domingo, 28 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A riqueza da energia feminina


"As histórias da antiguidade que contavam a magia da mulher, a criadora, aquela que é capaz de dar à luz, a que recebe o mistério do sangue – a força vital – e que é capaz de devolver essa força vital à Terra, foram soterradas, esquecidas. Onde estão as histórias da Deusa – aquela que ama, sente e nutre? A espécie masculina costumava possuir a energia da Deusa dentro de si, também, e sente necessidade dessa energia.

(...)
Homens e mulheres devem complementar-se, jamais confrontarem-se.
(...)
Vocês não têm um panteão de imagens femininas criadoras poderosas, como o masculino, que sirva de padrão da imagem positiva da força feminina. Assim os homens esforçam-se por ser másculos e as mulheres por adquirirem a força através da vibração masculina, não possuindo nenhum dos dois uma visão clara da potência feminina. Criem essa imagem. Comecem a reconhecer a riqueza da energia do lado feminino do EU, que é intuição, receptividade, criatividade, compaixão e nutrição." (...)


in MENSAGEIROS DO AMANHECER, Barbara Marciniak


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

"UM RAPAZ RARO"...

O Peregrino – Em Busca do Verdadeiro Amor

Vítor Augusto Mineiro



Há dias encontrei a M. no corredor: “Um amigo meu, lá da minha terra, escreveu um livro muito giro. Gostei muito. Pensei logo em ti; achei logo que serias a primeira pessoa a quem o havia de emprestar. Vais gostar”. E eu com tantos livros urgentes a requererem a minha atenção, ia dizendo que ficava para outra altura, mas “tá bem”.

E a M. trouxe-me o livro.


Inspecionei a primeira página logo no intervalo: passou no exame. Era simples, mas não simplório, lia-se bem e transmitia-nos logo aquela sensação de intimidade dum universo conhecido e familiar. Narrativa linear, centrada na personagem do Samuel, e começando na sua infância de escuteiro, como tantos meninos que nós conhecemos, empenhando-se a fundo nas suas actividades, dotado de todos os requisitos, incluindo a ambição, para entrar na normose. Até que um dia...

A seriedade da personagem, a sua coerência, a fidelidade a si próprio e aos seus sentimentos, a sua coragem na busca duma espiritualidade autêntica vão torná-lo digno dum destino muito diferente daquele que parecia caber-lhe pelas circunstâncias do seu nascimento.


E a história do Samuel vai ganhando densidade, profundidade, à medida que os desafios se vão apresentando e que ele vai adquirindo conhecimentos, maturidade e competências, nunca recuando no desejo de compreender e de viver cada dia com mais verdade e fidelidade a si próprio.

Acompanhar o seu percurso, as descobertas que vai fazendo no domínio da espiritualidade, da transcendência, transforma-se num processo verdadeiramente apaixonante, dada a ordem das experiências por que passa. E dos lugares deste e doutro mundo, deste e doutros planos!


Nesse sentido, o livro, que a certa altura aborda a questão da morte, torna-se um repositório de ensinamentos que em muito contribuem para o surgimento duma nova consciência e duma nova forma, muito mais viva e alerta, de estarmos na vida.


O Peregrino é, no fundo, uma bela chamada de atenção e uma homenagem ao mistério deste Universo e desta vida, por onde tantas vezes passamos como sonâmbulos, como autómatos, sem nada questionar, limitando-nos a repetir gestos e crenças, que em grande parte perderam já a sua validade – se é que alguma vez a tiveram – sem que nós o soubéssemos ou nos importámos em saber.


Prova dos nove de que se trata dum excelente livro: fiquei com pena que tivesse acabado, tão maravilhoso, repousante e curador era estar agora com um mestre como o Samuel.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Filmes que falam da alma feminina

  • Adoráveis Mulheres
  • As Brumas de Avalon
  • Bruxas de Eastwick
  • Casamento Grego
  • Clube das Desquitadas (divorciadas)
  • Da magia à sedução
  • Divinos Segredos
  • Dreamgirls- Em busca de um sonho
  • Erin Brockovichi - Uma Mulher de Talento
  • Garotas Formosas
  • Mama Mia!
  • Menina de Ouro
  • Minha mãe quer que eu case
  • O Amor Não Tira Férias
  • O Diário de Bridget Jones e Bridget Jones No Limite Da Razão
  • O Sorriso de Monalisa
  • Thelma e Louise
  • Tomates Verdes Fritos
  • Vestida para Casar

Comentário de Cláudia Mello:

Eu tb tenho mania de procurar, assistir e recomendar "filmes de bruxa" (assim eu chamo), porque são um reflexo do universo feminino. Alguns dos que vc indicou eu ainda não vi, vou procurar... E aproveito para dar umas dicas de alguns que já vi e gostei muito:

  • Sob o sol de Toscana
  • Chocolate
  • Como água para chocolate
  • O fabuloso destino de Amélie Poulain
  • Senhora das Especiarias
  • Miss Potter

Tb incluiria aí Labirinto do Fauno, porque trata do universo de uma menina e toda a magia que o envolve. Tb há um filme bem antigo, de 1958, chamado Sortilégio de Amor (com a belíssima Kim Novak que conta a história de uma feiticeira que se apaixona...Muito bacana tb.

Espero que goste!

Obrigada, Cláudia, por acrescentar esta lista. Labirinto do Fauno é lindíssimo. Há um outro que vi há pouco tempo e que recomendo:

  • A minha Vida sem Mim
e depois um mais antigo:

  • Millie, Rapariga Moderna
Miss Potter é fantástico, cheio de boa energia. É a vida da escritora de livros infantis Beatrix Potter, uma história de sucesso, ainda por cima.


Retirado de: http://guerreirainterior.blogspot.com/

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

VIAGENS QUE TRANSFORMAM A NOSSA VIDA

Ainda restam algumas vagas...


Estas são na verdade duas oportunidades únicas de conhecer aqueles lugares míticos (e místicos) com que sempre sonhámos; trata-se de viagens que podem transformar as nossas vidas.

São dois dos locais visitados por Jean Shinoda Bolen no seu maravilhoso livro (um dos da minha vida...) "Travessia para Avalon" - as penúltima e última etapas da sua "travessia" ou peregrinação. Locais por excelência do sagrado feminino.

Vou transcrever um excerto do livro em questão em que a autora, Jean Shinoda B. responde ao convite para a referida peregrinação que lhe foi feito por uma habitante de Glastonbury depois de ter lido o seu livro "As Deusas em cada Mulher":


"Há tanta sincronicidade (de que a senhora não podia estar ciente) no atempamento da sua carta, nos planos que propõe, nos locais e pessoas que tem em mente para eu conhecer, que estou pasmada. Sinto arrepios na espinha. De certo modo, a sensação que me dá esta viagem é como que o desenrolar de um caminho da meia-idade, ainda por descobrir, um rito iniciático, talvez, e, com certeza, uma introdução a alguma coisa de que somente tenho vagos palpites.

A sua carta chegou num período que eu sinto gnosticamente como um portal, um momento mítico no tempo e no espaço (...). Para mim, esta é uma altura de liminaridade, de passagem de uma parte da vida para outra, quando me estou a aventurar - do ponto de vista psicológico - para lá do "meu mondo conhecido", escutando um apelo para viver com mais a
utenticidade, mesmo que isso me leve ao conflito e à incerteza."

Se estas palavras fizerem eco no seu coração...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Já alguma vez fotografou Orbs?

Encontrei, por acaso (tal coisa não existe, claro...) o anúncio duma conferência sobre Orbs, realizada em Glastonbury, em Julho de 2008, com Diana Cooper, Freddy Silva e outros…


Para Diana Cooper, Orbs estão relacionados(as?) com arcanjos, anjos, fadas, duendes, espíritos daqueles que já desencarnaram…



Sobre esta imagem, que retirei do seu site, ela diz que está "repleta de aspectos do Arcanjo Gabriel, Orbs dum branco muito puro, muitos dos quais estão protegidos pela luz azul do Arcanjo Miguel, estando ambos em comunicação. O Arcanjo Uriel é a grande luz amarela no topo. Por todo o lado, se vêem fadas dançando sob a forma de pequenos pontos brancos. Os duendes também estão presentes, são os pequeninos círculos. A energia neste jardim é nitidamente especial, por isso não é surpresa nenhuma vermos, flutuando no espaço, os espíritos daqueles que em vida amaram jardins. Na parte inferior, há aspectos do Arcanjo Gabriel, trazendo espíritos de elementais de outros planetas. Podemos ver que Orbs deste Arcanjo em particular estão mais perto porque se apresentam mais pálidas, depois de terem baixado a sua energia. Os anjos do Arcanjo Gabriel reuniram-se aqui para proteger as fadas, os duendes e também para purificar o jardim.

Quando amamos e cuidamos do nosso jardim, atraímos fadas e anjos, podendo assim criar um pequeno “ reino das fadas”. Ao olharmos para esta imagem e ao vermos os anjos protegendo os elementais, podemos sentir a magia do ambiente.”



Diana fala do seu livro “Enlightenment through Orbs (Iluminação através dos Orbs), curiosamente, editado pela editora de Findhorn (onde irei em Julho! Viagem anunciada mais abaixo):


“Nenhuma de nós (ela e a co-autora Kathy Crosswell) sabia nada sobre Orbs, apenas que se tratava de estranhas bolas de luz que aparecem nas fotografias, sobretudo nas digitais. Os nossos guias, entretanto, disseram-nos que nos ensinavam sobre eles. Os criadores das máquinas digitais foram superiormente inspirados para criarem máquinas que captam a frequência do reino angélico. Os anjos podem baixar a sua frequência de forma a que os seus corpos de luz surjam nas imagens com essa forma circular. Estes Orbs que contêm energia angélica continuam a irradiar luz e mensagens mesmo depois de fotografados.”

(Tradução minha. Aconselho-vos a cotejarem com o original…)




AGORA EU...



Esta foto foi feita por mim em Julho, exactamente lá onde se realizou a dita conferência, um ano depois, em 2009, durante a minha maravilhosa viagem a Glastonbury/Avalon (que se repetirá este ano - viagem anunciada mais abaixo). É no mítico Jardim do Cálice.



Nesta foto, eu estou sentada no mesmo sítio e ...

Neste jardim, fotografámos imensos Orbs, e por vezes parecia tratar-se do mesmo, pela forma e pelo tamanho...


Na verdade, temos, eu e os meus companheiros de viagem, imensas fotos onde aparecem estas bolas de luz, tanto em exteriores como em interiores, mas o sítio onde mais Orbs havia era sem dúvida o Jardim do Cálice, não junto à famosa cascata da Vesica Piscis, mas mais acima.



Achei curioso que uma conferência sobre este tema específico tivesse acontecido no preciso lugar onde eu (e outros visitantes que me acompanhavam na altura) fotografei Orbs… Como a Diana Cooper diz que a energia continua activa na imagem, já a imprimi para a ter sempre à vista…

O anúncio da conferência, contém uma série de links que nos permitem fazer uma apaixonante viagem por esta realidade que, segundo consta, está aí agora à nossa disposição, provando a existência de várias dimensões que supostamente pretendem revelar-se à nossa consciência.



Um excerto duma das comunicações que encontrei nos sites linkados (desta vez não traduzi):


“(…)Ledwith believes that reality is frequency based and that orbs are tremendous, powerful proof of that. “Now we can control reality by changing our own frequency. This is fabulous news,” he says. “If you are even semi-conscious and willing to take on the responsibility of your own frequency, you can truly make your life what you want. When you change your frequency, look for wisdom, not blaming others for what went wrong in your life.”

By changing our frequency, Ledwith says, we can be open to seeing things that weren’t possible before. People think they can’t see orbs with the naked eye, but that is not the case. They are actually seeing them, but their brain filters them out. “Our brain only lets in what we need every day to function—paying our mortgage, going to work and eating our meals. But once you bombard your brain with orbs and open up your mind, you will see them more and more,” he says.”


Vale a pena explorar o tema a partir daqui



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Viagens de Transformação Pessoal

A Margarida Neto, juntamente com Viajes Sagrados está a organizar 2 viagens a Inglaterra neste Verão: Avalon e Findhorn, dois lugares míticos, iniciáticos, duas viagens que podem transformar definitivamente as nossas vidas

FINDHORN

DESFRUTE DE UMA """SEMANA DE EXPERIÊNCIA" NUMA DAS COMUNIDADES MAIS EMBLEMÁTICAS DA ACTUALIDADE


O NOSSO PROPÓSITO:

Conviver, aprender e desfrutar, a par de conhecer mais sobre a vida em Findhorn e a sua experiência.

O MELHOR DA NOSSA VIAGEM:

A participação activa na vida da comunidade.


ESCUTAR COMO NOS FALAM OS ELEMENTAIS VER COMO, ONDE NADA EXISTIA, HÁ HOJE UM AUTÊNTICO PARAÍSO...

de 3 de Julho de 2010

a 10 de Julho 2010

LUGARES LIMITADOS





ITINERÁRIO

O que é Findhorn?

Findhorn é uma Comunidade Espiritual, situada no norte da Escócia, a escassos quilómetros do Mar do Norte. Inicialmente

conhecida pelos seus trabalhos em horticultura e jardinagem, também passa a ser famosa pelas suas comunicações com os

reinos subtis da natureza. Finalmente, converteu-se no que é agora: um centro de educação espiritual e holística.

O seu objectivo é ajudar-nos a descobrir a nossa verdadeira natureza como seres espirituais capazes de fazer a diferença

positiva no mundo. A sua filosofia de vida baseia-se na crença de que a humanidade se está aproximar de uma expansão

evolucionária da consciência, que criará novas pautas para a civilização e uma cultura humana imbuída de valores

espirituais.

Actualmente, vivem em Findhom cerca de trezentas pessoas, entre adultos e crianças. O trabalho desenrola-se através de

dois canais: o Centro Educacional e a Vila Planetária.

O Centro Educacional proporciona às pessoas uma oportunidade de viver e trabalhar com os outros membros; o seu

propósito é ajudar os participantes a descobrirem a sua própria sabedoria e vida interior.

Nessa Escola, a aula é mesmo a vida: aí, as actividades diárias fazem o "currículo" e provêem o elemento catalítico para a

transformação.

Na vida quotidiana, faz-se o espírito de comunidade. Esse espírito de "comum unidade" une a todos e é a base para um

conhecimento mais profundo das relações com cada um, com a terra e com todos os Reinos da Natureza.

Actualmente, chama-se Fundação Findhorn, fica perto da cidade de Forres e de uma aldeia de pescadores chamada

Findhorn Bay, a quase 40 quilómetros a Este de Inverness, muito perto do Mar do Norte.


" Semana de Experiência”


Nesta semana, de uma maneira vivencial, aprenderemos os método e os, principios. Descobriremos

quais são as suas formas de vida, a sua forma de trabalho e as chaves para o ser humano deste tempo.

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VIAGEM REGRESSO A AVALON II

A Magia da Deusa

CELEBRANDO O AMOR E A ALEGRIA

De 27 de Julho a 2 de Agosto de 2010

Desde tempos imemoriais, a Ilha de Avalon tem sido a casa da Deusa ou Mãe Divina. Este local sagrado antiquíssimo era o local onde as sacerdotisas de Avalon lhe prestavam culto, na época do druidismo celta. A mítica ilha de Avalon envolta nas suas misteriosas brumas, nunca deixou de apelar à dimensão feminina de Deus que nos habita, à magia dos druidas celtas, e das lendas Arturianas do Graal.

O ano passado realizámos a primeira viagem REGRESSO A AVALON, À MAGIA DA DEUSA! Foi mágico, profundo e revelador. A viagem foi uma teia de filigrana prateada que se foi tecendo na medida em que as revelações se incrustavam na mandala, e foi mágica porque as pessoas que estiveram acreditam na Magia da Vida, que é a sabedoria da eternidade. A magia de Avalon só se abre para quem nela crê – e essa foi outra das bençãos que recebemos! Cada um trouxe consigo o seu presente da Deusa e o apelo foi tão poderoso que decidimos regressar em 2010. Mais ousados, criámos dois programas e aumentámos os dias da viagem, para incluir uma visita a Tintagel a mítica gruta de cristal onde reza o mito que Merlin iniciou Artur...

O programa tem assim, a vertente: VISITA AOS LOCAIS SAGRADOS DE AVALON e o FESTIVAL INTERNACIONAL DE CELEBRAÇÃO DE LAMMAS (o Verão celta) DEDICADO AO AMOR!

Vai ser uma viagem extraordinária e única! O programa para ambas as vertentes da viagem segue abaixo, com todos os detalhes para as inscrições. Os lugares são limitados e no ano passado houve quem já não pudesse ir... Escolha o seu Programa e venha connosco! Vera Faria Leal.

PROGRAMA I: VISITA AOS LOCAIS SAGRADOS DE AVALON

PROGRAMA II: 15º FESTIVAL INTERNACIONAL DA DEUSA: CELEBRANDO A DEUSA DO AMOR EM LAMMAS


Informação e reservas:

Telefone: 917 767 246

Mail: neto.margarida@gmail.com

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Escravatura Estilizada

A VIDA NÃO TEM DE SER ASSIM...

A masculinização excessiva do mundo produz estes resultados: competição de morte...


"O trabalho não pode ser o lugar do desespero
Por José Vítor Malheiros

É possível ter empresas competitivas a nível global e internamente coesas, onde dê prazer trabalhar Na semana passada, o PÚBLICO publicou uma entrevista de Ana Gerschenfeld a Christophe Dejours, um psiquiatra e psicanalista francês que estuda a relação entre trabalho e doença mental. A entrevista (Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal, 30/1/2010), que pode ser lida numa versão mais longa no site deste jornal, tem como tema central os suicídios de trabalhadores causados pelo assédio moral nas suas empresas e debruça-se, em particular, sobre o caso da France Telecom, mas nela Christophe Dejours faz acusações à gestão moderna que merecem consideração.

Uma das técnicas que lhe merecem mais reservas é a chamada "avaliação individual de desempenho", que praticamente hoje todas as empresas utilizam - e que tantos gestores idolatram pelo poder repressivo que lhes oferece. Para Dejours, a avaliação individual modificou totalmente o mundo do trabalho ao pôr em concorrência entre si não só as empresas, mas também os indivíduos. Como a avaliação está em geral associada a prémios ou promoções e, por vezes, mesmo à própria manutenção do emprego, ela é uma ferramenta geradora de medo, que destrói a cooperação entre trabalhadores sobre a qual se baseia todo o trabalho e o próprio tecido social do local de trabalho. "Aos poucos, todos os elos que existiam até aí - a atenção aos outros, a consideração, a ajuda mútua - acabam por ser destruídos. As pessoas já não se falam, já não olham umas para as outras. E quando uma delas é vítima de uma injustiça, quando é escolhida como alvo de um assédio, ninguém se mexe..." E acrescenta: "[Antes] Quando alguém era assediado, beneficiava do olhar dos outros, da ajuda dos outros, ou simplesmente do testemunho dos outros. Agora estão sós perante o assediador (...). O mais difícil em tudo isto não é o facto de ser assediado, mas o facto de se viver uma traição - a traição dos outros."


Não há, nas declarações de Dejours, para alguém que conheça minimamente o mundo do trabalho, nenhuma surpresa. Todos sabemos que as coisas são assim - à esquerda e à direita, trabalhadores e patrões, sindicalistas e directores de Recursos Humanos - mas ensinaram-nos a pensar que isso era inevitável, que essa pressão e essa submissão que os gestores tentam impor possuíam alguma racionalidade. Que os fins, em suma, justificavam os meios. Não têm e não justificam. Nunca justificam, como já devíamos ter aprendido.


O que as palavras de Dejours nos dizem, claramente, é que as empresas se transformaram muitas vezes em locais de submissão e de sofrimento inútil - às vezes de verdadeira tortura, às vezes de morte. E também nos explica - como devia ser evidente - que isso não tem de ser assim, que é melhor para todos, e também para as empresas, que as coisas não se passem assim.

Nos últimos anos, por todo o mundo, mulheres e homens de esquerda (e os sindicatos...) acederam a abdicar dos seus princípios e aceitaram que as empresas podiam ser parêntesis da democracia, da liberdade, da igualdade, da fraternidade, da solidariedade. Pequenas ilhas de tirania e de submissão em nome da eficiência, da produtividade, do crescimento, da competitividade global. É uma falsa equação. Toda a investigação moderna nos mostra que o stress mata a inovação, que o medo estrangula a criatividade, que a submissão não produz maior empenho, que o desânimo não estimula a cooperação - essa inovação e criatividade e empenho e cooperação que são o pão da boca da economia e da produtividade. E, mesmo que isso não acontecesse, deveria bastar a nossa consciência para traçar os limites da decência.

Agora que começamos a perceber o buraco em que nos metemos, que começamos a ver os frutos dos ovos de serpente que deixámos que fossem incubados no mundo do trabalho, não será altura de arrepiar caminho? (jvmalheiros@gmail.com)"