domingo, 6 de dezembro de 2009

O Relacionamento Transformador


(...)

À procura de nós mesmos
A procura do eu inteiro, completo, poderá ser tão excitante e inebriante quanto a paixão. E com um final bem mais feliz: a outra metade de nós mesmos que jaz sepultada nas nossas camadas mais profundas, uma vez encontrada e incorporada ao que já temos, jamais irá nos abandonar.

Nesse novo contexto, o sexo passa a ser visto de forma diferente. Sim, porque para apreciar uma pessoa inteira, plena - um homem sensível e terno, uma mulher forte e decidida - precisaremos fugir aos comportamentos estereotipados que privilegiam o sexo em detrimento da intimidade, e que transformam a aventura amorosa em "conquista" fazendo-nos perder imediatamente o interesse pelo parceiro tão logo a conquista tenha sido bem sucedida.

Uma vez inteiros e completos, estamos livres para nos relacionar à vontade com quaisquer pessoas, de preferência também inteiras, também completas. Teremos nos livrado da posse, do ciúme, do medo, da insegurança. E para nos mantermos fiéis a essas novas ideias, precisamos abrir mão da necessidade de exclusividade na relação, sendo essa talvez a mudança mais difícil pela qual temos de passar.

O interessante a esse respeito é que, apesar de vivermos defendendo a monogamia e a fidelidade, transgredimos constantemente essas regras nos nossos relacionamentos. Não é isso o que interessa. Quem transgride as regras é apenas um transgressor. O que importa é não aceitar essas regras, e forjar outras. Esse sim, é um comportamento revolucionário, transformador.

O maior bem da vida
Segundo os sociólogos Rustom e Della Roy, "o maior bem da existência humana são os relacionamentos interpessoais profundos, tantos quantos sejam compatíveis com a profundidade". E somente assim, livres das cadeias com que nos prenderam durante gerações, teremos tempo e energia para o amor.

A respeito do amor, Marilyn Ferguson comenta que "nosso conceito cultural das possibilidades do amor é tão limitado que não dispomos de um vocabulário apropriado para descrever as experiências holísticas de amor, o qual abrange sentimento, conhecimento e sensibilidade." Mas considera que a presença do amor é constante e indispensável nos relacionamentos transformadores, que "são caracterizados pela confiança. Os parceiros estão desarmados, sabendo que nenhum deles tirará vantagens. Cada um arrisca, explora, falha. Não há fingimentos, ou fachadas. Os parceiros cooperam. Deleitam-se com a capacidade do outro em surpreender. O relacionamento transformador apoia-se na segurança que emana do abandono da certeza absoluta."

Quanto a mim, nada conheço sobre o amor que se compare à bela epístola de Paulo aos Coríntios, em um trecho que diz: "Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé ao ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei."

Nota: Este artigo é uma adaptação do capítulo 11 do livro Iniciação à Visão Holística, de Clotilde Tavares (Rio de Janeiro, Editora Record, 1996, 3a. edição),

BIBLIOGRAFIA

FERGUSON, Marilyn. A conspiração aquariana. Rio de Janeiro, Record, 1990.

FRANCO, Augusto de. A nova geração: crise e reflorescimento. São Paulo, Thomé das Letras, 1990. 179 p.

RUDHYAR, Dane. Preparações ocultas para uma nova era. São Paulo, Pensamento, 1991. 259 p.

STEINEM, Gloria. A revolução interior: um livro de auto-estima. Rio de Janeiro, Objetivo, 1992. 291 p.

http://www.clotildenews.digi.com.br/amor.htm

2 comentários:

Adelia Ester Maame Zimeo disse...

Luíza, esta imagem lindíssima "fala" por si só, sobre a integração interna (opostos). Os relacionamentos afetivo-amorosos dependem de um bom nível de integração para que haja transformação e crescimento mútuo. Texto maravilhoso! Beijos.

Luíza Frazão disse...

Obrigada, querida Adélia, pelo seu comentário.
Bj
Luíza