
Acabo de saber que existe uma actividade denominada PERMACULTURA, que me parece muito digna de atenção...
"Se somos seres espirituais percorrendo um caminho humano, e não seres humanos que podem estar a transitar por um caminho espiritual, (...) então a vida não é só uma jornada, mas também uma peregrinação ou busca." Jean Shinoda Bolen


“As torres tinham caído há pouco. E ela vira-as cair nessa manhã, daquela mesma janela na sala onde nos encontrávamos, Nova York downtown. Assistira ao mundo mais próximo a ruir diante dos seus olhos, a desmoronar-se em fumo, poeira, fragor e desolação imensa. E foi então que me contou isto, isto que nunca mais me saiu da cabeça: “Nesses dias a seguir, caminhei até ao parque. E abracei as árvores. Só me apetecia abraçar as árvores. Não estava sozinha, aliás. Havia mais pessoas a abraçar as árvores, ali no parque”.
Lembro-me muitas vezes desta imagem, de gente desnorteada, exausta e confusa, seres atarantados com a vida trocada à sua volta, a rodear troncos de árvores com os seus braços num gesto de desespero por consolo, tentando reencontrar alguma ligação perdida com o essencial do mundo, uma certeza e uma estabilidade que, por vezes, só mesmo a natureza nos dá. Por uma simples razão, não muito difícil de adivinhar: a natureza é o que conhecemos de mais vivo e perene.
Ontem, abri este jornal e encontrei o Olímpio numa fotografia enorme, tão maior que a sua habitual discrição e timidez. O Olímpio morreu e eu não soube, naturalmente não soube, que não tinha que saber porque não era sua amiga chegada, apenas amiga do seu amigo, mas nunca deixou de me comover o seu amor pelos livros ao longo dos anos em que fui seguindo o seu trabalho e nos cruzámos pelas ruas curtas da cidade. E nesse instante em que abri o jornal e soube da sua morte inesperada e fulminante, nesses momentos em que notícias drásticas dão connosco em momentos mais frágeis do que é habitual, parece que o mundo pára de girar por um instante. E eu lembrei-me da minha amiga daquela noite ao contar-me das suas árvores abraçadas.
Por razões que também vêm aqui ao caso, fiquei a pensar
Nunca é tarde demais para abraçarmos aqueles de quem gostamos. Mesmo que não o seja em carne e osso e só apenas assim, por palavras.”

Para mim, tudo o que ali se afirmava fazia sentido, até porque enfatizava a necessidade de perdoar, de libertar o passado, de nos validarmos a nós próprios (particularmente a nós próprias!) e de nos responsabilizarmos pela nossa própria vida antes de mais nada. Era uma bombinha de energia.
Foi a primeira autora do género que li, mas já tinha intuído há muito que o observador tem uma responsabilidade enorme na criação da realidade em que vive.
Entretanto, tudo se encaminhou, nomeadamente a constituição de um grupo de pessoas interessadas, na cidade onde vivo, e fiz o primeiro curso de 10 semanas com Vera Faria, no ano 2000. Éramos 14 e reuníamo-nos aos sábados à tarde em casa de uma amiga. Foram momentos muito intensos, em que a proposta era avançarmos para além dos nossos bloqueios, confrontarmo-nos com as nossas dores de alma, aceitarmos a nossa fragilidade, como única via possível para o encontro da verdadeira força. Primeiro custava, custava partilhar, custava abrir o coração; porém, vencida essa resistência, sentia-se um alívio tão grande como quando nos soltamos de correntes que nos aperreiam e estrangulam. Depois, melhor ainda do que o alívio, é a doçura que se sente no coração, o amor imenso por aquelas pessoas que estão ali connosco e que no fundo, vencidos os medos e preconceitos, as diferenças exteriores, são iguais a nós, são NÓS mesmas(os), aliás. Os mesmos medos, as mesmas feridas, os mesmos sonhos e anseios... A qualidade do amor que sentimos então é mesmo a do tal Amor Incondicional.
Esta é sem dúvida a grande mais-valia do Método Louise Hay. É que, mais importante do que as tácticas para adquirirmos mais autoconfiança, mais auto-estima, enfrentarmos e vencermos obstáculos, a grande proposta é a abertura do coração, daí o símbolo escolhido por Louise Hay.
Depois desta experiência, não voltamos a ser a mesma pessoa, nem a nossa vida volta a ser a mesma. A minha não voltou. Com o Método, passei a viver a partir de uma certeza poderosa: a responsabilidade pela minha vida é minha e só minha. Isto deu-me a dimensão do meu poder. E também me remeteu para outras terapias, outras leituras, outros estudos, porque o trabalho sobre nós próprios é exigente... Depois vão-se fazendo os necessários ajustes, e vamos constatando que, quando aplicamos os princípios que o Método nos ensinou, tudo funciona de outra maneira.
Um dos aspectos da minha vida que mais beneficiaram foi sem dúvida o meu desempenho profissional e a minha relação com todos aqueles com quem interajo no meu trabalho. Embora já gostasse do que fazia, passei a fazê-lo com um outro sentido, um sentido de serviço, o que faz uma grande diferença. Passei também a sentir que contava enquanto pessoa; passei a levar a sério a importância vital de termos voz própria, de sabermos mesmo quem somos, em que é que acreditamos e que qualidade especial viemos trazer ao mundo.
A certa altura senti que também já podia estar do outro lado, e facilitar o processo de outras pessoas. Tive então aqueles cinco dias de paraíso, nas Murtas, naquela dimensão que não sabíamos que era possível encontrar aqui sobre a Terra até a termos experimentado... Por isso estarei para sempre grata a Vera Faria.
Ser facilitadora é um privilégio, pois ver as outras pessoas a crescerem e a abrirem-se a uma dimensão de maior leveza, harmonia e força é também uma maneira de actualizarmos e de reforçarmos em nós essas qualidades.
Ter-me sido solicitado o meu testemunho para fazer parte deste livro tão especial deu-me imensa alegria, pela sensação de integrar assim, de forma mais efectiva, uma comunidade muito bonita, forte e poderosa de Hay Teachers, prontas a darem o seu contributo para que haja mais Luz neste mundo.
Agradeço muito à vida por esta bênção.
(O meu testemunho no livro UM SÓ CORAÇÃO, da Ariana Editora, 2007)
Este poste acaba de ter parcialmente transcrito no blogue MULHERES E DEUSAS, recentemente reestruturado, que se apresenta cheio de energia e de belos textos dedicados ao feminino. Agradeço-lhes a referência e o interesse despertado.
Como se trata de uma celebração colectiva, então aproveitemo-la bem, porque a energia grupal é forte neste momento.
Desejarmos saúde, bem-estar, muita abundância, sucesso e tudo o mais é bom, mas convém fazermos também algum trabalho de casa, tomarmos algumas iniciativas concretas nesse sentido.
A minha sugestão é de que façamos primeiro um balanço do ano que agora termina, colocando-nos algumas questões como:
Todos os autores de auto-ajuda nos repetem que reconhecermos o que já temos na nossa vida e agradecermos constantemente por isso é fundamental, pois a emoção (a chave de tudo...) é muito positiva nesse momento; sentimo-nos abençoados, abonados, merecedores, e é essa a vibração que nos fará atrair coisas boas para a nossa vida...
É bom verificarmos também se os objectivos que não conseguimos alcançar ainda fazem sentido para nós, pois é possível que tal já não aconteça exactamente...
De resto, descobrir crenças limitadoras é uma tarefa e tanto, já que normalmente são bem numerosas e dão algum trabalho a detectar (isto pode bem ser também outra crença limitadora...)
Bom momento também para realizarmos o nosso
MAPA DO TESOURO
(segundo nos explica SHAKTI GAWAIN,
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Amai-vos...
Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um grilhão.
Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias da vossa alma.
Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.
Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.
Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,
mas deixai
cada um de vós estar sozinho.
Assim como as cordas da lira
são separadas e,
no entanto,
vibram na mesma harmonia.
Dai o vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.
Pois somente a mão da Vida
pode conter o vosso coração.
E vivei juntos,
mas não vos aconchegueis demasiadamente.
Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente
E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.
Gibran Kahlil Gibran (poeta e pintor que nasceu em 1883, no Líbano, e faleceu em 1931, nos Estados-Unidos, país onde viveu grande parte da sua vida. A sua obra mais conhecida é a compilação de poemas O PROFETA)
Imagem: Imagem: criss.site.voila.fr/
Acabo de chegar da Casa Fernando Pessoa, onde Pedro Sena-Lino, da Companhia do Eu, nos presenteou com uma aula livre de Escrita Criativa, aproveitando para apresentar a deliciosa AGENDA DO EU, que acaba de ser lançada para o próximo ano. Inclui textos e desenhos dos seus alunos, poemas de autores conhecidos e dele próprio e ainda efemérides de escritores e de outros criadores famosos. O meu é o texto do mês de Agosto, A Fita de Cetim.
Texto retirado do blog: http://shekynah.blog.uol.com.br/ “Não se pode falar de educar para a paz se, em primeiro lugar, não se favorecer a análise da realidade. Abrir os olhos, ser capaz de reconhecer as contradições do mundo em que vivemos, é fundamental. Uma educação para a paz não pode ser um processo que leva, de alguma forma, a velar a realidade, a calar as diferentes vozes, particularmente as dos excluídos, a não enfrentar a desigualdade e a exclusão crescentes na nossa sociedade. O primeiro passo para uma educação para a paz é andar com os olhos abertos, não se negar a enfrentar a realidade por mais dura e desconcertante que seja e não querer “ proteger” as crianças e adolescentes da dimensão dura da vida. No entanto, não basta ser capaz de ver, analisar, conhecer, é necessário também se situar diante desta realidade, compreender os mecanismos que perpetuam a exclusão e as desigualdades e produzem violência., assim como os esforços de tantas pessoas, grupos, organizações para criar uma realidade diferente.
A paz não pode ser construída como um elemento isolado. É indissociável da justiça e da solidariedade. Paz, justiça e solidariedade constituem um conjunto e não se pode separar qualquer destes elementos dos demais. Querer a paz exige favorecer a justiça e construir solidariedade. A paz é um produto que se constrói com estes diferentes componentes. Não é somente uma meta a ser alcançada. É também um processo, um caminho. Neste sentido, é importante radicalizar a capacidade de diálogo e de negociação. Não construiremos a paz se não nos desarmarmos das nossas armas materiais, mas também se não desamarmos nossos espíritos, nossos sentimentos, tudo o que há em nós de negação do outro, de não reconhecimento, de prepotência, de exclusão dos “diferentes”. Para educar para a paz é fundamental desenvolver a capacidade de diálogo e de negociação sem limites. Sempre é possível conversar, expressar a sua palavra, resgatar o melhor de nossas experiências, ressituar as questões, construir plataformas de negociação no plano interpessoal, grupal e social. Trata-se de trabalhar muito a capacidade de escuta do outro, de deixar-se afetar, de repensar as próprias convicções, ideias, sentimentos, de desenvolver a capacidade de negociação, básica para construir com outros, conjuntamente. Em sociedades e culturas autoritárias como a nossa esta é uma dimensão fundamental.
A cultura da violência está cada vez mais presente nos diferentes ambientes sociais, da família ao Estado. A escola não está imune a esta dinâmica. A solução para esta problemática é, em geral, buscada acentuando-se as políticas de segurança. As situações passam a ser exclusivamente uma questão de segurança, de responsabilidade da polícia. Mais polícia nas ruas e nas escolas, mais repressão e punição, mais controle. É reforçada a lógica da contraposição de forças, o que é antagónico a uma cultura de paz. Uma educação para a paz procura desenvolver uma cultura dos direitos humanos, que passa pelo reconhecimento da dignidade de cada pessoa, pelo resgate da memória histórica, por nomear os mecanismos que favorecem em cada um de nós e no corpo social as reações violentas, pela expressão de sonhos partilhados, pela construção de um horizonte comum de vida e de sociedade que assuma a diferença positivamente.
No seminário promovido em Novembro de 1999 pelo Instituto Interamericano de Direitos Humanos (IIDH) da Costa Rica, sobre a Educação
Uma quarta característica da educação para a paz é o
Não querer uniformizar, não querer que todos pensem da mesma maneira, nem atuem do mesmo modo. Supõe manejar a pluralidade e a diferença. Romper com o etnocentrismo, não hierarquizar os “outros”, pessoas, grupos sociais ou culturas, como inferiores ou superiores a mim, ao meu grupo ou cultura. Procura reconhecer a contribuição de cada um a partir da diferença. Uma educação para a paz supõe uma educação para o reconhecimento da pluralidade e da diferença, exige uma educação intercultural, que promova o diálogo entre diferentes grupos e culturas.
A paz é uma aspiração humana profunda. Todos queremos a paz. Connosco mesmo e com os demais. A paz social e a paz na dimensão planetária. Aspiramos a um amadurecimento humano pleno que não esteja bloqueado pelo medo, a insegurança, a falta de confiança nos demais, por sentir-se excluído, pela falta de autoestima e pelas diferentes formas de violência. A educação para a paz supõe libertar o dinamismo profundo de crescimento de cada pessoa e de cada grupo humano, indispensável para se assumir a vida como uma aventura positiva, para enfrentar riscos e empenhar-se em construir com outros novas possibilidades de futuro. A sociedade nova que sonhamos exige atores sociais comprometidos, processos coerentes com o que se pretende alcançar, que enfatizem métodos pacíficos e não violentos – a paz é processo e produto.
A paz é um modo de viver o humano, de enfrentar os problemas e conflitos, de promover uma maneira não violenta de lutar pelos direitos humanos, capaz de reconhecer o outro e de realizar ações e processos coletivos. A paz é responsabilidade de todos: Governo e sociedade civil. Homens e mulheres. Crianças, adultos e idosos. Afrodescendentes, indígenas, brancos, mestiços, etc. Todos temos que expressar a nossa voz. Somente na sinfonia de diferentes vozes podemos construir a paz."
Texto: Vera Maria Candau
http://www.dhnet.org.br/direitos/bib

As nossas células estão constantemente a bisbilhotar os nossos pensamentos e sendo modificadas por eles. Um surto de depressão pode arrasar o nosso sistema imunológico; apaixonarmo-nos, pelo contrário, pode fortificá-lo tremendamente.
A alegria e a realização mantêm-nos saudáveis e prolongam a nossa vida.
A recordação de uma situação stressante, que não passa de um fio de pensamento, liberta o mesmo fluxo de hormonas destrutivas que o stresse.
As nossas células estão constantemente a processar as experiências e a metabolizá-las de acordo com os nossos pontos de vista pessoais.
Não se pode simplesmente captar dados brutos e carimbá-los com um julgamento.
Transformamo-nos na própria interpretação quando a interiorizamos.
Quando estamos deprimidos por causa da perda de um emprego, projectamos tristeza para todas as partes do nosso corpo.
A produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormonas baixa, o ciclo do sono é interrompido, receptores neuropeptídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e até as nossas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lágrimas de alegria.
Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando encontramos uma nova posição.
Isto reforça a grande necessidade de usarmos a nossa consciência para criarmos os corpos que realmente desejamos.
A ansiedade por causa de um exame acaba por passar, assim como a depressão causada por um emprego perdido.
O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido cada dia.
Shakespeare não estava a usar linguagem metafórica quando Próspero disse:
"Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos".
Quer saber como está o seu corpo hoje? Lembre-se dos seus pensamentos de ontem.
Quer saber como estará o seu corpo amanhã? Observe os seus pensamentos de hoje!
"Ou nós abrimos o nosso coração ou algum cardiologista o fará por nós!"
Livro: CORPO SEM IDADE...MENTE SEM FRONTEIRAS
Imagem: www.impulshotel.com/

Acabo de receber da ISABEL REFACHO: Dr. Flávio Gikovate
Não é apenas o avanço
tecnológico que marcou o início deste milénio. As relações afectivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A ideia de uma pessoa ser o remédio para a nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fracção e precisamos de encontrar a nossa outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher; ela abandona as suas características, para se amalgamar ao projecto masculino.
A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria.
Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão a perder o pavor de ficar sozinhas, e a aprender a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fracção, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fracção. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de se ir reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos a entrar na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.
O egoísta não tem energia própria; ele alimenta-se da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar a sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afectiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa.
As boas relações afectivas são óptimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. O nosso modo de pensar e de agir não serve de referência para avaliar ninguém.
Muitas vezes, pensamos que o outro é a nossa alma gémea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.
Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecerem um diálogo interno e descobrirem a sua força pessoal.
Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro de si mesmo, e não a partir do outro
Ao perceber isso, ele torna-se menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável.
Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...
Formatado por Beth Norling (e por mim...)
Imagem: www.eso-garden.com
"Sintoniza-te, encontra as tuas próprias notas, e fá-las soar alto e em bom som, pois tu fazes parte da vasta orquestra da vida. Tens a tua partitura específica para tocar, por isso não tentes executar aquela que pertence a outro. Procura e encontra a tua e guarda-a contigo! Quando aprenderes a fazer isso, tudo correrá bem, muito bem para ti. Aqueles que procuram tocar as notas dos outros encontram-se em desarmonia com o todo. Jamais tentes ser como quem quer que seja ou fazer o que os outros fazem. EU não quero que vocês sejam todos iguais, como ervilhas numa vagem. EU necessito de vocês, todos diferentes, com as vossas próprias virtudes e qualidades. Uma orquestra constituída por instrumentos todos iguais seria monótona. Numa orquestra, quantos mais instrumentos houver no conjunto em perfeita harmonia, melhor, mais rico e maravilhoso é o som que daí resulta."
Texto de apresentação do livro
O FEMININO REENCONTRADO,
de Nathalie Durel Lima, Ariana Editora
Sinto-me muito abençoada por estar hoje aqui convosco para vos falar de um livro poderoso pelas pistas que nos dá para encontrarmos o caminho da nossa alma de mulheres, bem diferente da dos homens. O caminho da nossa individuação e da nossa diferenciação.
Estou aqui também porque, nas minhas orações à Mãe Divina, eu me coloquei ao serviço do ressurgimento do feminino no mundo. Do sagrado feminino. E a Mãe Divina trouxe-me até aqui hoje.
Não sou psicóloga, muito menos junguiana, não sou especialista nesta área, mas a minha intuição feminina, o meu trabalho com mulheres e os estudos que fiz nesta matéria dizem-me que estamos perante um poderoso manancial de informações sobre aquilo que somos na verdade. Informações que possibilitam o nosso empoderamento, tão importante neste mundo e num tempo como o nosso.
A história das mulheres é, no fundo, a história de um território, um território psíquico, que foi conquistado, dominado, colonizado. E, como sempre acontece com todos os territórios que são conquistados, dominados e colonizados, deu-se a obliteração de uma cultura, a sua eliminação, para, em seu lugar, se implantar uma outra.
A penetração dessa nova cultura foi fundo. Pelo efeito da força e do terror, o nosso condicionamento terá sido, não apenas educacional, sociocultural, religioso, mas também biológico. Teremos sido geneticamente condicionadas para sermos boas fêmeas reprodutoras, fiéis e submissas ao clã patriarcal. A mulher por detrás do grande homem, ou apenas do homem. Ficámos atrás. Queremos ficar ao lado.
Esse condicionamento despojou-nos da nossa riqueza psíquica, da nossa criatividade mais profunda, da nossa validação como seres autónomos e livres, da nossa vitalidade.
Esse condicionamento reduziu-nos à famosa dicotomia judaico-cristã: a mãe ou a prostituta; transformou-nos em “senhoras” muito certinhas, bonitinhas, limpinhas, boazinhas...
Mas deixemos agora essa parte. É importante termos consciência dela, sem nela no entanto nos determos, até porque a mensagem forte de Nathalie Durel Lima no seu livro é a de que precisamos de abandonar o discurso da vítima e de assumirmos de uma vez por todas quem nós somos de verdade.
A autora avança então com um novo conceito de mulher: a “mulher-pesquisadora”, a que investiga, que estuda, que quer saber, que quer conhecer as suas raízes. Já tínhamos aquela frase célebre: “Homem, conhece-te a ti mesmo”, mas esta exortação não nos serve. É bom que pensemos em substituí-la, no nosso caso, por: “Mulher, conhece-te a ti mesma!”, pois precisamos antes de mais nada da nossa existência e da nossa identidade linguísticas.
E para nos conhecermos a nós mesmas, às nossas raízes, à maravilhosa riqueza do feminino, temos aqui uma ferramenta privilegiada, que é a via dos arquétipos, ou seja, a do conhecimento das forças dominantes na nossa psique feminina.
A nossa psique feminina é diferente da psique masculina, enfatiza a autora, que recorre neste estudo à análise exaustiva dos arquétipos de oito deusas gregas em que a Grande Deusa Mãe se terá fragmentado numa sociedade patriarcal. Estes arquétipos, que têm correspondência noutras culturas, são os de ATENA, HERA, AFRODITE, ÁRTEMIS, HÉSTIA, DEMÉTER, PERSÉFONE E HÉCATE.
Cada uma destas oito deusas gregas representa um aspecto da nossa psique que, para o nosso equilíbrio e saúde psíquicos, precisa de ser activado em nós, nas várias fases da nossa vida.
Atena legitima a nossa necessidade de investirmos numa carreira, de nos afirmarmos na política ou nos negócios. Afrodite legitima a nossa sexualidade e o seu vínculo sagrado; Héstia a nossa necessidade de interiorização; Hera o nosso desejo de nos comprometermos num relacionamento. Ártemis legitima a nossa necessidade de independência, de liberdade, de criatividade; a nossa natureza instintiva e insubmissa que é vital resgatar. Deméter é a mãe dedicada e compassiva – porventura o arquétipo que a nossa cultura mais estimulou de forma tão excessiva, ao sobrepor o papel de mãe a todos os outros. Hécate ensina-nos a aceitar a menopausa como uma época privilegiada para a mulher, quando nos apropriamos verdadeiramente da sabedoria que soubemos colher da nossa experiência de vida. Perséfone, entretanto, o arquétipo da purificação, protagoniza o nosso mito fundador, quando deixamos de ser Core, a Donzela, a menina da nossa mãe, e nos tornamos uma mulher de verdade, depois de termos aceitado descer às profundezas, ao submundo, normalmente pela via da depressão, e de termos conseguido transmutar a dor, a raiva, as nossas mágoas mais profundas, em força e poder. O que significa fazermos a nossa caminhada interior.
A nossa caminhada interior é exactamente o tema deste livro, que nos apresenta vários estudos de casos concretos, situações que no fundo exemplificam e trazem à luz a problemática existencial mais comum na mulher de hoje.
E aqui, mais uma vez, encontro-me em grande sintonia com o pensamento da autora, quando ela refere a necessidade de fazermos o nosso “trabalho de casa”, a “arrumação da nossa casa interior”, de nos confrontarmos com a nossa parte pessoal antes de tentarmos passar para a transpessoal. Não podemos aspirar ao céu sem que as nossas questões terrenas estejam resolvidas. Em linguagem astrológica, diz-se que não podemos viver Neptuno sem antes termos resolvido Saturno e Urano, a nossa segurança na matéria e a libertação daquilo que nos aprisiona. E uma parte tão enriquecedora deste livro, que o torna tão íntimo e especial, é precisamente essa abertura de alma e coração de Nathalie, ao revelar-nos as várias etapas do seu percurso interior, ao mostrar-nos as suas feridas e os métodos de cura que usou consigo mesma, frisando o quanto este processo é importante para que o terapeuta possa estar à altura das exigências do seu trabalho.
De resto, grande ênfase é dada aqui a isso que é “ser terapeuta”.
Pessoalmente, posso dizer-vos que a minha adesão completa a este trabalho se deu ao ler a análise do arquétipo que desde sempre foi dominante em mim: o arquétipo de Ártemis. É muito reconfortante e libertador, sentimo-nos validadas como pessoas, ao compreendermos que o padrão que prevalece em nós pertence totalmente à normalidade do universo feminino. Se desequilíbrio há, é só porque precisamos de deixar que outros arquétipos se activem em nós e temperem a nossa alma.
De resto, Perséfone tem feito o seu caminho até mim, e também Hécate, a mulher madura que aceita serenamente o processo do envelhecimento, compreendendo que aquilo que ganha em liberdade e sabedoria compensa largamente aquilo que perde e que, no fundo, também já não lhe interessa.
Uma das coisas que tenho como mais certas é que, como diz a autora, estes processos, esta jornada interior, implicam sabermos estar a sós connosco. Embora seja maravilhoso sentirmo-nos tão unidas a outras companheiras e companheiros, embora sejamos por natureza seres gregários, gostarmos da nossa própria companhia, sentirmo-nos seres completos e autónomos, encontrarmos a nossa própria voz, o nosso talento pessoal, os nossos dons especiais, é uma tarefa prioritária para nos sentirmos realizadas como seres humanos de pleno direito. E para isso precisamos de saber estar sozinhas. Héstia, a deusa da interioridade e do fogo sagrado, acompanhar-nos-á, se a invocarmos.
No meu caso ainda, como aconselha Nathalie Durel, evoco neste momento outro arquétipo – este já da cultura judaico-cristã –, Maria Madalena, a fim de que me ajude a actualizar em mim o arquétipo porventura mais debilitado, o arquétipo de Hera.
Maria Madalena é, segundo as palavras da autora, “uma referência do feminino, um apelo para que todas nós mulheres possamos relacionar-nos sem trairmos a nossa essência. Ela ensina-nos como sermos mulheres de poder e aceitarmos que o outro também o seja.”
Convém ainda não esquecer que, para nos sentirmos inteiras, à semelhança da Grande Deusa Primordial, todos os arquétipos, todas estas forças, devem ser igualmente valorizadas e activadas na nossa psique.
Queria ainda referir a forte ligação que podemos encontrar neste livro com o Método Louise Hay, especialmente quando se reafirma a necessidade de nos validarmos a nós mesmas, de nos amarmos e aceitarmos como somos, de cuidarmos de nós em primeiro lugar, de pararmos de querer obsessivamente dar aos outros antes de nos encontrarmos nós mesmas repletas e preenchidas. Paremos com o processo de desgaste e de anulação que tem sido a tónica dominante do feminino até agora.
E vou terminar com mais uma citação de O FEMININO REENCONTRADO:
“A nossa tarefa é a de reequilibrarmos com consciência a poderosa beleza do feminino e reencontrarmos a nossa Deusa Interior.”
Jardim da Rocheira, Estoril, 10 de Novembro de 2007


"Tenho a certeza de que, cada vez mais, as mulheres irão dar luz a si próprias, em consciência, mas, para isso acontecer, é necessário que se encontrem consigo mesmas, e também com outras mulheres que já passaram por esta caminhada interior."
in O Feminino Reencontrado, Nathalie Durel Lima, Ariana Editora.
Imagem: www.net.rosas.com.br
Num instantinho, no intervalo da correcção de trabalhos dos alunos, fui espreitar o Diário de Viagem de Leyla a Finhhorn. Em Setembro, Leyla viajou pelo Sul de França, acompanhada de amigos. É delicioso ler a redução desta geografia a uma visão pessoal e intimista. Diários de viagem são janelas que uma alma abre sobre os seus locais de deambulação.Às tantas, o fascínio dela é contagiante; acabo por me sentir na pele de Leyla, também eu entusiasmada com a visão e a actividade daqueles que se empenham em construir modelos de vida alternativos, cheios de esperança e apostando na renovação de um mundo que por toda a parte nos dizem que está
A imagem foi retirada de um sítio que me parece muito interessante e a propósito:
"A nossa sociedade tem preconceitos terríveis sobre o envelhecimento. As mensagens que as mulheres com mais de cinquenta anos recebem sobre “aquilo que irá acontecer-lhes” no futuro são ridículas, profundamente difamadoras e, na sua grande maioria, não correspondem à realidade. De acordo com essa publicidade, parece que toda a pessoa que envelhece se torna deprimida, cansada, incontinente, senil, esquecida e, pior, essa mesma publicidade deixa no ar a ideia de que são pessoas frágeis que constituem um peso para a sociedade. Não é de admirar, portanto, que muitas mulheres depois dos cinquenta façam cirurgias estéticas porque, de facto, cada vez menos a nossa sociedade lhes dá o espaço e o valor que elas merecem.
Nos bastidores movimentam-se as empresas farmacêuticas que querem vender os seus produtos. Consequentemente, elas criam campanhas que culpam as mulheres, se não utilizam hormonas, ou outros medicamentos. Tal é o medo que provocam acerca do acto natural que é envelhecer, que conseguem fazer-lhes acreditar que, se a partir da menopausa não optarem por tomar tal ou tal produto, irão desfazer-se, adoecer e morrer antes da hora certa.
(...)
A mulher que no decorrer da sua vida passou por todas as fases de desenvolvimento físico e psicológico, através da menstruação e da maternidade, está, enfim, preparada para
ser ela mesma e encarar os mistérios da vida. A menopausa é a fase da purificação interna da essência feminina que se vincula com o mito de Hécate, Deusa da Sabedoria, resultante da assimilação positiva, e muitas vezes dolorosa, da experiência “do ser mulher”. Esta parte do seu arquétipo pode também ser utilizada para purificarmos e libertarmos coisas que sabemos que não são mais necessárias, ou que estão a atrasar o nosso crescimento."
In O Feminino Reencontrado, Nathalie Durel Lima, Ariana Editora
