sexta-feira, 17 de setembro de 2010

GOSTOS MUITO DISCUTÍVEIS


Manhã a ver trabalhos de alunos:

“Gosto de ler, de ouvir música, de passear, de mulheres…”
Eu:
- Mulheres? São seres humanos, com sentimentos, direitos e deveres, sabia? Não coisas, não actividades…
Ele:
- Ah, sim, claro… não tinha a intenção de ofender… mas é que…
Eu:
- Não seria melhor “gosto de namorar”?...
Ele:
- Sim, sim, claro, é isso…

Não tinha mesmo nenhuma intenção de ofender. Nem teve a mais leve intuição de que poderia soar como ofensivo. Talvez até julgasse o contrário, dada a proliferação daqueles que preferem homens… Mesmo porque habitualmente as mulheres ofendem-se muito pouco com estas coisas, habituadas que estão a engolir tudo, a serem “boazinhas” e agradecidas. Ofender-se, julga a maior parte, não é "sexy"... Grande engano...

Agora vou eu experimentar:

Então, gosto de ler, de ouvir música, de passear, de homens…
- Homens?!
Não, nenhuma mulher diz isto. Nenhuma mulher gosta de “homens” a granel. Até porque o risco é muito grande:
- Sua vadia!
As mulheres gostam de UM homem, do SEU homem…



Tenham santa paciência, mas o mundo em que as mulheres vivem e o mundo em que os homens vivem não pode ser o mesmo…
(Não sei se é Marte ou Vénus, hemisfério esquerdo ou hemisfério direito. O que me parece é que é muita permissividade e deseducação a que são submetidos os meninos-homens, os tais “reis” e senhores. “Depostos”, noutro contexto.)


Ou então, vamos lá tentar outra abordagem:
Segundo Jean Markale, em LA FEMME CELTE, obra prima (escrita por um homem, notem bem!) sonegada ao nosso conhecimento*, já houve uma cultura e um tempo, reais ou sonhados, antes da ordem patriarcal se ter imposto à lei da espada, em que uma mulher, centrada na sua própria vida, na sua própria agenda, digamos, podia dizer sem medo, e com o mesmo sentido com que o faz um homem em relação a ela:


- Eu gosto de homens.

Em memória desse tempo glorioso, real ou imaginário, tanto faz, sugiro que experimentemos, queridas companheiras, até por uma questão de maior aproximação dos universos feminino e masculino…

Acredito que a “vadiagem” é, como a liberdade, um território que se vai ocupando!

* A razão da não existência duma tradução desta obra em língua portuguesa só poderá ser explicada por uma autêntica "teoria da conspiração"...
Imagem: acrílico de Alice Buis

Um comentário:

Anônimo disse...

muito me preocupa algo q se aproxima... o iniciação sexual do meu filho...
como educar um filho acima das influências sociais patriacais e sexistas...
enfim, bom te ver...
bjins
Nana - LF