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terça-feira, 23 de novembro de 2010

A EXPERIÊNCIA TRANSPESSOAL


"Assinalemos o mal-estar da humanidade perante a perspectiva da sua própria destruição; diante desta angústia, é cada vez maior o número de pessoas que fazem, a si próprias, as perguntas fundamentais sobre o sentido da existência e o lugar do ser humano no cosmos. E quando a pergunta se torna crucial e invade toda a existência de um indivíduo, poderá deflagrar nele, por um processo que se nos escapa, a entrada nesse estado de consciência cósmica.
Este tipo de pesquisa pertence, actualmente, a um novo ramo da psicologia: a Psicologia Transpessoal.

Nascida na Califórnia em 1969 como a quarta revolução da Psicologia, resultante do movimento da Psicologia Humanista, podemos citar, entre os seus precursores, os pioneiros da Psicologia moderna, como William James, Carl Gustav Jung – que cunhou o termo “transpessoal” – e Abraham Maslow2.
Este último descobriu que 70% das suas/seus alun@s haviam passado, ao menos uma vez na vida, por aquilo que ele denominava uma experiência culminante ou de ápice (peak experience) que @s levou a descobrir os valores do Ser, tais como o amor, a beleza, a integridade, a totalidade, a plenitude, valores preferidos por el@s àqueles ligados à mera satisfação do desejo.

Maslow mostra-nos que se trata duma aspiração normal de todo o ser humano, de natureza instintiva, cuja repressão ou privação, comuns na nossa época, possui efeitos patológicos, da mesma forma que a ausência de vitaminas.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA EXPERIÊNCIA TRANSPESSOAL
Análises rigorosas e de natureza intercultural do conteúdo de testemunhos permitiram a elaboração dum perfil do conjunto:

- a vivência do espaço como abertura do Ser;
- a vivência duma luz intensa;
- o carácter inefável: não há palavras para traduzir a sua beleza, poder e natureza;
- o carácter imediato e súbito: a experiência “acontece” no momento em que menos se espera;
- a dissolução de toda a espécie de dualidade: sujeito-objeto, interior-exterior, bem-mal, verdadeiro-falso, sagrado-profano, relativo-absoluto etc.;
- a dissolução das três dimensões do tempo e a tomada de consciência do seu valor relativo, ligado ao carácter discriminativo do pensamento e da memória;
- a inexistência dum eu ou ego;
manifestações de ordem parapsicológica acompanham a vivência ou manifestam-se posteriormente a ela: fenómenos de clarividência, telepatia, psicocinesia, encontro de seres noutra dimensão, experiência de saída do corpo físico. Convém fazer algumas observações relativamente às manifestações parapsicológicas: se bem que elas frequentemente ocorram durante ou após os estados transpessoais, e constituam o apanágio de numerosos, senão de tod@s @s místic@s, não convém considerá-las como características transpessoais. Por um lado por implicarem todas um sujeito e um objeto, o que significa dizer que são de natureza dualista. Por outro, porque os fenómenos parapsicólogicos surgem muitas vezes em pessoas que não tiveram nenhuma outra manifestação de ordem transpessoal, possuindo, por vezes, uma ética pouco recomendável.
Os grandes mestres, aliás, não lhes atribuem nenhum valor e recomendam aos seus e às suas discípul@s não lhes darem importância.
Insistimos neste ponto porque há uma grande confusão a esse respeito; confunde-se o parapsicológico e o transpessoal.

- vivências regressivas,
- visão “como num filme” de fases da vida passada, do nascimento e da vida intra-uterina, de memórias ancestrais, reencamatórias, animais, vegetais, minerais, celulares, moleculares, atômicas e subatômicas;
- a convicção de ter Vivido a “realidade” tal como ela é;
- mudanças de sistema de valores e de comportamento posterior;
- perda do medo da morte"
PIERRE WEIL, in "Antologia do Êxtase", Ed. Palas Athena
Imagem: Google

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O SEGREDO...


“O filme Quem Somos Nós? colocou-nos diante das descobertas feitas pela neurociência de como se transmitem pelo nosso corpo impulsos originados pelo pensamento e pelas emoções. E vimo-nos diante do imenso reservatório de poder que possuímos e não sabemos utilizar. Ao invés de ‘pensar’ e ‘sentir’, somos pensados e sentidos, ou seja, colocamo-nos passivamente diante de um poderoso mecanismo mental sobre o qual deveríamos exercer total domínio. É como se fôssemos os pilotos de um fantástico Boeing, que é a nossa mente, mas viajássemos como passageiros na classe turística. Não sabemos ainda o quanto podemos fazer com o cérebro que possuímos, nem como administrar a sua infinita potencialidade.

O livro/filme O Segredo contém o depoimento de pessoas que aprenderam a usar o seu poder mental. Na história da humanidade, as pessoas que souberam como usar esse poder tornaram-se líderes, dirigentes, mestres ou profetas. Tratados sobre a evolução da consciência foram desde sempre temas das grandes tradições místicas, como o Yoga, o budismo, o sufismo, o tantrismo, etc. A psicologia da consciência data de há mais de 5.000 anos.

Na tradição yogui, por exemplo, Patanjali delineia oito passos para se obter estados expandidos da consciência. Esses passos enfatizam o trabalho psicológico sobre o comportamento, mudança de valores e atitudes, exercícios corporais, o controle da respiração e o trabalho sobre a atenção, a concentração e a meditação.

Em todas estas tradições, o objectivo é a expansão da consciência até ao estado supremo, que para o hinduísmo é chamado ‘samadhi’, para o budismo é a ‘iluminação’, para o budismo tibetano é o estado de ‘bodhicitta’ ou ‘mente de Buda’, para o cristianismo primitivo seria a ‘consciência crística’. Hoje esses estados são mapeados pela Psicologia Transpessoal que utiliza uma nova linguagem para falar da ‘consciência cósmica’.

A Psicologia Transpessoal evoluiu a partir de estudos de William James, de Maslow e de Jung, entre outros, que enfrentaram os preconceitos cientificistas do mundo académico e falaram de um anseio pela espiritualidade, de uma atitude religiosa diante da vida e da natureza, de experiências ‘de pico’ ou culminantes da consciência, da realização do Self como o Deus dentro de cada um. Desde então, a Psicologia Transpessoal emergiu como uma nova corrente em psicologia que investiga e aplica os métodos de expansão da consciência.

Isso coloca-a no centro das questões apresentadas pelo livro/filme O Segredo. Para dominarmos a Lei da Atracção, precisamos de nos conhecer melhor, de ter autodomínio sobre as emoções e sobre os pensamentos. Vivemos num campo electromagnético onde impera a Lei da Atracção. Os nossos pensamentos são forças electromagnéticas que atraem aquilo em que pensamos. Até mesmo nos nossos traços visuais mais simples: na nossa aparência, somos o que pensamos. Isto é apenas a manifestação de um princípio que diz que os pensamentos criam a realidade que queremos. Quando pensamos, emitimos simultaneamente uma onda que tem determinada frequência. Esta onda é um sinal que irá atrair um sinal semelhante.

A Lei da Atracção é neutra. Ela simplesmente responde ao que pensamos. Quer digamos sim ou não a uma coisa, estamos a dar-lhe atenção e a atraí-la para nós. Esse mecanismo funciona 24 horas por dia.

Para saber o que tem atraído para a sua vida, observe as suas emoções. Os nossos sentimentos são como um termómetro que nos informa sobre como estamos alinhados com os nossos pensamentos. Uma pessoa que se sente infeliz, não realizada, cheia de ressentimentos, medos e mágoas, demonstra que os seus pensamentos são negativos e pessimistas. Não importa a causa externa – se é que há uma. Tudo o que há é o que atraímos para o nosso campo electromagnético e para a nossa própria realidade.

O segredo é que a nossa consciência é multidimensional. Disto já sabiam os magos, os sábios, os alquimistas do passado. Eles faziam “milagres” não porque eram seres sobrenaturais, mas porque sabiam usar este segredo e operá-lo com mestria.

O mais extraordinário é que isto não se tornou um segredo porque não quisessem compartilhá-lo com alguém; é que não há como compreender esta Lei sem experienciá-la. É só pela experiência que ela é aprendida. E a experiência coloca-nos em contacto direto com os múltiplos níveis de consciência, separados entre si por um ténue véu. É como se fossem linguagens diferentes. Da mesma forma, os nossos sonhos parecem-nos estranhos porque se passam num outro domínio da nossa mente

Muitas pessoas questionam-se sobre se é lícito utilizar esta Lei em benefício próprio. Este é um típico raciocínio da terceira dimensão, o mundo da dualidade e da separação. A perfeita compreensão da Lei da Atracção transforma as pessoas em seres éticos e compassivos. Se quero o bem para mim, este bem estende-se para o Todo. Frequências energéticas vibram em pólos positivos ou negativos. Quando alinho os meus pensamentos e sentimentos com o pólo positivo, espontaneamente sou preenchida por vibrações de amor, gratidão, alegria, entusiasmo. Como não existe separação entre mim e o outro, o que sinto todos sentem. O que atraio para mim, atraio também para os outros. Quando compreendemos isto, percebemos a nossa responsabilidade social em relação a tudo o que pensamos e sentimos.

Há os que se queixam de que pedem, desejam, oram e não conseguem realizar os seus anseios. Isto demonstra que há uma contradição interna entre o que se pensa e o que se sente. É difícil mudar o curso de um barco quando estamos indo a toda velocidade numa direcção. Somos hoje o resultado do que pensámos e sentimos ontem. Amanhã seremos o que tivermos feito com os nossos pensamentos e sentimentos hoje. É sempre tempo de plantar. Mas há um tempo para colher. Uma forma de acelerar o processo é preencher a mente com o sentimento de gratidão. Agradecer todas as manhãs e todas as noites por tudo o que aconteceu, tudo o que se tem, tudo o que se fez. Jamais se prender ao que não correu bem. Lembrar sempre a Lei da Atracção.

Uma outra maneira de atrair o que se deseja é visualizar sempre o facto já realizado. Na quarta dimensão só há o tempo do agora. Passado e futuro pertencem à terceira dimensão. E quando esta visão do facto realizado no presente preencher o seu coração sinta profundamente a emoção de ter realizado o seu sonho. E agradeça. A gratidão é uma força magnética poderosa. Juntamente com a imaginação, constituem um dos maiores tesouros que possuímos.

Durante muito tempo deixámo-nos alienar por interesses escusos e maléficos, identificámo-nos com a ideia de que somos seres insignificantes e impotentes, e que nada podemos fazer por nós mesmos. Isso não é verdade. Existem métodos para retomar o poder sobre as nossas vidas. O futuro está nas nossas mentes."

Mani Álvarez

Doutora em Filosofia da Educação e autora do livro “Psicologia Transpessoal: a aliança entre espiritualidade e ciência”.

(Retirado do blog Encontro-Consigo, texto adaptado)

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