domingo, 9 de março de 2008

Eco-feminismo


O Despertar da Deusa

A Planeta na Web entrevistou May East numa das suas curtas passagens por São Paulo. Ela falou da Fundação Findhorn e explicou porque é que o resgate do feminino é tão importante para o futuro do planeta

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Planeta na web - Como é que traz esses ensinamentos do eco-feminismo para o Brasil?

May - A reconsagração do ventre, por exemplo, que é um dos trabalhos que faço aqui, é de profunda intimidade da mulher consigo mesmo, de resgate da sua conexão com o seu ventre, o seu cálice de luz, o seu centro de gravidade - mas ao mesmo tempo é um trabalho profundamente politizado. Historicamente há as feministas políticas, que representam o yang do yin dos anos 50 e 60, que queimavam os sutiãs na praça publica, Depois temos essas mulheres que vieram nutrindo a chama do que era ser mulher em sociedades secretas, muito preocupadas em serem interpretadas como mulheres que estão fazendo bruxaria. Essas duas vertentes da reemergência do feminino do século 20 muitas vezes fluíram em oposição. As feministas políticas olhando para as mulheres do retorno da deusa dizendo "essas mulheres estão num exercício narcisista, não estão conseguindo articular esse corpo de valores na sociedade e mudá-la", e as mulheres do retorno da deusa sem poder para realmente fazer essa articulação, essa tecedura, do mistério do feminino na realidade - nem mesmo de passar para os seus filhos homens e mulheres. Então aconteceu foi o encontro de Beijing, na China, há quatro anos. Foi um encontro histórico para a reemergência da

mulher, porque lá estavam as feministas políticas e as mulheres do retorno da deusa, e elas perceberam que tinham que entrar em diálogo e começar a trocar. Foi aí que o eco-feminismo assentou na consciência das mulheres. As feministas perceberam que se continuassem com a sua ação política mas ao mesmo tempo estivessem ancoradas, enraizadas nos mistérios do que é ser mulher, elas seriam mais eficientes agentes da transformação. E as mulheres do retorno da deusa perceberam que não há mais tempo mesmo de ficar relembrando o passado, nós temos que mudar o hoje para garantir o futuro das próximas gerações. É fantástico, é um privilégio estar encarnada como mulher nesse momento e poder fazer esse resgate de si própria, passar para as filhas... Eu sou apaixonada pelo que eu faço.

Planeta na web - E os homens, como ficam nessa história?

May - Quando encontrei o Craig, ele há muitos anos trabalhava com o movimento de homens. Percebemos nesse encontro que o mais fácil mesmo era polarizar, as mulheres ficarem celebrando o passado, inaugurando o presente e sonhando o futuro, e os homens buscando essa nova identidade do masculino. Então fomos treinados num método chamado de Reconciliação entre o Feminino e o Masculino. O crucial para a questão do masculino e do feminino é o entendimento. Existe uma série de métodos para que a gente saia da comunicação defensiva entre homem e mulher, onde só ouvimos aquilo que é necessário para empilhar munições para ganhar no duelo de quem tem a verdade mais forte ou melhor articulada. Nós percebemos que, ao longo dos séculos, o que era ser mulher e ser homem era segredo dos respectivos clans, e começámos tentar explorar um novo caminho: uma vez que já resgatámos o feminino, convidar os homens a visitar, em termos simbólicos, e serem introduzidos ao que é ser mulher - e vice-versa.

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Adaptado

Em: http://www.terra.com.br/planetanaweb/flash/reconectando/agrandeteia/may4.htm

Imagem: shop1.actinicexpress.co.uk

A magia de Findhorn


"Uma pequena gruta à beira- mar, no litoral da Escócia. Um grupo de mulheres limpa o local. Não são irmãs, nem amigas nem tampouco colegas de trabalho. Na verdade, algumas mal se conhecem. Mas neste momento estão todas unidas, como se formassem uma só família. Sua intenção é realizar um ritual que valorize a energia feminina. A caverna representa o útero. A limpeza, a purificação. Unidas, trabalham concentradas na simbologia de seus atos. Depois farão outros rituais, acenderão velas, transformarão este lugar mítico numa representação de si próprias. Estão em busca de autoconhecimento, de contato com a espiritualidade, da Grande Deusa. Mas, para Olga Cristina Amato Balian, uma brasileira que integra o grupo de 18 pessoas, a cerimônia tem também o sabor de celebração. Marca um ciclo de sete anos de mudanças em sua vida. Um período iniciado, quem diria, por uma garrafa térmica de café." (...)

Ler mais em http://estilonatural.uol.com.br/Edicoes/49/artigo63263-1.asp

O FEMININO REENCONTADO


Aconteceu ontem, no magnífico cenário da Galeria Art For All, de Mariana Inverno, em Cascais, o 2º dos Encontros no Feminino, desta vez com Nathalie Durel Lima, psicoterapeuta junguiana e autora do livro “O Feminino Reencontrado”, falando-nos dos arquétipos das deusas gregas e do seu papel na psique feminina.

Também Rosa Leonor Pedro nos falou da questão em que tem centrado todo o seu trabalho e que é a grande divisão que, na nossa cultura latina, a igreja católica terá promovido no íntimo da mulher ao cindir o feminino nas duas partes antagónicas, a virgem e a pecadora, Maria e Madalena. Esta grande cisão interior, que depois se projecta para o exterior, como é óbvio, e que se traduz na clássica rivalidade entre as mulheres, terá sido o golpe definitivo que o patriarcado desferiu sobre as mulheres e o poder feminino.

Nos arquétipos das deusas, este antagonismo traduz-se pela relação conflituosa entre Hera (a esposa) e Afrodite (a amante), como referiu Nathalie Durel, o que nos leva a concluir que a igreja mais não fez que sancionar e actualizar um princípio já existente na cultura patriarcal anterior. Bom, este “a igreja mais não fez” não é bem assim, porque ela já fez muito: para além de ter caluniado por séculos e séculos a companheira de Jesus, Maria Madalena, os seus princípios baseavam-se na doutrina de Cristo que era de inclusão e nunca de divisão e exclusão...

Rosa Leonor dirá depois o que acha desta conclusão...

Seja como for, esta cisão é uma realidade inegável que apenas tem servido para alimentar o sistema patriarcal e, concordo com esta autora, unir dentro de nós estas duas mulheres é indispensável e urgente.

Comemorar assim o 8 de Março, num círculo tão bonito de mulheres e num espaço dedicado à arte tão inspirador, é mais do que se pode pedir à vida... Obrigada a todas.

P.S. Na galeria, onde a pintura maravilhosa nos permite uma autêntica elevação de consciência, há ainda a Livraria Spirit, também on-line, recheada com uma extensa colecção de livros sobre o feminino, entre outros temas, obras que por vezes temos dificuldade em encontrar noutros locais.