quarta-feira, 11 de junho de 2008

O Sexo e a Cidade - parte 2


Eu não ia mesmo voltar ao assunto, mas esta manhã, ainda antes de ler os postes de Rosa Leonor e de Lealdade Feminina, acordei de má consciência em relação àquilo que tinha dito sobre a série.

Quanta ingratidão! Sem retirar o que disse, há 2 ou 3 pontos que gostaria de acrescentar para ficar melhor com a minha consciência:

1º trata-se de uma comédia e como tal as coisas são simples, caricaturais, exageradas...

2º a série pôs em acção a

Lealdade Feminina – aquelas mulheres aceitaram-se e apoiaram-se sempre, apesar das diferenças. Mais, aquelas mulheres nunca arrepelaram os cabelos umas às outras para ver quem é que ia ficar com o tipo – coisa que acontece muito tanto no cinema como na vida real. Aquelas mulheres consideraram sempre que a sua amizade estava acima de todos os envolvimentos com quem quer que fosse. E isso foi muito bonito.

e a

auto-suficiência e auto-motivação femininas.

E o sexo? À repressão seguem-se extravasamentos, excessos, confusões e equívocos. É normal. Mas as mulheres precisam mesmo de não evitar o assunto, de encarar a coisa, porque essa é das zona onde mais estamos presas e confusas e à mercê da moral patriarcal...

Precisamos mesmo de falar sobre isso, de enfrentar a fera.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

As Cores do Dinheiro

Excertos de uma conferência - a não perder! - , dada há uns anos no Quíron, por André Louro de Almeida, sobre o dinheiro:

(...)

Um dos paradigmas da economia clássica é o lucro, tu compras um livro de economia clássica e o autor diz: “vou desenvolver a minha tese tendo como princípio que o objectivo de um sistema económico correcto é gerar o lucro” Quem disse? Este é só um dos paradigmas da economia, e contudo é o único que está suficientemente desenvolvido pelas sociedades contemporâneas, mas existe outro pensamento económico, existe um ambiente que se está a formar à escala mundial e que se chama economia da compaixão, em que o paradigma não é o lucro, mas simplesmente, civilização. Significa que uma empresa nunca actuará de forma a destruir os valores da civilização nos quais está inserida, ela nunca crescerá sem ao mesmo tempo produzir crescimento nas famílias em torno.

Já existem na Internet centenas de empresas ligadas à economia da compaixão.

Ex.: Assim que a Body Chop -dirigida por uma mulher extraordinária - se começou a coligar à economia da compaixão, transferiu todas as suas fábricas para África e para o Brasil, mas os ordenados continuaram iguais aos americanos. Significa que ao fim de 2 anos as aldeias em volta começam a gerir riqueza que de outra forma não tinham. Esta descentralização possibilitou que o dinheiro que estava gangrenado nos Estados Unidos fluísse para outras zonas planetárias.

Uma conta enorme que não está a ser aplicada em nada de criativo é uma gangrena do ponto de vista espiritual. Este prana precisa fluir e irrigar todos os pontos da Terra. E é que não só a maior parte do dinheiro está distribuído ao norte do planeta, como principalmente está gangrenado por 8 ou 9 países, e dentro desses países o dinheiro mundial pertence a 20 ou 30 contas! O dinheiro não está a chegar aos povos do 3º mundo.

Existem vários tipos de economia e a única que estamos a utilizar é a do lucro.

(...)

(obs: na economia sueca e norueguesa, intuitivamente, percebe-se que há seres, grandes financeiros, muito avançados. São seres em que o dinheiro que chega até eles é simplesmente o dinheiro necessário para que a tarefa deles se cumpra, pura e simplesmente.)

(...)

Um ser em serviço não metaboliza mais preocupação económica nenhuma! Porque não há mais dinheiro desviado nem para os níveis negro, vermelho, cinzento, nem verde e há um amplo caudal financeiro que é azul. Este ser entrou no paradigma mariano do “seja feita a vossa vontade”.

(...)

Nós sabemos que entrámos na lei do serviço porque a última preocupação que nos passa pela cabeça é: como é que vamos sobreviver amanhã? Passa a ser um problema do Divino. Tu estares vivo passa a ser um problema de Deus, Ele não se vai poder dar ao luxo que tu desencarnes. Antes, com o Picasso e com a Margot Fontaine a civilização são se podia dar ao luxo de que aquele dom desaparecesse, então a civilização paga o necessário para que o dom continue a fluir...
A partir da lei do serviço, Deus subsidia, por assim dizer, o nosso processo.
Adquirimos uma Bolsa para a Ascensão.

(...)

Como é que saímos da lei do serviço (que é uma lei que daqui a uns séculos estará superada) e entramos na lei da transcendência?

Esta última lei tem a ver com a lei da abundância divina.
Jesus diría: ”Quantos pães são necessários hoje? 10.000?"
E eles aparecem out of the blue...

(...)

http://energiamonetaria.blogspot.com/

A Função Humana


"A função humana atinge o seu pico frente ao desconhecido porque toda a massa universal nos usa para sonhar com o Divino." Pinho

“A identificação com os limites expulsa a Auto-Reverência. O Amor ao nosso potencial gera a Auto-Reverência. Só a Auto-Reverência abre os portais dos Mundos Sagrados.”
Pinho


http://axislinea.blogspot.com/

Experiência e Observação


"(...) Daí que ao viver muito e adquirir experiência e capacidade de decidir a partir do nível intuitivo -por oposição a decidir a partir do nível vivencial – vai crescendo até se refinar de tal modo que a maior parte das propostas terrestres são esvaziadas de investimento e projecção até ao momento em que apenas o extraordinário faz sentido.

Por outro lado a situação mais básica ou prosaica pode conter uma porta quirótica para mundos inesperados – como quando ficamos a observar as espirais de espuma ocre depois de mexermos o açúcar no café – o que torna impossível fazer uma avaliação definitiva ou linear da experiência que cada um tem.

Pode ser que uma pessoa tenha vivido muito, adquirido muita experiência, e o principal do elemento mágico-religioso dos episódios da vida lhe ter escapado. Isso implicaria que teríamos um ser maduro mas num sentido um tanto pobre. Certas crianças por outro lado não têm experiência tridimensional acumulada mas podem extrair das situações realidades que o ancião não detectou. (...)"

http://on-land.blogspot.com/

Imagem: Moonlight Secret, Herman Smorenburg

A donzela sem mãos na floresta: tornar-se eficaz sozinha


"Como a donzela sem mãos no conto de fadas, que tem o mesmo nome*, e cujas mãos lhe voltaram a crescer enquanto esteve na floresta, muitas mulheres descobrem que apenas sozinhas, sem apoio e perdidas num terreno desconhecido, lhes acontecem crescimentos psicológicos análogos. Metaforicamente as mulheres jovens deixam que lhes cortem as mãos para anuir ao que significa ser “uma mulher feminina”. Enquanto as raparigas pré-adolescentes dizem com facilidade o que pensam e podem mostrar-se exuberantes, afirmativas e capazes de competir com os rapazes, as adolescentes perdem caracteristicamente a auto-estima e reprimem a auto-expressão.

As mãos representam competência, a capacidade de chegar ao que tem valor pessoal e de o conservar; as mãos são os meios pelos quais exprimimos sentimentos íntimos e sensuais; as mãos são usadas para criar, para consolar os outros e para curar; as mãos sujam-se quando mexemos no solo ou em máquinas, ou entramos em “negócios escuros”; as mãos seguram instrumentos musicais, pincéis de pintar, utensílios de cozinha, ferramentas e armas; as mãos protegem-nos, respondem à curiosidade e são, em muitas facetas, extensões das nossas psiques no mundo. As mãos têm a ver com a auto-estima, a auto-expressão, tanto real como metaforicamente.

Para compreender como “A donzela sem mãos” pode ser uma história com significado pessoal, medite nas suas próprias inibições ou limitações. Talvez um conjunto de “mãos” em especial lhe tenha sido cortado?...

Mãos a crescer mas jamais desenvolvidas, ou que foram amputadas, são particularmente necessárias a uma mulher que sai da casa do pai para a do marido, e depois, a seguir à sua morte ou a um divórcio, tem de entrar no mundo e ganhar o seu sustento, ou o seu e de outros. Ela é como a donzela sem mãos, impossibilitada e sozinha.

Se foi educada para ser uma senhora, há sempre facetas da sua personalidade que estão atrofiadas ou amputadas: aprendeu a não exprimir a cólera, opiniões rigorosas, nem a dizer o que pensa. Capacidades e traços da personalidade que não eram vistos com bons olhos não foram desenvolvidos. Levaram-na a sentir vergonha de quaisquer partes de si mesma que eram impróprias e, por consequência, essas partes foram reprimidas – ou cortadas.”

* Referência a Clarissa P. Estés, Mulheres que Correm os Lobos

Jean Shinoda Bolen, Travessia para Avalon, Planeta Editora

Imagens: Google

Programação Religiosa


"(...) eu comprei uma dessas máquinas maravilhosas - um computador. É um milagre o que acontece naquela tela. Você já examinou por dentro uma dessas coisas? Não dá para acreditar. É toda uma hierarquia de anjos... todos sobre as placas. E aqueles pequenos tubos - aquilo são milagres. Meu computador me proporcionou uma revelação sobre a mitologia. Você compra um determinado programa e ali está todo um conjunto de sinais que conduzem à realização do seu objetivo. Se você começa tateando com sinais que pertencem a outro sistema de programas, a coisa simplesmente não funciona. (...) É preciso entender que cada religião é uma espécie de programa com seu conjunto próprio de sinais, que funcionam..."

Encontrado em:

http://encontro-consigo-livros-sites-blogs.blogspot.com/

domingo, 8 de junho de 2008

A Síndroma de O Sexo e a Cidade


“Mas, voltando ao Sexy and the City, o que me deixa triste é que tantas mulheres tenham como modelo figuras tão superficiais e caricatas como as quatro personagens da série/filme. Essa pobre criatura que acabou de me escrever dizendo que eu sou frustrada provavelmente nunca nem viu uma dessas horrendas bolsas Louis Vuitton ao vivo e é isso que ela considera sonho, glamour.

Quase na esquina do meu apartamento tem lojas da LV, Dior, Yves Saint Laurent e outras do gênero. Nunca tive nem curiosidade de entrar pra ver as roupitchas. Eu - e todas nós que comentamos nesse post - sonhamos sim, fia, mas nossos sonhos são muito mais ambiciosos que a mediocridade de botar um sapatinho Manolo Blahnik ou sair com uma bolsa Chanel - alugada ou não - e achar que está no topo do mundo.

Glamour pra mim é ir pro cinema ver um bom filme com o maridón e depois comer num restaurantezinho indiano a melhor comida do mundo. Glamour é saber viver bem, independente da cidade e da condição social. Glamurosa, pra mim, é a mulher que tem dignidade, honestidade, coerência e, principalmente, respeito a todos, sejam eles mexicanos, filipinos, quenianos ou brasileiros.

Eu até acho que tenho tido uma vida bem “glamourosa”, afinal, ter sempre trabalhado com coisas tão interessante (dar uma palestra em Dubai, ano passado, foi um luxo!), viver uma história de amor maravilhosa com meu Ted, ter uma filha que eu admiro mais que tudo, uma mãe com saúde e ainda conhecer quase 40 países e centenas de cidade em todos os continentes é um l-u-x-o. Mas não acho que ninguém precisa ter tudo isso pra ser glamourosa. Conheço muita gente que nunca saiu do Recife e é chiquérrima.”

http://sindromedeestocolmo.com/
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Lembro-me do tempo em que não perdia um episódio da série. Para uma sociedade tão preconceituosa como a nossa e no estádio em que a maior parte das mulheres se encontra por aqui, já é um sintoma de algum desejo de libertação gostar da série.

O que me fascinava acima de tudo não era tanto essa ideia do gamour, mas a sexualidade tão desabrida daquelas quatro, o seu espírito de aventura e a camaradagem que conseguiam entre si. Gostava disso. Era fresco.

Também tive a minha fase de vuittons e outros sinais exteriores... Depois, embora adore coisas bonitas, desenvolvi a fobia das marcas. Assim como era grande fã de revistas femininas, que agora abomino. A energia que perdemos com essas tretas...

São os equívocos do sistema em que, ou com que, se enrolam as mulheres, que continuam assim a viver não em função delas próprias mas em função do homem - nada de novo, portanto, sob a aparência da emancipação... Mais grave do que isso é o sucedâneo de modernidade e de liberdade que a coisa representa.

É bom sermos mais exigentes e criteriosas na escolha dos nossos modelos e das nossas heroínas.

Oh, sim, estou perfeitamente de acordo: nada se compara à pica que dá ir aos Dubais deste mundo dar conferências... termos voz e ideias próprias e capacidade para agir no mundo. Aí sim vale a pena investirmos a nossa energia!

A Viagem do Che

Há dias peguei-me com alguém por causa do filme Diários de Motocicleta, que conta a história da viagem do jovem Che pela América Latina:

- O que vemos ali é a história branqueada de alguém que torturou e matou...
Eu:
- Não, não viu isso no filme de Walter Sales. O que vemos ali é a história de uma viagem iniciática. É a história de alguém que corta o cordão umbilical e parte à descoberta do mundo fora de si. E depois deixa-se transformar pelo que vê e descobre, tanto fora como no seu interior. Descobre um continente dilacerado, dividido, empobrecido; um povo outrora autosuficiente e grande na sua cultura, reduzido à condição de ignorante, indigente, perdido. Dentro de si, descobre a capacidade de autosuperação e de sentir compaixão, e descobre o seu próprio carisma, que é o poder da sua luz e da sua visão transbordarem e contagiarem outros, mobilizando-os para uma causa que os transcende enquanto indivíduos...

Claro que sabemos que depois aquele sonho descambou em tragédia, porque o recurso à violência... só atrai mais violência.

Mas o que interessa o Che da realidade perante a transcendência que a ficção de Walter Sales consegue? O que temos no filme é a actualização do mito do Herói, com as suas qualidades de integridade e candura, a sua renúncia a objectivos individuais, a sua força obstinada e a sua entrega.
E Gael Garcia Bernal encarna na perfeição esse jovem Che, fisicamente tão frágil, asmático, e ainda mal saído da puberdade, que vemos transformar-se ao longo da viagem, adquirindo força e poder à medida que os perigos e obstáculos vão sendo ultrapassados.

A verdade é que devo confessar que este filme me fascina tanto porque ele ganhou para mim uma dimensão arquetípica e onírica. Ele transportou-me para a atmosfera de um sonho que foi recorrente em certos momentos da minha vida:

No sonho eu fazia uma viagem cujo trajecto tinha de ser sempre a direito, em linha recta. A adrenalina subia quando chegava a locais habitados: tinha de atravessar as próprias habitações, entrar e sair de quartos, salas e pátios, não podendo ser surpreendida por ninguém.

Um jovem, que vagamente me lembrava o meu próprio filho, acompanhava-me...

(continua)

Imagem do filme (Google)

Sonhar com o Animus


Em As Deusas em Cada Mulher, Jean Shinoda Bolen oferece uma interpretação muito interessante para este tipo de sonhos:

“Os sonhos são uma segunda maneira de distinguir um arquétipo de Ártemis ou de Atena de um animus. Indicam se essas deusas virgens são a fonte de uma atitude activa da mulher ou se qualidades como a capacidade de auto-afirmação ou a orientação para objectivos devem ser atribuídos a um aspecto masculino da mulher.

Quando Ártemis e Atena são arquétipos predominantes, a mulher que sonha está muitas vezes a explorar sozinha territórios desconhecidos. Encontra-se no papel da protagonista que luta com obstáculos, escala montanhas ou se aventura num país estrangeiro ou numa paisagem subterrânea. Por exemplo: “Estou ao volante do meu descapotável, a acelerar numa estrada da província durante a noite, distanciando-me de quem quer que seja que me persegue”; “Sou uma estrangeira numa cidade espantosa, semelhante aos jardins suspensos de Babilónia”; “É como ser uma agente dupla. Não devo lá estar e seria perigoso se qualquer das pessoas à minha volta se apercebesse de quem sou.”

As dificuldades enfrentadas ou a viagem fácil nos sonhos correlacionam-se com os obstáculos internos e externos que a pessoa que sonha enfrenta ao tentar autodeterminar-se e ser eficaz no mundo (qualidades do animus). Tal como nos sonhos, ela sente-se natural quando traça o seu próprio caminho. Está a ser o seu eu activo, com intenções muito próprias.

Quando as qualidades assertivas se encontram nas fases iniciais de desenvolvimento, uma mulher que sonha é frequentemente acompanhada por outra figura. Esse companheiro pode ser homem ou mulher, uma presença indistinta ou uma pessoa claramente definida e reconhecível. O sexo do companheiro é uma referência simbólica que ajuda a distinguir se essas aptidões que emergem são vistas como “masculinas” (animus) ou como femininas (deusas virgens).

Por exemplo, se a mulher que sonha está a desenvolver qualidades de Ártemis ou de Atena e se encontra ainda nas fases iniciais da sua educação ou carreira, o seu companheiro de sonhos mais frequente é uma mulher vaga, desconhecida, com traços indistintos (...).

Quando o companheiro numa aventura de sonho é um homem ou um rapaz, a mulher que sonha é muitas vezes uma mulher tradicional, que se identifica com as deusas vulneráveis ou (...) com Héstia ou Afrodite. Para essas mulheres, os homens simbolizam a acção e, por conseguinte, nos seus sonhos, definem as qualidades assertivas ou competitivas como masculinas.

Por conseguinte, quando uma mulher entra, hesitante, no local de trabalho ou no mundo académico, ajudada por um animus ou aspecto masculino de si própria, esse aspecto pode ser representado nos seus sonhos por um homem indistinto, eventualmente um jovem ou um adolescente (ainda em desenvolvimento), que está com ela num local desconhecido e por vezes perigoso.”

Imagem: William Blake

sábado, 7 de junho de 2008

UMA ABORDAGEM PAGÃ SOBRE DIFERENÇA

Encontrado num blog delicioso, que recomendo, sobretudo às mães (e pais):

"uma coisa que eu acho fantástica acerca do paganismo, é que o politeísmo pagão (muitos deuses válidos) abre o precedente na vida das pessoas para o politeísmo ideológico (muitas ideias ou verdades válidas). isso é tremendamente libertário e tolerante. pra mim, além disso, também é símbolo de maturidade pois o diferente deixa de ser ameaçador. é preciso muito treino para que o diferente deixe de nos colocar automaticamente na defensiva. e eu pessoalmente devo parte desse meu treino ao paganismo e ao politeísmo que abre as portas para a existência de múltiplas verdades simultâneas.

o cristianismo e as religiões que pregam um deus único pregam a supremacia, a competição, a exclusão, a dicotomia, a oposição, a esquizofrenia. se não é o meu deus, é errado. até no exercício de uma coletividade, o que se pressupõe é que todos estejam com a mesma ideia (e eu me recordo imediatamente da máxima "quando todos estão pensando igual, ninguém está pensando"). a coletividade baseada num deus único ou numa verdade única é fundada numa concordância que a partir de certo ponto é irreal, impraticável e insalubre.


a crença na verdade única é a base pra toda intolerância e fundamenta o patriarcado afinal de contas. 'apenas um está com a razão, sou eu, e vc deve me seguir' - isso cria uma força muito destruidora e todos nós podemos ver seus efeitos concretizados no nosso mundo. discutir sobre diferenças em pé de igualdade é muito diferente de lutar pra impor sua opinião, mas na prática a gente tem dificuldade em identificar essas duas situações. a ideia do deus único nos educa para lidar de forma imatura com as diferenças, pois implica automaticamente num certo contra todos os outros errados. uma única verdade exclui qualquer possiblidade de outras verdades, outras alternativas. é restritiva... e até onde eu posso ver, restrição não é lá uma boa diretriz para o desenvolvimento humano.

é verdade que quando a gente pensa em comunidade, em valores morais, se torna necessário um consenso e em
certo ponto, até uma imposição. estou pensando estritamente no meu papel de mãe; em coisas que o meu filho tem que me obedecer para não morrer atropelado, para não ficar doente ou para não se tornar um robô replicante de uma hegemonia que tem seus dias contados. toda mãe concorda que algumas coisas não estão abertas a discussão, na tarefa de educar. e aí é que está o grande desafio - a mulher pagã sabe que a tarefa de educar passa por um treino da convivência mais pacífica possível entre os diferentes, apesar de ser absolutamente necessário que durante certo tempo, os que estão sendo treinados ou educados se submetam a um conjunto de regras mais ou menos 'indiscutíveis


(vc pode não comer exatamente ao meio dia, vc pode não comer vegetais ou carne, mas vc tem que comer alguma coisa ora bolas!!!).

a educação, qualquer educação decente, tem como objetivo amadurecer a pessoa, dar ferramentas para que ela se torne autónoma, adulta, inteira. ninguém quer ser educado para permanecer escravo ou eternamente menor do que quem o educou. no meu ponto de vista, a educação baseada na ideia de uma única verdade ou um único deus, não dá ferramentas suficientes para que a pessoa supere a reação defensiva automática diante do diferente, pois pressupõe que um sempre será melhor do que o outro. não existe igualdade possível dentro desse universo conceitual. e, se sempre tem um melhor, ou se sempre tem alguém pensando 'mais certo', não existem adultos.

por anfibia, mãe de um menino de 4 anos, pedagoga e pagã

(Quase só troquei alguns acentos...)

Imagem: Linda G. Fisher

A NOVA TERRA

"A Chegada da Energia do Búfalo Branco", Monique Monos

(...)E assim, Amados Trabalhadores da Luz, nesta época de Radiância Cósmica, à medida que a Luz aumenta, vocês começarão a “ver” de maneira cada vez mais clara. E descobrirão que sua percepção se torna mais clara e mais fina. E verão as velhas energias de sombra e ilusão que ainda existem, ao mesmo tempo em que a Nova Terra nasce. É importante , queridos Trabalhadores da Luz, que neste momento não se permitam serem puxados para dentro das velhas energias de medo, superstição e manipulação, e que não fiquem presos em padrões de “reciclar” as velhas energias e dramas como uma maneira de escapar dos desafios criativos das Novas Energias." (...)
Ler mais em:
http://starchildglobal.com/portuguesa/

A Mulher Inteira

Ingmar Bergman, Lágrimas & Suspiros (1972)

DEMASIADO IMPORTANTE PARA SE IGNORAR!

Blogueado em Mulheres & Deusas:

A Nossa Outra Metade

A nossa outra metade é mulher e não o homem…
O homem é o oposto complementa
r, mas a mulher tem de primeiro unir as duas partes de si mesmas cindidas, para poder chegar à sua totalidade.


Tenho perfeitamente noção do desafio que vos lanço ao fazer esta declaração algo insidiosa, e da possível controvérsia que possa suscitar, mas faço-o intencionalmente. A verdade é que a mulher encontra-se cindida em duas partes antagónicas e mantendo-se dividida em si mesma cria uma dicotomia da sua natureza sendo sempre ou quase sempre uma mulher metade que procura no homem a sua outra metade mulher e não o homem, e porque infantilizada ou imatura, legando sempre o seu poder pessoal nas mãos do outro, não pode ser ainda o complemento do homem. Como a mulher não está consciente da sua totalidade porque separada na sua essência, quase sempre fragmentada nos vários estereótipos que persegue exteriormente, não pode ser esse espelho do feminino profundo porque não está em contacto com ele. Desviada do seu centro, ela busca fora e no homem não uma complementaridade, mas essa parte que lhe falta …Seja a mãe, seja o pai, a autoridade que a proteja, seja a realização amorosa que amputada dela de si mesma nunca conseguirá atingir…tal como na maior parte das vezes acontece com o próprio orgasmo. Por isso, antes que a relação homem-mulher se estabeleça a mulher precisa reunir as duas partes cindidas de si e integrá-las. E isto é válido para as duas mulheres…seja ela a santa seja ela a puta…

Devemos no entanto realçar que este aspecto da integração do feminino profundo que a mulher precisa de consciencializar, tal como o homem aliás, nada tem a ver com a dualidade humana, bem e mal e que é comum aos dois seres, mas que acaba por ter influência na dicotomia da mulher.
O homem apesar de não se encontrar divido em dois nem fragmentado na sua natureza masculina, para além também dos seus estereótipos de macho, falta-lhe integrar o masculino sagrado que vem da integração do seu próprio feminino, mas não havendo o espelhamento dessa mulher inteira, dificilmente o homem pode reconhecer o seu feminino quer na mulher quer em si. O masculino sagrado é conseguido através da iniciação amorosa na revelação da mulher sagrada.

Kate Kretz, Sacred Ovaris

"O Vaso da Transformação só pode ser efectuado pela mulher,
porque ela própria, em seu corpo que corresponde ao da Grande Deusa, é o caldeirão da encarnação, nascimento e renascimento. E é por isso que o caldeirão mágico está sempre nas mãos de uma figura humana feminina, a sacerdotisa e a bruxa".
(Erich Neumann)

Antes de se unir ao seu complemento masculino a mulher tem de ser iniciada ao seu próprio mistério e seguir o caminho da deusa e do feminino sagrado. Muitas vezes isso pode implicar ou pode ocasionar o encontro com outra mulher no exterior e que servirá de certa maneira de espelho. A atracção que muitas vezes as mulheres podem sentir umas pelas outras já no âmbito de uma atracção de cariz sensual ou erótico antes de ser definido como homossexualidade poderá ser sentido como manifestação numinosa do acordar da deusa em si, através de um catalisador que é a outra mulher se esta se sentir ligada à deusa e tiver já o seu feminino mais ou menos integrado. Creio que a maior parte dos casos dados como opção sexual não é mais do que o espelhar dessa outra parte que a mulher renegou consciente ou inconsciente da sua própria feminilidade ou sensualidade e também na procura da mãe que a rejeitou, na maior parte dos casos.

Há muitas mulheres que afirmam não gostar das outras mulheres e também muitas mulheres homossexuais que embora “gostando” de mulheres, são mais masculinas que femininas ou procuram o feminino fora de si adoptando a postura do homem cortejando mulheres mais femininas ou imitando muitas vezes o macho que conquista as mulheres mas as menospreza. É como que uma procura invertida do seu feminino ou uma negação dupla do seu ser mulher. É uma via de compensação para a sua ferida. Aqui eu não discuto a homossexualidade em si, mas uma possível causa na grande percentagem de mulheres que dizem amar as mulheres.
Não me quero debruçar agora sobre essa complexa questão, mas fazer notar que entre esses dois sentimentos de negação da outra mulher ou a sua busca fora, existem muitas manifestações emocionais igualmente complexas.
(continua)
Rlp

TEXTO PUBLICADO EM: http://yinsights.blogspot.com/

Imagem: http://mulholland-drive.blog-city.com/viskingarochrop.htm

sexta-feira, 6 de junho de 2008

O ÚNICO DEFEITO DA MULHER

Texto de Sérgio Gonçalves, redactor da Loducca, publicado no jornal da agência.

"Se uma memória restou das festinhas e reuniões de familiares da minha infância, foi a divisão sexual entre os convivas: mulheres de um lado, homens do outro.
Não sei se hoje isso ainda acontece. Sou anti-social ao ponto de não freq
uentar qualquer evento com mais de 4 pessoas, o que não me credencia a emitir juízos.
Mas era assim que a
coisa acontecia naqueles tempos. Tive uma infância feliz: sempre fui considerado esquisito, estranho e solitário, o que me permitia ficar quieto a observar a paisagem.

Bem, depressa verifiquei que o apartheid sexual ia muito além das diferenças anatómicas. A fronteira era determinada pelos pontos de vista, atitude e prioridades.
Explico: no lado masculino imperava o embate das comparações e disputas.
'O meu carro é mais
potente, a minha televisão é mais moderna, o meu salário é maior, a vista do meu apartamento é melhor, a minha equipe de futebol é mais forte' e outras cascatas típicas da macheza latina.
Já no lado oposto, respirava-se outro ar. As opiniões eram quase sempre ligadas ao sentir. Falava-se de sentimentos, frustrações e recalques com uma falta de cerimónia que me deliciava.
Os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como mexerico.
Discordo.

Destas reminiscências infantis veio a minha total e irrestrita Paixão pelas mulheres.
Constatem, é fácil.
Enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, as mulheres já chegam com quase metade da lição estudada.
Qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática. Ela brinca às casinhas e aprende a pôr um pouco de ordem nas coisas. Ela pede uma bonequinha a quem chama filha e da qual cuida, instintivamente,
como qualquer mãe veterana. Ela fala em namoro mesmo sem ter uma ideia muito clara do que vem a ser isso.
Noutras palavras, ela já nasce a saber. E o que não sabe, intui.

Já com os homens a historia é outra.
Você já viu um menino dessa idade a brincar aos directores?
Já ouviu falar de algum garoto fingindo ir ao banco pagar as contas?
Já presenciou um bando de meninos fingindo estar preoc
upados com a entrega da declaração do IRS?
Não, nunca viram e nem hão-de ver.

Porque o homem nasce, vive e morre uma existência infanto juvenil.
O que varia ao longo da vida é o preço dos brinquedos.

Aí reside a maior diferença.
O que para as meninas é treino para a vida, para os meninos é fantasia e competição.

Então a fuga acompanha-os o resto da vida, e não percebem quanto tempo eles perdem com seus medos.
Falo sem o menor pudor.

Sou assim.
Todos os homens são assim.
Em relação ao relacionamento homem/mulher, sempre
me considerei um privilegiado.
Sempre consegui ver a beleza física feminina mesmo onde, segu
ndo os critérios estéticos vigentes, ela inexistia.
Porque todas as mulheres são lindas.
Se não no todo, pelo menos em algum detalhe.

É só saber olhar.

Todas têm a sua graça.
E embora contaminado pela irreversível herança genética qu
e me faz idolatrar os ícones da futilidade, sempre me apaixonei perdidamente por todas as incautas que se aproximaram de mim.
Incautas não por serem ingénuas, mas por acreditarem.
Porque todas as mulheres acreditam firmemente na possibilidade do homem ideal.
E esse é o seu único defeito ..."

Imagens: Alice Buis

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A Natureza Sensorial Feminina



Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés

"Há um ser que vive no subterrâneo selvagem das naturezas das mulheres. Essa criatura faz parte da nossa natureza sensorial e, como qualquer animal completo, possui os seus próprios ciclos naturais e nutritivos. Esse ser é curioso, gregário, transbordante de energia em certas horas, submisso noutras. Ele é sensível a estímulos que envolvam os sentidos: a música, o movimento, o alimento, a bebida, a paz, o silêncio, a beleza, a escuridão.

É esse aspecto da mulher que tem cio. Não um cio voltado exclusivamente para a relação sexual, mas para uma espécie de fogo interior cuja chama cresce e depois baixa, em ciclos. A partir da energia libertada nesse nível, a mulher age como lhe convém. O cio da mulher não é um estado de excitação sexual, mas um estado de intensa consciência sensorial que inclui a sua sexualidade, sem se limitar a ela.

Muito poderia ser escrito acerca dos usos e abusos da natureza sensorial feminina e sobre como as mulheres e outras pessoas atiçam fogo à revelia dos seus ritmos naturais ou tentam extingui-lo por completo. No entanto, em vez disso, vamos focalizar um aspecto que é ardente, decididamente selvagem e que transmite calor que nos mantém aquecidas com boas sensações. Na mulher moderna, essa manifestação sensorial recebeu pouquíssima atenção e, em muitas regiões e períodos, foi totalmente eliminada.

Existe um aspecto da sexualidade feminina que, nos tempos remotos, era chamado de obsceno sagrado, não na acepção que damos hoje em dia ao termo, mas com o significado de uma sabedoria sexual de uma certa forma bem-humorada. Havia outrora cultos a deusas que eram voltados para uma sexualidade feminina irreverente. Longe de serem depreciativos, eles dedicavam-se a ilustrar partes do inconsciente que ainda hoje permanecem misteriosas e em grande parte desconhecidas.

A própria ideia de sexualidade como sagrada e, mais especificamente, da obscenidade como um aspecto da sexualidade sagrada, é vital para a natureza selvática. Havia deusas da obscenidade nas antigas culturas matriarcais - assim denominadas por sua lascívia astuta, porém inocente. Contudo, a linguagem, pelo menos no inglês, dificulta a compreensão das "deusas sujas" como algo que não seja vulgar. Eis o que a palavra sujo e outros termos a ela relacionados significam. A partir destes significados, creio que ficará claro porque motivo esta antiga adoração às deusas foi empurrada para debaixo do pano.

Há alguns anos, quando comecei a contar "histórias de deusas sujas", as mulheres sorriam e depois riam ao ouvir os feitos de mulheres, tanto verdadeiras quanto mitológicas, que usavam a sua sexualidade, a sua sensualidade, pra transmitir uma ideia, para amenizar a tristeza, provocar o riso e, desse modo, corrigir algo que estivesse desencaminhado. Eu também me comovi com a forma pela qual as mulheres se aproximavam do limiar do riso a respeito desses assuntos. Elas primeiro precisavam colocar de lado tudo o que lhes dizia que isso não seria sinal de boa educação.

Percebi como essa atitude de "boa educação" nas situações erradas realmente sufocava a mulher em vez de permitir que respirasse. Para rir, você precisa de ser capaz de soltar o ar e inspirar de novo rapidamente. Sabemos a partir da cinesiologia e de terapias do corpo, como a Hakomi, que respirar significa conhecer as nossas emoções, que, quando queremos parar de sentir, interrompemos a respiração prendendo-a.

No riso, a mulher pode começar a respirar de verdade e, ao fazê-lo, ela talvez comece a ter sentimentos censurados. E quais poderiam ser esses sentimentos? Bem, eles acabam não tendo sentimentos, mas alívio para os sentimentos e, em alguns casos, curas para os sentimentos, como por exemplo, a libertação das lágrimas contidas ou de lembranças esquecidas, ou ainda a destruição das amarras que prendiam a personalidade sensual.

Ficou evidente para mim que a importância dessas antigas deusas da obscenidade estava na sua capacidade de soltar o que estava muito preso, de fazer dissipar a melancolia, de trazer ao corpo uma espécie de humor pertencente não ao intelecto, mas ao próprio corpo, de manter desobstruídas as passagens. É o corpo que ri das histórias de coiotes, das histórias de Tio Trungpa, das frases de Mãe West, entre outras. As deusas “sujas” fazem com que uma forma vital de medicamento neurológico e endócrino se espalhe por todo o corpo."

Blogueado em: http://www.xamanismo.com.br/Poder/SubPoder1191323717It007

Imagem: Google

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O Poder do Agora


"No nível mais profundo do ser, você está em unidade com tudo o que existe. "

"Há algo além da beleza das formas externas: algo a que não se pode dar nome, algo inefável, uma essência sagrada interna, profunda."

"Quanto mais nos concentramos no tempo, no passado e no futuro, mais perdemos o agora."


Eckart Tolle



Este é um dos livros e dos autores mais inspiradores que já li.


Vídeos deste autor aqui (em inglês):
http://www.youtube.com/watch?v=Bg9lY7_hCGA
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Comentário de Isabel Faria:

“eu também sou uma fã incondicional do Eckhart Tolle! Já leste o livro dele "Um Mundo Novo"? Também é muito interessante; baseia-se no mesmo princípio do poder do agora no entanto mais virado para as questões do ego, o corpo de dor, etc. Como sou também fã da Oprah, soube que ela e o Eckhart iam dar um "curso" sobre esse livro e então durante 10 semanas assisti semanalmente ao curso onde eles debatiam as ideias essenciais de cada capítulo e quem quisesse podia interagir directamente. Eu nunca o fiz porque nunca cheguei a assistir directamente (em Portugal era por volta das 2 ou 3 da manhã), mas no dia seguinte lá estava eu a acompanhar o curso durante uma hora. Se quiseres podes ver o curso todo, é só entrares no site da Oprah e procurares o curso de "A New Earth", e no site da Oprah (do lado direito o tema Oprah's Book Club onde está "A New Earth Web Event").

Foi mesmo muito interessante, posso-te dizer. Mas acho que vou ter de ler o livro outra vez porque houve muita coisa que me passou despercebida. Este autor tem a capacidade de simplificar as coisas difíceis e dificultar as coisas simples! (hihihi)...”

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talvez este link te conduza mais rapidamente à página onde está o curso das 10 semanas. Cada semana corresponde a um capítulo.
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Experimentei o link, mas não consegui entrar ainda no curso de Ekhart T. Entretanto, à esquerda está uma entrevista com Louise Hay, em GET WHAT YOU REALLY WANT.

E o sexo, em que ficamos?



OK, sexo é bom, sexo é natural, sexo é vida!

Claro que há excessos. Como em tudo. Também há excesso de comida, de trabalho, de descanso... Há obesidades mórbidas, há os viciados em trabalho e os viciados em descanso (os procrastinadores...). Há o trabalho perverso, que é quando escravizamos alguém para fazer aquilo que não queremos fazer, de borla. Mas também quando não fazemos mais nada, servindo a todos, sem descanso nem tempo para nos divertirmos. Quando toda a nossa vida gira à volta do trabalho.
E há, claro, o sexo perverso... Assim como há a abstinência, ou a castidade, perversa, que é quando nos fechamos completamente a qualquer contacto com o outro.


Não sou especialista na matéria e para mim esta questão é uma espécie de "última fronteira". Há muito ruído nesta área, eu acho... e tenho alguma dificuldade em discernir... "Já não precisamos...", "Ainda precisamos...", "É fundamental...".

O mais consensual é: "Só com amor!", depois ainda: "Só tântrico!" ou "Só sagrado!". Óbvio que tudo nesta vida é melhor com Amor, Tântrico, Zen, Sagrado... Mas enquanto isso não acontece, já
estou como Lealdade Feminina: "é bom na mesma"... Enquanto isso, temos que ir tentando, aprendendo, partilhando...

Sexo é intimidade, sexo é ter prazer com o corpo e tem benefícios incontestáveis. Também tem perigos, óbvio, tal como temos intoxicações alimentares e outros acidentes... No sexo é que a VIDA tem origem. E por isso mesmo só pode ser super importante, não? É um momento de grande intimidade com o outro. Não digo da maior intimidade, mas é quando as nossas defesas, por vezes asfixiantes de toda a vida em nós, baixam; quando aceitamos ser vulneráveis e isso assusta, claro.

Ajude-nos a entender. Deixe o seu comentário!

Imagems: Alice Buis

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Do comentário de Lealdade Feminina:

(...) O sistema inibe e reprime a sexualidade pq precisa da nossa libido desviada pra outros setores, como o trabalho, por exemplo...

E misturar sexo com carência afetiva é um gde problema social, é a essência do amor romântico... uma verdadeira psicopatia coletiva...

terça-feira, 3 de junho de 2008

UMA NOVA HUMANIDADE PRECISA-SE

Agora, mais do que nunca, a causa da Mulher é a causa de toda a Humanidade.
(Boutros Ghali)

Por cada mulher cansada de aparentar debilidade, existe um homem débil cansado de parecer forte.

Por cada mulher cansada de ter que de passar por tonta, há um homem farto de aparentar saber tudo.

Por cada mulher qualificada como demasiado emotiva, há um homem a quem foi negado o direito de chorar e de ser delicado.

Por cada mulher considerada como pouco feminina quando compete, existe um homem obrigado a competir para que ninguém duvide da sua masculinidade.

Para cada mulher farta de ser considerada um objecto sexual, existe um homem preocupado com a sua potência sexual.

Para cada mulher que não teve acesso a um trabalho nem a um salário satisfatório, existe um homem que deve assumir a responsabilidade económica por outro ser humano.

Para cada mulher que desconhece os segredos de um automóvel, existe um homem que não aprendeu os segredos da arte de cozinhar.

Para cada mulher que dá um passo em direcção à liberdade, há um homem que redescobre o caminho da sua própria libertação.

A Humanidade possui duas asas: uma é a Mulher e a outra é o Homem. Enquanto ambas estas asas não se abrirem, a Humanidade nunca poderá voar.

Precisamos de uma Nova Humanidade: precisamos de voar!

(Autor desconhecido)
Imagems: Google

Neal Donald Walsch no cinema


Conversas com Deus - o filme

“Um filme que nos conta a história do primeiro livro de Neale Donald Walsch. Mostra-nos como por vezes é preciso ir até ao fundo "do poço" para percebermos que precisamos de mudar algo na nossa vida.

Conta-nos a história de um homem que, por uma sucessão de eventos, consequência das suas escolhas, perdeu tudo o que tinha como certo na sua vida. No fundo da descida do desespero, clamando por respostas às suas perguntas, estas começam a chegar...

O filme começa de uma forma pouco clara, mostrando-nos a vida de Neale por entre pedaços soltos de palestras. Depois começam a surgir os flashbacks, levando-nos em viagem pelas suas recordações (interpretado por Henry Czerny).

Embora não aprofunde muito as questões dos livros, leva-nos a questionar as crenças que temos sobre o mundo e a descobrir a nossa verdade interior.

Uma produção/direcção de Stephen Simon, produtor do filme "Para além do horizonte" e co-fundador do Spiritual Cinema Circle."

Sofia Morgado (adaptado)

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Clique sobre a imagem (Google) para vídeos em inglês:

domingo, 1 de junho de 2008

PORQUE HOJE É DIA DA CRIANÇA...

Post inspirado nesta imagem publicada por Rosa Leonor (Mulheres & Deusas)

Esta mulher escondida, negada, humilhada, colonizada e escravizada é um ser humano! Ela vive assim algures na nossa alma; ela é uma parte de nós, mulheres, e de nós, humanidade...

"Nunca choraremos bastante..." (Sophia de Mello Breyner)

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“A matriz maternal que as mulheres oferecem sustenta a vida”

“Pensei no extravasamento de mágoa e dor que tinham acompanhado as palavras íntimas “A mãezinha morreu”, e como essas palavras poderiam expressar o que ia mal no mundo do meu paciente. Porque um mundo sem a divindade da Mãe é um mundo material desprovido de cor e vida, de matéria despida de significado, um mundo desvitalizado transformado em pedra.”

“Quando a Mãe Alimentadora e a Mãe Dançarina abandonam o mundo, deixam um ermo emocional. Na mitologia grega, Deméter, Deusa dos Cereais, a mais dadivosa e generosa de todas as deidades que representava a Deusa-Mãe numa época em que as religiões patriarcais se estavam a tornar predominantes, tornou-se a Deusa de Morte quando se recusou a deixar que crescesse o que quer que fosse na terra e permitiu que a humanidade morresse de fome. O coração e a compaixão haviam-se-lhe transformado em pedra. Tornou-se na Mãe de Pedra. Os camponeses bem poderiam ter-se lamentado – “A Mãe morreu!” – como fez a criança no íntimo do meu paciente.”



“O poder da Deusa, que se manifesta por meio das mulheres, é uma matriz emocional que convida a uma fusão ou simbiose inconsciente e transmite uma sensação de “chegada a casa”. Se é através das mulheres que muitos homens recebem alguns ingredientes essenciais à manutenção da vida, é lógico que tais homens se esforcem por controlar as mulheres, em especial se não gostam particularmente delas e não querem admitir a sua própria dependência.”

Textos: Jean Shinoda Bolen, Travessia para Avalon

Imagens: Google

A ETERNA CRIANÇA


Poema do Menino Jesus




(Clique sobre a imagem para ouvir)

Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.

Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte

Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva

E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu tudo era falso, tudo em desacordo

Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,

E até com um trapo à roda da cintura

Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.

O seu pai era duas pessoas -
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;

E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque nem era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,

E que nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!
Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,

Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu

E serve de modelo às outras.

Depois fugiu para o Sol
E desceu no primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,

Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.

E, porque sabe que elas não gostam

E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas

Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
A escarrar para o chão

E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.

Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou -
"Se é que ele as criou, do que duvido." -
"Ele diz por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.

Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,

E por isso se chamam seres."
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural.
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é por que ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.
A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.
A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.
Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.
Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.
Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos dos muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.
Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.
 ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .
Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.
 .. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ..
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam ?

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Imagem: Diana Vandenberg