terça-feira, 4 de novembro de 2008

o Decrescimento Sustentável...

Na rubrica intitulada “Perfis do Futuro”, a revista Pública, de 2 de Novembro último, traça o perfil de Joana Rigato (28 anos), professora de Filosofia do ensino secundário e membro da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Igreja Católica. Prova de que, apesar de tudo, também por lá existe gente interessante...
OK... aqui vou-me já adiantando ao comentário da querida Rosa Leonor... Sim as igrejas são (as) grandes responsáveis pelo sistema de dominação patriarcal em que vivemos, pela lógica de todo o sistema... Pena que tanta sensatez não sirva para denunciar a própria estrutura que faz com que uma pessoa deste quilate não tenha perfil para ocupar cargos relevantes na sua hierarquia, só porque... nasceu MULHER!
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Excertos:

Depois de algum tempo em Moçambique, diz ela: a formatação ocidental é tão forte que se quer impor a todos a lógica da eficiência, ao mesmo tempo que achamos que estamos preparados para a diversidade e não temos preconceitos colonialistas”... Mas “o preconceito está dentro de nós, somos paternalistas e temos pouca capacidade de escuta.”

Casada com um italiano, escolheu viver em Portugal, porque “em Itália a consciência social está mais desenvolvida.”

“Com o marido e amigos, fundou uma pequena associação para divulgar o comércio justo e a interculturalidade, a Roda Inteira.”

Sobre a televisão, diz: É um instrumento perverso de manipulação. Através da Net, tenho acesso ao que é importante e me interessa, faço-o de forma activa, enquanto a TV retira qualidade de vida e espírito crítico.”

“O que mais me sensibiliza neste momento é o conceito de decrescimento sustentável. Interessa a sustentabilidade, mas mais importante seria inverter a loucura de querer crescer infinitamente e não consumir o desnecessário.” Isto implica mesmo com a noção de comércio justo: “Se fazemos uma loja de comércio justo, damos uma alternativa às pessoas, mas continuamos a reduzir o ser humano a um consumidor, além de fazer do consumo pelo consumo um beco sem saída para o planeta.”

“O consumo inútil é, portanto, a sua batalha: É muito difícil viver do essencial quando tudo ensina a ser consumidor. Trabalhamos dez a doze horas por dia apenas para consumirmos mais. Estragamos a nós e ao planeta. Quanto mais liberta estiver dessa lógica, mais feliz sou. É preciso tempo para respirar ar puro, para rezar, para as relações humanas, para apreciar a natureza. É necessário uma ética comercial diferente e uma economia ao serviço das pessoas. É preciso viver a sobriedade e a ética do necessário.”

Sites: http://oquesubjaz.blogspot.com

http://www.transamericana.org/joana_ita.asp