sexta-feira, 3 de outubro de 2008

À noite logo se vê...

Como tenho de preparar o visionamento dum filme por uma turma, e ainda hoje não tinha dado a minha caminhada, calcei os ténis e fui lá abaixo, às profundezas da cidade, ao clube de vídeo. É raro sair assim, e cada vez que isso acontece é sempre uma estranheza constatar que neste início do século XXI a rua ainda é, praticamente em exclusivo, um lugar dos homens... A rua, os cafés, em todo o lado eles estão livremente, sós ou em grupos, enquanto em casa por certo a mulher lhes lava a loiça e lhes trata dos filhos...
Luxo extremo: vaguear pela cidade à noite, no sossego do trânsito, dentro do mistério do jogo da luz e da sombra, com esta temperatura amena do início do Outono...

Um cliente no clube de vídeo, por certo instigado pelo inusitado de uma mulher sozinha a requisitar um filme às nove e tal da noite, encadeia a sua conversa com a que o funcionário estava a ter comigo sobre o filme... Não há pachorra...

PS - Este texto é de ontem e hoje já posso acrescentar que, infelizmente, o tal filme, Cartas de Iwo Jimo, não merecia mesmo a deslocação... Embora venha indicado no manual - para miúdos de 14 anos! - e tenha lido que é uma "balada pela paz", é na verdade uma amostra - a evitar - da sinistra loucura em que o desalmado poder patriarcal é perito...

Imagem: Google

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