terça-feira, 9 de agosto de 2011

GLASTONBURY GODDESS CONFERENCE 2011




SOB O TEMA DAS ÁGUAS

Esta 16.ª Goddess Conference (Conferência da Deusa), em Glastonbury, teve a ÁGUA como tema e por isso a gama de azuis e de verdes que vemos nas imagens. Isso significou igualmente que para além da água em concreto se falou e se viveu emoções, sentimo-nos embalad@s na doçura das águas, tudo foi suave e fluiu docemente. Banhámo-nos em águas de cura, no White Well (poço de águas transparentes, por oposição ao Red Well, o das águas férreas), experienciámos cura emocional, fomos longe nas nossas emoções, sobretudo com o trabalho de Kathy Jones , RE-MEMBERING OUR ANCIENT PRIESTESS/PRIEST SELVES, a que se seguiu ENTERING HER TEMPLE OF ANCIENT MEMORY. Poderoso, mas do reino dos Mistérios - para saber tenho de lá ir… como acontecia em Elêusis, lembram-se?


Nas conferências da Deusa existem essencialmente 3 tipos de actividades: comunicações feitas por aquelas mulheres (eventualmente também homens) inspiradoras que normalmente conhecemos dos livros ou da Net, mas que damos tudo para ver e ouvir ao vivo, como Zsuzsanna Budapest, Kathy Jones, Lydia Ruyle, Vicky Noble, Lauren Raine, Katinka Soetens, Anique Radiant Heart, Julie Felix, Lady Olivia e tantas outras; depois há os workshops, que são fabulosos, claro, embora tenham o senão de coincidirem uns com os outros e de só podermos escolher um em cada uma das tardes de workshops, o que perfaz dois… e sabe a pouco. Finalmente existem as cerimónias, que acabam por ser ainda os momentos mais arrebatadores, por todas as razões, que vão desde a beleza visual, à profundidade do que é trabalhado, ao reavivar das nossas memórias ancestrais de quando a terra e toda a vida eram sagradas.
Uma das comunicadoras mais esperada (pelo menos por mim) era a mítica Zsuzsanna Budapest, que nos contou a sua história de alguém que conheceu em criança os horrores da guerra e que decidiu colocar a sua vida ao serviço da paz, o que para ela só era possível num mundo governado por princípios femininos. Foi assim que acabou por fundar, juntamente com outras mulheres, o chamado ramo Diânico da Wicca, dirigido exclusivamente a mulheres.

AS SOCIEDADES MATRIARCAIS SÃO SOCIEDADES SUSTENTÁVEIS. EM CASO DE NECESSIDADE, AS MULHERES REÚNEM AS CRIANÇAS E COLABORAM

Outra comunicação muito interessante foi feita por Vicky Noble, conhecida autora e ativista que é atualmente docente no Instituto de Psicologia Transpessoal de S. Francisco, USA, do WOMEN’S SPIRITUALITY MASTER’S PROGRAM – um curso de 3 anos vocacionado para a transformação pessoal e para o ativismo social, baseado nos valores do Sagrado Feminino. Vicky Noble falou-nos dos matriarcados ainda existentes no mundo e daquilo em que eles marcam a diferença: pacifismo, igualdade social e sustentabilidade, e deu como referência importante a obra de Shelley Taylor THE TENDING INSTINCT, que se pode adquirir na Amazon.
Seria exaustivo falar de tudo, até porque tudo foi de incrível qualidade.

UMA RELIGIÃO PARA NÓS, MULHERES

Certo dia alguém terá perguntado a Kathy Jones, a criadora da Goddess Conference de Glastonbury e responsável pelo treino das sacerdotisas na actualidade, por que razão nunca falava de deus, ao que ela terá respondido que enquanto houvesse no mundo um tal desequilíbrio entre a importância de Deus e a da Deusa, nunca ela pronunciaria a palavra “deus”. E Zsuzsanna Budapest resumiu de forma muito clara a ideia de que as mulheres precisam duma religião da Mãe num mundo dominado por 4 ou 5 grandes religiões patriarcais: “Religion is the higest politics” (a religião é o grau mais elevado da política). Para além de não estarem a inventar nada, mas de tão-somente estarmos a recuperar aquilo que havia antes da chegada dessas religiões patriarcais, nomeadamente na Europa.
Diz a lenda que Jesus Cristo terá dito a D. Afonso Henriques, quando supostamente lhe apareceu na batalha de Ourique: “Eu quero um país para mim”. Pois nós queremos uma religião para nós, onde o ser supremo seja à nossa imagem e semelhança. Como carecemos dessa identificação toda a vida, como não cabemos inteiras na religião oficial que continua a olhar-nos com desconfiança e a proibir-nos o acesso à sua hierarquia, para além de nunca ter perdido perdão às nossas ancestrais mortas aos milhares nas fogueiras da Inquisição, a sensação que temos ao chegar a um templo vivo da Deusa, como o de Glastonbury, é a de REGRESSO A CASA.

E ENTRE NÓS?

Saímos de lá com a alma lavada, mas também com o peso da responsabilidade de ressuscitarmos na nossa própria cultura os vestígios do culto do Feminino e, garanto-vos que estamos numa terra riquíssima nesse aspeto, onde infelizmente as notícias nos chegam quase exclusivamente pela mão de homens como José Leite de Vasconcelos, Moisés Espírito Santo, Manuel Gandra, Gilberto de Lascariz, Victor Adrião e outros. Notícias que por vezes são contraditórias. Estou curiosa e já encomendei o livro de Gabriela Morais, a Senhora de Ofiusa, mas também sei que Dalila Pereira tem investigação nesta área. Sabemos que Ísis foi uma deusa muito cultuada por aqui, que as várias Nossas Senhoras conservam nas suas várias designações os Seus atributos (e isto é revelador da importância do culto da Deusa). Falta-nos compor a nossa roda do ano, algo que já foi feito em Espanha pelas sacerdotisas da Ibéria. Sabemos de Atécina, Nabia,Trebaruna e pouco mais. Sabemos que muitas deusas foram despromovidas a santas, mas quais, mas onde?

Imagem: Kathy Jones na abertura oficial da Conferência; eu com Lydia Ruyle, autora dos fantásticos estandartes presentes em todas as Conferências do Deusa que se realizam pelo mundo. Falta lá uma deusa de Portugal!


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