"As Culturas Recentes vêem-se como dominadoras, conquistadoras. Não vivem apenas na sua própria área, sustentando-se a si próprias e defendendo-se de invasões; procuram opositores (animais ou humanos) e capturam-nos, escravizam-nos ou erradicam-nos. A sua agricultura procura retirar do solo toda a nutrição possível, mesmo que o deixe morto. Ocultam coisas umas das outras e têm polícia e exércitos para ajudar os que têm fortuna a mantê-la intacta. Estas ideias encontram-se reflectidas nos escritos dos pensadores fundamentais e determinantes da nossa cultura. Aristóteles definiu a visão clássica grega no seu ensaio intitulado “Política”: “As plantas existem por causa dos animais, e as bestas selvagens por causa do Homem – os animais domésticos para seu uso e alimentação, e os selvagens (a maior parte, pelo menos) para alime
ntação e outros acessórios tais como ferramentas e vestuário.”
A perspectiva romana foi bem resumida por Cícero, que escreveu: “Somos os donos absolutos do que a terra produz. As montanhas e planícies são para nossa fruição. Os rios pertencem-nos. Deitamos à terra as sementes e plantamos as árvores. Fertilizamos o solo. Barramos, orientamos e mudamos o curso dos rios; em suma, pelas nossas mãos e várias operações neste mundo, fazemos o mundo como se fosse uma natureza diferente.”
No início do século XVII, Francis Bacon tornou-o explícito no Novum Organum ao escrever: “Venho em verdade conduzir até vós a Natureza e todos os seus filhos para os colocar ao vosso serviço e torná-la vossa escrava.”
No século XIX, Karl Marx escreveu que o objectivo do socialismo é “regular racionalmente o seu (da Humanidade) intercâmbio material com a Natureza e colocá-la sob o seu controlo comum (…)”. Engels referiu-se aos humanos como “os verdadeiros donos da Natureza”.
