segunda-feira, 13 de julho de 2009

Saindo da Matrix... é possível viver de outro modo



(tradução de um texto do Le Monde de 25 de Set de 2005)
Joana, de 23 anos, faz parte dos que começaram o seu empenhamento político a partir de investidas contra os anúncios publicitários no metro parisiense durante o Inverno de 2003. Num restaurante associativo, um pouco maior que uma sede de uma associação de estudantes, em pleno bairro de Belleville, em Paris, e apoiada numa comprida mesa de madeira Joana recorda-nos a sua primeira «acção directa»: Estava impressionada e excitada. Acabara de encontrar uma maneira de agir politicamente sem que ninguém o fizesse em meu nome».
Nesta cantina, que serve ao mesmo tempo de cozinha, cerca de 30 jovens dos 20 aos 30 anos discutem ao longo da tarde assuntos como os ceifeiros dos OGM ( transgénicos), a subida do preço do petróleo, ou como o óleo vegetal pode substituir a gasolina nos automóveis. São elementos do RAP (Résistance à l’agression publicitaire, Resistência à agressão publicitária) ou de movimentos libertários.
É aqui que se reúnem os activistas anti-consumismo, aqueles que organizam operações de tapagem dos painéis publicitários, acções de boicote, esvaziamento de pneus dos jeeps e que participam nas paródias das missas, em plena rua, ao ar livre, em nome de uma imaginária «Igreja do Santo Consumo».
Desde o ano de 1999 estes grupos, tais como os «anti- 4×4» que militam contra os veículos de todo-o-terreno dentro das cidades, o colectivo «Vélorution» que preconiza a substituição dos automóveis pelas bicicletas, ou «Chiche», um grupo de jovens ecologistas que se multiplicam num mosaico de tendências, à imagem dos altermundialistas. Entre os «anti-consumismo» coexistem os ecologistas puros e duros, que vivem sem carro, sem frigorífico, ao lado de anarquistas nómadas ou squaters, a que não faltam os habituais frequentadores dos tribunais de pequena instância.
O seu ponto comum é a vontade de militar à esquerda «fora dos aparelhos partidários», assim como transformar as manifestações em momentos «lúdicos». Munidos de marcas indeléveis, de panfletos realizados nos seus computadores, e trazendo muitas vezes narizes de clowns (palhaços), eles pretendem pôr em causa a sociedade de consumo, na linha dos movimentos do Maio de 68, mas num contexto económico infinitamente mais difícil que a dos que os seus pais conheceram.
Contra o produtivismo, eles denunciam uma sociedade baseada num consumismo exponencial legitimado na ideia do crescimento. Os seus livros de cabeceira são, desde os anos 1970, «A Sociedade do Espectáculo» de Guy Debord, «1984» de George Orwell. Mas, hoje, longe das barricadas do Maio de 68, eles transformaram-se nos movimentos anti-OMC (Organização Mundial do Comércio), surgidos a partir de Seattle (1999), nos anti-G8 de Génova (2001), que se tornaram os referentes fundacionais deste novo activismo. Outro elemento referencial foi, sem dúvida, o livro «No Logo» da jornalista canadiana Naomi Klein que contesta a «tirania das marcas»
«Todos os opositores ao neoliberalismo convergem na luta contra a publicidade, vista como o carburante do actual sistema capitalista», explica Sébastien Darsy, autor do livro «Temps de l’anti-pub» ( Actes Sud, 2005). Entre os activistas « anti- 4×4», «anti-tv», «pró-bicicleta» e «anti-publicidade» as fronteiras não estão definidas e são frequentes e mais que muitas as relações entre si.
Mais em:
http://etreaquebec.blogspot.com/2009/05/anti-consumismo.html

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