir: “Queres ser meu amigo?” Para que perguntaria eu isto se aquela pessoa já é minha irmã, meu irmão?!

Ora acontece que irmã/irmão é muito bom, mas Amigo… Amigo é outra coisa. Quando nos tornamos adultos, percebemos que a amizade é outra coisa, que ela simplesmente acontece, não há como negociá-la, forçá-la, pedi-la. E quantos mais amigos encontramos ao longo da vida, mais respeito temos pela palavra e com mais parcimónia a usamos…

São agora 4 e 56 da manhã e acordei estremunhada por dois motivos. Primeiro: a lembrança de todos os que não tinham aceitado o meu suposto “pedido de amizade”… Imaginava a cara do JB, da MI, da RL e por aí fora… Segundo motivo: lá em baixo na esplanada, as últimas despedidas de um grupo de amigos de carne e osso eram particularmente ruidosas. Quando cheguei à varanda, havia amigos abraçando-se, gesticulando, bufando de puro contentamento, de enorme prazer por estarem juntos, olhando-se nos olhos, tocando-se na pele, dizendo as graçolas certas que provocavam as estridentes gargalhadas que me tinham acordado. Já um bocadinho etilizados, como é óbvio…

Enquanto que noutros tempos espumaria de raiva, hoje dou por mim enternecida, solidária e protectora de um verdadeiro grupo de amigos em carne e osso, mesmo que isso me custe o meu precioso sono da madrugada, que sempre foi o meu favorito.

Tudo por causa da ameaça que pressinto a pairar sobre estes grupos de amigos reais, que é a de que possam também eles passar-se para as redes desinfectadas da Net, onde qualquer um, sem ter passado por qualquer prova, se arvora em “amigo”. Por favor!...

(Isto merecia mesmo era um tratado).

Amigos acontecem quando as voltas da vida de repente me colocam em sintonia com Aquela pessoa, quando ela diz ou faz, ou não diz nem faz, qualquer coisa que reflecte uma qualidade humana que me é cara, ou no momento em que nas minhas células há um reconhecimento. Amigos não resultam de eu andar a bater a todas as portas de email pedindo por eles. Tirem-me desse filme!

Já agora aproveito para, do fundo do coração, agradecer a todas e a todos aqueles que prontamente quiseram ser meus “amigos do hi5” – uns queridos! Bem hajam!

Imagem: Amiguinhos encontrados aqui no Google...

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Paraíso

Uma imagem de Cacela (Ria Formosa), onde estive ontem com a Ana C., neste final das férias à beira mar.
O Universo foi generoso. Tanta beleza, sol, descontracção e conversas da alma... 21 dias de paraíso prestes a chegarem ao fim.
Tão bom perder as coordenadas do quotidiano...

Imagem: Google

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

8 de Agosto 2008


" Em 8 de Agosto opera-se efectivamente o alinhamento final entre o portal maior terrestre - miztitlan - o portal maior das plêiades Alcione - o portal maior de Sírius - Punta Raia - e o portal central de orion - Alnitak.
Alniatk ( Orion )- Punta Raia ( Sirius ) - Alcione ( Pleiades ) – Miz Ti Tlan ( Terra )
(...)
Este Agosto marca o culminar de uma fermentação secreta no íntimo da Terra, nos seus múltiplos veículos de expressão, dos homens e do sistema solar, complementada por um baptismo estelar sem precedentes.
Sabemos isto não como algo que estudamos e compreendemos, ou como uma conclusão logica da teoria das energias. Sabemos isto por nós mesmos, é inerente a estarmos vivos.

De ORION descem as correntes salvíficas de regénese planetária. A Terra é um dos raros cenários onde o problema universal será resolvido em breve e cada um de nós é uma pedra viva na ecclesia invisível e sem nome nem morada.
Com alegria no coração chamamos todos os amantes planetários não a "isto" nem a "aquilo", nem a "nós", nem a rituais externos, mas a si mesmos.

A descida-precipitação Oriónica agora presente anuncia o novo ciclo de confiança, alegria, expansão e revolução energética que esperávamos desde a nossa adolescência espiritual.
Um evento sublime envolve toda a vida planetária nestes tempos. Correntes de vida, de potência desconhecida, aproximam-se do nosso espaço-tempo. A emergência da Vida Original já começou em todos os quadrantes do nosso planeta. Todos os seres de todos os reinos estão sendo internamente mobilizados para uma elevação do coeficiente de luz que a Terra passará a manifestar.
A égide deste alinhamento cosmológico é a Mente-Coração Criadora local - Cristo Miguel.


"Não conheceis AINDA a beleza e o esplendor dos planos de combustão
pura, o Universo Ardente. Suaves brisas desse Nível tocaram ao de leve a orla das vossas Almas, o que foi suficiente para vos imantar ao ponto de saberdes que não é possível, para aquele que pisou a Senda, abandoná-la.”
(...)

Vamos caminhar como tigres jovens na floresta ao amanhecer, sob o signo supremo do Cristo Cosmico.

De: Mulheres & Deusas