quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

AS ÚLTIMAS HORAS DA ANTIGA LUZ DO SOL


Tomar consciência do grau de toxicidade das histórias (a nossa cultura) que nos contaram e que todos nós continuamos a perpetuar...


UM LIVRO NA MESMA LINHA DE "O CÁLICE E A ESPADA", de Riane Eisler (Via Óptima)

Acabei de ler. Apetecia-me transcrevê-lo na íntegra para aqui.
Trata-se exactamente das palavras que precisamos de ouvir neste momento tão delicado da história da humanidade. Tanto mais que nos aponta caminhos e soluções. Caminhos que passam pela redescoberta do SAGRADO, do sentido de cooperação, da importância da afirmação do poder das mulheres.
Diz-nos a certa altura o autor do prefácio: "Hartmann lança uma nova luz sobre todas estas questões (destruição do meio ambiente, dependência do petróleo e de outros combustíveis fósseis...), demonstrando que a crise actual tem uma história que abrange milhares de anos. Fazemos apenas eco do pensamento há muito posto em movimento, tecido nos próprios processos neuronais do cérebro. Existe uma herança cultural acumulada ao longo de milénios por detrás dos nossos crescentes actos de violência contra a nossa terra - e contra os outros. A estranha ansiedade e a raiva que invadem o mundo moderno são um "carma antigo" de há muito tempo, que aceitamos tão naturalmente como chamar azul à cor azul ou vermelho à cor vermelha - é simplesmente a nossa herança, (...)um ciclo inconsciente, mas que pode ser quebrado pela acção consciente, como demonstra Hartmann.
Thom Hartmann aborda a nossa situação com simplicidade e clareza admiráveis, apoiadas por uma quantidade de investigação deveras intimidatória.

Se queimar as reservas de petróleo fosse a única operação ilógica que ocorre hoje em dia, a corrente submersa de ansiedade que atinge toda a nossa espécie podia não ser tão marcada, mas o petróleo é apenas um filamento da teia de acções de verdadeira insanidade que Hartmann expõe nas páginas deste livro (...).

Está em causa muito mais do que a coruja sarapintada. É necessária a recolha de factos nus e crus de Hartmann para atingir o verdadeiro significado do que está a acontecer, e a sua chamada à acção responsável, uma acção que todos e cada um de nós é capaz de empreender, é um apelo razoável e prático à sanidade que pode, se não inverter a situação, pelo menos plantar a semente de uma nova ecologia, uma nova terra, um "resíduo salvador", se quiserem, quando um sistema inviável e caótico acabar por se autodestruir. Primeiro temos de compreender a doença, para compreender a receita da cura.
(...)

Surgem livros sobre o colapso ecológico vindouro a um ritmo crescente, claro, enquanto grupos científicos suplicam aos governos, indústrias e consumidores que prestem atenção aos sinais. Muitos de nós, que abordamos questões críticas actuais, pregamos apenas aos convertidos (mais ninguém ouve), enquanto a grande máquina, agora elevada ao estatuto de "economia global", mergulha mais depressa em direcção ao precipício. (...)Claro que estamos fartos de "alertas" para a acção, mas ignorar este será colocarmo-nos, a nós, aos nossos filhos, aos filhos deles e a esta bela terra entregue ao nosso cuidado, em risco." (Joseph Chlinton Pearce)

A Ana Cachão, depois de ter lido o livro, enviou-me esta manhã um SMS:

- Meu Deus!... - dizia - Obrigada!


E há pouco num e-mail:

"Maria Luíza! Tens o nome da minha Mãe! Já não chorava tanto a ler um livro desde que li o" Amor de Perdição" há uns anos atrás!
" Thomas, queres saber como olhar D---s nos olhos?
- Então olha nos olhos qualquer outra coisa viva - disse ele. Nos olhos de um gato ou de um cão, nos olhos de uma mosca ou de um peixe, nos olhos de um amigo ou de um inimigo, estás a olhar D--s nos olhos."

Obrigada, Amiga, nos olhos... repara na coincidência deste email que acabo de receber:"

A economia dos sem-abrigo em dez lições

:: 2008-11-18 Por Paulo Vieira de Castro*

Longe de qualquer juízo de grandeza moral, coloquei a mim mesmo uma questão: o que poderão os gestores aprender com os mais pobres, aqueles que vivem literalmente na rua? Qual a motivação de quem os ajuda, qual é o estado de espírito propício para se dar? Como é que isso poderá inspirar a liderança nas organizações?

* Consultor de empresas, Director do Centro de Estudos Aplicados em Marketing, Instituto Superior de Administração e Gestão-Porto. Aprender noções de economia e gestão foi o objectivo de um trabalho junto dos sem-abrigo, em Junho passado, no Porto. Este tema foi primeriramente publicado na HSM Management (Brasil) e na revista Marketeer (Portugal). O relatório surge agora, em Ciência Hoje, na forma de «Dez lições para uma nova economia»

Primeira lição: o dinheiro é uma não realidade

Ninguém é vítima do mundo, mas sim da forma como o percebe. Nas organizações passa-se exactamente o mesmo. Se eu tiver vinte e cinco milhões de Euros, o modo como os uso determina o seu verdadeiro valor. Assim, ao contrário do que diz o povo dinheiro não faz dinheiro, na verdade o valor do dinheiro depende directamente da capacidade que cada um tem de o aplicar de forma útil. Mas, qual é o autêntico valor do dinheiro para quem vive na rua? Estimo que um Euro possa valer duas a três vezes mais para um sem abrigo que para um elemento da classe média. Surpreendidos?

Claro que, para o bem e para o mal, o pobre nada sabe sobre acumulação de capitais, de mais-valias, percepcionando o dinheiro sempre de forma criativa, mas nunca submissa, fazendo ele mesmo de analista, de executivo e de controller da sua própria actividade. Não aceita sugestões de especialistas..

Segunda lição: você vive do que recebe, mas constrói a vida com o que dá

Perspectivando uma nova economia solidária, no seu último livro “DAR”, Bill Clinton reformula o sentido do acto, através de um olhar inspirador na forma como cada um de nós poderá mudar o mundo. Antes disso, Jorge Luís Borges pediu que se lançassem pérolas a porcos, porque o que importa é dar. Muito embora reconheça um quê de liberdade poética nesta proposta há algo que eu confirmei na rua; tudo o que dei é meu, tudo o que dei contínua comigo. Assim, no final tudo o que restará será o que compartilhei. Manterei este mesmo sentimento relativamente ao que simplesmente comprei ou vendi? Para que isso aconteça talvez seja necessário às empresas uma nova transparência de propósitos, novos valores, um novo enfoque relacional, refiro-me à criação de comunidades de proximidade real.

Madre Teresa afirmava que quanto menos temos mais temos para dar. Na rua vemos isso claramente. Parece um contra censo, mas não o será se repensarmos o sentido do que é verdadeiramente importante para a vida humana. Bastará ver como a satisfação em torno do consumo é fugaz, temporária, para entender o valor real de um sorriso, ou de um abraço sincero.

E continua aqui:

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=28470&op=all

Clique sobre as duas primeiras imagens de (youtube)

Imagens: Google