terça-feira, 20 de janeiro de 2009

OBA! AMA!

OBA! AMA!

por Lucia Helena Corrêa

De repente, é feriado internacional na minha alma negra de mulher negra. De repente, dos meus olhos, negros olhos, lágrimas, transparentes lágrimas. E têm um surpreendente gosto de chocolate com pimenta. Há muito tempo, meu coração não pulsava tão forte assim. Um negro na Casa Branca! E isso é muito mais do que um trocadilho, ilustríssimos caras-pálidas! Aquele não é mesmo um país qualquer. Neste cinco de novembro do ano da graça de 2008, Barack Obama acordou presidente de um país que não é, mesmo, um país qualquer! Foi lá, em cinco de dezembro de 1955, na racista cidade de Montgomery, que a costureira e militante Rosa Parks foi presa e espancada porque se recusou a ceder o lugar no ônibus a um homem branco, conforme determinava a lei Jim Crow, de sececção racial, que garantia todos os direitos, regalias e prioridades a brancos. Aos negros, o chão para andar. Ou o escuro das solitárias nos complexos prisionais...

Hoje, é feriado internacional na minha alma negra de mulher negra. Trago o rosto inchado de chorar. Mas, pela primeira vez, em muitos anos, não é mais de revolta, humilhação, medo e vergonha (porque, pasmem!, o racismo dos outros é a mim que envergonha...).

Meus senhores, eu choro não é porque um homem negro, que, há 43 anos, no Alabama, seria surrado apenas por pisar na mesma calçada por onde passasse um branco hoje mora, come, dorme, ama e faz cocô na Casa Branca E ainda levou com ele uma penca de negrinhos – a belíssima família Barack Obama!

Humano Barack Obama! Alah salve Obama!

Hoje é feriado internacional na minha alma negra de mulher negra. E choro porque, hoje, quando amanheceu, eu era ainda mais negra do que sempre fui e tinha lavada a minha alma, a minha alma negra de mulher negra. Mas choro, principalmente, porque, um negro na Casa Branca restaura em mim a certeza de que, um dia (Olorum me permita ainda ver isso), nós todos não seremos nem negros nem brancos. Nem homens, nem mulheres. Nem hetero, nem homo, nem bissexuais. Nem ricos, nem pobres. Nem cristãos, nem muçulmanos. Um dia, seremos apenas gente... E nos amaremos, tocando nossas peles com muita ou pouca melanina, olhando-nos nos olhos e mirando, através deles, nossas almas, humanas almas...

Por isso, deixo a todos que lêm estas minhas reflexões, mas, em especial ao meu irmão Barack Obama, o poema aí embaixo e a oração a Olorum, para que lhe conserve a vida e o senso de justiça.

Motumbá, Barack Obama! Motumbá!

NEGRITUDE...

Da próxima vez que te chamarem negro sujo,

responde que, no começo, na tez,

éramos todos negros, iguais...

Depois, alguns degeneraram

e ficaram assim: brancos (ou negros) demais!


Lucia Helena Corrêa
jornalista-cantora

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(Enviado por Rosa Leonor)


O nosso primativismo...


“Como nos dirá qualquer leitura atenta da literatura antropológica ou uma visita a povos tribais, não há diferença na profundidade da experiência humana entre povos “primitivos” e “modernos”. Ambos têm âmbitos idênticos de expressão e de emoção, ambos têm culturas que estão claramente definidas com normas e regras de comportamento, ambos têm rituais e religiões profundamente importantes para os seus cidadãos.


As diferenças principais são que o povo “primitivo” tem em geral vidas mais tranquilas, menos pobreza, quase nenhuma criminalidade (certamente não existe polícia nem prisões entre aqueles que não adoptaram os “costumes do homem branco”), uma dieta mais variada e saudável, menos doenças degenerativas, melhor saúde psicológica, e uma cultura que sustenta como valores primordiais a cooperação (em vez da competição), o respeito mútuo (em vez do domínio), o cuidado renovável dos recursos a longo prazo (em vez da
exploração em prol de resultados imediatos) e a igualdade (entre pessoas, entre sexos e entre humanos e Natureza) em vez do poder.

O antropólogo Mark Nathan Cohen, no seu livro Health and the Rise of Civilization (Yale University Press, 1989), salienta que nos últimos trinta mil anos dos registos fósseis humanos exaustivamente investigados, só nos últimos cem é que os povos agrícolas tiveram um tempo de vida que excede o dos caçadores/recolectores e forrageadores.”

AS ÚLTIMAS HORAS DA ANTIGA LUZ DO SOL, Thom Hartmann