domingo, 12 de dezembro de 2010

"Estou disposto a partilhar os meus segredos"

O GUERREIRO DO CORAÇÃO
“Compreendi que quando a força do homem é distorcida pelas expectativas sociais de sucesso narcisista, de dominação da natureza, das crianças, do feminino, toda a sua vida se desequilibra. O lado machão pode ser usado como um processo de amor, revertendo a trajetória de violência e destruição. A tarefa psicológica do homem atual é lidar com a força masculina bruta, localizada nos 3 primeiros chacras, sem a bloquear ou rejeitar e sem tampouco deixar que ela tome conta da sua consciência, assim será capaz de se relacionar por inteiro com os demais sem perder a sensibilidade.

Creio que uma característica marcante do novo modelo é a vontade de partilhar os sentimentos mais íntimos, de se abrir com outros homens, com a mulher, filhos, família. Estou disposto a partilhar os meus segredos, pois como disse Jung, os nossos segredos são a causa das nossas doenças. Ao expor as minhas fraquezas, espero que me vejam como ser humano, e se animem a contar as suas histórias e assim começamos a compreender-nos uns aos outros.

O Guerreiro do Coração, gasta a sua energia a partilhar os seus sentimentos em vez de lutar contra eles ou escondê-los. É a capacidade de dizer claramente: "não aceito o modelo que me foi imposto, quero estabelecer um relacionamento novo, e íntimo, de abertura e confiança, e vou buscar as pessoas que também sintam e pensam assim." Este é o meu guerreiro, esta é a minha identidade masculina. Nós, homens, estamos destruindo a camada de ozono, que é o sistema imunológico da Terra. O que estamos fazendo com o corpo da Terra é o mesmo que o câncer e a SIDA fazem com os nossos corpos. Temos que começar a conectar-nos com o nosso coração com o dos outros homens, para podermos perceber a partir do coração e cuidar de nós e do mundo à nossa volta.

Em todos os rituais indígenas, alguns bastante severos, o jovem guerreiro tem que passar por diversas experiências interiores, até chegar ao ponto em que encara o próprio medo de morrer - o medo da morte física. Ele vivencia a sua morte e então o ego defende-se, tenta controlar a situação. Um grupo de anciãos e homens experientes ajudam-no a passar por esse processo de morte, por essa projeção do eu que se apega a ideia "sou um homem, sou mais poderoso que qualquer coisa ao meu redor". O indivíduo então vê como é insignificante a sua identidade do ponto de vista do macrocosmo. O importante é que essa morte seja cercada pelo amor dos outros, para sair da experiência sem se sentir um fraco. A partir daí você começa a sentir-se mais receptivo, mais humilde, mais aberto.

Nos rituais em grupo, após determinado momento, percebemos que entramos em estados alterados de conciência, podemos vivenciar um ao outro em mais profundidade e perceber melhor o nosso coletivo. É importante os homens perceberem o poder que criam em grupo. Um poder que em geral é usado para destruir, através de conflitos, guerras e até religião. Sentir e ver que esse poder é um estado, um local de AMOR, de intimidade, faz parte do novo homem.”

Guerreiro do Coração - Uma nova Identidade Masculina
Texto de Craig Gibsone, diretor da Fundação Findhorn, Escócia

Imagem: Craying Man, Kate Kretz

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