quarta-feira, 12 de maio de 2010

Abusadores internos, abusadores externos


Texto recebido do astrólogo Nuno Michaels:

"Já não é uma questão política, nem religiosa, é simplesmente um atentado...
... ao mais simples e elementar Respeito por essa coisa a que se chama "Cidadão-Contribuinte"

ora vejam o que
diz a 1ª Página de um semanário saído hoje:

"No auge da crise, cada contribuinte é obrigado a pagar 579 euros por ano para manter

as regalias dos detentores de cargos políticos"


"Os orgãos de soberania e as despesas com as autonomias custam a Portugal 3.450 milhões anuais" "Só o Parlamento fica com 191 milhões: cada deputado "come" 434 mil euros/ano" "Manter Sócrates custa 7 vezes mais que os espanhóis gastam com Zapatero" "Os partidos sacam 78 mil euros/ano por cada deputado que sentam em S.Bento" "Até a propaganda dos partidos é paga pelos contribuintes: 73 milhões por legislatura" "Condecorações e honrarias parlamentares vão custar-nos mais de meio milhão até Dezembro" ... e na primeira página de um diário, também fresquinho, edição de hoje, lê-se isto (a citação é de memória mas os factos estão correctos): "Estado estuda aumento do IVA e cortes no 13º mês para poupar 3000 milhões" ... e citem-se os números apontados pelo Presidente da CIP (Confederação dos Industriais Portugueses)

"As perdas por dia de paragem em Portugal estão quantificadas, segundo os últimos estudos, nos 37 milhões de euros. E verifica-se que Portugal tem excesso de tempos mortos com feriados históricos, religiosos, pontes, etc. Por isso, acho excessivo termos tais custos (referindo-se à visita do Papa) neste momento de crise, em que precisamos de aumentar a competitividade e em que o país não se compadece com quaisquer perdas"

... perguntemo-nos então... já que somos nós que pagamos, e vamos pagar - cada vez mais, escrevam isto - a "crise" (isto é, o desperdício irracional e inadmissível de recursos, a sua má alocação e os custos das prioridades erradas), e já que elegemos os nossos "representantes" (lol alguém se sente realmente "representado"?), parece-me justo que, das duas uma: ou os nossos interesses de Cidadãos-Contribuintes começam a ser levados (também) em consideração nas decisões que implicam despesas, ou responsabilizem-se os que tomam as decisões, de modo a que paguem também eles parte dos custos das suas decisões. Isto de andar a brincar com os recursos dos outros já sabemos que é mau karma... dinâmicas de Plutão, Escorpião e Casas 8 desatinadas...


Mas enquanto a retribuição não chega, quem se lixa é o mexilhão... e não estou a ver as pessoas aguentarem muito mais tempo este estado de coisas... O Plutão em Capricórnio aperta, aperta, aperta... de acordo. Mas Urano vai entrar em Carneiro... e a elasticidade, a imaginação, o improviso, a capacidade de sacrifício e a disponibilidade para o endividamento não duram para sempre (nem num país de Peixes)... e a paciência tem limites!


Ou entramos todos em estado Zen e meditamos OM OM HARE KRISHNA até à medula e até desencarnar de fome e frio enquanto a vida se vai tornando cada vez mais parecida com a de uma rosa num deserto e vamos ficando sem livros, sem casa, sem pão e sem educação (para não dizer gasolina, lazer, fraldas, infantários, medicamentos, internet, meios de comunicação e transporte, electricidade ou segurança social), ou - por enquanto - ainda temos a escolha de começar a ter uma atitude construtiva, de participação e responsabilidade social maior, reclamando os nossos direitos e exigindo responsabilidades aos outros, a quem usa - por direito ou abuso - dos nossos recursos, aqueles que são gerados com o nosso sangue, suor, cérebros, músculos, talentos e capacidades, tempo e escolhas.

Sabemos que o que passa "lá fora" é reflexo do que passa "cá dentro". Não proponho
uma revolução "contra" o exterior. Proponho que olhemos para dentro de nós mesmos e nos perguntemos de que partes de nós são estes "abusadores" exteriores expressão, de que partes de nós são estes "entaladinhos contribuintes" expressão, o que é que nos impede de confrontar quem nos abusa, o que é que nos leva a ter medo de reagir a quem nos oprime ou trata mal, o que é que nos leva a viver no medo? No medo da vida? No medo de desagradar? De ser excluído ou abandonado?


O que é que nos leva a permanecermos simples revolucionários de café, cheios de ideias e ideais de justiça e fraternidade que nunca chegamos realmente a concretizar, desde que tenhamos dinheiro para a bica e audiência que nos oiça a papaguear opiniões importadas de fora, e geralmente distorcidas, mal compreendidas, ou convenientemente recombinadas e descontextualizadas para suportar a pequenez do nosso espírito;

ou a tornarmo-nos vítimas que se refugiam no lamento de que alguém deveria tomar conta de nós e assim a demitirem-se de exercer o seu próprio poder de lidar com as situações e a realidade concreta, exterior; ou a tornarmo-nos "culpadores" que acusam o exterior da sua própria miséria sem assumir a sua quota parte de responsabilidade no processo, e assim a sua maturidade; ou a tornarmo-nos simples alienados que vão procurando escapar por onde podem, refugiando-se nos pobres prazeres sucedâneos e substitutos possíveis, encontrando consolo na novela da noite, nas revistas que cuscam os dramas - e se alimentam do glamour - nas vidas dos "famosos", na celebração bovina da vitória de um clube de futebol - como se de algum tipo de vitória pessoal se tratasse ou acrescentasse realmente alguma coisa às suas vidas pobres sem alma, sem cultura, sem ambição, sem imaginação, sem pensamentos elevados ou profundos, sem horizontes?

Mas proponho que comecemos a olhar para dentro e a identificar toda esta malta, todas estas adaptações, toda esta cobardia, toda esta violência, todo este abuso e prepotência, toda esta facilidade em projectar para o exterior aquilo que passa dentro de nós próprios; se queremos mudar o Mundo, comecemos por nós próprios. Como dizia Gandhi, "sê a mudança que queres ver no Mundo".

E cantavam os Da Weasel (http://www.youtube.com/watch?v=UazBWiahnrc [http://r20.rs6.net/tn.jsp?et=1103385939575&s=3475&e=001C4wuejWWl8yp9Am7jJ8_tbfusiXEvuqOT1YuCiicou6ySRSWQjQxxFzZvchgCpfWHZ7t9myljsLh6pOkR1fBOqh3MDKXbJb84jvfiWnC1b7Syj9Rw7o0VzhZuC1KmoLL6Z7aIi6YIp8QBRbZEwFvqw==]):


"Toda a gente critica o telemóvel do vizinho
Mas no fundo toda a gente quer ter um igualzinho
Toda a gente grita 'todos diferentes, todos iguais'
Mas se calhar há uns quantos bacanos a mais.
Toda a gente quer ser solidária
Mas na hora da verdade toda a gente desaparece da área.
Toda a gente quer ser muito moderna
Mas a tacanhez, essa há-de ser eterna (...)
Há até quem costume falar em revolução
Mas a revolução não vai ser transmitida na televisão
Ela tem de acontecer dentro de cada um
Caso contrário nunca chegaremos a lugar algum.
Há quem queira resolver os problemas do mundo
De uma só vez , confiante, tal e qual um bom escuteiro
Mas enquanto se perseguem tão nobres ideais
Esquecemo-nos de limpar os nossos quintais
Tentamos combater todos os males da terra
Quando afinal
É na nossa casa que começa a guerra
Toda a gente devia parar de falar
Olhar para dentro e agir"

Fica um convite à acção, dentro dos limites do que controlamos - e o que controlamos

termina na epiderme.

AUTO-CONHECIMENTO!, gente!


(... e ainda a propósito do confronto com os "abusadores internos" de que os "abusadores
externos" são a expressão perfeita, recordo as palavras, quase sempre sábias e sempre
inspiradoras, dos Dealema no tema "Tudo o que Tenho em Mim" (para ouvir vá a http://www.youtube.com/watch?v=iAycm7ff6Jw [http://r20.rs6.net/tn.jsp?et=1103385939575&s=3475&e=001C4wuejWWl8yZmYqt13Ehz_DiLUVRV54QkOcyBzujJEHMDdOFELahOlCrk-kR9R-wCtP-bBM4AngRMTdybybAz_fzQFf5WRXcqGaGKGGvL5TGujQ9-FgaD8ToZUfOGoFLswDXc8JnzQm4sNk5lJfumA==]):

"Nunca deixes que a tua identidade seja deturpada, nunca lambas a piça a quem te
mija na cara").

Mal e porcamente, e de uma forma politicamente incorrecta, é a expressão mais simples e perfeita daquilo de que todos precisamos, cada vez mais, na relação connosco próprios e, por extensão, com os outros, e, por consequência, no que podemos (e queremos) criar no Mundo à nossa volta. E tudo isso se esgota, e comprime, numa única palavra: Dignidade. E o maravilhoso é que não se consegue por fora. Consegue-se por dentro."

© Nuno Michaels, aos 11 de Maio de 2010
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