terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Devolver o Poder às Mulheres

“Reconstituímos a história das mulheres desde o Paraíso até ao séc. XIX e não ouvimos outra coisa através do longo rolar dos tempos senão o ruído metálico das suas grilhetas.” Lady Jane Wilde (1821-1896)

“Um amigo meu que é psiquiatra com formação em neuroquímica disse-me um dia, a brincar, “A droga mais perigosa do mundo é a testosterona”.


A História sugere que ele tem razão.

Uma análise exaustiva das culturas pré-históricas, como a efectuada por
Riane Eisler* e outros, indica que, em praticamente todas as Culturas Antigas, as mulheres tinham o mesmo estatuto que os homens, e nalgumas até assumiam as responsabilidades. Uma das teorias sobre a razão de assim ser é que só as mulheres trazem vida ao mundo e os humanos podem não ter começado a compreender a genética antes de passarem da caça/recoleção para a pastorícia/agricultura. Eram as mulheres que mandavam porque controlavam a própria vida, produzindo vida a partir do seu corpo.

Quando todos perceberam que os homens tinham um papel a desempenhar nesse processo, contudo, nos primeiros tempos de pastorícia, alguns homens puseram em marcha uma tomada de poder, convertendo o sexo dos deuses que adoravam de feminino para masculino, e afirmando o controlo sobre a fertilidade de um campo ou rebanho de ovelhas. Os homens substituíram-nas.


Ao mesmo tempo, os comportamentos movidos pela testosterona começaram a dominar o início da nossa Cultura Recente: agressão, competição, domínio, guerra.


Quando os missionários europeus ensinaram os aborígenes australianos caçadores/recoletores a jogar futebol, no princípio do século XIX, as crianças aborígenes jogavam até que as duas equipas tivessem a mesma marcação: era aí que terminava o jogo, a seu ver, e isso confundia os missionários ingleses que lho tinham ensinado. Os missionários esforçaram-se durante mais de um ano por convencer as crianças de que devia haver vencedores e vencidos.
As crianças viviam numa sociedade matriarcal que valorizava a cooperação; os ingleses provinham de uma sociedade patriarcal que valorizava o domínio.

Os Iroquois perceberam isso há mil anos ou mais: na tribo, só as mulheres podiam votar em determinadas questões.
Em resultado, as decisões relativas a relações com outras tribos eram mais frequentemente tomadas no contexto de “o que será melhor para os nossos filhos?” do que “quem ganha?” ou considerações de orgulho, poder ou conquista.

De modo idêntico, vemos que as populações explodem em praticamente todas as nações do mundo em que as mulheres são dominadas, tratadas como gado ou mercadoria, ou exploradas e controladas. Os homens nesses países tomam as decisões, e um dos valores
masculinos é “ter muitos filhos para formar o maior exército” (e claro, outro que é comum é “ter relações sexuais sempre que se quiser, com quem se quiser”).

Por outro lado,
nas nações em que as mulheres têm uma posição de poder relativamente igual ao dos homens, há taxas de natalidade inferiores, muitas vezes até ao ponto de crescimento populacional zero, como aconteceu em muitos países do norte da Europa. Em quase todos os países do mundo se vê a demonstração dessa equação: domínio masculino igual a explosão populacional; igualdade relativa entre sexos igual a populações sustentáveis.

Assim, outra solução para esta confusão em que nos encontramos é devolver o poder às mulheres em todos os domínios, incluindo nos mundos social, familiar, religioso, militar e empresarial."

* "O Cálice e a Espada"

AS ÚLTIMAS HORAS DA ANTIGA LUZ DO SOL, Thom Hartmann

Imagens: Google

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