domingo, 8 de junho de 2008

Sonhar com o Animus


Em As Deusas em Cada Mulher, Jean Shinoda Bolen oferece uma interpretação muito interessante para este tipo de sonhos:

“Os sonhos são uma segunda maneira de distinguir um arquétipo de Ártemis ou de Atena de um animus. Indicam se essas deusas virgens são a fonte de uma atitude activa da mulher ou se qualidades como a capacidade de auto-afirmação ou a orientação para objectivos devem ser atribuídos a um aspecto masculino da mulher.

Quando Ártemis e Atena são arquétipos predominantes, a mulher que sonha está muitas vezes a explorar sozinha territórios desconhecidos. Encontra-se no papel da protagonista que luta com obstáculos, escala montanhas ou se aventura num país estrangeiro ou numa paisagem subterrânea. Por exemplo: “Estou ao volante do meu descapotável, a acelerar numa estrada da província durante a noite, distanciando-me de quem quer que seja que me persegue”; “Sou uma estrangeira numa cidade espantosa, semelhante aos jardins suspensos de Babilónia”; “É como ser uma agente dupla. Não devo lá estar e seria perigoso se qualquer das pessoas à minha volta se apercebesse de quem sou.”

As dificuldades enfrentadas ou a viagem fácil nos sonhos correlacionam-se com os obstáculos internos e externos que a pessoa que sonha enfrenta ao tentar autodeterminar-se e ser eficaz no mundo (qualidades do animus). Tal como nos sonhos, ela sente-se natural quando traça o seu próprio caminho. Está a ser o seu eu activo, com intenções muito próprias.

Quando as qualidades assertivas se encontram nas fases iniciais de desenvolvimento, uma mulher que sonha é frequentemente acompanhada por outra figura. Esse companheiro pode ser homem ou mulher, uma presença indistinta ou uma pessoa claramente definida e reconhecível. O sexo do companheiro é uma referência simbólica que ajuda a distinguir se essas aptidões que emergem são vistas como “masculinas” (animus) ou como femininas (deusas virgens).

Por exemplo, se a mulher que sonha está a desenvolver qualidades de Ártemis ou de Atena e se encontra ainda nas fases iniciais da sua educação ou carreira, o seu companheiro de sonhos mais frequente é uma mulher vaga, desconhecida, com traços indistintos (...).

Quando o companheiro numa aventura de sonho é um homem ou um rapaz, a mulher que sonha é muitas vezes uma mulher tradicional, que se identifica com as deusas vulneráveis ou (...) com Héstia ou Afrodite. Para essas mulheres, os homens simbolizam a acção e, por conseguinte, nos seus sonhos, definem as qualidades assertivas ou competitivas como masculinas.

Por conseguinte, quando uma mulher entra, hesitante, no local de trabalho ou no mundo académico, ajudada por um animus ou aspecto masculino de si própria, esse aspecto pode ser representado nos seus sonhos por um homem indistinto, eventualmente um jovem ou um adolescente (ainda em desenvolvimento), que está com ela num local desconhecido e por vezes perigoso.”

Imagem: William Blake

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