quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sem o Feminino, o Mundo é um Ermo...


"(…) gestos femininos bonitos sempre, a delicadeza com que as mulheres tocam nos objectos, a harmonia dos dedos: somos pesados e sem graça, nós os homens, ao pé delas. Pesados, brutos, canhestros: não possuímos seja o que for de ave ou de nuvem, a nossa carne é densa e gaguejante. Dá-me uma paz de eternidade ver uma mulher numa casa, o modo como o seu corpo habita o espaço, a forma como vestem, de si mesmas, os compartimentos, com um simples passo, um simples olhar. E depois uma espécie de inocência primordial, de leveza habitável: devo ter sido muito feliz na barriga da minha mãe, por dentro da sua voz, do seu sangue.”

António Lobo Antunes, in “Eu, às vezes” (Visão, Dez. 2007)

Imagem: Herman Smorenburg

2 comentários:

Nana Odara disse...

Que lindo isso...
e tão verdadeiro...

bjins

Luíza Frazão disse...

É. Os grandes escritores estão muitas vezes muito próximo de grandes verdades essenciais...

Um beijo