segunda-feira, 1 de novembro de 2010

SAMHAIN 2010


Samhain no Centro Cultural do Jogadouro
Rio Maior
Ontem, entre as 17 h e as tantas da noite.

A chuva não nos demoveu; antes pelo contrário, acrescentou charme, profundidade, magia à celebração do Samhain, um antigo festival Celta, entre os 8 da Roda do Ano, criados num tempo e numa cultura - que é nossa, de celtiberos, por direito – em que a noção de tempo era cíclica e não linear, em que a vida humana se adaptava com consciência, respeito e reverência a esses ciclos, e a Natureza, considerada sagrada, era objecto de profunda gratidão. Gratidão por ter permitido, por ter sustentado a Vida.


Este é considerado um momento muito importante por marcar tanto o fim quanto o início dum novo ano. Estamos a meio do Outono, e na natureza aceleram-se os processos de morte - necessária para que a vida possa surgir de novo na Primavera. Então, aproveitamos para deixar também que morra em nós aquilo que já não nos serve mais e que impede que possamos renascer segundo uma outra visão renovada e mais grandiosa de nós.
É ainda um momento para compreendermos que a vida é uma eterna morte e renascimento, que vida e morte são parte do mesmo processo criativo, e que só podemos sentir gratidão pel@s noss@s antepassad@s, por aquelas e aqueles que nos precederam, legando-nos a sua herança e o seu lugar.

Por que é tão importante fazer renascer estas celebrações? Porque, a meu ver, precisamos de sagrado como de pão para a boca, nesta cultura desalmada e árida, onde impera a lógica do lucro, do ter, do parecer; precisamos de encontrar sentidos, de nos religarmos uns e umas às e aos outr@s e a uma dimensão que está para lá do comezinho e daquilo que a nossa lógica abrange, porque da grandeza da Vida não me parece que haja quem não tenha pelo menos um leve vislumbre… Porque, depois de tantos abusos, a Mãe Terra precisa de doses massivas do amor e da gratidão de tod@s nós. E porque são momentos intensos, repletos de beleza, de alegria e de significado.
No Jogadouro, Rio Maior, o bosque envolvente, constituído por cedros, loureiros, zambujeiros e outras árvores veneráveis e desconhecidas (para mim), forneceu-nos o melhor lugar para acendermos a fogueira, que nem a chuva intensa conseguiu apagar antes do tempo.
No interior, reflectimos, conversámos, partilhámos, cantámos, tocámos instrumentos de percussão e dissemos poemas, rimos, comemos, dançámos…
É difícil pensar num espaço mais apropriado e

numa companhia mais agradável. O meu muito obrigada a tod@s @s participantes.
O próximo festival é o do Solstício do Inverno, a 21 de dezembro. As inscrições, entretanto, já estão abertas e serão consideradas por ordem de chegada.
Fotos: 1 e 2 minhas
3 de Cibele Pinto Cardoso, Hebdomadarius

Um comentário:

Anônimo disse...

Luíza, muito obrigada. Foi uma comemoração lindíssima. Bjs.,Ana