terça-feira, 26 de agosto de 2008

E vou finalmente falar das minhas férias...

A Ana disse: “Foram as melhores férias da minha vida”. Eu não o disse, mas pensando bem, é difícil encontrar na memória outras férias de Verão que se lhes comparem.

Se me perguntarem o que fizemos: nada de especial. A Ana levantava-se cedo para levar o Groucho até à praia. Eu ficava na cama. Depois fazia os meus exercícios de yoga (mais ou menos), alimentava a Bia – sempre inconsolável por ter de privar com um cão... – tomava o pequeno almoço na varanda bem abrigadinha da F. e do K. - uns queridos por intermédio dos quais se manifestou a abundância deste Universo...
Quando a A. chegava, podíamos ir até à praia, atravessando os jardins do Auramar; o caminho de terra batida que ladeia aquilo que parecia ser um reduto dos franceses, com pétanque e tudo; depois a rampa de asfalto e finalmente as escadas que descem até ao areal. Ainda uns bons minutos de caminhada.

Lá em baixo, o banho, de água e de sol, as leituras e a conversa. É fácil conversar com a A.: temos ambas Mercúrio na casa quatro e sob o domínio de Júpiter, o expansivo... Temas que versaram, resumidamente, a arrumação da nossa casa interior...

Adoro a praia, o ambiente descontraído da praia, a liberdade da praia. Adoro não me ralar com celulite, flacidez, redondezas... e apanhar sol e vento no máximo de centímetros da minha pele. Agrada-me a descontracção da praia. Nunca me vestir nem pentear verdadeiramente, passar o tempo descalça, ou com os pés enfiados num chinelos indianos já a pedirem a reforma. Mas as refeições foram sempre a horas: saladas e sopas, basicamente. Em matéria de bebidas, experimentámos fazer as famosas “águas frescas”, receita da Pública dum destes domingos, que, segundo se dizia lá, são grande moda nos States...

De vez em quando caminhávamos, fazíamos a pé as largas centenas de metros pelo areal até à cidade. Uma vez a A. comprou uma grande túnica africana, que depois reproduzi, à mão, ponto por ponto, para ambas.

Segundo a interpretação feita por ela, grande especialista, sendo que a roupa simboliza os nossos relacionamentos, nós teremos adquirido ali, naqueles 23 dias, e ajudadas pelas fortes energias de Agosto, uma nova “roupagem”. Teremos então saído, daquelas longas horas de mútua análise, com uma nova maneira de nos relacionarmos, mais livre, descontraída, larga, como a túnica, onde nos sentimos tão à vontade... Que bom, já era tempo!

A verdade é que ambas reavivámos ali a nossa violenta paixão... pelo Sul, pela nonchalance do Sul. Congeminámos um Sul perpétuo para as nossas vidas - foi outro dos temas dominantes. Um Sul ao sul do Sul, como o Oriente do Álvaro de Campos...

Contra a fleuma da A., a minha vontade de fazer coisas, o bulício em mim, o meu workaholiquismo galopante dos últimos tempos, desfazia-se em pura vacuidade... Para quê fazer se podemos apenas ser? Ser um coração que vibra em agradecimento pela glória de estar vivo, pela glória da criação. Isto não é pura retórica, é o Sul em nós...

Acho extraordinário nunca nos termos aborrecido. Pelo contrário, cada vez nos sentíamos mais coladas àquele lugar: adiámos por três vezes o nosso regresso ao... Norte. No último minuto, a A. chegou a perguntar: “Mas tenho mesmo de ir?” Tinha. Era importante para ela. E não se arrependeu.

O que veio à tona na “espuma dos dias”? Quando estamos bem connosco, quando já nos libertámos de uma série de amarras, passado o retorno do Quíron (aos 50/51 ele volta ao sítio onde estava no momento em que nascemos), estamos bem em qualquer lugar, embora o Sul seja mais doce... Mais: precisamos de tão pouco para ser felizes... Outra pérola de sabedoria: para quê perdermos tempo com os medos? E ainda: em qualquer lugar, mesmo no apinhado Algarve, podemos encontrar sossego e paz se os tivermos dentro de nós... Mas há mais: praticar o desapego. De tudo. Mesmo dumas férias fantásticas com a A. à beira-mar!...

Agradecimentos:

Ao Método Louise Hay e à Astrologia, com os quais já percorremos ambas um longo caminho de autodescoberta e de amadurecimento.
À F. e ao K. que nos cederam o seu ap.
Ao Universo, generoso e protector, que nos dá tudo aquilo de que estamos a precisar no momento certo, mesmo que por vezes não compreendamos bem o que quer dizer com aquilo que nos envia...
À A., pela sua já mencionada fleuma, sabedoria, auto-centragem, independência e irreverência – tão inspiradoras e libertadoras.
A mim própria, que mereci e aceitei que merecia.

Obs. Ah, havia uma "música de fundo"... Sendo deliciosa, não era exactamente indispensável... Mas essa é só cá pra nós...

Imagens: Google

2 comentários:

Anônimo disse...

O texto está lindo, comovente para mim que o vivi e senti.
Adorei as fotos , a !ª foi como eu me senti ao fim da lavagem da minha alma ao sair nua de dentro de água, uma autentica Vénus renascida.
Foi muito bom ter-te como mãe, como amiga, como filha , como Mestra e principalmente como "cozinheira" porque soubeste alimentar a minha Alma e como "costureira" porque com as tuas mãos fizeste uma roupa nova de luz para mim.
Como não dizer que foram as melhores férias da minha vida?
Estou grata á Vida por me dar a pessoa que eu mais necessitava, no sitio mais aprazivel, no momento mais oportuno.
Adoro-te Luiza com Z
Beijinho

Luíza Frazão disse...

Sabia que ias adorar a foto... Escolhi-a a pensar em ti, sua Vénus exaltada...

Também te adoro, minha Mestra tão especial.

Beijo
LuíZa