domingo, 8 de junho de 2008

A Síndroma de O Sexo e a Cidade


“Mas, voltando ao Sexy and the City, o que me deixa triste é que tantas mulheres tenham como modelo figuras tão superficiais e caricatas como as quatro personagens da série/filme. Essa pobre criatura que acabou de me escrever dizendo que eu sou frustrada provavelmente nunca nem viu uma dessas horrendas bolsas Louis Vuitton ao vivo e é isso que ela considera sonho, glamour.

Quase na esquina do meu apartamento tem lojas da LV, Dior, Yves Saint Laurent e outras do gênero. Nunca tive nem curiosidade de entrar pra ver as roupitchas. Eu - e todas nós que comentamos nesse post - sonhamos sim, fia, mas nossos sonhos são muito mais ambiciosos que a mediocridade de botar um sapatinho Manolo Blahnik ou sair com uma bolsa Chanel - alugada ou não - e achar que está no topo do mundo.

Glamour pra mim é ir pro cinema ver um bom filme com o maridón e depois comer num restaurantezinho indiano a melhor comida do mundo. Glamour é saber viver bem, independente da cidade e da condição social. Glamurosa, pra mim, é a mulher que tem dignidade, honestidade, coerência e, principalmente, respeito a todos, sejam eles mexicanos, filipinos, quenianos ou brasileiros.

Eu até acho que tenho tido uma vida bem “glamourosa”, afinal, ter sempre trabalhado com coisas tão interessante (dar uma palestra em Dubai, ano passado, foi um luxo!), viver uma história de amor maravilhosa com meu Ted, ter uma filha que eu admiro mais que tudo, uma mãe com saúde e ainda conhecer quase 40 países e centenas de cidade em todos os continentes é um l-u-x-o. Mas não acho que ninguém precisa ter tudo isso pra ser glamourosa. Conheço muita gente que nunca saiu do Recife e é chiquérrima.”

http://sindromedeestocolmo.com/
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Lembro-me do tempo em que não perdia um episódio da série. Para uma sociedade tão preconceituosa como a nossa e no estádio em que a maior parte das mulheres se encontra por aqui, já é um sintoma de algum desejo de libertação gostar da série.

O que me fascinava acima de tudo não era tanto essa ideia do gamour, mas a sexualidade tão desabrida daquelas quatro, o seu espírito de aventura e a camaradagem que conseguiam entre si. Gostava disso. Era fresco.

Também tive a minha fase de vuittons e outros sinais exteriores... Depois, embora adore coisas bonitas, desenvolvi a fobia das marcas. Assim como era grande fã de revistas femininas, que agora abomino. A energia que perdemos com essas tretas...

São os equívocos do sistema em que, ou com que, se enrolam as mulheres, que continuam assim a viver não em função delas próprias mas em função do homem - nada de novo, portanto, sob a aparência da emancipação... Mais grave do que isso é o sucedâneo de modernidade e de liberdade que a coisa representa.

É bom sermos mais exigentes e criteriosas na escolha dos nossos modelos e das nossas heroínas.

Oh, sim, estou perfeitamente de acordo: nada se compara à pica que dá ir aos Dubais deste mundo dar conferências... termos voz e ideias próprias e capacidade para agir no mundo. Aí sim vale a pena investirmos a nossa energia!

5 comentários:

Lealdade Feminina disse...

" A vida vem em ondas, como um mar"
A genta dá um passo de cada vez... e o importante é seguir em frente... não ficar estagnada numa idéia, numa fase...

Pular fase tbm não é bom, cada fase deve ser vivida no momento certo...

Muito pior seria se a gente nascesse sabendo tudo e fosse emburrecendo com o tempo né...

Boa semana pra vc...

Luíza Frazão disse...

Claro. É bom irmos simplificando e desapegando, sobretudo das coisas que nada nos acrescentam...

Boa semana tb para si.

Anônimo disse...

Critico de cinema L.Miguel Oliveira:
Houve em tempos quem acreditasse que a televisão podia ser cinema em ponto pequeno. Hitchcock, Renoir, Rossellini, alguns dos maiores cineastas da história. Hoje estamos no pólo oposto, e são cada vez mais os filmes (e os cineastas, e os espectadores) que acreditam que o cinema é apenas televisão em ponto grande. Nem percebemos porque é que nos sentimos surpreendidos a dizer o que vamos dizer, mas "Sexo e a Cidade", transposição para cinema da série, é só televisão e nada mais do que televisão, um episódio penosamente alongado (duas horas e um quarto!) sem uma ideia, um plano, que permita ao espectador confundi-lo com um filme.

Admirável honestidade, se quisermos ver a coisa assim: "Sexo e a Cidade" chama os admiradores da série à sala de cinema e oferece-lhes... mais um episódio. Abstemo-nos de generalizar e fazer especulação quanto ao que aconteceria se outras séries da moda fossem "ampliadas" para exibição em cinema (mas provavelmente confirmar-se-ia que uma boa série de TV, sendo uma boa série de TV, é apenas uma série de TV - aquilo a que chamamos "cinema" fica distante, ontológica e quase antiteticamente, como distante está do enxame de filmes que parecem ser apenas boas séries de TV).

No caso concreto, é espantoso como o que parecia, no televisor, possuir um mínimo de sofisticação, se revela paupérrimo no écrã grande, cruelmente revelador, de uma sala de cinema. Espanta (para lá de todo o primarismo formal e narrativo) a falta de distância, a empatia com que o filme olha para este grupo de mulheres mimadas e desinteressantes, o retrato estereotipado da mulher "moderna" e "urbana" (de Mizoguchi a Cukor vai um mundo que as séries de desconhecem), consumidas por preocupações sentimentais que só se distinguem das do correio das leitoras da "Maria" porque estas escreveriam para a "Vogue". Em "Sexo e a Cidade" não há vida, não há sangue, não há sinceridade, não há mundo. Damos por nós a pensar que "Corações" de Alain Resnais (que se interessa por séries de televisão e pelo exercício do folhetinesco) é a melhor crítica possível a "Sexo e a Cidade" (vão vêlo, se ainda por aí estiver).
......
Vêlo????
Gina

Lealdade Feminina disse...

Tbm existe a simples crítica pela crítica... ah... filme de mulherzinha... blábláblá...

Tantas séries ou até desenhos animados viram filmes no cinema e nem por isso há tanta necessidade de criticar...

Acho que os Simpsons e o Garfield não sofreram tanto qdo viraram filme...

Vai quem gosta, quem não gosta vai ver outra coisa...
Parem de criticar as coisas só por elas serem feitas por ou sobre mulheres... pelo amor da Deusa...

Luíza Frazão disse...

Bom, a criticar/comentar é que a gente se entende... Obrigada às duas.
Talvez não venha muito a propósito, mas quando andava na fac. lá vinha sempre o famoso tema da "mulher" na obra deste ou daquele autor. A mim apetecia-me sempre falar do "homem" nessas mesmas obras... Sabemos que a mulher é um ser magnético que sempre atrai e fascina, um ser com vida, luz, a quem é permitido ter sentimentos e falar deles, ao contrário do ser mais monolítico e sem graça que é o homem que quando brilha é mais pelo intelecto. Filmes sobre o quotidiano banal de homens (hetero, vá lá)seriam possíveis? teriam alguma graça?