domingo, 28 de junho de 2009

A Quarta Dimensão e o Tempo


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Uma maneira possível de conceber a existência de uma quarta dimensão consiste em imaginar a totalidade do tempo universal, a totalidade do espaço universal, a totalidade do espaço cósmico, e lembrar que eles estão inseparavelmente entretecidos, formando uma quarta dimensão subtil que está presente, a cada instante, em todos os lugares do mundo tridimensional. A tradição esotérica ensina que o mundo não existe apenas no presente. Ele inclui todas as partes e todos os tempos, e é só um determinado instante e um aspecto limitado dele que existem no aqui e agora.

A vida interior do ser humano dá-se nas dimensões subtis. Só a vida externa vai escoando um instante após o outro pelo mundo tridimensional, desde o começo da primeira infância até ao final da terceira idade. As vibrações do passado e as sementes potenciais do futuro estão presentes em torno da pessoa, mais precisamente na aura que rodeia o seu corpo físico, e são perfeitamente reais, embora não possam ser detectadas pelos cinco sentidos. Nas suas pesquisas cientificas, Rupert Sheldrake tem reunido numerosas indicações dessa realidade.
E Alexander Horne escreveu: “Assim como o ser humano que viaja pelo campo percebe percebe uma paisagem que muda gradualmente, embora na realidade a paisagem prossiga igual, também nós, viajando nas asas do tempo, percebemos um universo em movimento. O universo parece em movimento porque a nossa consciência limitado só nos permite ver uma coisa de cada vez.”
Para Horne, então, a passagem do tempo é na verdade a passagem do nosso mundo tridimensional, levado pela sucessão infinita de “momentos presentes”, ao longo de uma quarta dimensão universal que inclui todo o passado e todo o futuro. Tridimensionalmente, “vemos a cada instante apenas uma porção infinitesimal do universo”, escreve ele. “O passado e o futuro, juntos, formam a realidade. O presente é só uma linha divisória, e do ponto de vista do espaço superior, uma abstracção, uma ilusão.”

O tempo mostrará a árvore presente na semente, revelará o adulto presente na criança, o velho presente no adulto, e também a futura criança presente no amor entre o homem e a mulher. Alguns pensam que o futuro e o passado não existem porque negam tudo o que não é visível e tridimensional. No entanto, basta um computador moderno para demonstrar que os dados presentes na memória, embora ocupem um espaço virtual, estão presentes a cada momento. Uma biblioteca electrónica não precisa de estantes. Do mesmo modo, a memória humana não guarda as lembranças no cérebro. O cérebro localiza os dados onde eles estão, isto é, no akasha, no éter, no espaço subtil da quarta dimensão. Este é o ponto de vista da tradição esotérica, que Rupert Sheldrake também recupera com o seu conceito moderno de campo mórfico.

Quando um violinista executa uma melodia, a obra está toda presente na dimensão subtil, embora o som físico avance lentamente, a cada segundo, do início até ao final da música. Do mesmo modo, a evolução humana está toda presente no momento actual, embora só possamos perceber uma fatia estreita da evolução da vida com os nossos sentidos tridimensionais. São a e a intuição que nos permitem perceber as dimensões subtis. Em A Doutrina Secreta, Helena Blavatsky cita um diálogo místico entre mestre e discípulo:
- “O que é que existe sempre?”
- “O espaço, o eterno anupadaka (em sânscrito, aquele que não tem origem)”.
- “O que é que sempre existiu?”
- “O germe na raiz.”
- “O que é que está sempre indo o vindo?”
- “A grande respiração universal.”
- “Então esses três são eternos?”
- “Não, os três são Um. O que sempre é é um; o que sempre foi é um; e o que está sempre em transformação é um; e este Um é o Espaço.”

Carlos Cardoso Avelino, "A Quarta Dimensão,Olhando Além dos Cinco Sentidos", in revista Biosofia, Inverno 2008/09

Imagem: Dali

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