sábado, 31 de maio de 2008

Abençoados os Egocêntricos




“A pessoa mais amorosa é a egocêntrica.

Isso é um ensinamento radical...

Não se o analisares cuidadosamente. Se não conseguires amar-te a ti mesmo não podes amar outra pessoa. Muita gente comete o erro de procurar o amor por si mesmo através do amor por outrem. Claro que não se apercebem de que estão a fazer isso (...). E pensam “Se eu conseguir amar os outros, eles amar-me-ão. Tornar-me-ei assim uma pessoa amorável e, por isso, capaz de me amar a mim.”

O oposto disto é o grande número de pessoas que se detestam a si mesmas por acharem que não há ninguém que as ame. É uma doença – é quando as pessoas vão de facto “mal de amores”, pois a verdade é que os outros amam-nas, mas isso não interessa. Por muito que sejam as pessoas que lhes confessem o seu amor, nunca é suficiente.

Primeiro, não acreditam. Acham que estão a manipulá-las – a tentar obter qualquer coisa. (Como é possível que gostem delas por aquilo que realmente são? Não. Deve haver aí um engano qualquer. Devem querer qualquer coisa! Agora o que será que querem?)

Põem-se a pensar, a tentar descobrir porque é que alguém há-de gostar realmente delas. Por isso não acreditam e empreendem uma campanha para vos obrigar a prová-lo. Têm de provar que gostam delas. Para tal, poderão pedir-vos que comecem a mudar o vosso comportamento.

Depois, se finalmente algo as leva a acreditar que os outros podem amá-las, começam logo a preocupar-se com o tempo que conseguirão conservar esse amor. Por isso, para manterem o vosso amor, começam a alterar o comportamento delas.

Gustave Klimt, The Kiss

O resultado é duas pessoas perderem-se literalmente numa relação. Entram nela esperando encontrar-se a si mesmas e em vez disso perdem-se.

Esta perda do Eu numa relação é o que causa a maior amargura nesses casais.

Duas pessoas juntam-se numa união esperando que o todo venha a ser maior que a soma das partes e acabam por descobrir que é menor. Sentem-se menos do que eram quando estavam solteiras. Menos capazes, menos aptas, menos desejáveis, menos atraentes, menos alegres, menos realizadas.

Tudo isso porque são menos. Abdicaram de quase tudo o que são para estarem – e manterem-se – nessa relação.

O objectivo das relações nunca foi esse. Contudo, é assim que elas são vividas por um número de pessoas muito superior ao que possas imaginar.”

Conversas com Deus, Neal Donald Walsch, Livro 1, Sinais de Fogo


"Porquê? Porquê?

Porque as pessoas perderam o contacto (se é que alguma vez o tiveram) com o propósito das relações.

Quando deixam de se ver como almas sagradas numa jornada sagrada, não conseguem perceber qual é o propósito, a razão por detrás de todas as relações.

A alma veio para o corpo, e o corpo para a vida, para se cumprir a evolução. Estás a evoluir, a transformar-te. E serves-te da tua relação com todas as coisas para decidires aquilo em que te vais transformar.

Foi com essa função que vieste ao mundo. É essa a alegria da criação do Eu. Do conhecimento do Eu. De te transformares, conscientemente, naquilo que desejas ser. É o que se entende por autoconsciência.

Trouxeste o teu Eu para o mundo relativo para que possas dispor das ferramentas com as quais irás conhecer e experienciar Quem Tu Realmente És. Quem Tu És é o ser que tu próprio crias em relação a tudo o mais que te rodeia. As tuas relações pessoais são os elementos mais importantes neste processo. As tuas relações pessoais são, por conseguinte, solo sagrado. Não têm praticamente nada a ver com as outras mas, dado que envolvem outra pessoa, têm tudo a ver com elas.

É a dicotomia divina. O círculo fechado. Por isso não é assim tão radical afirmar: “Abençoados os egocêntricos pois conhecerão a Deus.” Talvez não seja um mau objectivo na tua vida conheceres a faceta mais sublime do teu Eu e manteres-te centrado nela.

A tua primeira relação deve ser, portanto, contigo mesmo. Deves primeiro

aprender a respeitar, estimar e amar o teu Eu.

Deves primeiro considerar-te digno para poderes considerar digna outra pessoa.

Deves primeiro considerar-te abençoado
para poderes considerar abençoada

outra pessoa. Deves primeiro considerar-te sagrado para poderes descobrir a

sacralidade existente noutra pessoa.



Se colocas o carro à frente dos bois – como muitas religiões te dizem para fazeres – e aceitas o outro como sagrado antes de o fazeres a ti mesmo, um dia ressentir-te-ás com isso. Se há coisa que não consegues admitir é que alguém seja mais sagrado do que tu. No entanto, as vossas religiões obrigam-vos a considerar outros mais sagrados que vós. E fazem-no – por uns tempos. Depois crucificam-nos.
Crucificaram (de uma forma ou de outra) todos os Meus Mestres, não apenas Um. E fizeram-no não por eles serem mais sagrados mas porque vocês assim os levaram a ser.

Os meus Mestres trouxeram, todos eles, a mesma mensagem: não “Eu sou mais sagrado do que tu” mas sim “Tu és tão sagrado como eu.” É esta a mensagem que vocês não foram capazes de ouvir; a verdade que não foram capazes de aceitar. E é por isso que nunca conseguem apaixonar-se verdadeiramente, totalmente, uns pelos outros. Nunca se apaixonaram, verdadeiramente, totalmente, por vós mesmos.”

Conversas com Deus, Neal Donald Walsch, Livro 1, Sinais de Fogo

Imagens: Diana Vandenberg