sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Bullying feminino...

Garota Fora do Jogo (tradução brasileira), no original: Odd Girl Out), de Rachel Simmons*

"A cultura oculta da agressão às meninas, de Rachel Simmons, é um livro revelador - no mínimo. Isso porque discute um assunto polémico, o bullying, termo utilizado para definir a tiranização, a ameaça, a intimidação e a opressão exercidas por crianças e adolescentes. E mais: fala desse tema enfocando um universo que costuma ser relegado para segundo plano quando o assunto é agressão - o das meninas. Pais, professores e profissionais que lidam com crianças e adolescentes vão encontrar nessa leitura uma arma poderosa para entender e combater o problema. Resultado de um estudo pioneiro de Rachel Simmons, o livro, que faz parte da série Pais, Tais e Profissionais, começou a ser elaborado de maneira informal: a partir de depoimentos de amigas da cientista política norte-americana. Quando foi publicado nos Estados Unidos, Garota Fora do Jogo ficou várias semanas na lista dos dez livros mais vendidos do The New York Times. Muito se fala sobre violência nas escolas - meninos que surram colegas ou levam armas para a sala de aula. Mas e as meninas? Será que não há maldades no universo feminino infanto-juvenil? É claro que há. Só que ninguém vê. Em geral, as garotas não deixam rastos de violência, destruição e vandalismo. A sua agressividade é indirecta, não-física, dissimulada. Segundo as pesquisas feitas por Rachel Simmons, elas normalmente preferem usar a maledicência, a exclusão, a fofoca, apelidos maldosos e manipulações para infligir sofrimento psicológico às vítimas. Os seus métodos são quase invisíveis ao olhar dos pais e professores mais atentos, já que as garotas dificilmente se metem em ruidosas rodas de briga. O mais comum é que elas atinjam as suas vítimas espalhando boatos, passando bilhetinhos, disparando olhares coercivos, conspirando, jogando as colegas umas contra as outras. O bullying feminino, embora menos visível, é tão destrutivo quanto o masculino, ou até mais, pois a auto-estima da vítima é aniquilada sem que o problema seja discutido na escola, em casa, nos meios de comunicação ou no universo académico.

Rachel Simmons iniciou a sua pesquisa de modo informal. Ao dar-se conta de que não havia bibliografia sobre o assunto, ela enviou um e-mail para todas as mulheres que conhecia, com indagações simples como “Você já foi atormentada ou provocada por outra menina?Explique como foi isso. Que influência isso teve na sua vida até hoje?” As destinatárias repassaram a mensagem para outras amigas e, em 24 horas, o correio electrónico de Rachel ficou abarrotado de respostas emocionadas e cheias de detalhes. Isso estimulou-a a debater o tema nas escolas, com meninas de 11 a 14 anos. Quando o farto material recolhido lhe deu a ideia de escrever um livro, ela decidiu passar um ano aprofundando a pesquisa em dez instituições de ensino de diferentes regiões dos EUA, entrevistando alunas, pais, professores e funcionários, enquanto promovia discussões em salas de aula. Rachel também entrevistou cerca de 50 mulheres adultas fora do círculo escolar. Em Garota Fora do Jogo, a autora explora a dinâmica da crueldade emocional entre amigas íntimas. O que faz com que uma menina conspire contra outra? E porque é que a vítima tem dificuldade para se desenvencilhar da agressora? Muitas preferem ser maltratadas a serem ignoradas, ter falsas amigas a não ter amiga alguma. Por que mantêm elas o ciúme e a competição em segredo? Rachel Simmons aproveita para rever o conceito de garota popular, tão precioso às adolescentes. Neste mundo, a amizade é uma arma, e a dor provocada por um grito não é nada em comparação com um dia de silêncio de alguém. Não há gesto mais devastador do que um voltar de costas, explica a autora, que acredita ser tão importante discutir o bullying quanto o estupro, a violência doméstica e a saúde da mulher."

http://www.traca.com.br

*Rachel Simmons é fundadora e directora do Girls Leadership Institute.

Imagem: Paula Rego

Um comentário:

Anônimo disse...

e também acontece das meninas serem mto mais sagazes e perversas que os meninos.Aí fica mais difícil ainda saber qdo há esse tipo de caso.E tb por isso mto mais difícil de ser combatido que o dos meninos