segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Casamento?... de homossexuais?!... no mínimo, falta de imaginação...

“Actualmente, já só os padres e os homossexuais é que querem casar-se…“ (anónimo)

“A nossa cultura é uma cultura casamenteira e, sendo o casamento o retrato tradicional que temos de uma relação, se queremos ser amados nesta cultura, mais cedo ou mais tarde temos de nos casar.

Não o dizemos, claro, e temos muitas relações que não são casamentos, mas no íntimo suspiramos pelo casamento e na nossa sociedade o “casamento” é a norma de relacionamento. Em face do poder do casamento na nossa cultura, se se quer ser amado, existem quatro opções:

1. Estar casado.

2. Estar à espera de casar.

3. Ser uma pessoa que passou pelo divórcio e espera voltar a casar-se.

4. Ou, Deus nos livre, ser uma pessoa solteira que nunca sequer foi abençoada com a oportunidade de casar-se.

Não é socialmente aceitável não querer “casar” ou não “ter uma relação”. Isso deve-se ao facto de a ânsia pelo casamento estar tão profundamente entranhada no nosso subconsciente colectivo que constitui uma das nossas motivações pessoais mais poderosas. É a forma como tanto nos inspiramos como nos castigamos. Inspiramo-nos porque a ideia do casamento nos traz alegria e castigamo-nos por “falharmos” tão frequentemente no casamento: nunca encontramos o parceiro adequado; se encontramos, parece que não conseguimos que os casamentos perdurem; ou, sendo homossexuais, mantemo-nos perpetuamente fora do reduto do casamento convencional.

Todas as nossas relações íntimas são medidas pelo modelo do casamento. Vemo-lo como a união que desejamos; a união sagrada dos amantes; a relação documentada e a forma de relação que nos proporciona maior conforto e nos oferece mais amor. É por isso que mesmo depois das comunas, do amor livre e da libertação da mulher, o casamento passa por um ressurgimento. E é também por isso que as pessoas que são excluídas – os homossexuais que querem casar, por exemplo – também querem tomar parte, e muitos heterossexuais se sentem ameaçados pela ideia dele ser usurpado.

(…)

Para criar estabilidade social, há uma exigência não declarada, uma espécie de atmosfera no ar que diz às pessoas casadas para continuarem casadas, para se comportarem, (…), para não fazerem nada de disruptivo, como optar por viver numa comuna, (…) ou decidir não pagar impostos.

Mas porque essa exigência não declarada é função da nossa consciência social e não da nossa consciência pessoal, as pessoas casadas são levadas a guiar-se por valores exteriores e a participar numa consciência genérica em vez de numa consciência individual ou visionária. Em vez de mergulharmos no mais profundo do nosso íntimo onde poderíamos encontrar a sabedoria dos nossos corações (e talvez deparar-nos com soluções sociais espantosas ou formas de relacionamentos invulgares) tornamo-nos como as ovelhas que vão andando com o rebanho.

A verdade é que o casamento – como relação – foi apropriado pela sociedade e, servindo a sociedade, com frequência sufoca a alma individual.

O dever, a responsabilidade e a convenção social, se bem que importantes, muitas vezes afastam-nos da nossa ligação natural mais profunda uns com os outros – a nossa ligação sentida – e assim, ao tentar servir o todo, podemos trair-nos ou abandonar-nos a nós próprios. Em vez de procurarmos nos nossos corações, mentes e consciências as formas adequadas para as nossas relações, permitimos que os casamentos se tornem versões diluídas dos valores da sociedade em vez de uniões emocionais vibrantes que nutrem as pessoas que os partilham.

As nossas convicções sociais quanto ao casamento ainda se encontram profundamente entranhadas, mas à medida que se tornam aparentes as mudanças que atravessamos, começam a perder o seu poder. E, na verdade, para nos desenvolvermos como personalidades e almas, têm de perder o poder.”

O Futuro do Amor, Daphne Rose Kingma, Sinais de Fogo

Imagens: Google

2 comentários:

Luciana Onofre disse...

Olá!
Tomei a liberdade de linkar seu blog no meu:

http://sementeperegrina.blogspot.com/

Um abraço,

Luciana Onofre

Luíza Frazão disse...

Obrigada. Acho que também já conheço o seu blogue. Vou ver.

Abraço

Luíza