
Tem sido opção do meu blogue o chamado “pensamento positivo”. Num universo dual, eu sei que é perigoso ignorar que a luz tem como complemento a sombra. Ignorar a minha dor, o meu sofrimento e o sofrimento do mundo é por certo uma posição de falsidade. Talvez por isso esteja frequentemente a remeter os meus visitantes para o blogue Mulheres & Deusas...
Então o que penso é que não devemos, não podemos, nem ignorar a dor do mundo e a nossa pessoal, nem enfatizá-las demasiado, caindo num pessimismo pernicioso, como se não tivéssemos escolha nem saída.
Os nossos problemas resultam essencialmente do facto de sermos demasiado brandas, boazinhas, frágeis, permissivas e acomodadas. A nossa educação ou, pior do que isso, a implantação à força bruta de um sistema patriarcal de dominação condicionou-nos para a aceitação excessiva e a servidão. Não podemos fingir que não são estas as bases em que se processa a nossa vida.
Mas não podemos ficar presas neste estádio, sofrendo os horrores da impotência, resmoendo este sofrimento e reproduzindo-o assim para todo o sempre.
A nossa dor e a nossa raiva não são portanto para negar, mas para olhar de olhos bem abertos e sentir; porque só a energia da indignação e da raiva nos dará poder e forças para agir, para cortar com o que não é bom para nós, para sairmos de onde devemos sair (e entrar onde queremos entrar...), para fazermos os necessários ajustes. E sem essa sensação de poder e de força pessoal também não acredito que possamos ir muito longe no “pensamento positivo”...
Imagem: deusa Kali-Ma (Google)
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"Acima de todas as outras proibições, foi interditado às mulheres expressar raiva e admitir abertamente o desejo de poder e de controlo sobre a própria vida (o que significaria, inevitavelmente, aceitar algum grau de controlo e de poder sobre outras vidas).
Por fim, estou certa de que uma vida diferente para as mulheres será marcada pelo riso. É a chave infalível para um novo tipo de vida... O riso das mulheres reunidas é o sinal revelador, o reconhecimento espontâneo da intuição, do amor e da liberdade."
Carolyn G. Heilbrun (citada por Jean Shinoda Bolen)