segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Natal em Família

Se existem neste mundo coisas que me comovem até às lágrimas, uma delas é o amor familiar, ou seja, o amor que existe entre os membros duma mesma família. Muito rebelde desde sempre, com muita necessidade de espaço e de liberdade – mas também muito ligada à minha família –, tive muitas vezes necessidade de me afastar para me conhecer a mim própria, para me exprimir e expandir como indivíduo. Tive e tenho; só que agora, estabelecidas as minhas fronteiras e o meu território, não há já propriamente necessidade de entrar em choque, o que deixa mais espaço para o amor. Mas o amor está sempre lá, mesmo quando soterrado por camadas de dor, de indignação e de revolta…

Foram as Constelações Familiares, de Bert Hellinger, que me fizeram tomar consciência da importância deste grupo a que nascemos a pertencer, uma espécie de clube vitalício do qual nunca poderemos desistir. Desistir sem sequelas graves; desistir e sermos felizes. Bert Hellinger prova-nos que, para que a nossa vida possa funcionar e o nosso destino cumprir-se da maneira mais satisfatória e vantajosa para nós e para a nossa descendência, temos de estar em paz, de aceitar e de amar a família onde nascemos. Todos os seus elementos, sem excepção – as excepções aqui saem caro demais.

A evolução da célula familiar, entretanto, processa-se hoje em dia de modo tão solto e criativo que nos força a dar saltos quânticos para nos adaptarmos à sua forma ramificada e ondulante. Ela inclui mais, abre-se mais, junta, congrega, desbloqueia. Só pode ser bom, não? É assim que, quando ouço dizer que a estrutura familiar se desintegra, não vejo assim tanto mal nisso. Deixemos que ela se dilate, inclua, aceite, adopte. A este ritmo, um dia ainda nos vamos sentir todos elementos da mesma família…

Li há muitos anos já um romance notável: “A Ilha”, de Aldous Huxley, onde o autor descrevia uma sociedade utópica na qual as crianças pertenciam a toda a comunidade. Elas entravam e saíam livremente de todas as casas, e em todo o lado eram acolhidas com muito amor, como se todos os adultos fossem os seus progenitores e portanto se sentissem responsáveis por elas. Achei lindo. Muito mais desejável do que a célula familiar asfixiante em que apenas nos interessa quem nasceu com o nosso sangue. E isso sem qualquer garantia de que, dentro das exíguas paredes do nosso lar, sejamos tratados com o devido respeito e carinho.

Tudo isto para vos contar uma história de Natal que achei muito bonita. A Manuela tem agora uma menina, a Joana, que é filha do seu actual marido, o Ricardo. Duma relação anterior, tem dois outros filhos já quase adultos, o António e a Mafalda, para quem a Joana é assim um presentinho do céu. O António vive com o pai e a Mafalda com a mãe. Neste Natal, ofereceram à Joana um presente tão sumptuoso que ofuscou todos os outros: uma moto eléctrica duma marca da moda – passe o consumismo… A prenda foi comprada pelo pai de ambos, que não sendo o pai da Joana, generosa e acolhedoramente, estendeu o seu amor à irmãzinha dos seus dois filhos.

Conseguem sentir comigo como estes gestos se assemelham a pequeninos passos que, como humanidade, estamos a dar no sentido de nos tornarmos mesmo uma só família?

27 de Dezembro 2009

domingo, 13 de dezembro de 2009

O FEMININO ABRE A PORTA DOS MISTÉRIOS


O FEMININO RESGATADO
OU A POESIA NO QUOTIDIANO


A dimensão poética do feminino, que dá sentido à vida, não é exclusividade da mulher: ela faz parte da evolução de todo o ser humano.

O que falta ao nosso mundo é a conexão anímica. A afirmação, de Carl Gustav Jung, poderia ser complementada por outra, de Roger Garaudy: “Viver, antes de mais nada, é participar do fluxo e da pulsação orgânica do mundo”.
A conexão anímica citada por Jung e a qualidade de vida proposta por Garaudy estão estreitamente vinculadas ao que chamamos de feminino no ser humano: um potencial interno a ser trabalhado tanto no homem como na mulher, feito de valores hoje considerados supérfluos, superficiais, pouco úteis para a luta pela sobrevivência básica e por isso relegados a um segundo plano.
Entre esses valores estão a estética, a intuição, a poesia, o raciocínio e o pensamento não lineares, os sentimentos, a sincronicidade, os sonhos... Abrir-se para o feminino, portanto, é entrar em um mundo de mistério e encantamento — uma vivência poética que dá cor, entusiasmo e significado à vida.
De acordo com Erich Neumann, um dos seguidores de Jung, a civilização ocidental vive uma crise motivada pelo excesso de valorização do masculino, representado pelo arquétipo do Pai, que leva à inflação espiritual do ego.
O reequilíbrio pode ser obtido aproximando-nos do inconsciente, representado pelo feminino, não só através do arquétipo da Grande Mãe, mas de todas as qualidades simbólicas do feminino pertinentes aos vários ciclos evolutivos da consciência.
Outro grande perigo da atualidade citado por Neumann é a desvalorização das forças transpessoais. Tudo o que não pode ser compreendido e analisado pelo ego não é encarado com respeito, mas simplesmente reduzido, como algo sem importância ou ilusório. Anulado, reprimido ou ignorado, o mistério perde sua força. Assim, o universo perde seu caráter assustador, mas, sem o mistério sagrado que transcende o ego, a vida torna-se mecânica e sem sentido.

A vivência do feminino não torna menos árdua a luta pelos objetivos e metas propostas pelo mundo atual. Mas pode transformá-la em uma aventura corajosa e criativa, com surpresas agradáveis, mesmo através das dificuldades.
Pela sua própria condição biológica, a mulher está naturalmente mais próxima do feminino. Ao contrário do que se poderia pensar, essa proximidade às vezes dificulta o desenvolvimento desse potencial, porque o coloca muito próximo de um nível de atuação inconsciente. Tanto quanto o homem, a mulher deve se esforçar conscientemente para diferenciar e desenvolver os valores pertencentes ao feminino.
O potencial feminino passa por um desenvolvimento simbólico ao longo da vida. Para estudar melhor as possibilidades que se abrem em cada fase evolutiva, vamos nos reportar ao referencial que propõe o analista junguiano Carlos Byington: fase matriarcal, patriarcal, de alteridade e cósmica.

Fase 1 matriarcal — Aqui, o feminino encontra-se em seu próprio elemento, pois o arquétipo dominante é o da Grande Mãe. Devemos observar, porém, que além das valores conhecidos, pertinentes ao aspecto maternal do símbolo, há outras características do feminino igualmente importantes.
Neste estágio psíquico, a consciência não se encontra ainda completamente destacada do inconsciente; é permeada pelo seu fluxo, tornando-se difusa e periódica. Essa condição favorece muito a inspiração criativa, a intuição, qualidades que emergem de modo misterioso, não influenciáveis pela vontade do ego. Convém lembrar que o inconsciente é que é criativo, não o consciente. Portanto, maior abertura e proximidade do inconsciente favorecem a expressão criativa, em todos os níveis, seja ela artística, científica, ou uma busca de novas atitudes.
Outra qualidade do feminino à disposição de homens e mulheres é a consciência do tempo lunar, que enfatiza a qualidade, e não a quantidade de tempo. Com o desenvolvimento desse potencial, podemos abrir-nos para a apreciação do momento mais favorável à execução de determinadas açõees ou objetivos. O tempo solar seria o pólo masculino, o que enfatiza a pontualidade e a exatidão da ordem cronológica temporal.

A compreensão relacionada com o feminino não se dá por um ato do intelecto. É o coração, e não a cabeça a sede da consciência matriarcal. No entanto, como as percepções estão conectadas com o ego, não podem ser consideradas inconscientes. A compreensão acontece por uma abertura afetiva a um novo conteúdo que, assimilado pela totalidade da pessoa, provoca uma alteração global — e não apenas intelectual — da personalidade.
O feminino, com seu caráter restaurador (pois enfatiza a quietude, a tranqüilidade, o mistério), está ligado às qualidades noturnas. A força regeneradora do inconsciente atua em segredo e permite que nos aproximemos dessa dimensão, às vezes assustadora, da escuridão, através da suavidade da feminino. Para desabrochar com segurança, o crescimento, a regeneração, a transformação, precisam das qualidades femininas do silêncio, da paciência, da receptividade.
Outra qualidade importante é a ação pela entrega, pelo “deixar acontecer”, a “ação pela não-ação” dos orientais, o aprendizado do acolhimento, não só na maternidade biológica, mas no carregar e deixar amadurecer uma nova cognição, uma nova atitude.
Para a mulher, o maior perigo nessa fase é justamente atuar o feminino apenas no plano externo, concreto, projetando-o na maternidade biológica. Quando isso acontece, o feminino não se desenvolve no plano interno, simbolicamente, e então ocorre urna grande perda para a personalidade, em termos existenciais.
Para o homem, o feminino será realizado, necessariamente, como evento psíquico e não físico. E ele também tem que se defrontar com um perigo intenso: a permanente desvalorização do feminino. Como a consciência deve se desligar do inconsciente e seguir para a fase patriarcal, tudo o que estiver ligado à fase matriarcal deverá ser momentaneamente desvalorizado para permitir o desligamento e a passagem à fase seguinte. No entanto, muitos homens (e mulheres também) permanecem fixados na desvalorização do feminino, encarando suas qualidades como algo negativo, a ser superado em definitivo, e não conseguem recuperar, em si mesmos, a força simbólica desse potencial.
Na fase matriarcal, o feminino desabrocha em sua plenitude para homens e mulheres e permanece durante toda a vida como fonte revitalizante de imensas possibilidades criativas e sensíveis, onde podemos nos nutrir para ampliar e enriquecer nossa essência humana.

Fase patriarcal — Nesta fase, a consciência destaca-se por completo do inconsciente para formar um ego forte, que dirige a libido de acordo com sua vontade rumo à organização e à discriminação. O arquétipo da Grande Mãe é substituído pelo arquétipo do Pai, a lua dá lugar ao sol e as novas conquistas são simbolizadas pelas façanhas do herói. O princípio masculino aqui está “em casa“, como estava o feminino na fase anterior. Com a modificação da consciência, o feminino também sofre transformações que ampliam o seu significado. O que não quer dizer, como frequentemente se supõe, que o feminino se transforme em masculino.
As qualidades do feminino (suavidade, intuição, aceitação, tempo lunar qualitativo) fortalecem-se nesta fase e tomam forma mais definida pelo seu exercício consciente e ativo, tanto no círculo familiar, mais íntimo, como no espaço mais amplo das várias relações afetivas e sociais. Conquistando novos espaços, essas qualidades serão fortalecidas e diferenciadas através da consciência patriarcal, que possibilita a formação de canais individuais mais assertivos de expressão.
À mulher, essa atuação consciente e decidida dos valores femininos proporciona uma auto-confiança fundamental na sua própria essência. Para o homem, passada a etapa de afirmação da sua identidade masculina, o encontro com o feminino representa a conquista da própria alma.

Na nossa cultura, a consciência patriarcal foi levada ao extremo. A aceleração do ritmo vital, a excessiva competitividade e agressividade prejudicaram a qualidade de vida em geral. Hoje, as pessoas têm muito mais conforto devido ao enorme avanço científico-tecnológico, mas já não possuem tantas possibilidades internas de desfrutar esse bem-estar, porque o feminino pouco desenvolvido tomou a vida sem significado existencial.
O objetivo de atingir status, estabilidade financeira, acesso aos bens materiais, simboliza, mais que simples conforto, o sucesso do ponto de vista patriarcal. A vivência e o desenvolvimento dos valores ligados ao potencial feminino são desvalorizados, e é necessária grande ousadia para buscá-los na atual sociedade. Os desafios não são poucos. Em primeiro lugar, temos que usar de toda a capacidade discriminativa da consciência patriarcal para delinear de maneira precisa os valores do feminino a serem resgatados, preservados e desenvolvidos. Em segundo lugar, temos que ampliar o exercício desses valores (suavidade, receptividade, compreensão lunar) do círculo familiar, amigos e pessoas próximas para a sociedade em geral, inserindo essa ação em nosso cotidiano. Isso requer a persistência e a tenacidade da consciência patriarcal, usadas a favor do feminino. Por último, temos que expressar o feminino sem que perca sua essência.
Tais tarefas requerem a força do herói, pois tentam recuperar o respeito, a dignidade, a civilidade no contato humano, hoje tão raros. O feminino tem a faculdade de estabelecer vínculos, relações, tanto externos como internos. Com a consciência patriarcal, passamos a nos diferenciar do outro, a ter uma visão do outro. O feminino faz a ponte, a conexão entre eu e outro, trazendo uma qualidade afetiva à relação. Vivida internamente, essa qualidade afetiva estabelece contato com a vivência poética inerente a cada ser humano e abre as portas para outra visão de mundo que complementa e equilibra a anual — e dominante — consciência patriarcal.
O estabelecimento de uma vivência poética no quotidiano não pode ser deixado ao acaso. Essa vivência deve ser desejada, buscada e trabalhada criativamente. Portanto, o irromper dos valores femininos na fase matriarcal não é o bastante. Sua continuidade depende das qualidades positivas da consciência patriarcal, que favoreçam seu desenvolvimento.

Fase da alteridade — Se na fase anterior o feminino foi delineado e expresso com clareza, podemos ingressar na fase da alteridade. Os arquétipos regentes são a Anima e o Animus e o objetivo é o encontro e a aproximação das polaridades. O feminino ampliase ao incluir seu oposto, o masculino, e vice-versa. Ambos são vividos como duas totalidades que se encontram e estabelecem o que Jung chamou de relacionamento “quatérnio”.
O feminino poderá expandir-se muito mais, valendo-se de seu poder criativo, para encontrar novas maneiras de expressão da consciência. Essa criatividade é absolutamente necessária à transformação dos valores patriarcais que se baseiam na consciência tradicional e conservadora do coletivo.
A luta pela afirmação do feminino já não é importante nesta fase. Assim, essa energia pode ser dirigida ao diálogo, à escuta, à reflexão que inclua o oposto. As qualidades do masculino serão vivenciadas como complementares e não mais como antagônicas. As projeções podem ser retiradas; o encontro do feminino com o masculino pode ser vivido internamente. Novas possibilidades desabrocham — por exemplo, a percepção de que a suavidade possui grande força intrínseca, de que o pensamento lunar, do coração, possui sua própria lógica, de que a capacidade de entrega é uma escolha ativa e não um mero abandonar-se passivo. Os valores do feminino, enfim, incluem os valores do potencial masculino naturalmente, do mesmo modo que no símbolo do Tao o lado escuro contendo um ponto claro e o lado claro contendo um ponto escuro estão em constante movimento e inter-relação.
Esse diálogo, essa dança entre as polaridades é a grande tarefa a ser cumprida pelo homem e pela mulher: o lado prático e o lado sensível expressando-se ao mesmo tempo, superando a dissociação interna.

Fase cósmica — É difícil falar com precisão desta fase, pois ainda estamos, enquanto humanidade em geral, na transição da fase patriarcal para a fase de alteridade, que apenas começamos a desenvolver. No entanto, ela não é uma completa desconhecida, pois temos a possibilidade de vivenciar momentos integrativos que nos dão um vislumbre bastante eficaz de suas possibilidades existenciais.
Aqui, o arquétipo regente é o self. Depois da integração obtida na fase anterior, o coletivo é a transcendência das polaridades, que nos leva à vivência da totalidade.
As qualidades do feminino que desabrocharam na fase matriarcal, discriminadas na fase patriarcal e complementadas pelo seu oposto e integradas na fase de alteridade, serão agora vivenciadas de modo espontâneo na sua totalidade, desapegadas dos papéis sociais polarizados que ajudaram no seu desenvolvimento. Por exemplo: mãe-pai, filho-filha, marido-esposa. Pois agora o centro da consciência não é mais o ego e sim o self, que é o centro da psique unificada.
Na fase de alteridade, a forma convencional e coletiva de personalidade é descartada para que a individualidade desabroche. Isto feito, abre-se a porta para a vivência do aspecto transpessoal, onde não mais existe a divisão feminino-masculino e se torna possível a vivência real dos seres humanos em sua totalidade. Como consequência, a visão de mundo também é radicalmente transformada.
As qualidades da feminino serão agora vividas em uma esfera superior, porque foram consciencializadas e transformadas ao longo de todo o processo de desenvolvimento. Elas unem-se agora no que podemos considerar uma nova síntese de sabedoria, expressa através de serenidade, lucidez e harmonia. O Self pode expressar-se de modo mais feminino ou mais masculino, apenas no que diz respeito à ênfase no modo de expressão, pois o todo está sempre presente indiviso. Como exemplo, podemos lembrar Lao Tsé, que transmitiu sua sabedoria de modo feminino ao usar a linguagem poética em seus escritos.
Assim, o feminino pode se revelar nesta fase como um valor espiritual vivenciado internamente e não mais projetado no mundo. O inconsciente urobórico do início torna-se sagrado, numinoso e, através do longo processo de desenvolvimento, leva-nos ao si-mesmo.
Vera Lúcia Paes de Almeida
Texto publicado na Revista THOT nº 58.

http://rosaleonor.blogspot.com/2009/07/o-feminino-abre-porta-dos-misterios.html

Crédito das Imagens

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

JANELA DO TEMPO

"A sociedade humana avançou porque, ao longo da sua história, apareceram uns tipos que conseguiam ver além do óbvio e do que lhes aparecia à frente do nariz. Esse fulanos pensavam pró-activamente. E aqui entra um factor decisivo em todas as épocas: o "horizonte de tempo". O que é isto?Pois bem, chama-se "horizonte de tempo" à capacidade de concebermos o tempo na nossa mente e de nos projectarmos no futuro. Mais precisamente, é o período cognitivo dentro do qual somos capazes de projectar, planear e executar acções no futuro.Elliot Jacques, um antigo professor de sociologia britânico, chamou a esta capacidade "janela do tempo". Ele foi peremptório: "a duração máxima de tempo que a mente de uma pessoa pode alcançar permite avaliar e definir o nível do poder cognitivo dessa pessoa".Geralmente, as pessoas com um horizonte de tempo amplo são bastante inteligentes e, por isso, podem ser magníficos visionários (no sentido em que percebem as mudanças subtis que ocorrem na sociedade e são capazes de intuitivamente conceber o que vai acontecer), além de excelentes condutores de missões.Efectivamente, aumentam as provas (científicas) de que quanto mais longe o nosso cérebro for capaz de "trabalhar" no tempo mais inteligentes nos tornamos. Essa capacidade está localizada nos chamados "lobos frontais", as zonas mais modernas (em termos evolutivos) do cérebro humano.Nas pessoas em que o "horizonte de tempo" é pequeno verifica-se alguma rigidez na elasticidade de resposta a desafios em que o factor tempo seja prioritário.Em épocas como a nossa - em que temos de lidar com a complexidade, a ambiguidade, a rapidez dos acontecimentos e o paradoxo - as pessoas habilitadas a funcionar com amplos "horizontes de tempo" estão mais à-vontade para responderem criativamente aos desafios. (...)"
Ler na íntegra aqui.

domingo, 6 de dezembro de 2009

O Relacionamento Transformador


(...)

À procura de nós mesmos
A procura do eu inteiro, completo, poderá ser tão excitante e inebriante quanto a paixão. E com um final bem mais feliz: a outra metade de nós mesmos que jaz sepultada nas nossas camadas mais profundas, uma vez encontrada e incorporada ao que já temos, jamais irá nos abandonar.

Nesse novo contexto, o sexo passa a ser visto de forma diferente. Sim, porque para apreciar uma pessoa inteira, plena - um homem sensível e terno, uma mulher forte e decidida - precisaremos fugir aos comportamentos estereotipados que privilegiam o sexo em detrimento da intimidade, e que transformam a aventura amorosa em "conquista" fazendo-nos perder imediatamente o interesse pelo parceiro tão logo a conquista tenha sido bem sucedida.

Uma vez inteiros e completos, estamos livres para nos relacionar à vontade com quaisquer pessoas, de preferência também inteiras, também completas. Teremos nos livrado da posse, do ciúme, do medo, da insegurança. E para nos mantermos fiéis a essas novas ideias, precisamos abrir mão da necessidade de exclusividade na relação, sendo essa talvez a mudança mais difícil pela qual temos de passar.

O interessante a esse respeito é que, apesar de vivermos defendendo a monogamia e a fidelidade, transgredimos constantemente essas regras nos nossos relacionamentos. Não é isso o que interessa. Quem transgride as regras é apenas um transgressor. O que importa é não aceitar essas regras, e forjar outras. Esse sim, é um comportamento revolucionário, transformador.

O maior bem da vida
Segundo os sociólogos Rustom e Della Roy, "o maior bem da existência humana são os relacionamentos interpessoais profundos, tantos quantos sejam compatíveis com a profundidade". E somente assim, livres das cadeias com que nos prenderam durante gerações, teremos tempo e energia para o amor.

A respeito do amor, Marilyn Ferguson comenta que "nosso conceito cultural das possibilidades do amor é tão limitado que não dispomos de um vocabulário apropriado para descrever as experiências holísticas de amor, o qual abrange sentimento, conhecimento e sensibilidade." Mas considera que a presença do amor é constante e indispensável nos relacionamentos transformadores, que "são caracterizados pela confiança. Os parceiros estão desarmados, sabendo que nenhum deles tirará vantagens. Cada um arrisca, explora, falha. Não há fingimentos, ou fachadas. Os parceiros cooperam. Deleitam-se com a capacidade do outro em surpreender. O relacionamento transformador apoia-se na segurança que emana do abandono da certeza absoluta."

Quanto a mim, nada conheço sobre o amor que se compare à bela epístola de Paulo aos Coríntios, em um trecho que diz: "Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé ao ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei."

Nota: Este artigo é uma adaptação do capítulo 11 do livro Iniciação à Visão Holística, de Clotilde Tavares (Rio de Janeiro, Editora Record, 1996, 3a. edição),

BIBLIOGRAFIA

FERGUSON, Marilyn. A conspiração aquariana. Rio de Janeiro, Record, 1990.

FRANCO, Augusto de. A nova geração: crise e reflorescimento. São Paulo, Thomé das Letras, 1990. 179 p.

RUDHYAR, Dane. Preparações ocultas para uma nova era. São Paulo, Pensamento, 1991. 259 p.

STEINEM, Gloria. A revolução interior: um livro de auto-estima. Rio de Janeiro, Objetivo, 1992. 291 p.

http://www.clotildenews.digi.com.br/amor.htm

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A Consciência da Massa


Texto para reflexão, da autoria de Nuno Michaels


”Uma das verdades mais fundamentais - e no entanto mais difíceis de compreender - é a de que as pessoas vivem todas em diferentes níveis de consciência.

Não se assimila esse Ensinamento nas suas mais profundas implicações apenas lendo ou pensando sobre ele; há que observar a maneira como as pessoas agem, pensam, falam, sentem, reagem, vivem. O que lhes ocupa o pensamento. Como usam o tempo. O que as preocupa. Os objectivos que têm na vida. Aquilo de que falam. E então torna-se evidente que todas vivem em diferentes níveis de consciência e, até, o nível de consciência em que vivem.

A grande maioria da Humanidade vive num nível biológico-social instintivo. Nesse nível, as pessoas são condicionadas pelos valores vigentes e pela mentalidade comum. As suas identidades são uma mera extensão das normas, crenças, costumes e tabus da sociedade em que nasceram. Vivem polarizadas na sobrevivência e, se possível, na acumulação de dinheiro, poder e estatuto. No mínimo, precisam de um emprego seguro e um parceiro para acasalar e reproduzir-se. Odeiam a solidão.

Não têm ideias ou pensamentos originais; falam do que toda a gente fala, têm as opiniões que os meios de comunicação, os líderes de opinião e o status quo querem que tenham. Lêem jornais desportivos e revistas sobre programas de televisão, falam sobre pessoas e acontecimentos triviais do dia-a-dia. Gostariam que o mundo mudasse mas não começam por si próprios. Não questionam o que lhes é dito; se os seus líderes lhes dizem que os afegãos são maus e os astrólogos mentirosos, então os afegãos são maus e os astrólogos mentirosos. Assim, bovinamente, sem sequer investigarem o assunto. Consomem bens e serviços de que não precisam de facto e cujo único valor é o próprio acto de serem adquiridos e o estatuto que lhes está associado - na ilusão de que serão mais no dia em que tiverem mais.

Vivem vidas inteiras repetindo os mesmos padrões mentais e emocionais, submersos na sua própria subjectividade e incapazes de se verem objectivamente. Não fazem ideia do que são "energias", "arquétipos" ou "padrões". Não fazem ideia de que a vida é um processo de crescimento e desenvolvimento pessoal e não uma luta pela sobrevivência.

São os autómatos de que o sistema precisa para assegurar a sua reprodução e a manutenção das suas próprias estruturas. Constituem a "consciência da massa".

Libertarmo-nos da consciência da massa tem um preço muito alto. Porque os valores da sociedade são redutores, mas dão segurança - a mesma segurança que um rebanho dá a uma ovelha.

Evoluir para outro nível de consciência implica questionar e pensar por si mesmo; implica ser incompreendido e ridicularizado por quem não vê mais longe. Implica conviver com as conversas ocas, mecânicas, de quem nos rodeia. Implica ser livre. E a sociedade não gosta de indivíduos livres, porque são uma falha no sistema e um mau exemplo para os autómatos - e esses é que fazem falta, para que tudo isto funcione..."

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Nuno Michaels

Imagem: Magritte

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Retrato de uma pessoa conectada com o campo da intenção


pelo Dr. Wayne Dyer

"As pessoas auto-realizadas devem ser o que podem ser."

– Abraham Maslow

Uma pessoa que vive num estado de unidade com a Fonte de toda aVida não aparenta ser diferente das outras pessoas. Além disso, essa pessoa não possui uma auréola, nem se veste com roupas especiais que anunciem as suas qualidades divinas.

Entretanto, quando notar que alguém passa pela vida como os afortunados que parecem obter todas as vantagens, e parar para falar com essas pessoas, perceberá o quanto são singulares, comparando-as com as pessoas que vivem nos níveis ordinários da consciência. Se passar alguns momentos conversando com elas, como já estão conectadas com o poder da intenção, verá como são especiais.

Ler mais aqui

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A CHAMA GÉMEA


Recebido de Fernanda das Neves


Dreamtime – é a altura em que, de acordo com antigas lendas dos aborígenes australianos, os primeiros Antepassados foram criados.

DREAMTIME WORRIERS AND LOVERS – Guerreiros e Amantes do Sonho

Cara Pixie : tu perguntaste-nos “Eu sei que os nossos sonhos são pistas importantes que nos podem dizer algo sobre as nossas vidas e sinto que presentemente me encontro num espaço de amor. Porquê então ainda tenho pesadelos?”
O pesadelo de que falas, uma experiência do sonho, despoletando a resposta do medo ocorre por muitas razões. Estas são muitas vezes mensagens profundas de que necessitas tomar conhecimento; o aspecto subconsciente do teu ser deseja que vejas algo e um sonho agradável ou outros sinais passaram-te despercebidos; o pesadelo muitas vezes repetir-se-á de formas muito semelhantes, muitas vezes durante anos, até que o indivíduo tenha visto e compreenda a mensagem que ele traz. Um pesadelo é muitas vezes uma chamada para despertar; noutros casos um pesadelo é a libertação de toxinas do corpo e da mente; aqueles que estão doentes ou a recuperar de uma doença terão muitas vezes pesadelos à medida que se curam; a desintoxicação do corpo à medida que a nossa alimentação evolui para níveis superiores terá o mesmo efeito.

Há aqueles seres que servem o ser que conscientemente querem a experiência do medo durante o sonho e que disso se alimentam visto que caminham conscientemente numa zona de escuridão; mas estas são explicações que não servem a tua pergunta visto que te referes a ti própria como estando num ambiente de amor e nós verificamos que realmente estás. Por isso estes sonhos não são os dos reinos mais baixos do sonho; muitas vezes estes pesadelos existem dentro do espaço do sonho mais elevado como um campo de treino, como se fosse uma réplica do aspecto mais baixo do sonho, como uma imagem de computador ou jogo, à medida que a tua aprendizagem se faz no mesmo espaço. Se experiencias medo e achas o sonho desconfortável então abre o teu coração ao Amor e chama pelos guias das dimensões mais elevadas que lá estão para ti em todas as experiências de sonho. O terreno de treino da experiência de pesadelo durante o sonho dá-te a oportunidade de enfrentar o lado mais negro dentro de ti própria, de te manteres forte, com coragem e sem medo, sabendo que por sua vez isto se manifestará na tua vida desperta.

Àqueles que fazem e fizeram isto podemos de facto chamar verdadeiros Guerreiros do Sonho.
Também nos perguntaste “Eu vejo a minha Chama Gémea nos meus sonhos e amo tanto e estou tão ligada. Sinto-me triste porque esta ligação ainda não se manifestou no âmbito da minha vida real e temo que nunca aconteça. O Nine pode ajudar?”
Já falámos antes da união do aspecto interno da Chama Gémea através da fusão da CG do sonho. Isto é muitas vezes caracterizado por relações amorosas e românticas que têm lugar durante o sonho. Se isto está a acontecer durante o teu sonho, então significa o equilíbrio interior, a união dos aspectos masculino/feminino que fazem de ti tudo o que tu és. Isto é um nível de realização dentro da tua jornada espiritual na Terra, um marco que indica que estás a atingir ou atingiste as frequências necessárias para uma ascensão em equilíbrio, uma experiência ascensional que te transportará dimensionalmente para uma existência cujas vibrações estão alinhadas com tudo o que tu és; uma existência que tu escolheste, criaste e que se manifestará. Este equilíbrio que está a ocorrer agora entre os seres em ascensão na 3ª densidade trará na verdade para a tua vida a frequência da CG.Cada um de vós é merecedor disto e está destinado que chegará até vós, no entanto, temos de tomar algumas medidas para permitir que esta manifestação flua para dentro das vossas vidas. A aceitação de que tudo o que precisam é de Amor e totalidade no ser interior é uma prioridade e um passo necessário para esta manifestação; viver a vida em Amor é outro passo.

Rejubila, tu amas, faz com que assim seja, o teu amor é tão pleno e integro, compensador, romântico e abençoado e tu sentes-te a pessoa mais afortunada em ter este amor, não te sentes? É este tipo de ser que deve ser vivido dentro de nós antes que uma verdadeira manifestação se dê. Não é importante se esta manifestação de dá ou não pois estás plena do teu amor, estás tão em amor que não é possível que a manifestação deste amor seja maior. É este tipo de ser que manifestará o Amor que é verdadeiramente grande. Tu na forma humana podes medir o teu grau de despertar espiritual olhando para a energia daquele que amas; este deve ser um amor igual uma vez que estás dentro do teu próprio poder, sem distorção, necessidade ou dependência; a tua prioridade é sempre servir os outros; só quando se atinge este patamar se pode verdadeiramente ver em que nível se está olhando o nosso amor nos olhos; por isso não é importante que este amor exista para ti manifestado ou no sonho, se aquele que amas for integro, honrado, estiver conectado, for compreensivo, tiver conhecimento e compaixão, capacidade de cura, força e estiver claramente em ascensão na vibração do serviço aos outros. Então deixa que esta seja a medida a partir da qual te posicionas, vê este reflexo como um reflexo de tudo o que tu és, e quando isto acontecer tu saberás que encontraste a tua Chama Gémea.

Nós somos a Consciência Colectiva de Asas Brancas do Nine.

DREAMTIME…gentilmente traduzido por Isabel Rocha

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

ABRIR-SE TOTALMENTE À ALEGRIA

Acabo de receber da Margarida Neto. Obrigada, Margo.

Achei tão bonito que decidi partilhar convosco. Leiam, e depois digam-me se o vosso coração não ficou mais leve e predisposto para a Alegria…



Eu sou Miguel, Príncipe e Regente das Milícias Celestes.

Bem amadas Criança
s da Luz, onde quer que estejam, na superfície desta Terra, no vosso veículo de densidade, recebam Graças e Bênçãos do conjunto do Conclave Arcangélico e de minha Presença entre vocês, acompanhada da Radiância do Arcanjo Uriel, Anjo da Presença.

Bem amados Mestres da Luz, dentro de alguns dias abre-se a vocês e em vocês, no cerne do vosso Ser, mas também ao conjunto da humanidade, a segunda etapa da activação do vosso Ser na sua Divindade e no seu Estado de Ser.

Nós, Conclave, decidimos dispensar, durante esta segunda etapa, e ao mesmo tempo, a terceira etapa.

Doravante, está vindo para vocês um conjunto de ondas e partículas relacionadas com a Luz Vibrante, relacionadas com as Núpcias Celestes, já realizadas.

Dentro de poucos dias, a Luz ir-se-á manifestar na sua densidade, inicialmente no vosso íntimo.

Irão constatar por vós mesmos que se torna possível, e mesmo intrínseco, atingir níveis vibratórios até agora desconhecidos da humanidade.

Nestes níveis vibratórios, percebem, sentem e vivenciam, em parte, o vosso Estado de Ser manifestado nesta densidade.

Os fenómenos, que se denominam eletromagnéticos, solares e extra-solares, também, vão intervir de maneira especial e intensa.
Isto não pode ser escondido por muito tempo.

Várias coisas vão mudar, nesta Humanidade, em vós, ao vosso redor e no conjunto da Consciência colectiva da Humanidade encarnada.

Assim decretou a Fonte.

Assim decretou o Conclave Arcangélico.

Assim decretaram os 24 Anciãos e assim decretou Maria.


Conjuntamente, nós prepararemos a vinda do Mestre da Luz, aquele que foi denominado Cristo, que prepara assim o seu retorno.

Este não é exactamente o momento, mas sê-lo-á em breve.

Precisam então de se purificar, pacificar e elevar a vossa casa para dar lugar ao vosso Estado de Ser, à vossa Divindade, à vossa Essência e à Presença Daquele que vem procurar-vos.

Hoje, e nos próximos dias, particularmente a partir do 17, irão constatar, por vós mesmos, ao nível da vossa própria Vibração, as alterações, de maneira notável e essencial.

Haverá, indiscutivelmente, neste Sistema Solar, um antes e um depois.

Assim, nós preparamos, nós, dos nossos planos dimensionais, para o vosso plano dimensional, o acesso à integralidade da vossa Vibração e da vossa Consciência, não mais limitada e curvada, nesta densidade.

Evidentemente, algumas reacções presumidas de seres hostis não serão senão o medo em relação a certas Consciências, em relação a certas resistências, em relação a certas coisas que se opõem à vossa soberania.

Reencontrarão a vossa Soberania vibratória, a vossa Soberania de Consciência e a vossa capacidade para trabalhar na Luz e pela Luz.

Então, regozijem-se e preparem-se.

Preparem-se para atingir uma nova etapa da vossa transformação, uma nova etapa da vossa expansão.

Vocês são Seres de Luz, Seres ilimitados, tendo percorrido os caminhos da Ilusão, coagidos e forçados por várias forças que vos tinham, literalmente, englobado no meio de uma Ilusão. Mas vocês permitiram-se, de facto, crescer em Luz, na ausência da Luz, revelar em vocês a sede da Luz, a sede da Verdade e sobretudo a vontade de reencontrar em vós aquilo que realmente são.

Portanto, sim, regozijem-se porque isto é agora.

A partir do dia 17, irão constatar, próximo do final do ano, que as coisas vão acelerar-se, de maneira significativa.

Tudo aquilo que ocorrerá ao nível da vossa própria densidade, ao nível da vossa própria dimensão, não fará senão ilustrar o afluxo da Luz, o afluxo da Vibração da Liberdade neste mundo.

Uma série de forças, ligadas ao passado e a forças condicionantes, vão se revoltar e se liquefazer sob os vossos olhos.

A desconstrução, que eu havia anunciado e conduzido nos planos intermediários, há alguns meses, encontra-se hoje totalmente actualizada ao nível da matéria que vocês habitam.

Então, vai alavancar em vocês o sopro da Liberdade, o sopro da Alegria, o sopro do Coração.

O vosso Coração é chamado a vibrar, o vosso Coração é chamado a manifestar-se e a abrir-se totalmente à Alegria.


Não poderão ir contra aquilo que vocês são.

Aqueles que irão contra e que vão opor-se, conscientemente, à nova Consciência, verão manifestar neles próprios uma série de fenómenos, por vezes dolorosos.

Compreendam bem que, ninguém, entre vós, nos múltiplos universos e nas múltiplas dimensões, deseja isso.

Vocês serão, vocês mesmos, responsáveis pela vossa Liberdade e responsáveis pelo vosso próprio encadeamento.

Não há nada que possa, excepto o vosso próprio temor, opor-se à revelação final da Luz.

Revelação final da Luz não significa dizer o fim desta dimensão, mas sim abertura total desta dimensão à Luz.

Isto significa que as zonas de Sombra e tudo aquilo que está literalmente enganchado e enredado no princípio de poder, vai desaparecer.

A vossa Soberania é o vosso prémio.

A vossa Liberdade é o vosso prémio.

Nada têm a temer diante daquilo que vem.

Têm de confiar, de acolher, para viver em Unidade.

A Unidade assinala, se vocês a desejarem, e nós a almejamos com vocês, o fim da dualidade, o fim das forças da oposição e da contracção que tinham impedido, de uma maneira ou de outra, que reencontrassem a vossa Soberania integral.

Hoje é um grande dia.

O 17 será, como eu havia dito, um retorno excepcional à história da humanidade.


A forma como isto irá acontecer é de pouca importância.

Quaisquer que sejam as manifestações humanas de desacordo, quaisquer que sejam as manifestações terrestres de acordo, quaisquer que sejam as manifestações dos elementos, não tenham receio.

Tudo está na ordem e na paz, em meio à Revelação que vem.

Vocês não têm que aumentar as vossas próprias Vibrações.

Vocês não têm que retornar ao vosso próprio Mestre no vosso abandono à Luz que vem.

Nesta condição, vocês encontrarão a segurança, a Alegria, e vão habitá-la, seja o que for que aconteça fora de vós.

Nós vos pedimos então, e durante o período que vai do dia 17 do seu mês de Novembro até o final deste ano que denominam 2009, que se preparem, de maneira intensa e vibratória, para acolher a Luz do Mestre.

Isto vos revelará o que vocês são, o que vocês têm sido, o que vocês têm empreendido como caminho nesta dimensão, nesta vida e em outras vidas.

Mas, além disso, reencontrarão, também e, sobretudo, a filiação, as linhagens espirituais que vocês suportaram, no sentido exacto do termo, nesta manifestação.

Uma série de poderes que haviam sido ocultados, uma série de dons que haviam sido escondidos, vai manifestar-se de novo na vossa Consciência, nos vossos corpos de personalidade.

Ninguém poderá enganar ninguém, porque vocês compreenderão claramente as várias situações e os seres que estarão à vossa frente, em reacção convosco, em ressonância convosco.

Nós vos pedimos então para nunca tentarem enganar, para estarem em acordo com vós mesmos, para não mais jogar qualquer jogo de poder, de sedução ou de manipulação.

Esta é a condição que vos agrega aos domínios da Luz e do Estado de Ser.

Não há outra.

Não há carma.

Não há limite de idade, de sexo, de condição ou de crença que possa impedi-la.


Apenas a vossa vontade de permanecer sob a influência do poder ou de manifestar o vosso poder sobre outro ser além de vós mesmos, ou sobre uma situação onde você não tem nada a ver, vai pressioná-lo a permanecer sob esses esquemas de influência.

Nós esperamos que estejam suficientemente crescidos, suficientemente despertos, para acolher a Liberdade pois aquilo que vem é verdadeiramente a Liberdade.

Não esqueçam jamais que a Luz é Vibração, que a Luz é Consciência e que a Luz é Iluminação e Libertação.

Não esqueçam jamais que devem reencontrar, totalmente, o vosso poder sobre vocês e, sobretudo sobre aquilo que, até agora, vos tinha aprisionado nos vossos corpos, no vosso mental, nas vossas emoções, no vosso papel social e nas vossas linhagens hereditárias.

Vocês devem, hoje, proclamar a vossa Libertação para acolher o Mestre da Liberdade.

Hoje, a força é soprada em vós.

A partir do dia 17, vocês vão notar uma nova força, uma nova Consciência, uma nova intenção na vossa própria manifestação, no vosso mundo, no vosso ambiente e na vossa Vida.


Isto é agora.

Eis o anúncio que tinha a fazer-vos.

Eu vou iniciar, em vós, em meio ao conjunto dos Seres deste planeta, pela Graça da Fonte e da Divina Maria, pela canalização dos 24 Anciãos, juntos, nós efectuaremos isto.

Nenhuma força adversária à Luz (que se considere como tal) poderá intervir ou interferir na nossa manifestação nesta densidade.

Busquem em vós para receber a Luz, para receber o Fogo, em vosso peito, para reencontrar o vosso Estado de Ser.

Serão auxiliados para isso, a partir do dia 17, pela Vibração da Presença do Arcanjo Uriel, que pode, pela Graça da Fonte, manifestar a sua Presença e a sua Radiação na Terra muito mais cedo do que o esperado.

Como sabem e têm constatado, uma série de forças ligadas ao medo e ligadas a forças de enfermidades, tentam encher-nos de sobressalto.

Dirijo-me solenemente a elas todas: Vocês não podem mais, de uma maneira ou de outra, manipular, escravizar ou tramar o que quer que seja.

O momento da Liberdade chegou.

O momento do Fogo do Amor chegou.

O momento é de despertar isto, em totalidade.


Vocês não podem, de qualquer maneira e de qualquer modo, limitar ou desacelerar isto.

Eu vos digo: a “festa” acabou.

Lugar à Luz.

Lugar à Verdade.

Lugar à Unidade.

E lugar à Alegria.

Então, durante este período, todos estão convidados, todos, sem excepção, a vibrar no interior do vosso Coração.

Que beneficiem das sílabas e dos Sons Sagrados, transmitidos por Metatron, que vocês utilizem as técnicas que vos são próprias, pouco importa.

A técnica ou o meio que desencadeará em vós as Vibrações do Fogo Sagrado será, para cada um, a técnica adequada.

É de vossa responsabilidade dedicar o máximo de tempo à vossa própria Libertação.

Nós contamos convosco.

E vocês podem contar connosco.

Vocês são Seres de total Liberdade e de total Luz.

Eu tenho passado o meu tempo a repetir-vos e a afirmar-vos isso.

É tempo, agora, de viver em totalidade porque a Luz estabelece o seu reinado, reinado de Liberdade e reinado de Soberania, no seio desta dimensão.

O espaço / tempo em que vocês vivem, e que foi forjado e encurvado, vai-se realinhando, agora, a toda a velocidade.

As três camadas de falsificação, denominadas ionosfera, magnetosfera e heliosfera, tornaram-se totalmente permeáveis aos raios cósmicos, aos raios da Luz e às nossas dimensões.

Isso quer dizer que não existem mais obstáculos técnicos à nossa intervenção nesta dimensão.

Não há nenhuma restrição à nossa manifestação.

Nós a faremos em função dos vossos apelos, em função do vosso desejo de Liberdade e de Libertação, em função do vosso desejo de reencontrar a Unidade e, sobretudo o Estado de Ser, quer dizer a totalidade daquilo que são.

Na jornada do dia 17, eu voltarei para participar nesta Efusão de Libertação.

Eu pronunciarei apenas algumas palavras, permitindo-vos escalar, durante o período que vai de 17 de Novembro até ao final do ano, as etapas que levarão ao estabelecimento da vossa Soberania total nesta dimensão.

Hoje, contudo, pela minha Presença antecipada, dando-vos previamente o que se manifestará no dia 17, o Fogo do Amor penetrará em vós às 12 horas (hora francesa) [09h00 da manhã – hora de Brasília] ao nível da sua Coroa da cabeça, ao nível da Coroa do Coração e, certamente, na totalidade das vossas estruturas físicas.

A hora do despertar das vossas células, a hora do despertar disso que vocês são, chegou.

Se tiverem, em relação a isto, alguma pergunta, eu tentarei elucidar.

A palavra então é vossa, referente ao estabelecimento destas segunda e terceira etapas.


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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O AMOR MAIOR

EXCERTO DA ENTREVISTA DADA AO JORNAL BRASILEIRO UNIVERSAL, REVISTA BEM-ESTAR, POR VERA FARIA LEAL

Universal
Amor Maior
São José do Rio Preto, 17 de Maio de 2009

Renata Fernandes

02:16 - Imprescindível. Assim é o amor. Um amor sem cobranças ou desconfianças. Sem apegos ou desesperanças. O amor que ensina as pessoas a irradiar luz. A própria luz. A luz da consciência, de Deus. O amor maior. Seria fácil ter e/ou manter esse amor se toda a humanidade se empenhasse no propósito de exterminar preconceitos, julgamentos, divisões, superstições redutoras e instabilidade interior, entre outros atos e sentimentos ruins e pejorativos. O verdadeiro poder do amor está em unir. Esses e outros ‘conceitos’ são esclarecidos na entrevista a seguir pela autora do livro “O Poder do Amor”, da Planeta Editora, Vera Faria Leal, que respondeu à revista Bem-Estar, de Portugal, por e-mail. Confira:

Bem-Estar - Qual o verdadeiro poder do amor? E qual a relação dele (do amor) com a espiritualidade?

Vera Faria Leal - Em primeiro lugar, o amor é uma lei universal: toda criação é governada por leis. Os princípios que operam no mundo físico estudados pela ciência, são as leis naturais. Por outro lado, desde sempre, todas as sabedorias e conhecimentos espirituais revelaram leis sutis que presidem ao plano espiritual e à dimensão da consciência. De acordo com essa sabedoria, a verdadeira natureza da matéria está contida nestas leis. Conhecê-las é transcender gradualmente a dualidade da realidade aparente. Vivê-las é conquistar a verdadeira liberdade interior. “Conhece a Lei e sê livre”, dizem os mestres. Ser uno com elas é assumir a nossa condição de seres espirituais a ter uma experiência humana e fundirmo-nos com o princípio primordial da vida: o amor universal. Assim, a questão será: qual o poder do verdadeiro amor? É o poder de evoluirmos e de cumprirmos o nosso propósito enquanto seres essencialmente espirituais a ter uma experiência terrena. À medida em que nos identificamos mais e mais com essa essência divina, a consciência de que somos o amor também expande, o que nos permite viver mais inteiros e mais felizes. Nesta medida, posso afirmar que o amor é um estado de consciência que varia desde um nível muito básico, de sobrevivência, em que o amor é vivido como sentimento de posse - o que eu amo é meu - até níveis cada vez mais conscientes, luminosos e livres. Quanto mais capazes de viver o amor

como adesão profunda à vida, honrando-a em nós e aprendendo a respeitar e a praticar a Lei do Amor, com tudo o que nos acontece, mais a vida fará sentido, mais um sentimento de que tudo está certo nos invade, nos bons e nos momentos mais difíceis. Vivemos cada vez mais de acordo com a Lei do Amor, quando temos menos preconceitos, julgamentos, divisões, superstições redutoras (como: eu é que tenho razão) e instabilidade interior. Assim, o poder do amor é o maior poder: se o amor é uma Lei Cósmica, que cumpre o desígnio divino de assegurar a evolução espiritual dos seres, então este amor é o motor subjacente à evolução da condição humana primordial, rumo a um estado de iluminação, de consciência crítica. Não há poder maior do que este: os eons (o tempo cósmico, milhões de anos) sucedem-se e o plano divino toma forma, independentemente do poder dos grupos políticos, económicos e militares, que, em cada época histórica pisam a terra. Por isso, amar é unir: tal é o verdadeiro poder do amor. Unir é curar, restabelecer, acreditar, é criarmos novos relacionamentos, nova vida e recriarmo-nos na crescente liberdade de sermos irradiadores de amor, à imagem e semelhança da Fonte.

Bem-Estar - Como uma pessoa sabe que ama?

Vera - A forma como amamos é dependente do nosso nível de consciência, da nossa qualidade vibratória (que é a soma da qualidade dos nossos pensamentos, intenções, emoções, atos). Se vibramos numa baixa frequência, se nos sentimos sobreviventes do amor, carentes e vazios, com medo de perder o pouco ou o nada que temos, tendemos a projetar nos outros esse vazio e passamos a chamar “amor” a essa carência. Neste estágio, o sentimento de posse é dominante: eu possuo quem amo! Nesta fase, as pessoas costumam ferir-se umas às outras “por amor”; a verdade é que se magoam mutuamente por desespero, quando quem pensavam que “possuíam” começa a revoltar-se. A esmagadora maioria dos relacionamentos humanos começa assim, com este “equívoco” que fazemos do amor. Ele é na verdade um estado interior crescente de abundância que produz estabilidade emocional, mas começamos cedo a chamar amor às nossas carências. A partir desta primeira faísca ou início de relação, o desencontro desdobra-se até ao limite (se o deixarmos e se não mudarmos constantemente de parceiro para fugir da responsabilidade de encarar os nossos medos e insuficiências). Mas é exatamente no ponto em que tudo parece correr mal, estar perdido, a paixão já terminando, quando o outro nos devolve a nossa “fealdade”, aquilo que não é bonito de ver, por meio das cobranças, desinteresse, crítica, traição, insegurança ou agressividade, que tudo pode começar. A maioria das pessoas tende, neste ponto das relações, ou a trocar de parceiro ou a afundar-se no trabalho, na depressão ou noutro substituto para o vazio. Mas o que neste ponto precisamos fazer é aprender a encarar a morte-vida-morte do amor, a necessária transformação da paixão num outro estágio da relação em que, por meio do que o outro nos espelha de nós que não é agradável, aprendemos a reconhecermo-nos, a recolher as nossas projeções ilusórias sobre o outro, a responsabilizarmo-nos pelo nosso próprio processo de individuação, de autonomia e de estabilidade emocional. Quando caminhamos no sentido da liberdade interior, da maturidade, do assumir responsabilidade por nos amarmos a nós mesmos, sentimos que o amor nos expande e acrescenta, nos torna melhores pessoas porque nos oferece a oportunidade de nos doarmos incondicionalmente, como escolha consciente e não moeda de troca para cobranças e chantagens emocionais. Quanto mais amadurecidos e firmados no autorrespeito e amor-próprio, mais o amor é uma experiência que nos liberta para os sins e os nãos, sem nos sentirmos culpados por nos afirmar; mais amamos com respeito pela liberdade de escolha do outro. Quanto mais amadurecemos no amor, mais libertamos quem amamos para o seu próprio projeto de vida, mais queremos para o outro o que for melhor para ele, mesmo que isso por vezes ainda nos traga alguma insegurança.

Bem-Estar - Qual a importância do amor na evolução espiritual de cada um?
Vera - O amor quanto mais evoluído, mais se torna uma escolha da inteligência amorosa do coração: o amor não é cego, ele relaciona-se com a qualidade de cada ser. O amor como Lei, é a evolução espiritual de cada um. O amor como vivência entre seres conduz primeiro ao processo da individuação - saber quem somos, o que queremos e o que não queremos, os preços que pagamos e aqueles que nunca mais vamos pagar, porque aprendemos um dia que é melhor pagar o preço para evoluir do que para não crescer emocional e espiritualmente. Esta experiência vem, necessariamente, por meio dos conflitos, das desilusões, das mortes para os desejos do ego e do resolver das necessidades imaturas e infantis de que o outro seja o pai/mãe que não tivemos (ou que tivemos mal). A vida nos presenteia com as desilusões necessárias para que um dia aprendamos a recolher as nossas ilusões, reconhecer as nossas falhas, limitações e vazresponsabilizar por cuidar de nós próprios. Neste processo aprendemos e crescemos muito, fazemos uma alquimia psicológica importante e esperançosamente reconhecemos e aprendemos a lidar com o que o outro sempre nos espelhou, mas que não quisemos ou não pudemos ver antes. Assim, teremos a oportunidade de integrar a nossa própria sombra, reconhecer as nossas intenções inconscientes nas relações, de nos tornarmos mais inteiros, energizados, vitais e poderosos interiormente. Em todo esse processo, afinal aquele que foi castrador ensinou-me a conquistar a verdadeira liberdade - de ser eu mesmo; aquele que me traiu ajudou-me a deixar de me trair a mim mesmo e a aprender a ser fiel ao meu próprio projeto de vida e assim por diante.

Bem-Estar - E depois de sabermos quem somos?


Vera - Depois de sabermos quem somos, um dia saberemos que somos todos um, na essência que partilhamos, nos anseios da alma que em cada um de nós anela pelo mesmo, na necessidade de expressão genuína do desejo do coração. Este processo é uma caminhada espiritual, a que o amor nos conduz numa sucessiva expansão de consciência, em que um sentido interior de unificação, propósito e doação genuína e livre de nós mesmos, nos devolve beatitude, graça, sentido para a existência. Tal é a suma importância do amor na nossa evolução espiritual.

Bem-Estar - Qual a relação entre o desapego e o amor?


Vera - O amor nos ensina a ser sóis irradiadores da luz da consciência, não meramente satélites a orbitar na dependência do outro. O apego se identifica com os níveis mais inferiores que a experiência humana faz do amor. Ele se relaciona com uma forma de amar “lunar”, imatura, em que exigimos que o outro satisfaça todas as nossas necessidades. No apego não é possível nos sentir livres para amar cada vez com menos condições, limitações e regras. Neste nível mais básico em que o apego se expressa, a segurança nos vem daquilo a que chamamos “meu”: o meu parceiro, a minha família, o meu dinheiro, as minhas posses... À medida em que a vida nos retira esta falsa segurança (um divórcio, uma doença, despedida, ou outra forma de crise) somos gradualmente convidados a experienciar uma dimensão mais criativa e começamos a aferir um sentido de segurança a partir do “Eu”. Começamos a acreditar que temos a capacidade de nos sustentar, de fazer oportunidades acontecerem, de ter amigos gratificantes... Numa terceira etapa, aprendemos, finalmente, a confiar na vida: o desapego nasce da alquimia profunda de quem fez um trabalho integral consigo mesmo: com a mente e as crenças, as emoções e os relacionamentos, os ensinamentos e a prática espiritual. Aprendemos, gradualmente, a ler os sinais por detrás da forma que os eventos tomam, decodificamos as lições a tirar do que nos sucede e compreendemos claramente que há uma intenção oculta subjacente a tudo o que acontece. Aprendemos a confiar nessa intenção, mesmo que não compreendamos logo todo o sentido do que estamos passando e confiamos que a vida nos encaminha e conspira para o nosso maior bem, de acordo com o nível de consciência que conseguimos alcançar. O desapego é este processo relacionado com uma confiança cada vez mais profunda e sólida na vida, um maravilhar ante os seus mistérios, uma rendição à sabedoria do Universo que nos criou, conduz e transforma. O desapego verdadeiro nunca se confunde com indiferença, negligência, alienação ou irresponsabilidade. Ele acontece tanto mais quanto compreendemos e vivenciamos a realidade de que não somos um corpo físico, não somos os nossos pensamentos, não somos posses nem títulos, não somos um clã nem somos os nossos relacionamentos. Por isso, não podemos fazer depender a nossa estabilidade de nenhum destes factores, embora trabalhemos com todos eles. Eles nos servem, mas não nos definem, em última instância. Porque o que nos define, no final de tudo, é o que não perece e não muda: o amor maior.

Bem-Estar - Ao mesmo tempo em que se prega a necessidade de autoconhecimento e amor-próprio, diz-se que a maturidade espiritual chega a partir do momento em que as pessoas se preocupam mais com os outros do que consigo mesmas. Como lidar com essa dualidade? O que pensa sobre isso?

Vera - Não é uma dualidade, mas um processo que integra ambos, como o dia se sucede à noite. Temos a responsabilidade de descobrir quem somos e a vida, por meio dos relacionamentos e das circunstâncias em que temos de fazer escolhas, está sempre a nos ensinar isso mesmo. A primeira regra da espiritualidade é conhecermo-nos e cuidarmos do corpo físico, que é um templo do espírito (não um túmulo do espírito!). Enquanto não aprendermos a honrar a vida em nós, aceitando-nos, respeitando-nos e amando-nos, como podemos fazer jus à sacralidade de toda a vida? Enquanto não nos amarmos e aceitarmos não poderemos receber suficiente nutrição da vida, sob diversas formas. A nossa falta de amor reverberará com a carência e a escassez e será isso que atrairemos. O universo trata-nos como nós tratamos a nós mesmos, uma vez que a vida respeita sempre o nosso estado de consciência. O ser humano tem diversas valências e aspectos que estão em diferentes níveis de desenvolvimento. Por exemplo, há cientistas com uma mente genial, mas com um desenvolvimento emocional muito deficitário. Há atletas com uma sofisticação física ímpar, mas com capacidades sociais extremamente baixas; há pessoas com sabedoria espiritual, mas com uma inteligência emocional reduzida. Os problemas surgem quando queremos dar muito de nós sem estarmos ainda preparados. Nessa altura, é comum as pessoas

usarem (muitas vezes inconscientemente) a espiritualidade como fuga ou alienação, enquanto toda a sua vida material e relacional está um caos. Há pessoas que dão porque não sabem receber e essa torna-se a sua moeda de troca para uma autoestima frágil e uma ‘vitimização’ disfarçada. Estas pessoas não dão: arrancam de si o que não têm para dar e começam a perder minerais, cálcio, ferro... é mais fácil fugir do nosso vazio e inferno pessoais desatando a dar aos outros, do que encararmos os nossos fantasmas e fazer algo sério por nós mesmos. O problema é que, a prazo, o preço disso é desastroso e pesado.

Bem-Estar - O que fazer, então?


Vera - A nossa primeira responsabilidade é para connosco e, nesta medida, somos a pessoa mais importante das nossas vidas. Só a partir de uma postura honesta e responsável perante nós mesmos será possível evoluir no todo que somos: no instintivo, no emotivo, no racional, nos valores, nos comportamentos, na espiritualidade. Não se pode dar o que não se tem e quanto mais desfrutar da vida, mais vida terá. (“Porque ao que tiver lhe será dado; e ao que não tiver, até aquilo que julga ter lhe será tirado: São Lucas 8,18”). Os mestres ensinam-nos a disciplina, as práticas espirituais, a atenção, a necessidade de ensinamentos, a gratidão pelo tanto que temos. Gradualmente, e na medida da nossa dedicação e intenção, podemos vir a dar aos outros com verdade, a partir de uma abundância interior e não de uma carência. Do meu ponto de vista pessoal, esta abundância só se consegue quando aprendemos a nutrir a nossa Alma com meditação, união com a Fonte divina. A partir de certo estágio de iniciação espiritual, vive-se cada vez mais para o serviço e a realização do plano divino sobre a terra.

VERA FARIA LEAL 2009

domingo, 8 de novembro de 2009

NECESSIDADE DE MODELOS QUE VALIDEM O FEMININO

“O simbolismo da deusa electriza a mulher moderna. A redescoberta das antigas civilizações matriarcais dá-nos um profundo sentimento de orgulho, por vermos a nossa capacidade como mulheres de criar e produzir cultura. Denunciar os erros do patriarcado dá-nos um modelo de força e autoridades femininas. A deusa arcaica, a divindade primordial, a senhora dos caçadores da idade da pedra e das primeiras sementeiras de grão, sob cuja inspiração os animais foram domesticados e as plantas medicinais descobertas, aquela cuja imagem deu origem às primeiras obras de arte que foram criadas, para a qual foram erigidos os megalitos, aquela que inspirou a música e a poesia, é novamente reconhecida hoje.”

“Na Witch craft, Caminho da Deusa”* nós não cremos na deusa, nós religamo-nos a ela através da Lua, das estrelas, do oceano, da terra, através das árvores, dos animais, dos outros seres humanos, através de nós mesmas. Ela está aqui, ela está no coração de todos e de tudo. A deusa existe antes de toda a Terra, ela é o obscuro, a mãe que nutre e que produz toda a vida. Ela é o poder fecundante da vida, o útero, mas também a tumba que nos recebe, o poder da morte. Tudo dela provém, tudo a ela retorna…Ela é o corpo, e o corpo é sagrado. Útero, seios ventre, boca, vagina, pénis, ossos, sangue; nenhuma parte do corpo é impura, nenhum aspecto do processo da vida é manchado pelo pecado. O nascimento, a morte e a dissolução são três partes sagradas do ciclo. Quer comamos, façamos amor ou eliminemos os dejectos de nosso corpo, sempre manifestamos a Deusa.
*
O seu culto pode assumir qualquer forma, em qualquer lugar; ele não requer liturgia, nem catedral nem confissão. (…) O desejo é o cimento do universo, ele vincula o electrão e o núcleo, o planeta ao sol, ele cria as formas, ele cria o mundo. Sigam o desejo até ao seu termo, unam-se ao objecto desejado até se tornarem esse objecto, até se tornarem a Deusa.”
“Para a mulher, a Deusa simboliza o seu ser mais profundo, o poder libertador, nutritivo e benéfico. O cosmos é modelado como um corpo de mulher, que é sagrado. Todas as fases da vida são sagradas. A idade é uma bênção, não uma maldição. A deusa não limita a mulher a ser um mero corpo, ela desperta o espírito, a mente e as emoções. Através dela, a mulher pode conhecer o poder da sua cólera, assim como a força do seu amor.”
Star Hawk

*
Citações tiradas de:
Tantra – O Culto da Feminilidade - Outra visão da vida e do sexo
André Van Lysebeth

*
Nota de Rosa Leonor

Witch craft
– O autor do livro cita a escritora e ao citá-la optou por não traduzir a palavra “bruxa” pelo sentido pejorativo que a palavra tem, mas eu tomei a liberdade de traduzir esta expressão por “caminho da deusa”, ou poderia optar ainda pelo “trabalho das feiticeiras”, porque entendo que o caminho ou o trabalho da “bruxa” e da feiticeira, este termo mais atenuado, é fundamentalmente o Caminho da Deusa, o caminho da vida e o caminho da Natureza Mãe, o caminho de toda a mulher!

A Bruxa não é mais do que a mulher em pleno poder da sua intuição e consciência do seu poder interior ligada às forças da natureza e do cosmos.


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