segunda-feira, 27 de julho de 2009

A riqueza da energia do lado feminino do Eu


"As histórias da antiguidade que contavam a magia da mulher, a criadora, aquela que é capaz de dar à luz, a que recebe o mistério do sangue – a força vital – e que é capaz de devolver essa força vital à Terra foram soterradas, esquecidas. Onde estão as histórias da Deusa – aquela que ama, sente e nutre? A espécie masculina costumava possuir a energia da Deusa dentro de si, também, e sente necessidade dessa energia. (...) Homens e mulheres devem complementar-se, jamais confrontarem-se. (...) Vocês não têm um panteão de imagens femininas criadoras poderosas, como o masculino, que sirva de padrão da imagem positiva da força feminina. Assim os homens esforçam-se por ser másculos e as mulheres por adquirirem a força através da vibração masculina, não possuindo nenhum dos dois uma visão clara da potência feminina. Criem essa imagem. Comecem a reconhecer a riqueza da energia do lado feminino do EU, que é intuição, receptividade, criatividade, compaixão e nutrição." (...)

in MENSAGEIROS DO AMANHECER, Barbara Marciniak

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Como descrever a beleza e a sensação de plenitude que tive no Goddess Temple, em Glastonbury, com a sacerdotisa Georgina Sirett-Hardie a oficiar, ou estando lá, simplesmente, rodeada de objectos, símbolos, imagens da Deusa nas suas várias faces? Sensação de estar em casa, de ser honrada e dignificada como mulher. Aquele templo e a religião da Deusa fazem-nos sentir certas, inteiras como mulheres, não uma “metade”, legitimando a nossa presença no mundo a troco de serviços domésticos ou sexuais ou procurando o “grande” homem atrás do qual iremos ser “grandes”, engrandecidas pelo seu projecto, que assumiremos como nosso… Ali sentimos que há um projecto que é nosso de alma e coração. E quanta alma e coração, ao contrário de outros rituais focados apenas no plano mental…

Naquele lugar, sentimos como mais justas as palavras de Erich Neumann, em “A Grande Deusa”: “(…)a ameaça à humanidade actual assenta, em grande medida, no desenvolvimento patriarcal unilateral da mentalidade masculina, que não é mais compensado pelo mundo “matriarcal” da psique. (…) A sociedade ocidental precisa, a qualquer custo, chegar a uma síntese que inclua o mundo feminino, igualmente unilateral quando isolado.”



Fotos de Vanessa Oliveira