sexta-feira, 4 de junho de 2010

NÃO ME INTERESSA O QUE FAZES NA VIDA...


O CONVITE
Não me interessa o que fazes na vida. Quero conhecer aquilo por que anseias e se tens coragem de sonhar com a realização desse anseio.

Não me interessa que idade tens. Quero saber se tens coragem de fazer figuras tolas em busca do amor, dos teus sonhos, da aventura de estar vivo.


Não me interessa quais os planetas que regem a tua lua. Quero saber se tocaste no âmago da tua própria dor, se tens estado aberto às traições da vida ou se te fechaste com medo de sofrer novamente. Quero saber se consegues sentar-te na presença da dor, tua ou minha, sem tentares escondê-la, esmorecê-la ou remendá-la.

Quero saber se consegues estar na presença da alegria, tua ou minha, se consegues dançar loucamente e deixar o êxtase inundar-te, da ponta dos pés à cabeça, sem dizer “tem cuidado, sê realista, lembra-te das limitações do ser humano”.


Não me interessa se a história que me contas é verdadeira. Quero saber se és capaz de desiludir uma pessoa para seres verdadeiro para contigo próprio; se consegues suportar a acusação de traição e não traíres a tua alma, se consegues despojar-te da fé e ser de confiança.

Quero saber se consegues ver a beleza, mesmo quando não é bonita, todos os dias, e se consegues alimentar a tua vida com a sua presença.
Quero saber se consegues viver com o fracasso, teu e meu, e ainda assim abeirar-te do lago e gritar à Lua Cheia de prata: “Sim!”

Não me interessa saber onde vives ou quanto dinheiro tens. Quero saber se consegues levantar-te depois duma noite de dor e desespero, cansado e dorido até ao âmago, e fazer o que for preciso para alimentar os teus filhos.
Não me interessa quem conheces ou como aqui chegaste. Quero saber se enfrentarás as chamas comigo, sem dares um passo atrás.
Não me interessa onde, o quê ou com quem estudaste. Quero saber o que te sustenta, por dentro, quando tudo o resto se desmorona.


Quero saber se consegues estar a sós contigo mesmo e se verdadeiramente aprecias a tua companhia nos momentos vazios.

Sonhador da Montanha Oriah, Ancião Índio

Imagem: Google





Um comentário:

Tereza Kawall disse...

Que texto maravilhoso,profundo, exalando honestidade, dignidade, força; matérias primas da almA pelas quais estão pagando juros muito baixos, atualmente... parabéns
Tereza Kawall