segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A Palavra às Mulheres


Abrir o chacra da garganta

“As mulheres estão com um "nó na garganta" porque concordaram, há quatro ou cinco mil anos, em manter silêncio acerca da magia e da intuição que representavam e conheciam como parte da chama gémea. A chama gémea consiste na energia masculina e feminina coexistindo num só corpo, quer seja ele fisicamente masculino ou feminino. (...) Durante este período de mudança, será necessário que as mulheres desatem o "nó na garganta" e se permitam falar. Chegou a hora. Para os homens, o desafio consiste em compreender as mulheres e sentir. Devem deixar que o sentimento entre na expressão da vossa sexualidade e dos vossos relacionamentos." (...) "O que estamos sugerindo para a energia masculina – e isso vale também para as mulheres, quando operam no seu estado masculino – é que deixem o sentimento entrar na área da sexualidade. Sintam a amplitude da emoção e não apenas a sexualidade física, o estímulo localizado. Existe um estímulo emocional que necessita de um compromisso emocional e de uma confiança emocional. No campo electromagnético, este estímulo emocional vai abrir uma frequência dentro de vocês. Esta frequência, que a sexualidade representa, é um remanescente da vossa divindade. Os homens fecharam o seu centro do sentimento para serem os comandantes do planeta. Foram capazes de guerrear, matar e dominar o planeta por terem fechado este chacra do sentimento. E as mulheres concordaram em fechar o chacra laríngeo, o centro da fala, para que os homens tivessem a oportunidade de comandar o sistema. Tudo isso agora está chegando a um ponto de equilíbrio. As mulheres começaram a abrir sua garganta há cerca de trinta anos, passando a ter a oportunidade de falar sempre. O problema é que muitas mulheres acabaram por fechar o centro do sentimento ao abrirem o da fala. Começaram a parecer-se com os homens. É necessário equilíbrio. A mulher está agora sentindo a necessidade de despertar o princípio feminino dentro dela. Vive num corpo feminino e controla uso da vibração masculina no seu interior. (...) As mulheres também serão atingidas pela abertura do chacra do coração, sentindo grande compaixão e alegria ao verem os seus homens sentir. Estamo-nos referindo a acontecimentos de massa, que atingirão a humanidade através de ondas de luz. As mulheres precisam redefinir os seus conceitos de feminilidade e força. Elas precisam de descobrir o que significa ser uma mulher forte, assim como os homens precisam de descobrir o que significa ser um homem vulnerável. (...) As mulheres possuíam um invólucro muito rígido em volta do seu campo de energia; precisavam de proteger-se. Agora elas vão desenvolver a verdadeira força emocional. A casca rígida vai diluir-se e o corpo radiante luminoso brilhará directamente do coração."

rodrigogferreira

in Mensageiros do Amanhecer: Ensinamentos das Plêiades, Barbara Marciniak

Imagem: blogdasartes.blogspot.com

domingo, 23 de novembro de 2008

A CANÇÃO DA HARMONIA

As Energias para Novembro de 2008

Arcanjo Miguel através de Célia Fenn

Amados Trabalhadores da Luz, a Energia da Mudança está se deslocando pela Terra. Enquanto vocês atravessam o portal 11:11, a Terra está sendo elevada a um novo Esplendor e Luz que está auxiliando a acelerar a mudança para a Nova Consciência. A Humanidade fez a escolha colectiva de entrar em uma nova fase da Evolução a um nível mais elevado de consciência neste momento, e assim, vocês, como Trabalhadores da Luz, estão sendo preparados agora para o trabalho que farão nesta próxima fase da manifestação da Nova Terra.

Nós comparamos esta nova energia que está entrando no Planeta a uma "Canção da Harmonia". É a Inteligência Criativa Divina vertendo como um Rio de Luz Dourada e de Som, e a canção é a da Harmonia e da Paz. É o Tom Dourado que determinará a ressonância para a Paz Global, a Harmonia e para uma Nova Era da Luz.

Amados, vocês fizeram a Escolha e se Alinharam com as energias que chegam. Nos últimos dez anos de Transformação e de Transição, vocês trabalharam para Despertar e se libertarem dos velhos padrões do medo e da limitação e para criar um novo Equilíbrio e Harmonia Interior. Agora vocês são capazes de experienciar a vida na Terra na Luz do Amor, da Compaixão e da Gratidão, e vocês estão preparados para conduzir outros neste novo caminho da vida.

Neste próximo período de dois meses até o final do ano, marcado pelos portais 11:11 e 12:12, e então pelo Solstício de Dezembro, vocês serão alinhados com o seu novo Trabalho e Propósito para a próxima fase da Evolução da Terra. Nesta fase, as sementes da Paz e da Abundância que vocês plantaram, começarão a se manifestar de modos milagrosos, pois a Humanidade começa a trabalhar em conjunto para assegurar um Futuro Pacífico para Todos.

Vocês serão os Líderes na Canção da Harmonia. Vocês ensinarão outros como ver através dos olhos do Amor e da Compaixão, e como ver que são realmente Uma Família na Terra. Quando o Espírito os atraiu para os Grupos de Alma e as Famílias de Alma, vocês chegaram a compreender o princípio da Família de Luz. Agora vocês começarão a ver todos na Terra como parte de uma Grande Família, e como podem incluir todos na Canção da Harmonia e do Amor.

Amados Trabalhadores da Luz, vocês percorreram um longo caminho e trabalharam arduamente. Agora é o momento de curtir as recompensas do seu trabalho por muitas existências. Agora é o momento de permitir a Abundância, a Paz, o Amor e a Alegria em suas vidas. Agora é o momento de receberem o Fluxo das Bênçãos Divinas com Gratidão e Graça. Pois a longa luta acabou e vocês começam agora a manifestar com Tranquilidade e Alegria na Luz Dourada da Abundância.

É o momento de compreender as grandes bênçãos da vida na Terra e a aventura da vida, enquanto vocês criam juntos como uma expressão da Vontade Divina. É o momento de liberar totalmente todos os padrões passados da baixa auto-estima, do medo, da culpa, da raiva e do julgamento de outros, e de aceitar que todos estão aqui para evoluir e para crescer na Luz de suas almas.

Amados, enquanto vocês liberam a dualidade e o julgamento como conceitos em suas vidas e aceitam a "Família" na Terra, vocês se movimentarão com a música da Canção da Harmonia. Pois, vocês criaram uma cultura rica e diversa em seu planeta, e, entretanto, todos vocês são Amadas Expressões da Luz Divina na Forma Material. Quando vocês compreenderem este princípio plenamente, isto os capacitará a se moverem além do medo e o ódio, e para a aceitação do Propósito Divino por trás de todas as coisas.

Na Velha Energia, vocês eram como crianças, e eram motivados por emoções e medos intensos e frequentemente distorcidos. Mas agora, vocês estão despertos na Luz como seres amadurecidos de Luz e estão motivados pelo Amor e Compaixão puros que é um reflexo de sua Divindade Interior. Vocês estão aprendendo a ver esta Divindade em Outros e a fazer escolhas de acordo com esta Luz. E assim, a Terra está ascendendo para a Luz Divina e ecoando com a Canção da Harmonia, enquanto é estabelecida no Planeta como uma solução para o Futuro que se revela da sua Evolução na Luz.

As Energias para Novembro 2008

Em Novembro, o Sol estará em Escorpião, passando para Sagitário no dia 22 de Novembro. O Sol, Mercúrio, Marte e Plutão passarão todos através de Sagitário em Novembro, criando uma intensa energia na 9ª casa da Sabedoria Espiritual. Esperem um período de profundo insight e nova consciência enquanto vocês se preparam para entrar nas novas energias de 2009.

A Lua Cheia cairá no dia 13 de Novembro em Touro, a 2ª casa regida por Vénus. Este é uma Lua da Terra, e como tal representa uma grande oportunidade para se focar na manifestação da Abundância e da Beleza no ciclo que chega da energia da Nova Terra.

A Lua Nova é em 27 de Novembro em Sagitário. Este é um bom momento para meditar no Despertar e na Consciência Mais Elevada, enquanto vocês se preparam para se moverem através das energias aceleradas para o Novo Ano e o novo ciclo de manifestação.

Neste momento, 27 de Novembro, Plutão deixará Sagitário pela última vez e se moverá para Capricórnio. Isto é uma indicação de que o trabalho da Transformação Espiritual interior está concluído, e que o novo foco evolutivo estará na própria Terra e na manifestação destas transformações interiores como novas estruturas e novos modos de vida.

É realmente um Tempo Abençoado estar nesta Terra, e enquanto vocês avançam para novas criações de Luz e de Alegria, nós lhes desejamos Graça e Aventura em sua Jornada!

Tradução: Regina Drumond

http://starchildglobal.com/portuguesa/

Apresentação do livro MULHERES & DEUSAS


As minhas palavras ontem, na apresentação do livro MULHERES & DEUSAS

Sinto-me honrada por estar hoje aqui a apresentar este livro, feito a partir do blogue de Rosa Leonor Pedro, MULHERES & DEUSAS. Um blogue dedicado ao Sagrado Feminino, seguido por centenas de pessoas ao longo dos seus sete anos de existência, o que representa largos milhares de visitas. São inúmeras as mulheres, e também os homens, que, nos comentários que vão deixando, se dizem agradecidas e agradecidos pelo despertar da consciência e pela força que recebem deste MULHERES & DEUSAS.

Trata-se de um trabalho coerente, resultado duma dedicação praticamente exclusiva da sua autora. Controverso, por vezes, desafiador, mas sempre muito oportuno e inspirador.

Como é próprio desta escrita intimista, a autora vai-se revelando aqui e ali. Com o tempo, ficamos a conhecer os seus desafios, as suas descobertas, as viagens, as amizades, até a sua casa e a sua gata…

É um blogue com um enorme impacto também, ou especialmente, no Brasil, onde a distribuição deste livro faria todo o sentido.

Embora não se insira na cultura dominante, MULHERES & DEUSAS é um autêntico blogue de culto, que, em boa hora, graças à Editora Ariana, ganhou forma neste magnífico livro.

Houve um tempo
em que tu não eras
uma escrava;
lembra-te disso.
Um tempo
em que caminhavas sozinha,
cheia de riso
em que te banhavas nua
no mar.
Podes ter perdido
a memória
desse tempo.
Mas procura relembrar-te...
podes dizer que não há palavras
que descrevam esse tempo,
podes dizer que ele não existe.

Mas recorda.
Faz um esforço
para o relembrares,
ou, se não conseguires,
inventa-o!

Monique Wittig (Les Guerrillères)

Foi este poema que fez com que eu e Rosa Leonor nos encontrássemos na blogoesfera. No meu blogue, ele estava no masculino, e Rosa Leonor deixou-me um recado urgente: que não, que Monique Wittig o tinha escrito sobre as mulheres e para as mulheres. Devo confessar que desconhecia. A versão chegara até mim no masculino. No masculino dominante e universal – essa espécie de grande alçapão da língua por onde o feminino desaparece, é tragado, é neutralizado…

Começaram então as minhas visitas frequentes ao blogue de Rosa Leonor.

É-me difícil falar de MULHERES & DEUSAS sem falar do meu próprio blogue, SABERDESI, que foi criado há pouco mais de um ano, e cuja vocação inicial era essencialmente a divulgação do método de desenvolvimento pessoal baseado na filosofia de Louise Hay. Há um pressuposto fundamental neste Método que é o da nossa responsabilidade pessoal por tudo aquilo que nos acontece. Essa ideia de que somos co-criadores da nossa realidade dá-nos a dimensão do nosso poder, da nossa capacidade de fazermos as melhores escolhas para a nossa vida.

O meu blogue sempre pretendeu seguir essa vertente mais positiva, mais suave, digamos, fiel ao princípio de que “Aquilo em que pomos a nossa atenção cresce”. Então, expandir o positivo, o luminoso, é contribuir para que se torne dominante.

A questão é que eu não posso avançar para a Luz sem integrar a sombra; não posso reclamar a minha força sem ter a noção da minha debilidade.

A minha experiência com grupos de mulheres fez-me compreender como facilmente a espiritualidade se pode tornar alienação, fuga ao real. Eu quero encontrar a harmonia, a paz na minha vida, mas recuso-me a pagar o preço. Eu quero salvar a minha família, ou até o próprio mundo, mas recuso-me a encarar de frente os mil fiozinhos que tolhem a minha liberdade. Eu ignoro a profundidade, a “estilização”, que tão bem consegue ocultar do meu entendimento o regime de escravatura em que me encontro. Eu continuo a deslizar em bicos de pés para não acordar o bull dog que vive lá em casa; eu saio a correr de workshops onde vivenciei o céu para ir enfiar-me na cama com o inimigo… Continuo a sentir-me uma metade, procurando pela outra…

Como dizia Nathalie Durel Lima, em “O Feminino Reencontrado”, fomos criadas para sermos “senhoras boazinhas, limpinhas e cheirosas”, perfil muito adequado ao bem-estar e ao ego patriarcais. Por vezes apetece-me dizer às mulheres que tenho nos meus grupos: “Ok, boazinhas já nós somos, já sabemos o que é. Que tal sermos mazinhas? (há guias para isso…) Serviçais, robots-domésticos, dependentes emocionais, subalternas, já sabemos o que é, e não foi isso que salvou o mundo, como se pode ver… Que tal sermos egoístas, auto-motivadas, auto-centradas e auto-suficientes?”

Sobretudo, conscientes, conhecedoras da nossa história, da história da colonização a que fomos sujeitas pelo modelo social de dominação patriarcal.

E é aqui que entra MULHERES & DEUSAS. É sobre isto mesmo que MULHERES & DEUSAS se torna um precioso manancial de informação/consciencialização. Rosa Leonor vem fazendo, há 7 anos, um trabalho sistemático e de extrema importância para o nosso despertar para a necessidade do retorno ao sagrado feminino. Só essa dimensão nos permite vivermos plenamente a nossa identidade de mulheres, feitas à imagem e semelhança da Deusa.

Diz-nos Marianne Williamson, em “O Valor da Mulher” que “Um instrumento poderoso para recuperarmos a glória da nossa identidade feminina é a adoração de divindades femininas.” “Somos seres gloriosos, diz a mesma autora, simplesmente porque não somos seres deste mundo. A nossa essência espiritual é imaterial, de fora deste mundo físico, e quando nos tornamos conscientes disso, assumimos verdadeiramente o nosso poder”.

Mas, atenção, não somos seres desta dimensão, mas estamos nesta dimensão, e é com ela que temos de nos elevar à nossa outra dimensão. Não, fugindo dela.

É por essa razão que, em MULHERES & DEUSAS, temos notícias do mundo da 3ª dimensão, dum mundo dominado pelo masculino exacerbado, voraz e predador, em que ser mulher é ser menos, é ficar em segundo lugar, é submeter-se, é não ser levada a sério, é não ter voz, é ser indigna, é ser propriedade de outrem, é ser espancada até à morte…

Aqui, no nosso “quentinho”, no nosso país de “brandos costumes”, isto pode parecer um exagero. Mas não vale a pena iludirmo-nos… Também não é para nos apavorarmos, porque o papel da vítima impotente já não dá. O grau de consciência que atingimos permite-nos compreender que, se o feminino está assim, se ele é assim tratado, todas e todos somos responsáveis, todas e todos estamos a criar esta realidade… Uma realidade em que, só este ano, em Portugal, 42 mulheres foram assassinadas pelos companheiros. Como vemos, não é preciso irmos ao Islamismo radical, nem à África da excisão. Mas talvez não fosse má ideia darmos uma volta pela Igreja Católica (e outras igrejas patriarcais), que permanentemente reafirma a indignidade da mulher ao negar-lhe a possibilidade de acesso à sua hierarquia.

Então, é em todas e todos nós que o Feminino precisa de ser curado, resgatado. Precisamos de compreender e de denunciar os esquemas patriarcais de dominação. Esquemas como a grande cisão do feminino, de que tanto fala Rosa Leonor Pedro. Essa grande cisão em duas partes antagónicas e irreconciliáveis: a santa e a pecadora, Maria e Madalena, a esposa e a amante, a prostituta, a “outra” (como aquela novela que anda, ou andava, por aí…).

Tudo isto constitui a matéria deste blogue, agora livro, precioso pela luz que lança sobre estas sombras que precisamos de iluminar e de integrar. Integrar as duas mulheres, desmascarando essa estratégia do patriarcado do “dividir para reinar”, do absurdo, do ridículo de duas mulheres disputando o mesmo homem, como se se tratasse do puro oxigénio sem o qual não houvesse vida, préstimo, propósito…

Reencontrar e honrar a Deusa, a Mãe, a Terra – o Planeta e a Humanidade definham à míngua das bênçãos da Mãe. É tão urgente assim.

De tudo isto ouvimos pela voz de Rosa Leonor, mas também das dezenas de autoras e autores, mulheres e homens, aos quais é concedido largo espaço neste blogue/livro. Dessa poderosa bíblia das mulheres, que é “Mulheres que Correm com os Lobos”, de Clarissa Pinkola Estés, a Marianne Williamson, a Erich Neumann (“A Grande Mãe”), a Jean Shinoda Bolen; às brasileiras Sylvie Perere, Clarice Lispector, Rose Marie Muraro; às portuguesas Natália Correia, Isabel Barreno… São dezenas de autoras e de autores, cujo pensamento chega até nós através de MULHERES & DEUSAS. Nunca esquecerei que foi aqui que fiquei a saber do livro “O Cálice e a Espada”, de Riane Eisler, considerado a obra mais importante para a evolução da consciência da humanidade desde “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin.

São também outros blogues e comentadores, que nos fazem sentir ligadas (os) a uma vasta comunidade, a uma poderosa corrente de solidariedade. Solidariedade para com o Planeta, solidariedade de género, SOLIDARIEDADE FEMININA. Mas são também notícias de outras dimensões. Temos a voz de André Louro de Almeida, por exemplo. São canalizações. O sagrado tem aqui largo espaço.

As temáticas, como já disse, prendem-se, essencialmente, com a tradição do Sagrado Feminino e com a miséria da situação da mulher, do feminino, no mundo – num mundo sem alma, entregue à voracidade do capitalismo patriarcal. Um mundo onde, como nos diz ainda Marianne Williamson, “A feminilidade é uma dor colectiva de profundidade indescritível e, quando tentamos expulsá-la, estamos sujeitas a ouvir “Lá vêm vocês outra vez reclamar!”…

Não vale a pena negarmos, não avançamos nada ignorando, iludindo esta dor com paliativos que podem ir das compras à ilusão do príncipe encantado ou aos workshops de espiritualidade…

Também “Não podemos esperar que o mundo restabeleça o nosso valor, estamos aqui para restabelecer o nosso valor no mundo”, diz-nos ainda Marianne Williamson, em “O Valor da Mulher”.

Como o faremos? Só vejo uma solução possível: uma profunda, incondicional e sagrada SOLIDARIEDADE FEMININA, que nos possibilite retornarmos à nossa condição de filhas criadas à imagem e semelhança da Deusa. De Deusas.

Imagens: Google

domingo, 16 de novembro de 2008

MULHERES & DEUSAS


Do blog MULHERES & DEUSAS, que sigo regular e religiosamente desde que iniciei o meu, em Julho de 2007, saiu um livro com o mesmo título, que a editora Ariana lançará no próximo sábado, 22 de Novembro.
A sua autora, ROSA LEONOR PEDRO, deu-me a honra de ser eu a apresentá-lo. Trata-se de um livro precioso e poderoso a julgar pelo impacto do blog em inúmeras (os) leitoras (es), começando por mim própria. A Deusa estará connosco no sábado.
Deixo aqui o convite para todas e todos os leitores do SABERDESI. Será um prazer enorme ver-vos lá.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A Mulher que não quer ir à guerra

Omer Goldman

Tem 19 anos.
Está presa. O terceiro ciclo de detenções de 21 dias (sem julgamento).
Em Israel.
Porquê?
Porque se recusa a alistar-se nas FDI.
O que é isso?
Forças de Defesa de Israel.
Quem é ela?
Apesar de ser filha do ex número 2 da Mossad é pacifista.
Mas em Israel, isso paga-se!
É uma refusenik.

http://3picuinhas.blogspot.com/2008/11/chama-se-omer-goldman.html

Acabei de enviar uma carta, em francês, a Omer Goldman, ou Granot, a rapariga israelita que se recusa a fazer a guerra contra os palestinianos.
Rosa Leonor sugere que enchamos a prisão onde está neste momento de cartas, flores, postais... Que quem não sabe inglês pode copiar poemas. É boa ideia. Mas o francês também é muito conhecido naquelas paragens.

OMER GRANOT

MILITARY ID 5398532

MILITARY PRISON Nº 400

MILITARY POSTAL CODE 02447, IDF

ISRAEL



O voracismo do capitalismo europeu

Diferença e atraso

Um dos assuntos que mais apaixonaram toda a gente instruída que andou pelo mundo entre o século XIX e a segunda metade do século XX foi o contraste entre o desenvolvimento da Europa e da América do Norte e o atraso da Ásia, da África, de grande parte da América latina, do Sul da própria Europa. Note-se que o interesse pela questão só surgiu no final do século XVIII, quando esse contraste começou a saltar à vista. Até então, não era óbvio que uma cidade indiana, por exemplo, fosse mais atrasada do que uma cidade europeia: em 1700, as ruas de Londres eram tão sujas como as de Calcutá.

Para a diferença crescentemente visível entre o Ocidente e o resto do mundo propuseram-se, como se sabe, muitas explicações: históricas, sociológicas, económicas, antropológicas, até biológicas (ou raciais). Recentemente alguns historiadores vêm tentando demonstrar que o atraso das regiões do Oriente e do Sul é recente (data do século XVIII, no caso da Índia ou da China) e foi provocado pela agressividade económica e político-militar do Ocidente.

Depois de ler, viajar e olhar para as diferenças entre os países subdesenvolvidos e o Ocidente, e depois de pensar sobre a cultura material, sobretudo as formas de arte e as formas urbanas, da Ásia e da Europa na época em que Vasco da Gama chegou à Índia, cheguei à mesma conclusão que muitos pensadores do século XIX: nessa época já não havia maneira de as potências da Ásia conseguirem parar a conquista do mundo pelo capitalismo moderno e ocidental.

A Europa já tinha a economia e a sociedade mais dinâmica, mais voraz, mais predadora da Terra. O Ocidente não foi culpado do atraso dos outros. Foi culpado, isso sim, do não-progresso dos outros. Ou seja: o Ocidente obrigou os outros ao progresso capitalista, o progresso próprio do Ocidente, com a maior brutalidade e em proveito próprio.

(…)

Paulo Varela Gomes, Público, 5/11/08

Imagem: Google

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A Mulher que se Recusa a Combater

OLMER GOLDMAN

A filha pacifista do ex-número dois da Mossad

Ela tem 19 anos e recusa-se a servir um “exército de ocupação”…


O meu pai é Natalin Granot, um especialista em Irão, que se demitiu de “número dois” da Mossad por conflitos de poder. Eu, Omar Granot, 19 anos, sou uma pacifista e, hoje, regresso à prisão nº 400 numa base militar próxima de Telavive. Recuso-me a servir um exército que comete, todos os dias, crimes de guerra nos territórios palestinianos ocupados.

Fui recrutada para o serviço militar obrigatório aos 18 anos, mas já no liceu eu decidira que não queria ir para a tropa. Assim que deixei a escola, e antes de me inscrever na faculdade, dei aulas a crianças pobres num bairro de judeus etíopes. Quando me chamaram, entreguei uma declaração aos oficiais onde afirmava: “Recuso alistar-me nas Forças de Defesa de Israel (IDF). Não farei parte deste exército que, desnecessariamente, pratica actos de violência e viola os mais básicos direitos humanos.

No dia 23 de Setembro, sem ter sido julgada, fui cumprir 21 dias de detenção. Saí novamente em liberdade, na sexta-feira, dia 30 de Outubro. Estes ciclos irão repetir-se até que o exército se canse, porque eu não vou desistir.

Eu soube que seria para sempre uma refusenik depois de ter participado num protesto contra a construção ilegal do muro de separação que atravessa a Cisjordânia. Eu e outras amigas estávamos na aldeia de Ni’alim e, de repente, reparei que o inimigo não eram os palestinianos sentados ao meu lado, como sempre me disseram, mas um soldado israelita que disparou contra mim uma bala de borracha. Fiquei ferida num braço, felizmente sem gravidade, mas uma palestiniana de 17 anos foi morta.

As minhas convicções ficaram mais fortes depois da Segunda Guerra do Líbano, no Verão de 2006. Comecei a questionar a sério a ética do exército, o uso de armas não convencionais, o envio de soldados para a frente de batalha onde morriam sem objectivos definidos.

Na prisão, usamos a nossa cabeça e o nosso coração para encontrar forças. Falamos muito umas com as outras, e escrevemos cartas umas às outras durante a noite.

Talvez dentro de dez ou vinte anos as pessoas me compreendam e deixem de pensar em termos de judeu, negro, branco, cristão… Eu não acredito que a violência se combata com a violência. Esse nunca será o meu caminho, digam o que quiserem.

Ficarei muito feliz se me escreverem. A minha morada nos próximos dias é esta:

OMER GRANOT

MILITARY ID 5398532

MILITARY PRISON Nº 400

MILITARY POSTAL CODE 02447, IDF

ISRAEL

Público, 5 de Novembro 2008 (adaptado)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Transformações Energéticas de 11 do 11

Nesta canalização, Kuthumi nos oferece informações que nos preparam para uma das maiores mudanças de energia ocorridas até agora, e com a oportunidade de nos desligarmos dos nossos medos mais paralisantes. Ele diz: "Todos os Elohim estarão se concentrando neste grandioso momento de mudança; vocês experienciarão o fechamento dos seus próprios portais internos, através dos quais as trevas acessam os seus maiores medos, e descobrirão que o entendimento da natureza do medo ganhará maior relevância. É de vital importância que compreendam verdadeiramente que a ilusão se encontra dentro, além, acima, diante, atrás e em cada lado do medo. Existe uma grande diferença entre o instinto natural de sobrevivência e os medos fabricados."


Eu sou Kuthumi e me manifesto a partir dos raios do Amor e Sabedoria para saudar cada um de vocês neste momento, e para lhes trazer as bênçãos do foco, dos cuidados amorosos, da compreensão e da sabedoria divina. Saudações, amados.

E é com imensa alegria e prazer nos nossos corações, que nos unimos com cada um de vocês neste dia, enquanto os mantemos firmemente no coração de Cristo e com segurança nas mãos de Deus.

Queridos, esta activação da data-chave do dia 11 do 11º mês de 2008 é muito importante. Este é o momento da viragem da maré. Vocês se encontram num ponto em que tudo à sua volta está no estado de mudança constante; parece que nada é garantido, a não ser a própria mudança. No entanto, a turbulência, o caos e a queda aparentes são vitais para que todos vocês sigam adiante.

A razão pela qual esta data chave é tão importante é que entre os dias 11 e 13 de Novembro serão seladas as portas e todos os pontos de acesso que o Senhor das Trevas tem usado para conseguir entrar no mundo. Agora o mundo do qual falo é o mundo da energia fluida, do paradigma fluido. O tempo das trevas está chegando ao final e, neste caso, vocês estão terminando a jornada pela Era das Trevas, que chamamos de era da ignorância. A Era de Peixes era bem isso – uma época em que todo mundo esperava que lhe dissessem o que deveria fazer, como deveria fazer e quando deveria fazê-lo. Agora vocês estão entrando na Era de Aquário. Este é o momento de reivindicar seu poder e adentrar o conhecimento da sua própria identidade e da sua verdade. Com estes portais selados, vocês estarão liberados para entrar numa nova linha de tempo, uma nova experiência do que é a energia de Aquário.

Entre os dias 11 e 13, vocês sentirão como se uma grande parte de si mesmos estivesse desconectada; talvez sintam inclusive algum tipo de transtorno interno. Durante estes três dias, o processo que será activado por nós para desabilitar os pontos de acesso exigirá quietude; e os três dias de quietude serão o tempo em que vocês viajarão pelo seu próprio interior e lhes serão mostradas algumas das suas próprias forças e a sabedoria que existe dentro de si mesmos. Suas mentes sofrerão uma poderosa liberação do velho paradigma; e a mudança que ocorrerá irá literalmente elevá-los de um lugar e colocá-los em outro. Portanto sugerimos que, nesses três dias, vocês passem o tempo focalizando aquilo que os nutre, aquilo que traz equilíbrio e sustentação à vida de vocês. Focalizem as qualidades internas que permitem que isto se desenrole. Também perceberão que sistemas de crenças ignorantes e não sustentadores virão à tona. No entanto, eles não permanecerão por muito tempo, devido à presença do apoio que vocês estarão experienciando. Nos dias 11 e 12, a minha própria energia – a do Mestre Kuthumiestará no meio de vocês. Todos os Elohim estarão se concentrando neste grandioso momento de mudança; vocês experienciarão o fechamento dos seus próprios portais internos, através dos quais as trevas acessam os seus maiores medos, e descobrirão que o entendimento da natureza do medo ganhará maior relevância. É de vital importância que compreendam verdadeiramente que a ilusão se encontra dentro, além, acima, diante, atrás e em cada lado do medo. Existe uma grande diferença entre o instinto natural de sobrevivência e os medos fabricados.

Nós lhes demos uma quantidade enorme de informações nas últimas semanas, com respeito a trabalhar esses aspectos de si mesmos. Não as ponham de lado como algo sem importância. Mesmo que sintam que estão num momento muito forte em suas vidas, com muito poucos medos, isto não quer dizer que não se beneficiarão com o que já lhes transmitimos anteriormente. Este portal que estará se abrindo a partir do dia 13 de Novembro está trazendo todas as energias de luz. Os Deuses e Deusas, Senhores e Senhoras da Luz entram no reino do Universo Fluido e penetram o sistema de doze pontos de chacras no coração aberto de cada alma disposta. E com isto eu quero dizer cada alma que está disposta e pronta para encarar totalmente a si mesma, para reivindicar completamente o seu poder e estar confiante a respeito da sua missão de seguir adiante.

A partir de 13 de Novembro, as energias mudarão completamente. Uma característica totalmente nova será lentamente integrada no DNA do corpo de cada um de vocês. Este processo de integração ocorrerá entre 13 e 21 de Novembro. Durante esse período, vocês se perceberão largando tudo o que não mais consideram como parte importante de suas vidas, dos seus processos, dos seus pensamentos, das suas crenças. Isto não é algo a ser temido, pois se desenrolará com graça e facilidade. Este é um dos momentos mais mágicos do seu ano e será vital na próxima fase da sua preparação para o dia 21/12/2008.

Ler mais em:

http://www.ventosdelys.com/pt/artigos/37/uma-mensagem-de-kuthumi-canalizada-por-michelle-eloff/

Encontrado em Mulheres & Deusas

domingo, 9 de novembro de 2008

Quando as Mulheres Falavam...

“No final do século IV da nossa era, uma patrícia romana, de cinquenta e um anos de idade, inicia um diário, ou antes uma espécie de agenda. Sobre tabuinhas de buxo, regista as compras que projecta fazer, entradas de dinheiro, ditos engraçados, cenas que a tocaram. Durante vinte anos, Apronenia Avitia dedica-se a esta tarefa meticulosa, desdenhando ver a morte do Império, o poder cristão que se vai estendendo, as tropas godas que investem a Cidade por três vezes. Gosta de ouro, dos grandes parques e jardins, das barcas carregadas de ânforas e de aveia que passam no Tibre. Gosta de descer às cozinhas e devorar imprevistamente o que lá se encontra. Gosta do cheiro e da delicadeza do prazer. Gosta de beber. Gosta de homens que se esquecem de tempos a tempos do olhar dos outros homens. Gosta dos batentes das janelas que não deixam passar a luz do dia.

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XV. Adolescentes de ombro encostado às colunas

Jovens adolescentes que conhecem os primeiros langores.
Jovens adolescentes que conhecem os primeiros instantes em que o desejo de viver se retira do espaço do corpo como o oceano do oeste cada dia vai descobrindo lentamente os mexilhões e as praias de areia.
Jovens adolescentes que alimentam e repisam o desejo de se matar por causa de um livro grego que leram, uma observação ofensiva de um pedagogo, o rosto de uma mulher de Subura. Estão de pé. Encostam o ombro a uma coluna. Flutua ainda em seu redor um vago odor a leite ou a sémen. Têm os olhos postos no vazio. Os cabelos roçam-lhes o pescoço. O ar vindo do “compluvium” desalinha-os por momentos. A pele deles arrepia-se.

XVI. Gatos e perdizes

Tenho dois gatos malhados, de coleira amarela, e perdizes às riscas azuis, do azul dos esmaltes do Egipto.

XVII. A cadelinha

Muola, a cadelinha que nasceu debaixo do leito de Publius, dorme de barriga para o ar. Respira com mais suavidade do que uma criança ainda com leite nos lábios. De noite, sinto-lhe a pata a acariciar-me a pele do braço: quer mijar.

XVIII. Coisa que é preciso não esquecer

A madeira pintada representa as rocas de fiar das Parcas.

XIX. Q. Alcimius

Às suas propostas mais ousadas, mais tímidas, no amor do prazer em que os seus membros, a sua voz, o seu olhar me mergulhavam, não o deixava acabar o pedido. Dizia sim sem sombra de hesitação.

XX. Noites de fome

Então as noites sem pelo menos três orgasmos pareciam-nos noites de fome.

XXI. Coisas que dão um sentimento de paz

Gosto do ruído dos carros em Roma.
Dos banhos de sol nos terraços, ao entardecer.
Do sono pesado de um homem que gozou.
Dos colchões do Nilo.
Das estrelas, quando a madrugada pouco a pouco as apaga.
Detesto os velhos, ou pelo menos os que parecem sempre acompanhados pela morte.

XXIV. Coisas a fazer

Holocausto da gralha.
Vinte almofadas de cotovelo.
Oito cortinas de carros de duas rodas.”

As Tábuas de Buxo de Apronenia Avitia, apresentadas por Pascal Quignard, Livros Cotovia

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Toda a Mulher Quer o Acesso à sua Verdadeira Identidade e Poder...

Nem mais...

Comentário encontrado no blog Mulheres & Deusas:

"Achei num blog muito interessante, nas minhas "andanças" pela Internet, o seguinte comentário:

O PARADOXO DA MULHER - PASSES MÁGICOS, DE CARLOS CASTANEDA

...em outra ocasião ele falou que o pomo de discórdia para os feiticeiros do antigo México era o fato de as mulheres, que têm a estrutura orgânica, o útero, que poderia facilitar a entrada delas no domínio da percepção pura, não terem nenhum interesse em utilizá-lo. Tais xamãs viam isso como o paradoxo da mulher: ter o poder infinito à sua disposição e nenhum interesse em obter acesso a ele. Contudo Don Juan não tinha nenhuma dúvida de que essa falta de desejo em fazer alguma coisa não era natural. Era aprendida.

Acho que a descoberta do poder feminino e a falta de interesse em como acessá-lo infelizmente ainda se aplica nos dias de hoje aqui no Brasil, e o mais grave, é que ainda é "ensinado", pois no fundo da alma toda mulher quer o acesso à sua verdadeira identidade e poder, mas seus olhos são vendados desde crianças, quando é colocada uma boneca Barbie em suas mãos e seus olhos são ofuscados pelas luzes da vitrines dos shopping-centers,o colorido dos comerciais da televisão, e são induzidas a sonhar com os galãs adolescentes hollywoodianos através de filmes de bandas infanto-juvenis.
Espero que pessoas como vc e várias que tenho encontrado pela internet continuem a abrir os caminhos,para que cada vez mais mulheres possam reencontrar e acessar o seu verdadeiro poder."

Anna Paim

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A Educação das Raparigas


Como é do conhecimento geral, a mais famosa entertainer americana da actualidade, Oprah Winfrey, criou recentemente na África do Sul uma escola de liderança para raparigas. Conheço pessoas que se indignaram: tratar-se-ia de uma regressão no equilíbrio das relações entre os géneros pelo carácter discriminatório da coisa, embora desta vez de sinal contrário. Pessoalmente, achei a ideia brilhante e muito oportuna.

Como disse certa vez uma famosa juíza italiana, para que os seres humanos “nasçam” de facto iguais em direitos e oportunidades, certos ajustes e correcções terão de ser introduzidos no processo. No processo educativo, no caso.

O bem-estar a todos os níveis das sociedades humanas, ninguém o ignora já, está directamente relacionado com a paridade entre ambos os géneros no exercício do poder, no equilíbrio da sua participação nas instâncias de decisão. E, melhor do que em qualquer outro lugar do mundo, será porventura no continente africano que esse desequilíbrio se paga mais caro: veja-se o fascínio pela guerra e a consequente desvalorização da vida, a pobreza das maiorias, o saque de recursos levado a cabo pelos homens de poder. Aí, por exemplo, as ONG sabem muito bem que se os alimentos não forem entregues directamente às mulheres, às mães, ninguém come...

Por que razão o poder das mulheres ainda se circunscreve tanto ao lar, à família, à intimidade é, sem dúvida, uma longa história. Que o mundo precisa da ascensão urgente de um poder genuinamente feminino, que sirva de contraponto a um poder excessivamente masculino, é outra, igualmente longa.

Vale a pena tentar perceber ambas, mas o que me trouxe agora aqui foi a constatação de que, no seio mesmo da nossa comunidade escolar, o problema se põe com uma agudeza quase “africana”. Enquanto educadores, temos responsabilidades nesta matéria. Trata-se de uma questão de cidadania – tema do Projecto Educativo da nossa Escola.

Isto porque há dias, assistindo ao debate entre as duas listas concorrentes à Associação de Estudantes, verifiquei com espanto que apenas uma das listas apresentava, sobre o palco do espaço Polivalente, uma rapariga. Quando perguntei se na outra lista não havia raparigas, foi-me dito que sim, mas que, por “vergonha”, elas não subiam ao palco...

Então, vejamos, deixem-me situar: 2008, século XXI, país integrante da União Europeia... Alguma coisa não batia certo ali...

Só tenho uma turma na Escola (as outras são no E.P. de Alcoentre), mas pela amostra, não me parece nada mal o desempenho das raparigas. Pelo contrário, nesta faixa etária pelo menos, elas ganham aos pontos: inteligência, conhecimento do mundo, maturidade, bom senso, sentido de responsabilidade, capacidade de trabalho... nada parece faltar a estas jovens. Será o excesso de atributos que as penaliza? Pode uma comunidade, de alunos ou outra, dispensar tamanho capital humano?

O que impede então as alunas (e as mulheres em geral) de o usarem? Quais as razões da sua “vergonha” de se apresentarem diante de um grupo enquanto os rapazes o fazem com tanto à vontade? Que ideia têm do PODER os nossos jovens? O conceito de poder enquanto normal exercício de uma cidadania responsável poderia ensinar-se? Claro, sobretudo pelo exemplo...

Imagem: Mark Ryden

terça-feira, 4 de novembro de 2008

o Decrescimento Sustentável...

Na rubrica intitulada “Perfis do Futuro”, a revista Pública, de 2 de Novembro último, traça o perfil de Joana Rigato (28 anos), professora de Filosofia do ensino secundário e membro da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Igreja Católica. Prova de que, apesar de tudo, também por lá existe gente interessante...
OK... aqui vou-me já adiantando ao comentário da querida Rosa Leonor... Sim as igrejas são (as) grandes responsáveis pelo sistema de dominação patriarcal em que vivemos, pela lógica de todo o sistema... Pena que tanta sensatez não sirva para denunciar a própria estrutura que faz com que uma pessoa deste quilate não tenha perfil para ocupar cargos relevantes na sua hierarquia, só porque... nasceu MULHER!
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Excertos:

Depois de algum tempo em Moçambique, diz ela: a formatação ocidental é tão forte que se quer impor a todos a lógica da eficiência, ao mesmo tempo que achamos que estamos preparados para a diversidade e não temos preconceitos colonialistas”... Mas “o preconceito está dentro de nós, somos paternalistas e temos pouca capacidade de escuta.”

Casada com um italiano, escolheu viver em Portugal, porque “em Itália a consciência social está mais desenvolvida.”

“Com o marido e amigos, fundou uma pequena associação para divulgar o comércio justo e a interculturalidade, a Roda Inteira.”

Sobre a televisão, diz: É um instrumento perverso de manipulação. Através da Net, tenho acesso ao que é importante e me interessa, faço-o de forma activa, enquanto a TV retira qualidade de vida e espírito crítico.”

“O que mais me sensibiliza neste momento é o conceito de decrescimento sustentável. Interessa a sustentabilidade, mas mais importante seria inverter a loucura de querer crescer infinitamente e não consumir o desnecessário.” Isto implica mesmo com a noção de comércio justo: “Se fazemos uma loja de comércio justo, damos uma alternativa às pessoas, mas continuamos a reduzir o ser humano a um consumidor, além de fazer do consumo pelo consumo um beco sem saída para o planeta.”

“O consumo inútil é, portanto, a sua batalha: É muito difícil viver do essencial quando tudo ensina a ser consumidor. Trabalhamos dez a doze horas por dia apenas para consumirmos mais. Estragamos a nós e ao planeta. Quanto mais liberta estiver dessa lógica, mais feliz sou. É preciso tempo para respirar ar puro, para rezar, para as relações humanas, para apreciar a natureza. É necessário uma ética comercial diferente e uma economia ao serviço das pessoas. É preciso viver a sobriedade e a ética do necessário.”

Sites: http://oquesubjaz.blogspot.com

http://www.transamericana.org/joana_ita.asp