quarta-feira, 30 de abril de 2008

Eco-alfabetização e ecodesign

”Estas definições implicam que o primeiro passo correlacionado com o nosso empenho para construir comunidades sustentáveis deve ser em direcção à “alfabetização ecológica", i.e., entender os princípios de organização evolutiva dos ecossistemas na sustentação da teia da vida. Nas próximas décadas a sobrevivência da humanidade dependerá da nossa alfabetização ecológica – a nossa habilidade para entendermos os princípios básicos da ecologia e vivermos de acordo com a sua observação. Isto significa que a eco-alfabetização deve tornar-se uma qualificação indispensável para políticos, líderes empresariais e profissionais em todas as esferas, e deverá ser a parte mais importante da escolaridade, em todos os níveis – desde a escola primária até à escola secundária, faculdades e universidades, na educação contínua e no treino de profissionais.

Nós temos que repassar para os nossos filhos
os factos fundamentais da vida:

- que as sobras abandonada por uma espécie são alimento para outra;
- que a matéria circula de forma contínua através da teia da vida;
- que a energia que promove os ciclos ecológicos flui do sol;
- que a diversidade assegura flexibilidade;
- que a vida, desde os seus primórdios, mais de três biliões de anos atrás, não assumiu o planeta através do combate, mas através de redes de trabalho integrado.

A ecoalfabetização é o primeiro passo na estrada da sustentabilidade.
O segundo passo é movimentar-se da eco-alfabetização para o ecodesign. Temos que aplicar o nosso conhecimento ecológico para a replaneamento fundamental das nossas tecnologias e instituições sociais, de modo a estabelecermos uma ponte entre o planeamento humano e os sistemas de ecoplaneamento

ecologicamente sustentáveis da Natureza. Planeamento, na acepção ampla da palavra, consiste em direccionar os fluxos de energia e da matéria para a finalidade humana.

O ecoplaneamento (ecodesign) constitui um processo pelo qual os nossos objectivos humanos são cuidadosamente entrelaçados com os padrões maiores e com os fluxos do mundo natural. Os princípios do ecoplaneamento reflectem os princípios da organização evolutiva da natureza e que sustentam a teia da vida.

Exercer a prática do planeamento industrial neste contexto requer uma mudança fundamental de atitude para com a natureza, abandonando o conceito de “o que podemos extrair da natureza" e substituindo-o por “o que podemos aprender com ela." (...)

"Nós estamos presentemente no limiar de uma transição histórica, da idade do petróleo para a idade do hidrogénio."

"(...) eu gostaria de enfatizar que a transição para um futuro sustentável, já não configura um problema técnico ou conceptual: é um problema de valores e de empenho político. "

"O chamado mercado-global, em rigor, não é um mercado de forma alguma, mas uma rede de máquinas programadas para agirem segundo um único valor: ganhar dinheiro por ganhar dinheiro, à exclusão de todos os outros."

Fritjof Capra

http://www.cosmonauta.com.br/FritjofCapra/FritjofCapra.htm

Imagem: Google

A ECOLOGIA PROFUNDA


No seu mais novo livro, A Teia da Vida (Cultrix-Amana), Fritjof Capra* mostra como a ecologia profunda - a concepção que não separa os homens da natureza - ganha relevância na nova visão da realidade.

“(...) O paradigma que está agora retrocedendo dominou a nossa cultura por várias centenas de anos, durante os quais modelou a nossa moderna sociedade ocidental e influenciou significativamente o resto do mundo. Esse paradigma consiste em várias ideias e valores entrincheirados, entre os quais a visão do universo como um sistema mecânico composto de blocos de construção elementares, a visão do corpo humano como uma máquina, a visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência, a crença no progresso material ilimitado, a ser obtido por intermédio de crescimento económico e tecnológico, e - por fim, não menos importante - a crença em que uma sociedade na qual a mulher é, por toda a parte, classificada em posição inferior à do homem é uma sociedade que segue uma lei básica da natureza. Todas essas suposições têm sido decisivamente desafiadas por eventos recentes. E, na verdade, está ocorrendo, na actualidade, uma revisão radical dessas suposições.

Ecologia Profunda

O novo paradigma pode ser chamado de uma visão do mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma colecção de partes dissociadas. Pode também ser denominado visão ecológica, se o termo "ecologia" for empregado num sentido muito mais amplo e profundo que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenómenos e o facto de que, enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos). Os dois termos, "holístico" e "ecológico", diferem ligeiramente nos seus significados, e parece que "holístico" é um pouco menos apropriado para descrever o novo paradigma. Uma visão holística, digamos, de uma bicicleta significa ver a bicicleta como um todo funcional e compreender, em conformidade com isso, as interdependências das suas partes. Uma visão ecológica da bicicleta inclui isso, mas acrescenta-lhe a percepção de como a bicicleta está encaixada no seu ambiente natural e social - de onde vêm as matérias-primas que entram nela, como foi fabricada, como o seu uso afecta o meio ambiente natural e a comunidade pela qual ele é usada, e assim por diante. Essa distinção entre "holístico" e "ecológico" é ainda mais importante quanto falamos sobre sistemas vivos, para os quais as conexões com o meio ambiente são muito mais vitais. O sentido em que eu uso o termo "ecológico" está associado a uma escola filosófica específica e, além disso, a um movimento popular global conhecido como "ecologia profunda", que está rapidamente adquirindo proeminência. A escola filosófica foi fundada pelo filósofo norueguês Arne Naess, no início dos anos 70, com sua distinção entre "ecologia rasa" e "ecologia profunda". A ecologia rasa é antropocêntrica, ou centralizada no ser humano. Ela vê os seres humanos como situados acima ou fora da natureza, como a fonte de todos os valores, e atribui apenas um valor instrumental, ou de "uso", à natureza. A ecologia profunda não separa seres humanos - ou qualquer outra coisa do meio ambiente natural. Ela vê o mundo não como uma colecção de objectos isolados, mas como uma rede de fenómenos que estão fundamentalmente interconectados e são interdependentes. A ecologia profunda reconhece o valor intrínseco dos seres vivos e concebe os seres humanos apenas como um fio particular na teia da vida. Em última análise, a percepção da ecologia profunda é percepção espiritual ou religiosa. Quando a concepção de espírito humano é entendida como o modo de consciência no qual o indivíduo tem uma sensação de pertinência, de conexão, com o cosmos como um todo, torna-se claro que a percepção ecológica é espiritual na sua essência mais profunda.(...)”

in http://hps.infolink.com.br/peco/nage_02.htm
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Fritjof Cap
ra- físico e teórico de sistemas, autor de "O Tao da Física" (1975), "Ponto de Mutação"(1982), "Conexões Ocultas" (2002)

"O Tao da Física analisa as semelhanças entre os conceitos da Física Moderna e o Misticismo Oriental. Fritjof Capra mostra o que há em comum entre a física atómica e subatómica, a teoria da relatividade e a astrofísica com as tradições místicas orientais do Hinduísmo, Budismo, Taoísmo, do Zen e do I Ching."

"Acredito que a visão de mundo sugerida pela Física Moderna seja incompatível com a nossa sociedade actual, a qual não reflecte o harmonioso estado de inter-relacionamento que observamos na natureza. Para se alcançar tal estado de equilíbrio dinâmico, será necessária uma estrutura social e económica radicalmente diferente: uma revolução cultural na verdadeira acepção da palavra. A sobrevivência de toda a nossa civilização pode depender de sermos ou não capazes de realizar tal mudança". in "Ponto de Mutação"

"Conexões Ocultas - As últimas descobertas científicas mostram que todas as formas de vida - desde as células mais primitivas até às sociedades humanas, suas empresas e Estados nacionais, até mesmo à economia global - se organizam segundo o mesmo padrão e os mesmos princípios básicos: o padrão em rede. Neste livro, Capra desenvolve uma compreensão sistémica e unificada que integra as dimensões biológica, cognitiva e social da vida e demonstra claramente que a vida, em todos os seus níveis, está interligada por redes complexas. Segundo Capra, os seres humanos estão ligados à teia da vida no nosso planeta, daí a necessidade de organizarmos o mundo segundo um conjunto de crenças e valores que não tenha a acumulação de dinheiro por único sustentáculo. Esta mudança de atitude para uma economia ecologicamente sustentável e socialmente justa é fundamental não só para as organizações humanas, como também para a sobrevivência de toda a humanidade."

http://www.agirazul.com.br/fsm4/_fsm/00000198.htm


Imagem: Google

A Lenda Pessoal

Lembram-se de "O Alquimista", do Paulo Coelho?...

"(...) A Lenda Pessoal é um caminho que dá sentido à existência pessoal de cada um de nós, que nos faz brilhar de dentro para fora. É um entusiasmo que brota dentro de nós, quando sentimos que o que estamos a fazer é o que devíamos estar a fazer nesse exacto momento, nesse exacto local. Isto acontece quando estamos a seguir a nossa Lenda Pessoal. Contudo, nem todos nós temos a coragem de nos confrontarmos com o nosso sonho, com o potencial que está dentro de nós. (...)"

Leia mais em: http://www.jaimegrace.com/lendapessoalviagemheroi.htm
Imagem: http://www.fotolog.com/gabrielguedes/

Sete Pilares da Masculinidade


"É preciso a ajuda de muitos homens para tornar um rapaz num homem. A escola não o faz. Ver televisão também não. A mamã por mais que se esforce não o consegue fazer por si própria. Os rapazes precisam de exposição a modelos saudáveis masculinos para crescerem saudáveis e saberem viver a sua masculinidade em adultos. Esta necessidade de modelos saudáveis masculinos não termina na adolescência, continua na idade adulta, mesmo na meia-idade. Se esta necessidade é suprida, a vida torna-se muito mais suportável, segura, interessante e amistosa. A sensação de luta solitária e de iminente fracasso é substituída por uma experiência da vida como uma viagem apoiada em direcção à mestria de ser homem.

Se as suas necessidades de desenvolvimento não foram satisfeitas na infância e na adolescência é muito provável que você não tenha consciência disso. Até crianças que cresceram em famílias mais bizarras assumem que a sua vida é normal. Você só começa a suspeitar que algo está mal quando a sua vida começa a “descarrilar”. Isto é o que acontece à maior parte dos homens hoje em dia. Alguns dos sinais indicadores disto são os problemas com os quais são confrontados e que servem de alerta para as profundas falhas no seu ser. Este problemas têm a ver com problemas de saúde, com o casamento, com o facto de assumirem serem pais, com a capacidade de fazer amigos, com o fracasso no trabalho, etc. Enquanto jovens adultos agimos com confiança excessiva, vaidosa e alegre, mas à medida que a pressão da vida começa a acumular-se e a tornar-se insuportável, as nossas deficiências começam a tornar-se mais óbvias. A desconcertante performance dos nossos líderes masculinos, a todos os níveis da sociedade, é um sintoma deste problema. Um líder masculino vai beber a sua experiência aos excepcionais cuidados paternos que teve. Ele é o “pai” para uma equipa, para uma empresa ou até para um país.

Na natureza, todo o desenvolvimento segue uma sequência pré estabelecida. No caso específico do desenvolvimento masculino esta sequência foi esquecida e o processo foi deixado muito ao acaso. Se olharmos para culturas mais antigas, vemos um esforço imenso e focalizado para cuidar do crescimento dos rapazes – rituais, aprendizagens e processos que só muito superficialmente têm equivalente na nossa cultura. Robert Bly e outros identificaram sete pilares essenciais para o desenvolvimento da masculinidade, que veremos mais à frente. O objectivo não é só ser bem “ajustado”, mas algo com mais valor – ter uma vida gloriosa. Os caçadores sioux, o guerreiro zulu, o ancião aborígene e o artífice medieval viveram vidas gloriosas, cuidaram dos seus e protegeram os seus e seu mundo. Por que não o homem moderno?

Um com o Pai

O seu pai é a linha de contacto com a sua masculinidade. Assim, problemas não resolvidos com ele vão afectar o modo como você vai viver a sua masculinidade, pois ele foi e é, consciente ou inconscientemente para si, o seu modelo, seja esse modelo negativo ou positivo. Uma possível direcção a seguir é o de trabalhar no sentido de clarificar e resolver a relação existente entre você e ele. Será muito difícil para si continuar com sucesso a sua vida até que o compreenda, perdoá-lo e, de algum modo , chegar a respeitá-lo. Isto pode ser feito através de uma conversa com ele, se está vivo, ou na sua mente, se ele já faleceu.

Sexualidade Sagrada

É importante não só aprender a estar confortável com a sua própria sexualidade, que já é um passo muito importante em si, mas ir além disso, e aprender como sentir-se transformado e realizado através da sua própria sexualidade. A sexualidade poderá ser vivida por si como uma parte baixa e obsessiva da sua vida ou como uma fonte sagrada de poder e bem-estar. Não há ponto médio. O primeiro passo é reposicionar a sua energia sexual em si próprio, em vez de a “dar” às mulheres. Depois é preciso aprender a arte da “caça” – o papel específico que um homem deve assumir na “dança” entre homem e mulher.

Encontrar uma Parceira em Termos Iguais

Todos podem arranjar uma parceira, o problema é manter essa parceira. Para fazer isto é necessário aprender a encontrar a sua parceira como um ser diferente mas igual. Isto significa respeitá-la mas também respeitar-se a si próprio. De modo a ter uma relação duradoura e com sucesso, terá por vezes de discutir ferozmente e fazê-lo de um modo seguro e focalizado para que os problemas sejam resolvidos. Nos actuais casamentos modernos, em geral, as mulheres abandonam homens demasiado “moles” e homens demasiado “durões” afastam rapidamente mulheres que se auto-respeitam. O homem moderno deve aprender a comunicar rapidamente.

Tempo de Qualidade com os Filhos

Não é possível ser-se pai à distância, por intermédio de outra pessoa, por detrás de um jornal, olhando para a TV ou deixando tudo ao cuidado da sua parceira – porque uma mulher não possui todos as valências necessárias para tal. É preciso encontrar o equilíbrio certo para os seus filhos entre ser “duro” e “suave”. Isto é especialmente importante para os rapazes. Eles irão precisar de muitas horas por dia dos seus cuidados, se é para progredirem no sentido da sua masculinidade. As filhas também dependem do pai para uma larga fatia da sua auto-estima.

Aprender a ter Verdadeiros Amigos Homens

Você precisa de ter apoio emocional de outros homens e descobrir como completar a sua própria iniciação na masculinidade. Deve também encontrar maneira de dar isto aos seus próprios filhos adolescentes. Todos os homens necessitam da ajuda de outros homens para completar algumas transições na sua vida, assim como para ter uma vida com calor humano e descontraída.

Satisfação no Trabalho

Empreenda esforços para encontrar um trabalho ou profissão em que acredite. Isto para que o seu tempo e a energia da sua vida sejam gastos na direcção do seu coração ou motivação. Não é suficiente só encontrar um ganha-pão. O verdadeiro trabalho dos homens é de apoiar e proteger a vida, de ajudar a construir um mundo melhor. Se não acredita no seu trabalho, então a suas contradições internas podem começar a matá-lo aos poucos, dia após dia. Isto é muito importante.

Liberte o seu Espírito Selvagem

O deus dos homens não se encontra nos subúrbios ou nas torres de escritórios. A estabilidade interior não é conseguida através das conquistas, realizações profissionais ou de bens que possui. Precisa de encontrar uma base espiritual para a sua vida interior que seja especificamente masculina e baseada na natureza, que o ligue ao planeta no qual vive. À medida que envelhece esta ligação será a sua fonte de força e harmonia, libertando-o do medo e das dependências nos outros.

Traduzido e adaptado por Jaime Graça a partir de - Biddulph, S., “Manhood”, Hawthorn Press, Gloucestershire, 2003.

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