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sábado, 31 de maio de 2008

"Porquê? Porquê?

Porque as pessoas perderam o contacto (se é que alguma vez o tiveram) com o propósito das relações.

Quando deixam de se ver como almas sagradas numa jornada sagrada, não conseguem perceber qual é o propósito, a razão por detrás de todas as relações.

A alma veio para o corpo, e o corpo para a vida, para se cumprir a evolução. Estás a evoluir, a transformar-te. E serves-te da tua relação com todas as coisas para decidires aquilo em que te vais transformar.

Foi com essa função que vieste ao mundo. É essa a alegria da criação do Eu. Do conhecimento do Eu. De te transformares, conscientemente, naquilo que desejas ser. É o que se entende por autoconsciência.

Trouxeste o teu Eu para o mundo relativo para que possas dispor das ferramentas com as quais irás conhecer e experienciar Quem Tu Realmente És. Quem Tu És é o ser que tu próprio crias em relação a tudo o mais que te rodeia. As tuas relações pessoais são os elementos mais importantes neste processo. As tuas relações pessoais são, por conseguinte, solo sagrado. Não têm praticamente nada a ver com as outras mas, dado que envolvem outra pessoa, têm tudo a ver com elas.

É a dicotomia divina. O círculo fechado. Por isso não é assim tão radical afirmar: “Abençoados os egocêntricos pois conhecerão a Deus.” Talvez não seja um mau objectivo na tua vida conheceres a faceta mais sublime do teu Eu e manteres-te centrado nela.

A tua primeira relação deve ser, portanto, contigo mesmo. Deves primeiro

aprender a respeitar, estimar e amar o teu Eu.

Deves primeiro considerar-te digno para poderes considerar digna outra pessoa.

Deves primeiro considerar-te abençoado
para poderes considerar abençoada

outra pessoa. Deves primeiro considerar-te sagrado para poderes descobrir a

sacralidade existente noutra pessoa.



Se colocas o carro à frente dos bois – como muitas religiões te dizem para fazeres – e aceitas o outro como sagrado antes de o fazeres a ti mesmo, um dia ressentir-te-ás com isso. Se há coisa que não consegues admitir é que alguém seja mais sagrado do que tu. No entanto, as vossas religiões obrigam-vos a considerar outros mais sagrados que vós. E fazem-no – por uns tempos. Depois crucificam-nos.
Crucificaram (de uma forma ou de outra) todos os Meus Mestres, não apenas Um. E fizeram-no não por eles serem mais sagrados mas porque vocês assim os levaram a ser.

Os meus Mestres trouxeram, todos eles, a mesma mensagem: não “Eu sou mais sagrado do que tu” mas sim “Tu és tão sagrado como eu.” É esta a mensagem que vocês não foram capazes de ouvir; a verdade que não foram capazes de aceitar. E é por isso que nunca conseguem apaixonar-se verdadeiramente, totalmente, uns pelos outros. Nunca se apaixonaram, verdadeiramente, totalmente, por vós mesmos.”

Conversas com Deus, Neal Donald Walsch, Livro 1, Sinais de Fogo

Imagens: Diana Vandenberg