quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Fim-de-semana xamânico na Quinta da Mãe Terra, em Olhão


Na nossa vida, as experiências mais fortes acontecem muitas vezes assim, quando menos se espera, e sobretudo quando vencemos o comodismo e o entorpecimento geral e ousamos enfrentar desafios, alargar as nossas zonas de conforto. “Ousar” é a palavra de ordem se queremos de facto alcançar novos patamares.

Disseram-me que era uma despedida, do local, e que por isso estariam lá reunidos vários xamãs (qualquer imagem folclórica que lhe venha à cabeça, substitua pela do “boy/girl next door”…), que o preço, por ser despedida, era especial. E eu fui assim naquela… Até agora o xamanismo não me interessava tanto que valesse um fim-de-semana no meio do nada, longe dos meus múltiplos interesses e afazeres habituais. E também, já fiz tanta coisa, tanto curso, workshop… Mas fui.


E logo na primeira noite, 3 horas e 40 minutos (diz quem contou) de sauna sagrada, uma experiência limite na qual aprendi, entre outras coisas, a “respiração da confiança” (digo eu, isto não é nenhum nome científico…). É simples: ou confias (em ti, na tua força e no teu poder, no que está para além de ti, da tua força e do teu poder…) ou morres, passe o exagero. Se permites que o medo vença, não tens hipótese. Pelo menos de continuar lá dentro, porque é sempre possível saíres.

Também andámos sobre cacos de vidro e sobre brasas (para mim foi a segunda vez…).


Mas primeiro cantámos a canção do fogo e, com uma paciência da idade do ser humano, vigiámos o seu labor, até haver um braseiro suficientemente convidativo. E houve até quem tivesse dançado sobre as brasas.


Aquilo que tantas vezes vivemos como metáfora experimentámos ali literalmente…

Estamos muito habituados a esticar a mente, a fazer mil e uma elucubrações, malabarismos mentais de toda a espécie. De expressão de emoções também sabemos alguma coisa: choramos, rimos, gritamos, arrepelamos os cabelos, exprimimos o amor e a raiva com relativa facilidade (tem dias, claro…). Mas usar o corpo, está quieta… Desenvolver a coragem física, conhecer e alargar os limites deste veículo que escolhemos utilizar nesta dimensão, e saber tirar partido dele, isso é outra conversa…


Conheci pessoas fora de série, um grupo de iguais. Não senti mais liderança que a natural confiança de cada um em si próprio e, claro, a luz, a graça e a força inspiradora especiais de Eva. Sem querer cair na adulação e na bajulação, vale a pena ir ver de perto o que é que a palavra Mulher pode significar e o alcance que pode ter. Sobretudo para mim neste momento tão especial em que leio “La Femme Celte”, de Jean Markale, conhecer o casal Eva e Mike e o grupo que os rodeia teve um sabor todo especial, que será talvez difícil de partilhar convosco aqui…


Conclusão: o xamanismo é uma via… uau!...

Eva, Mike e o grupo “Saberes da Terra” – Sundary, minha querida! -, vale a pena estar atenta/o ao seu trabalho. Eu estarei, com certeza.


Fotos do grupo e minha

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