segunda-feira, 13 de junho de 2011

A RELIGIOSIDADE PAGÃ PERTENCE AO DOMÍNIO DO CORPO E DA POESIA


“A religiosidade pagã pertence ao domínio do corpo e da poesia, do movimento sagrado e da clarividência visionária. Só essa nos interessa como caminho mágico. É ela que nos dá acesso directo ao memorial adormecido nas suas pedras, na poeira dos seus caminhos, nos seixos que repousam enigmaticamente no chão palmilhados de hieróglifos, e pelo sussurro do vento e do rumorejar do seu ribeiro.”

“Ao contrário dos gauleses, os grandes santuários dos povos lusitanos parecem não ter sido florestas mas fragas rochosas e grandiosas. O poeta romano Lucano (39-65 EC) dizia que os templos celtas eram húmidos e sombrios. Talvez porque era crença entre os Celtas que os seus deuses e o seu povo eram filhos de Dis Pater, o Grande Deus do Submundo. Embora os templos lusitanos não sejam clareiras nas florestas, encontram-se enquadrados por essas qualidades de reduto amniótico, humidade, ambiente brumoso e sombrio. Eles têm como foco de poder, não uma clareira, mas as fragas.”

“(…) cabeços e fragas, morros, colinas, montanhas e outeiros, sempre entre rochedos sinistros e belos. Por isso S. Martinho de Dume há-de atarefar-se a ameaçar com o diabo e o inferno o povo da Galiza pelo seu culto das pedras. Os rios e ribeiros, fontes e regatos, parecem ter sido o seu outro denominador cultural.”

Gilberto de Lascariz, Deuses e Rituais Iniciáticos da Antiga Lusitânia, Zéfiro
Imagem: Rocha da Mina, Alandroal

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