segunda-feira, 26 de maio de 2008

Um Círculo de Mulheres


"Querida Luiza:

Temo-nos complementado…de uma forma que me sensibiliza…eu preciso do seu lado contemporizador…sou corrosiva por vezes, demasiado pessimista outras…Muitas das vezes não consigo fazer face a esta realidade terrível que nos assola e de facto piora quando me sinto menos interiorizada ou centrada na minha força…Vem-me esta faceta de revolucionária…mesmo que já não acredite nesse movimento em sentido nenhum.

Só lhe queria dizer que em momento algum estou a opor-me ao seu espírito positivo, mas a dar voz aos meus excessos e temores…às vezes acontece que nem sei o que você escreve e depois descubro uma sintonia ou essa complementaridade de que falo.

Espero que me compreenda para além de que sei muito bem que estamos em harmonia para lá das diferenças aparentes…Agradeço-lhe o toque de sensibilidade com que me brinda sempre…o texto da magia negra, tal como a imagem…que me inspira como se nem fosse eu que o tivesse escrito…e os outros excertos tão bem a propósito de tudo…"

Rosa Leonor

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Pensamento positivo é isto, Rosa, é ver as coisas de outra maneira - e aí é que os milagres acontecem, como se diz em "Um Curso em Milagres". Nós, a Rosa, eu, a Juliana, a Mariana e tantas outras criámos um autêntico Círculo de Mulheres. Sim, a Net conta, porque não? Aqui até seremos mais expansivas. É óbvio que o contacto físico, o olhar-se nos olhos, dar as mãos é muito importante, mas é como se acontecesse... E estamos unidas no Amor da Deusa.

Um abraço fraterno para si e para todas as mulheres deste círculo tão poderoso no qual a sua contribuição é mais do que preciosa. A Rosa será a nossa decana (embora a nossa diferença de idades seja mínima...), uma verdadeira "anciã de excelência". Bem-haja!

Imagem: Google


A Falsa Emancipação da Mulher

Hoje é dia de tirar os óculos cor-de-rosa... porque...

a verdade liberta!!!

"Actualmente, tem-se a pretensão de que a mulher é respeitada. Uns cedem-lhe o lugar, apanham-lhe o lenço: outros reconhecem-lhe o direito de exercer todas as funções, de tomar parte na administração, etc.; mas a opinião que têm dela é sempre a mesma - um instrumento de prazer. E ela sabe-o. Isso em nada difere da escravatura. A escravatura mais não é do que a exploração por uns do trabalho forçado da maioria. Assim, para que deixe de haver escravatura é necessário que os homens cessem de desejar usufruir o trabalho forçado de outrem e considerem semelhante coisa como um pecado ou vergonha. Entretanto, eles suprimem a forma exterior da escravatura, depois imaginam, persuadem-se de que a escravatura está abolida mas não vêem, não querem ver que ela continua a existir porque as pessoas procedem sempre de maneira idêntica e consideram bom e equitativo aproveitar o trabalho alheio. E desde que isso é julgado bom, torna-se inveitável que apareçam homens mais fortes ou mais astutos dispostos a passar à acção. A escravatura da mulher reside unicamente no facto de os homens desejarem e julgarem bom utilizá-la como instrumento de prazer. Hoje em dia, emancipam-na ou concedem-lhe todos os direitos iguais aos do homem, mas continua-se a considerá-la como um instrumento de prazer, a educá-la nesse sentido desde a infância e por meio da opinião pública. Por isso ela continua uma escrava, humilhada, pervertida, e o homem mantém-se um corruptor possuidor de escravos."

Leon Tolstoi, in "Sonata a Kreutzer"

http://citador.weblog.com.pt/arquivo/053965.html
Imagem: fotos.sapo.pt/uzZEiCIzt13s0Ypl8AMD/
375 x 500 - 63k


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Este é um texto do século XIX, mas cuja actualidade é ainda espantosa (e preocupante...). Eu, entretanto, acho que acrescentaria - se me permite, Sr. Tolstoi - que não é apenas enquanto objecto de prazer que a mulher é explorada, mas também enquanto robot doméstico e animal de companhia...

Ter consciência disto e sentir a dor disto é preciso, pois só essa consciência, essa dor/raiva produz em nós a força suficiente para mudarmos as coisas. O que não podemos é ficar nesses sentimentos, sendo destruídas por eles e produzindo com essa emoção negativa mais do mesmo, conforme nos diz a Lei da Atracção.

Então, tenhamos consciência, olhemos para lá e depois imaginemos outro mundo, outro tipo de vida, de relacionamentos. Tornemos possível, usando a visualização criativa, um modelo social de parceria, conforme preconiza Riane Eisler em "O Cálice e a Espada".



A Matéria e o Espírito


"Essa imagem da mulher e por falar em Magia negra...ou alquimia antes, representa a grande simbologia do corpo feminino que liga as forças cósmicas e telúricas...corpo que liga o céu e a terra que liga a matéria e o espírito...que liga o que está em cima e o que está em baixo. E que nos permite encarnar...A mãe que nos inicia na vida e no amor..." Rosa Leonor

René Magritte, La Magie Noire

em: http://silencio.weblog.com.pt/arquivo/038823.html

VIVER DE OLHOS ABERTOS


Tem sido opção do meu blogue o chamado “pensamento positivo”. Num universo dual, eu sei que é perigoso ignorar que a luz tem como complemento a sombra. Ignorar a minha dor, o meu sofrimento e o sofrimento do mundo é por certo uma posição de falsidade. Talvez por isso esteja frequentemente a remeter os meus visitantes para o blogue Mulheres & Deusas...

Entretanto, o pressuposto de que parto é: aquilo em que pomos a nossa atenção cresce ou: a energia segue o pensamento. O problema de remexermos constantemente no sofrimento do mundo é ficarmos lá atolados, e estarmos assim a perpetuar essa dor, a produzir mais dor, negatividade, carência, desequilíbrio e injustiça.

Então o que penso é que não devemos, não podemos, nem ignorar a dor do mundo e a nossa pessoal, nem enfatizá-las demasiado, caindo num pessimismo pernicioso, como se não tivéssemos escolha nem saída.

Viver de olhos abertos é admitir, sentir a nossa dor, porque é ela que nos indica que há algo que não está bem, e admitir, não negar, a nossa raiva, porque é nessa raiva que está a nossa força. A força para cortarmos, destruirmos aquilo que nos faz mal e construirmos o que é melhor para nós. A Grande Mãe possui igualmente um aspecto destruidor.

Os nossos problemas resultam essencialmente do facto de sermos demasiado brandas, boazinhas, frágeis, permissivas e acomodadas. A nossa educação ou, pior do que isso, a implantação à força bruta de um sistema patriarcal de dominação condicionou-nos para a aceitação excessiva e a servidão. Não podemos fingir que não são estas as bases em que se processa a nossa vida.

Mas não podemos ficar presas neste estádio, sofrendo os horrores da impotência, resmoendo este sofrimento e reproduzindo-o assim para todo o sempre.

Temos escolha! Valorizando-nos, valorizando o feminino. Unindo-nos. Só a nossa auto-valorização e a nossa união, mais as bênçãos da Mãe Divina, nos podem salvar. Mais nada. Mas é possível, se assim o decidirmos!

A nossa dor e a nossa raiva não são portanto para negar, mas para olhar de olhos bem abertos e sentir; porque só a energia da indignação e da raiva nos dará poder e forças para agir, para cortar com o que não é bom para nós, para sairmos de onde devemos sair (e entrar onde queremos entrar...), para fazermos os necessários ajustes. E sem essa sensação de poder e de força pessoal também não acredito que possamos ir muito longe no “pensamento positivo”...

Imagem: deusa Kali-Ma (Google)

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"Acima de todas as outras proibições, foi interditado às mulheres expressar raiva e admitir abertamente o desejo de poder e de controlo sobre a própria vida (o que significaria, inevitavelmente, aceitar algum grau de controlo e de poder sobre outras vidas).

Por fim, estou certa de que uma vida diferente para as mulheres será marcada pelo riso. É a chave infalível para um novo tipo de vida... O riso das mulheres reunidas é o sinal revelador, o reconhecimento espontâneo da intuição, do amor e da liberdade."

Carolyn G. Heilbrun (citada por Jean Shinoda Bolen)

As Deusas Sekhmet e Kali-Ma, Deusas da Transformação


"As deusas da cólera transformadora
são muito diferentes das deusas da sabedoria(...). Manifestam-se quando é tempo de actuar para mudar uma situação inaceitável, quando "Bem basta o que já basta!". Trata-se de deusas que eram chamadas quando os deuses ou os homens não conseguiam derrotar o Mal e só uma deusa poderosa estava à altura dessa tarefa. As deusas da cólera transformadora mais importantes não são representadas sob um aspecto humano. A deusa egípcia Sekhmet tem cabeça de leoa e corpo de mulher. Kali-Ma, a deusa hindu, possui uma face humana assustadora e um corpo de mulher com muitos braços.
Incluo-as nos arquétipos de velha porque surgem nessa fase da vidas das mulheres. Gloria Steinem tem dito frequentes vezes que as mulheres se tornam mais radicais à medida que envelhecem. Os homens costumam ser radicais em novos e defensores do conservadorismo mais tarde. Na sua vida pessoal e ideias políticas, as mulheres de idade parecem radicais quando são influenciadas pelo que sabem e sentem. Podem pôr termo a casamentos disfuncionais de longa data. Podem dispensar especialistas autoritários e assumir pessoalmente as rédeas no domínio médico e financeiro. Na esfera política, podem observar o modo como os homens gerem as situações e sentir indignação perante a tolerância para com o Mal ou a indiferença ao sofrimento. Sekhmet/Kali surge nelas e alimenta a sua determinação na mudança.

Estes arquétipos da cólera transformadora possuem mais eficácia quando são equilibrados pela sabedoria. Sem sabedoria, podem ser destrutivos para as mulheres e as outras pessoas. A raiva sem sabedoria alimenta-se a si própria e faz com que a mulher tenha medo de enlouquecer ou de perder o controlo, o que acontece a algumas. A mulher maltratada que regou a cama com gasolina e pegou fogo ao marido adormecido, matando-o, e a mãe de um filho maltratado que levou uma arma para o tribunal e matou o agressor são exemplos extremos. É incómodo lidar com sentimentos intensos de cólera e de hostilidade, sobretudo depois de uma vida de aceitação e de acomodação. Contudo, quando isso acontece nas mulheres de idade, existem outros arquétipos fortes capazes de equilibrar e de conter esses sentimentos em bruto.

Com sabedoria, as deusas da cólera transformadora não explodem de raiva nem actuam impulsivamente. Com sabedoria, a raiva é canalizada para um empenhamento na mudança, para uma determinação de descobrir o melhor caminho. Com sabedoria, a culpa e a vergonha não imobilizam nem impedem a mulher de enfrentar a verdade e de se encolerizar. E quando a estratégia e a indignação se juntam, uma mulher de idade transforma-se numa velha fantástica."

Jean Shinoda Bolen, As Deusas e a Mulher Madura (edição brasileira da editora Triom)/ As Deusas em cada Mulher-A Deusa Interior (edição portuguesa da Planeta Editora)

Amar a divindade que habita cada um


As Edições Prosveta têm a alegria de lhe oferecer o pensamento 26/05/2008:

"Amai o Criador, Aquele que é a origem de toda a vida, e senti-l'O-eis manifestar-Se através de cada criatura. É Ele, o Único, que vós amareis nelas, só Ele corresponderá às aspirações do vosso coração e da vossa alma. É por não terem compreendido esta verdade que tantos homens e mulheres, cujas aventuras e conquistas amorosas a História nos conta, tiveram destinos trágicos.
Os seres de carne e osso que vós dizeis amar e procurar não passam de intermediários, de condutores destinados a transmitir as energias divinas, e, se quereis continuar a amá-los, pensai em restabelecer todos os dias o contacto com o mundo do alto.
Não precisais de vos preocupar em saber quem ides amar ou por quem desejais ser amados. Amai Deus primeiro que tudo e Ele apresentar-Se-á a vós, sorrir-vos-á encher-vos-á de alegria através das criaturas. Vós amá-las-eis e sereis amados por elas, porque amareis a Divindade que as habita e elas também A descobrirão através de vós."

Edições Prosveta (Obrigada, Ana C.)
Imagem: Kuan Yin, Deusa da Compaixão (Google)