sábado, 10 de maio de 2008

Suprimindo a Donzela


“Freya era a deusa da juventude, amor e beleza em O Anel dos Nibelungos, de Richard Wagner, a quem Wotan fez a dádiva dos gigantes em troca da construção do Valhalla, o seu castelo-fortaleza e monumento à sua eterna forma e masculinidade. Trata-se de um tema recorrente na mitologia dos patriarcados: é Agamémnon em A Ilíada, sacrificando a filha, Ifigénia, para que a sua armada pudesse navegar para Tróia; é Zeus concordando que Hades podia raptar Proserpina. É também a metáfora para a psicologia, dos homens que trocam a sua juventude, a importância do amor e uma apreciação de beleza pela sua ambição. Sacrificam a anima, suprimindo a faceta feminina da psique em prol do poder. Não se permite ao feminino que desenvolva e contribua para a criatividade, sensibilidade e perspectiva da personalidade masculina. A anima, simbolizada por uma donzela, é vista e tratada da mesma maneira que as mulheres – desvalorizada e suprimida no mesmo grau.”

Jean Shinoda Bolen, Travessia para Avalon, Planeta Editora

“Isso também acontece às mulheres. Repudiar as qualidades da juvenil Freya é o preço do sucesso no mundo dos homens. Uma mulher não consegue obter êxito se se perceber que é demasiado feminina, que tem um coração terno, é vulnerável ou emocional. Nem pode ter sucesso, geralmente, se possuir a confiança em si mesma da Grande Deusa Freya, porque então não saberá qual o seu lugar.”

Jean Shinoda Bolen, Travessia para Avalon, Planeta Editora

De vez em quando, “abcessos”, “tumores”, excessos disto formam-se num ponto específico da nossa civilização e das masmorras dos Fritzes saem as Freyas abusadas, para grande escândalo de todos nós, distraídos que andamos dos conteúdos dos nossos próprios subterrâneos...