quinta-feira, 23 de julho de 2009

No Reino da Deusa

Quando contei a algumas pessoas que ia a Glastonbury (onde os puros de coração poderão alcançar a ilha mítica de Avalon) com um grupo de 26 pessoas, numa viagem organizada por uma agência espanhola, Viajes Sagrados, alguns franziram o nariz: muita gente e muita formatação, achavam. A esses sítios, o melhor é irmos sozinhos, pensavam. Pero, como diz o poeta, non hay salvation si non es com todos. O grupo que me acompanhou tinha passado já pelo Método Louise Hay, e pelo curso Alquimia do Ser, dinamizado pela Vera Faria, o que faz toda a diferença.

No Método, aprendemos a abrir o coração e aprendemos a aceitar e a amar o outro. E como é que isso se consegue? Aceitando-nos e amando-nos a nós próprios. Faz toda a diferença. De vez em quando, surgem desafios, mas quando conseguimos integrar aquela pessoa, pacificar-nos com o aspecto de nós que a rejeita, sentimos que demos um passo mais no sentido do nosso próprio crescimento. Isto pode até soar a "cartilha", mas quando temos o privilégio de o viver é uma autêntica bênção que eu, pessoalmente, muito agradeço à Vida e a todas e todos os que me acompanharam nesta viagem, sem esquecer Louise Hay! Quando estamos pacificados connosco, aceitamos naturalmente os outros exactamente como são, ao mesmo tempo que nos sentimos aceites e amados. E nestes locais que amplificam as vibrações, o nosso coração pode expandir-se ao vibrar em uníssono com outros corações, o que representa uma poderosa experiência de transformação.

A ida a Avalon foi o culminar de um ano de trabalho com as Deusas e os ciclos da Natureza/Vida, num processo de morte/renascimento, de aceitação do que em nós tem de morrer e de celebração da nova vida.
A Margarida Neto, juntamente com a Susana Ortega, de Viajes Sagrados, organizou a viagem e tudo resultou perfeito. Visitámos os lugares mais míticos, desde o Jardim do Cálice a Stonenge, nas imediações, ao que resta da antiga abadia e ao Tor. Mas também andámos dentro dum crop circle.
A energia e a coesão do grupo subiram muito com a sessão de tambores xamânicos e de cânticos com Jana Runnalls, na igreja de… Maria Madalena.

Depois a sessão com a sacerdotiza Georgina Sirett-Hardie, no The Glastonbury Goddess Temple, o primeiro templo da Deusa a ter sido criado na actualidade, consagrado à Senhora de Avalon, a divindade feminina local.
Um conselho de Georgina para nós: procurem a Deusa do local onde vivem, procurem as antigas Deusas do vosso país.

Como acontece numa peregrinação, em Glastonbury chegamos a um limiar, a um ponto de intersecção entre o temporal e o intemporal. Avalon, onde só se entra com um coração puro, amplifica, conecta-nos com dimensões subtis e compreendemos a natureza do amor da Deusa, da Mãe, do Feminino - inclusivo, compassivo, cheio de beleza, ao mesmo tempo que apela para dimensões mais profundas e transformadoras. Por isso o poço, o dragão, a serpente, o lobo, mas também os pássaros, o urso, o cisne, a lebre. Uma profunda união com a Natureza, que tem ali uma presença tão forte, por ser objecto de tanto respeito. E compreendemos como é urgente resgatarmos essa ligação com a Terra que o paganismo propõe e pratica. Que a salvação do planeta - e a nossa - só pode vir daí, desse profundo amor e veneração.

Imagens: Jana Runnalls e sacerdotiza Georgina Sirett-Hardie