terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

"UM RAPAZ RARO"...

O Peregrino – Em Busca do Verdadeiro Amor

Vítor Augusto Mineiro



Há dias encontrei a M. no corredor: “Um amigo meu, lá da minha terra, escreveu um livro muito giro. Gostei muito. Pensei logo em ti; achei logo que serias a primeira pessoa a quem o havia de emprestar. Vais gostar”. E eu com tantos livros urgentes a requererem a minha atenção, ia dizendo que ficava para outra altura, mas “tá bem”.

E a M. trouxe-me o livro.


Inspecionei a primeira página logo no intervalo: passou no exame. Era simples, mas não simplório, lia-se bem e transmitia-nos logo aquela sensação de intimidade dum universo conhecido e familiar. Narrativa linear, centrada na personagem do Samuel, e começando na sua infância de escuteiro, como tantos meninos que nós conhecemos, empenhando-se a fundo nas suas actividades, dotado de todos os requisitos, incluindo a ambição, para entrar na normose. Até que um dia...

A seriedade da personagem, a sua coerência, a fidelidade a si próprio e aos seus sentimentos, a sua coragem na busca duma espiritualidade autêntica vão torná-lo digno dum destino muito diferente daquele que parecia caber-lhe pelas circunstâncias do seu nascimento.


E a história do Samuel vai ganhando densidade, profundidade, à medida que os desafios se vão apresentando e que ele vai adquirindo conhecimentos, maturidade e competências, nunca recuando no desejo de compreender e de viver cada dia com mais verdade e fidelidade a si próprio.

Acompanhar o seu percurso, as descobertas que vai fazendo no domínio da espiritualidade, da transcendência, transforma-se num processo verdadeiramente apaixonante, dada a ordem das experiências por que passa. E dos lugares deste e doutro mundo, deste e doutros planos!


Nesse sentido, o livro, que a certa altura aborda a questão da morte, torna-se um repositório de ensinamentos que em muito contribuem para o surgimento duma nova consciência e duma nova forma, muito mais viva e alerta, de estarmos na vida.


O Peregrino é, no fundo, uma bela chamada de atenção e uma homenagem ao mistério deste Universo e desta vida, por onde tantas vezes passamos como sonâmbulos, como autómatos, sem nada questionar, limitando-nos a repetir gestos e crenças, que em grande parte perderam já a sua validade – se é que alguma vez a tiveram – sem que nós o soubéssemos ou nos importámos em saber.


Prova dos nove de que se trata dum excelente livro: fiquei com pena que tivesse acabado, tão maravilhoso, repousante e curador era estar agora com um mestre como o Samuel.

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