terça-feira, 20 de maio de 2008

A Memória da Natureza


No século XIX, Charles Darwin revolucionou a ciência com as suas teorias a respeito da evolução das espécies. No século seguinte, outro inglês, Rupert Sheldrake, também causou polémica no meio científico. As suas teorias são consideradas revolucionárias porque abalam as verdades já estabelecidas sobre a origem das espécies. Apesar de parecerem muito complicadas, elas podem ser resumidas de uma maneira simples: a natureza tem memória.

Como todos os grandes cientistas, Rupert Sheldrake sempre foi um observador da natureza. Descobriu muito cedo que ela está a todo momento produzindo pistas que podem levar-nos a novas respostas sobre o mistério da criação. A primeira grande "revelação" aconteceu quando tinha menos de cinco anos de idade. Ele observava um galho que brotava de uma estaca de madeira que parecia estar morta. Ficou fascinado com a capacidade de renascimento da planta e começou a tentar compreender o mistério que se esconde nos processos de morte e de regeneração sempre presentes na natureza.

Depois de muitos anos de estudo e pesquisa chegou à conclusão de que a chave desse mistério estaria numa espécie de memória: uma memória colectiva e inconsciente que faz com que formas e hábitos sejam transmitidos de geração para geração. Sheldrake chamou essa memória colectiva de campo mórfico. Esse campo seria uma região de influência que actua dentro e em torno de todo organismo vivo. Algo parecido com o campo electromagnético que existe em volta dos ímanes.

Para o cientista, cada grupo de animais, plantas, pássaros, etc. está cercado por uma espécie de campo invisível que contém uma memória e que sugere que as leis da natureza são como hábitos. Cada animal usa a memória de todos os outros animais da sua espécie. Esses campos são o meio pelo qual os hábitos de cada espécie se formam, se mantêm e se repetem. Os seres humanos também têm uma memória comum. É o que Jung chamou de inconsciente colectivo.

A existência dos campos mórficos pode ser demonstrada de várias maneiras.

Sheldrake já realizou várias pesquisas para provar que o corpo possui um campo mórfico e quando se perde uma parte desse corpo, o campo permanece. Um exemplo é uma das experiências que fez. Uma pessoa que não tem parte do braço age como se estivesse empurrando o membro fantasma através de uma tela fina. Do outro lado da tela, uma outra pessoa tenta tocar o braço fantasma. De acordo com Sheldrake, as duas pessoas envolvidas na experiência são capazes de sentir o toque. É uma prova de que alguma coisa do braço ainda existe concretamente e não apenas no cérebro da pessoa que o perdeu.

Os campos mórficos também se aplicam àquela sensação que a maioria das pessoas tem quando sente que está sendo observada por trás. Ao virar-se, pessoa comprova que alguém realmente a estava a observar.

A respeito da teoria da memória colectiva, Sheldrake lança uma luz sobre a questão da existência de vidas passadas. Ele diz que às vezes as pessoas podem entrar em sintonia com as memórias de uma outra pessoa que existiu no passado. O que não significa que elas foram realmente aquela pessoa, mas que se teve acesso à memória dela.

A aplicação prática mais importante dos campos mórficos pode estar na educação. Sheldrake garante que os seres humanos aprendem com mais facilidade o que os outros aprenderam antes. Esse fenómeno é muito comum entre os químicos. Quando um deles tenta cristalizar um novo composto leva muito tempo para conseguir um bom resultado. Mas a partir desse momento, noutros lugares do mundo, muitos outros químicos conseguem cristalizar o mesmo composto num tempo muito mais curto. A experiência mais fácil de se compreender é a que foi feita numa universidade inglesa. Alguns pesquisadores conseguiram provar que as palavras cruzadas dos jornais são muito mais fáceis de resolver quando feitas no dia seguinte à publicação original.

Mas além de um grande bioquímico, Sheldrake também pode ser considerado um filósofo. Ele defende a ideia de que temos de nos responsabilizar não só pelos nossos actos e palavras. Precisamos também de tomar muito cuidado com os nossos pensamentos, pois estes interferem no meio ambiente e podem ter consequências em lugares muito distantes.

Maria Cecile Azambuja
Jornalista

Notas: (Texto extraído do Jornal Vimana, nº3 – pg 15)

A teoria de Sheldrake


“De acordo com este cientista, cada corpo presente no universo teria o seu próprio campo mórfico, eles actuam como campos magnéticos mas atravessam tempo/espaço e por isso não perdem intensidade com o aumento da distância.

Esses campos moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material; mais que isso, é ele que faz com que um sistema seja um sistema e não um amontoado de partes. Outra semelhança com campos magnéticos seria o facto de não podermos percebê-lo directamente, mas somente através dos seus efeitos.

Presentes em tudo, dos átomos às galáxias, esses campos distribuem-se através do tempo/espaço conectando todos os sistemas individuais que tenham associações entre si.


Origem dos Campos Mórficos

O conceito de campos morfogenéticos foi criado nos anos 20, para explicar como células iguais crescem e se transformam em partes diferentes de um organismo, como orelhas, mãos, etc., omissão que permanece na ciência reducionista.

Segundo este conceito, o ADN não contém uma memória genética ou um mapa de crescimento para essas células, mas sim a capacidade de sintonizar campos mórficos já existentes, onde estão registadas as nossas impressões de acontecimentos passados. Ele conecta os campos mórficos da sua espécie e, assim, tem à sua disposição a memória colectiva de todo o grupo, onde colhe informações para o seu desenvolvimento. No século 19, Helena Blavatsky já descrevia sob o nome de akasha, ou luz astral, a ideia de uma essência espiritual do mundo físico que continha modelos predefinidos das espécies. Ao elaborar a sua teoria, Sheldrake apenas ampliou o campo de actuação dessa funcionalidade para todas as áreas da natureza.”

http://www.rizoma.net/interna.php?id=150&secao=mutacao