domingo, 22 de agosto de 2010

SENTIR OU NÃO SENTIR, EIS A QUESTÃO...

“Sinto, logo existo”

Sentir é porventura a actividade humana mais primordial, mas também a mais subestimada numa cultura da extroversão como é aquela em que vivemos. Em vez de subestimada, podemos dizer ignorada. Recalcada será a palavra mais justa. A maior parte do tempo, uma grande parte de nós, não sabe, pura e simplesmente, aquilo que está a sentir. Não estamos em contacto com as nossas emoções. Como se diz em Astrologia das Luas em signos de fogo, quando as nossas emoções negativas começam a dar sinal de si, temos de agir, de fazer qualquer coisa que nos impeça de as sentir. Vamos às compras, ou ligamos a televisão. Para rirmos e chorarmos com as histórias da vida alheia, nos talk shows ou nas novelas. E sentimos as emoções d@s outr@s para esquecer as nossas. Sentimos por interposta pessoa, por assim dizer. Porque estamos sentad@s em cima do buraco negro das nossas emoções sem as vermos, ou melhor, sem as sentirmos, e temos horror à solidão, ao silêncio, que é quando se abre o tal fosso e caímos num vazio insuportável.


Devo dizer que este tema me foi sugerido por um post de Rosa Leonor Pedro que falava da “obrigatoriedade” de nos sentirmos alegres e da pretensa “proibição” de nos sentirmos tristes – imposições duma cultura da extroversão, como é a nossa (de acordo), com os livros de autoajuda, dizia a minha amiga, a ajudarem (passe a redundância) à festa… Foi aqui que me senti “picada”, claro, pela falta de coincidência dos nossos pontos de vista.
Um dos exercícios sugeridos no Método Louise Hay, de que sou facilitadora, é precisamente perguntarmo-nos com regularidade: “Como é que eu me estou a sentir, aqui, agora, nesta situação?”. Portanto, ninguém é instigado a fugir às emoções, nem tão pouco a fingir que está tudo bem. A nossa capacidade de sentir é um mecanismo demasiado precioso (é a nossa bússola) para ser ignorada.
Lembram-se do lema, “Vai aonde te leva o coração”, que serviu de título a um livro de Susana Tamaro? Pois é, “Vai aonde te leva o coração” é o mesmo que dizer: “Escolhe sentir-te bem, escolhe a alegria. E faz o que for preciso para viver nessa vibração”. Este é o grande desafio e a grande ruptura.
Sim, porque o paradoxo é este: parece que vivemos numa cultura da extroversão, da exaltação da juventude, da festa, do bronzeado, do botox, mas convenhamos, ninguém tem ilusões sobre isso, todos sabemos que se trata essencialmente de estratégias de marketing. São os valores que incitam ao consumo. Portanto, coisa de gente pouco consciente, inteligente ou criteriosa.

A tristeza como valor seguro
Porque todos sabemos que os pressupostos em que assenta a nossa cultura não são de molde a sustentar alegria nenhuma. Somos seres pequeninos, limitados, mortais, “cadáveres adiados”, vítimas do governo, das finanças, dos ladrões, da doença, de amantes infiéis, minados pela culpa, pelo medo, pelo ressentimento, sentindo-nos isolados, separados uns dos outros, uns contra os outros … Bolas! Muito fazemos nós!... A verdade é mesmo que não temos como, não temos meios para sustentar a alegria, que para mais é um sentimento da alma. E o que é da alma no meio disto tudo?
Portanto, sejamos realistas, inteligentes e elegantes e choremos umas valentes lágrimas. Isso sim é de gente séria e confiável.

Os fundamentos da alegria

Agora sabem o que dizem os tais livros de autoajuda? Basicamente, aqueles que conheço, e são alguns, dizem muito sinteticamente coisas como: embora vivamos na ilusão da separação, somos todos um e todas uma, somos tod@s @ mesm@. Em essência, somos seres profundamente amorosos. O amor é a energia que move o universo. Somos ilimitad@s e imortais. Somos Deus/a a fazer experiências na matéria. Embora ainda o ignoremos, temos à nossa disposição os recursos dum deus, ou duma deusa!

O grande segredo da alegria
A gratidão.
Obrigada, Rosa Leonor, por me ter sugerido esta reflexão. Obrigada a este meio electrónico de que agora escolho ver em primeiro lugar a parte boa, a que me permite ter voz e ser publicada na hora, partilhando convosco esta reflexão. Obrigada a tod@s vocês que têm a paciência e a generosidade de ler o que escrevo.
Ah, e quando a tristeza vier, saibamos também agradecer-lhe, porque sem ela como reconheceríamos a alegria?

2 comentários:

Linda Silva disse...

Muito interessante este texto. Aproveito para rectificar, que o
Livro " Vai onde te leva o coração", foi escrito pela escritora italiana, Susana Tamaro.

Abraçinho
Li

Luíza Frazão disse...

Ah, é verdade, querida, foi Susana Tamaro!... Muito obrigada.

Abraço,
Luíza