segunda-feira, 30 de junho de 2008

Desafio para quem frequentou Cursos do Método Louise Hay

A

A Ariana Editora vai editar este ano em Outubro UM SÓ CORAÇÃO II que reúne mais testemunhos de pessoas que frequentaram os Cursos Louise Hay.

Nesse sentido, a pergunta é:

Estás interessada(o) em escrever sobre a tua própria experiência?

O ponto de partida é este:

De que forma é que os ensinamentos de Louise Hay alteraram a minha vida? O que é que eu modifiquei, onde mudei?

O texto não tem limite de caracteres, cada pessoa pode escrever o que o coração ditar.

Os textos têm de estar todos prontos até ao final de JULHO.

O lançamento está marcado para dia 11 de Outubro (sábado) em Lisboa no Palácio da Independência (Rossio). A edição passada contou com 30 testemunhos, nesta a editora gostaria de ter o dobro pelo menos.

Vamos ver o que o Universo acha desta ideia.

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Testemunhos:

"A primeira vez que li Louise Hay questionei-me como deveriam ser os cursos ministrados por ela. Como é que ela ensinaria, na prática, todos aqueles conceitos que, quando assimilados e usados, nos tornam seres tão felizes e equilibrados? Será que algum dia teria oportunidade de o fazer?

Mais tarde, quando a Ana Mota me perguntou se eu queria participar no curso do Método de Louise Hay, fiquei literalmente pasmada a olhar para ela, pois nunca imaginara que isso fosse possível, ou que existisse tão perto de mim.

O curso Louise Hay é um curso que faz milagres porque nos ajuda a pensar e sentir de uma forma inteligente, nos muda como pessoas e consequentemente muda a nossa vida.

O seu conteúdo é extremamente rico e complexo no início, mas com a persistência colhem-se os frutos mais maravilhosos que existem. É um curso para a vida e uma filosofia de vida, que é necessário alimentar.

Sinto-me muito feliz por tê-lo feito. Sem ele eu não seria a mesma pessoa. E fá-lo-ia indefinidamente, pois o que ele transmite é o que eu quero permanentemente na minha vida."
Cristina

"O que posso dizer do curso é que foi um tempo de aprender a olhar para dentro de mim e perceber que a felicidade, a paz e o amor de facto não são exteriores a mim, isto é, não dependem daquilo que me rodeia, daquilo que possuo ou não, mas daquilo que sou no íntimo do meu ser, daquilo que penso e consequentemente de como me posiciono da vida face a essa "introspecção". Aprendi algumas técnicas que me podem ajudar a libertar-me dos meus medos, a ver os outros como seres individuais e únicos mas com as mesmas dúvidas, angústias e "prisões" mentais que eu. Passei a olhar para o outro como meu igual e não como "outro", alguém diferente de mim.

O caminho é longo e requer treino, paciência e vontade.

MAS

O caminho faz-se ao andar… ."

Paula

domingo, 29 de junho de 2008

Uma Só Alma

Sofreste em excesso
por tua ignorância,
carregaste teus trapos

para um lado e para o outro,

agora fica aqui.

Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
Mostramo-nos e escondemo-nos tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo da minha relação contigo,
Porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu.

Mawlānā Jalāl-ad-Dīn Muhammad Rūmī (Séc. XIII)

sábado, 28 de junho de 2008

A ILUSÃO DA MINHA CULPA

Apresentação do livro de Julieta Vieira

Estou muito grata à vida por estar hoje aqui para fazer a apresentação do segundo livro de Julieta Vieira, uma pessoa por quem tenho grande carinho, amizade e admiração.

Foi uma grande companheira – e é –, e em alguns sentidos uma iniciadora no percurso que comecei há cerca de 10 anos...

Admiro na Julieta a sua determinação e a sua persistência, o seu sentido de serviço, a sua fé e a sua grande dedicação à elevação da consciência, tanto pessoal como colectiva.

Aprendi e aprendo muito com ela e gosto muito de saber que ela mora na minha rua...

Então nós estamos todos aqui hoje em princípio porque é aqui, neste tipo de energia, que nos sentimos bem... sentimo-nos em casa aqui... Primeiro porque este é mesmo um espaço muito bonito e muito acolhedor, e depois porque este livro fala à nossa alma.

Apesar de todos os equívocos, violência e perturbações de toda a ordem do nosso tempo, este é também um momento em que cada vez mais pessoas desejam acima de tudo ter experiências da alma.

Desejam elevar-se, transcender as suas limitações e as suas dores, desejam a Unidade – consigo e com os outros. A Inclusividade.

É a sensação de estarmos sozinhos, separados uns dos outros e de nós mesmos que é o nosso principal factor de sofrimento.

Vivemos numa cultura da extroversão, onde a televisão é omnipresente e omnipotente, determinando a verdade do mundo, contaminando-o com vibrações muito negativas, roubando-nos a nossa vida que optamos tantas vezes por ver passar no ecrã, meio ou completamente hipnotizados, em vez de a vivermos realmente. Estaríamos de facto a fazer um grande bem, a nós e ao mundo, passando o mínimo de tempo possível diante dela.

Em vez disso, penso que é muito mais importante conseguir silêncio para ouvirmos a nossa voz interior, percebermos os nossos sentimentos, aquilo que nos incomoda, que nos aprisiona; assim como, evidentemente, aquilo que nos dá prazer e nos acrescenta alguma coisa. Para lermos livros, sábios e inspiradores...

O título desde livro, A ILUSÃO DA MINHA CULPA, não podia ser mais oportuno, já que – o que mais contribuirá para essa sensação de separação de nós e dos outros do que a culpa?

E no entanto, é minha convicção de que não há por que haver culpa. Porque isso que considerámos ser o pecado durante milénios mais não é do que ignorância e equívoco...

Não é verdade que eu estou sempre e só a fazer aquilo que no momento acho que é o melhor, dentro da consciência e do conhecimento que eu tenho na altura? Depois, mais tarde, quando aprendo mais qualquer coisa, quando a minha consciência se eleva, eu já não faço aquilo daquela maneira. Não é assim que acontece com todos nós?

Estão ficar-se retido na culpa dá-nos uma sensação de impotência, de pequenez; a sensação de que somos más pessoas porque sabíamos fazer bem e fizemos mal. E isso não é verdade. Sentir culpa é eu olhar para trás, com o conhecimento que eu já tenho no presente, e julgar os actos que pratiquei no passado quando ainda não tinha adquirido esse conhecimento, essa consciência. E então em vez de nos sentirmos livres para avançar para um nível mais elevado, ficamos presos, dilacerando-nos nessa armadilha da culpa – o que só representa um grande atraso e uma perda de energia...

Então isso da culpa é esse lastro, esse visco, essa gordura pegajosa, frequentemente objecto de exploração por tão bem servir ao controlo e à manipulação, de que no fundo todos somos vítimas e perpetradores, ao mesmo tempo, se disso não tivermos consciência.

Diz-se aqui também na capa que este é “um guia para a sincronicidade interior”. Sincronicidade é um conceito que foi desenvolvido pelo psicólogo alemão Carl Jung, no princípio do século passado, e que, resumindo, significa uma coincidência significativa.

Neste caso, trata-se de uma coincidência entre o texto que me surge quando abro o livro ao acaso e aquilo que estou a sentir ou a precisar de saber no momento.

(Já experimentei o livro e lembro-me de em duas ou três ocasiões seguidas me surgir a mesma mensagem... muito oportuna, por acaso).

Estas são mensagens vindas por certo de uma dimensão que nos transcende, ou daquilo que designamos como o nosso Eu Superior – a parte sábia de nós...

Não queria alongar-me sobre esta questão, que é a de saber de onde vêm as mensagens. Haverá por certo muito a aprender sobre isso. Mas o que interessa é que a mensagem faz eco em nós, ela constitui uma resposta, um incitamento e, sobretudo, o seu efeito é o de um grande apaziguamento...

São mensagens muito inspiradas e muito inspiradoras. Sobretudo muito sábias. Nelas se fala do poder da gratidão, do perdão, da importância de nos amarmos a nós mesmos, de libertarmos os outros e a nós próprios do julgamento e da crítica. São por vezes mensagens dirigidas a alguém, mas depois de as lermos, verificamos que encaixam lindamente em nós...

São no fundo mensagens que respondem às nossas maiores dúvidas e ansiedades – que na verdade nos são comuns a todos.

Finalmente são mensagens para todos aqueles que aceitam ser os TRABALHADORES DA LUZ de que o nosso mundo tanto precisa.

Nós sabemos que a Humanidade é um contínuo, que todos estamos ligados uns aos outros, que, no fundo, SOMOS TODOS UM. Então a nossa responsabilidade é grande, porque quando um número suficiente de nós - a chamada massa crítica – elevar a sua energia, ela elevar-se-á no geral e o mundo mudará de verdade.

(...)

Luíza Frazão

Biblioteca Municipal de Rio Maior, 28 de Junho 2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Uma História com Coelhos

Para Ostara com gratidão

Sabia que o coelho estava vivo pela temperatura do pequeno corpo contra as paredes bem revestidas de gordura do seu próprio estômago, em contraste com a magreza do animal que acolhia nos braços. Estranho que um coelho selvagem, mesmo com uma pata partida – o osso visível, a carne em sangue – permanecesse tão imóvel e cordato, deixando-se transportar assim. Ia levá-lo à O. que vivia no campo. V. haveria de pôr-lhe uma tala, alguma mezinha miraculosa, e no fim todos ficariam contentes por terem salvo a vida do pobre animal atropelado na ciclovia.

Estranho, na ciclovia, onde apenas passavam grupos de donas de casa celebrando ruidosamente o facto de estarem juntas, por um momento longe da refilice dos maridos e da pia da cozinha. Passavam também por vezes corredores solitários. Raramente ciclistas. Quem teria pisado o coelho?

Quando ela chegou junto dele, estranhou de o ver tão imóvel. Até que reparou na carne viva da pata e condoeu-se. Ártemis alvoroçou-se-lhe no peito, e ela baixou-se para lhe pegar ao colo, pensando logo que O., tão compassiva, era a única que poderia salvá-lo. No seu apartamento, onde reinava em absoluto uma gata mimada, era impossível tratar dele.

Transportava-o pois ao colo, segurando com firmeza as patas para que não tentasse escapar-se. Mas o único sinal de vida do coelho era a temperatura do seu corpo.

Já tinha andado uns bons metros e delineado toda a estratégia. Iria a casa buscar um cesto onde o enfiar, desceria à garagem para pegar no carro e andar os cerca de três quilómetros até a casa da O. Não que lhe apetecesse muito ir àquela hora para casa de alguém. O que lhe apetecia mesmo era chegar a casa, tomar um banho e sentar-se à frente do computador a bloguear. Só que agora o mundo real sobrepunha-se ao virtual.

Começou a desejar que aparecesse um carro com alguém que levasse o coelho. A I. passava muito por aqueles lados e ela era a pessoa mais indicada por ser vizinha da O. Alguma vaga inquietação passava-lhe pela espírito. Aquele era um animal selvagem em que pegara despreocupadamente, e pelo menos pulgas ou carraças era natural que tivesse.

Reparou que alguns metros à sua frente, depois de passar a rotunda, seguia a A. acompanhada do marido. Tinham por certo um quintal. Chamou o nome dela, mas A. há muito que desligara o receptor de sons exteriores – bastava-lhe o do marido. Ele voltou-se e agora ambos se interessavam pelo coelho que transportava. Explicou rapidamente a situação. Tinham quintal? Coelheiras? Mas o marido da A. foi preciso e objectivo. O coelho tinha mixomatose. Tanta que já nem conseguia abrir os olhos. Se fora atropelado e ia ali tão sossegadinho era só por causa disso.

Não foi fácil seguir os conselhos dos dois e depositar ali o coelho moribundo na berma da estrada, desistindo da sua intenção de curar-lhe a pata partida. Disseram-lhe, respondendo aos seus temores, que desinfectasse as mãos e avisaram-na de que havia sangue na sua t-shirt. Mas a doença de que sofria não passava para os humanos. Um coelho ensanguentado, terminal, pequenino e inocente. Custou-lhe.

Lembrou-se então de todos os coelhos que de repente tinham entrado na sua vida nos últimos tempos. O coelho de Ostara, o coelho da fertilidade, que comprara numa casa de flores e que depusera no meio dos vasos da varada de trás. Na Páscoa servia para decorar a mesa da sala, juntamente com ovos, a galinha e o galo de loiça e uma taça com amêndoas. Trariam abundância para o ano inteiro. No blogue de J. ela falava dos seus coelhos, dando a entender que eram os seus animais de estimação preferidos. Bom, no blogue dela eles ganhavam uma aura de coelhos da plaboy, o que ainda entrava no domínio da fertilidade...

Mas havia um coelho inquietante. Era um que Mark Ryden fora buscar ao mundo de Alice. Um coelho de brincar, trucidado ao meio com uma poça de sangue no lugar das patas traseiras perante a angústia de uma menina boneca.

Também ela parecia agora ter passado para o outro lado do espelho. Desse outro lado, um coelho ensanguentado e terminal tentava dizer-lhe qualquer coisa. Era óbvio de mais. O pobre coelhinho era também um signo da linguagem usada nos sonhos, da linguagem que surge quando paramos o fluxo verbal da mente e intuímos o significado dos símbolos que se cruzam no nosso caminho. Conteúdos negligenciados do inconsciente vêm assim até nós e, se não lhes virarmos as costas, eles revelam-se; revelam-nos as nossas verdades mais inconfessadas e mais incómodas.

Sim, fora doloroso abrir mão daquele dinheiro amealhado a tanto custo e que guardava para uma necessidade especial. E ela surgiu. Mas doeu. Doeu e fez de conta, usando uma atitude espiritualmente correcta – “A tua segurança não pode estar no dinheiro!” – , que não. Mas a dor só buscava a linguagem apropriada para se manifestar. A dor da criança a quem tinham esvaziado o mealheiro.

Quando contou àquelas duas que conhecem de cor toda a sintaxe do símbolo, a sua leitura desenvolta foi como se lhe tivessem pegado ao colo e a tivessem consolado. E depois levaram-na ao campo.

Na mata de Monsanto, entre os tufos de erva que crescem à sombra das árvores, pôde ver então famílias inteiras de coelhos. Tinham a cor da terra escura e fértil e uma saudável desconfiança que os fazia saltar para dentro de buracos sem fundo à mínima aproximação de passos e risos.

E Ostara repôs a verdadeira confiança no seu coração.

Imagens: Google

domingo, 22 de junho de 2008

Os Círculos de Costura do Afeganistão

"O QUE FAZEM AS MULHERES

Uma mulher escreve a outra: “Sei, através de um amigo, que você tem um marido bondoso e um filho lindo e que viaja pelo mundo inteiro fazendo reportagens e conhecendo gente. Sonho com uma vida como essa. É estranho, vivermos debaixo do mesmo pequeno céu e, no entanto, parece que vivemos a 500 anos uma da outra”.

Uma afegã escreve a uma inglesa: “Hoje, você vê-nos nas nossas burqas, como estranhos insectos no meio do pó, de cabeça baixa, mas nem sempre foi assim”.

Marri, de Cabul, escreve cartas a Christina, jornalista, em Londres: “Eu nunca tinha usado burqa antes (...). Na nossa casa, atrás de todas as burqas e skalwar karmiz, há um vestido-de-noite, em seda vermelha, da minha mãe, do tempo em que o rei estava no poder e o meu pai estava no ministério dos Negócios Estrangeiros. Às vezes, aperto-o contra mim e imagino que estou a dançar. Mas é um mundo perdido”.

Marri escreve, arriscando a vida. Escreve a Christina, ao longo dos anos que dura o totalitarismo misógino dos taliban (1996/2001). Os “estudantes de teologia” – de que deus, meu Deus? – puseram de pé uma distopia islâmica, alicerçada na eliminação completa de todas as formas de alegria de viver – apesar de os seus comandantes em Kandahar, segundo se conta, guerrearem entre si pelos favores dos rapazinhos de harém...

Marri escreve, clandestinamente, ao longo das páginas espantosas do livro “The Sewing Circles oh Herat”, da jornalista Christina Lamb. As duas mulheres não se conheciam enquanto durou a troca de correspondência – isso apenas aconteceu quando a repórter do Sunday Times voltou a Cabul, após a queda do regime taliban.

As cartas de Marri fornecem o esqueleto, a cadência e a metáfora para este livro sobre o Afeganistão, feito de detalhes belíssimos – os detalhes que sobram no meio da barbárie, a intimidade onde se constrói uma ideia de pessoa no meio da sociedade que morre. Uma resistência do espírito contra a brutalidade da “religião”, a meticulosa recriação do mundo enquanto está a ser destruído por todo o lado.

(A nossa generosidade, a das mulheres, diria o escritor J. G. Ballard, que amou furiosamente as mulheres como último refúgio contra a loucura – incluindo a sua.)

Há alguns meses, um amigo trouxe-me de Londres o livro de Christina Lamb. Tinha-o esquecido na estante. Lembrei-me dele esta semana, ao ver na imprensa um artigo- efeméride da chegada dos taliban ao poder. O Afeganistão era, para mim, o absurdo da masculinidade. Citando Michael Barry, professor de estudos persas na Sorbonne, “o espaço afegão inscreve-se numa civilização milenar – o Islão do Oriente – ,altamente letrada mas de tradição patriarcal, repressiva, abertamente misógina”, “The Sewing Circles...” corrigiu a minha impressão, ou a minha ignorância – ou o excesso de “informação”, porque o Afeganistão que vemos na imprensa é um país cru, feudal, sem poesia, sem humanidade.

É outro o Afeganistão de Christina Lamb (que conheceu o país nos últimos anos da ocupação soviética). Um lugar comovente, de heroísmo terno, onde a poesia pode surgir, intacta, mesmo por entre o maior horror. Os “círculos de costura” que servem de título e de metáfora ao livro eram uma das poucas reuniões sociais permitidas pelos taliban. As mulheres carregavam cestos com tecido, novelo e agulhas e, com esse disfarce, reuniam-se para estudar, ler poesia, discutir, aprender e ensinar. Se descobertas, morriam por isso.

Marri escreveu: “Cabul foi libertada, acredita? (...) Os novos vizinhos têm crianças pequenas e elas estão a rir – o pai trouxe-lhes um papagaio-de-papel rosa e verde, está a voar alto no céu. Há quanto tempo que não ouvíamos rir – imagine, isso também era proibido”.

O que fazem mulheres? O de sempre: vida.”

Faiza Hayat, Conversas com o Espelho

Imagens: Google

Misticismo Celta

A Mente no Coração

"O misticismo é, em primeiro lugar, uma atitude da mente a nível do coração, e a integração essencial do Céu e da Terra é uma realidade construída a partir da visão celta.

A mente celta revela-se tanto pelo seu passado pagão como pela sua fé cristã. É uma mente que entende ser tudo possível. É possível que o Céu e a Terra estejam inextrincavelmente entrelaçados. É possível que não exista qualquer distinção essencial entre o lavrador, a sua vaca, os santos e os anjos. É possível que Brigith (...) seja no Céu uma grande amiga da Mãe de Deus. É possível que os santos celtas e os anjos se ocupem dos homens e mulheres mortais e respondam, como amigos, às suas orações de pedido de auxílio. Por amor, tudo é possível.

Por se acreditar que tudo é possível, tudo de torna possível, não existe nada a temer no antigo paganismo celta. (...) Nada há a temer, pois o “amor perfeito expulsa o medo” e, em vez de o passado ser negado e amaldiçoado, é antes afirmado e baptizado. O que outrora podia ser descrito como uma superstição, se alguma vez nisso tivesse consistido, é agora encarado como poesia que ainda tenta exprimir o mistério.

UMA QUESTÃO DE ATITUDE

O misticismo, a atitude da mente a nível do coração, é o melhor a que podemos ambicionar. A tradição celta pode mostrar o caminho especialmente às mentes desgastadas por estilos de vida sobrecarregados, stresse urbano, poluição sonora e toda a poluição mental que pode ser induzida pela exposição prolongada aos media e à vida moderna em geral. A espiritualidade celta, ou, se preferir, o misticismo celta, pode constituir um correctivo poderoso à espiritualidade estridente, doentiamente sentimental ou excessivamente racionalista, sendo que todas estas formas podem ser encontradas por vezes no Cristianismo contemporâneo. Cada vez mais, aqueles que sentem que se perderam no seu caminho viram-se para as suas raízes e, para muitos, estas raízes são, antes de tudo, celtas."

“Caia sobre vós a chuva bendita – a chuva doce e suave. Caia ela sobre o vosso espírito, para que brotem as mais pequenas flores e espalhem o seu perfume no ar. Que seja convosco a bênção das chuvas pesadas, que elas fustiguem o vosso espírito e o deixem ficar limpo e belo, deixando para trás numerosos lagos brilhantes onde resplandeça o azul do céu e por vezes as estrelas. Que esteja convosco a bênção da Terra – a Terra grande e redonda. E agora, que Deus vos abençoe, e vos abençoe com amor” (Oração irlandesa antiga.)

Anthony Duncun, Misticismo Celta

Imagens: Google

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Em Louvor de Héstia

“Ficar horas sentada, com agulha e linha em mãos é para mim um prazer, desde sempre.
No meu país, as pessoas tecem, de fato em quase toda a região andina o fazem, sejam homens ou mulheres, isso advém das nossas raízes indígenas, dos antepassados que por causas climáticas tinham que tecer…

Tecer foi assim, primeiro, necessidade física, de sobrevivência, mas tomou outras conotações em mãos de um povo que em tudo vê o sagrado, mesmo sendo profano à primeira vista. Vestes, mantos, toucas, “ruanas”, colchas ganharam cores, cores que não somente serviam para alegrar e tornar mais quentes as linhas, mas para sinalizar finalidades e assim demarcar usos.
Tecelãs e tecelões foram acurando os pontos, os arremates, aperfeiçoando as texturas, os matizes, delineando com subtileza formas e imagens, que faziam parte do quotidiano e do divino para meus antepassados.
Longos silêncios imperavam em espaços abertos, onde a luz do Sol irrompia. Aquecendo o ambiente frio, dando às cores luminosidade e brilho, o que tornava o silêncio alegre. E mais do que isso, esse silêncio tecia histórias, tecia a história pessoal de cada tecelão e casa, e a da tribo, a da aldeia onde nasciam.
As mantas e tapeçarias que lá surgiam ocupavam lugares diversos, mas sempre aos olhos de quem os fazia, ou de quem nada a ver tinha com aquela atividade, mas sabia ser imprescindível para a lembrança das lendas, das estórias, das vidas, ali envolvidas.

As técnicas foram passando de pais para filhos, em cada tribo ou grupamento, cada uma, a técnica, tendo segredos e misturas próprias que as tornavam únicas e diferenciadoras entre tais grupos. Assim, certos pontos, cores e diagramas faziam parte da identificação de uma classe, categoria, ou etnia entre os andinos. Diferenciação entre grupos indígenas.
No campo do ritualístico, as mantas e paramentos produzidos retratavam formas sagradas para os indivíduos. Animais sagrados, de poder, eram transpostos aos tecidos, histórias divinas e deidades ali retratadas.
Vale lembrar que as crenças em seres supremos, são oriundas nessas terras da reverência à Terra, e aos animais, e fenómenos metereológicos. Ao trovão, à chuva, à água, às montanhas, ao jaguar, ao falcão, à rã, à cobra, ao vulcão… La Luna y El Sol. Vemos figuras antropomórficas, resultado do amálgama entre o humano e o sobrenatural animal.
E esta arte, a de tecer, passando de pai para filhos, de mãe para filha, perpetuou-se! É hoje admirada e degustada por quem se aventura a percorrer países andinos, por aqueles que se permitem a fuga dos roteiros comerciais e penetram pelas cordilheiras dos Andes.
Para eles, os aventureiros ou reverenciadores do Antigo, lhes é oferecida a oportunidade de vivenciar a produção dos tecelões, que sentados na grama escarpada, sob a luz gélida do Sol, tecem em grupos. E ver uma manufatura secular, milenar que não se altera, nem perde suas origens.
Tapeçarias andinas podem ser admiradas como algo belo, mas também se o
quiser o espectador, e tendo quem o oriente, podem desvendar pequenos mitos e lendas que nelas são ilustradas, contos familiares, de clãs, sucessos heróicos, ritos, celebrações… A vida do povo que ali vivia antes do branco chegar. E que graças às tapeçarias e aos tecelões se torna viva e palpável para o indivíduo do hoje.
Assim retomo o início deste relato. Tecer faz parte da minha família. Pois possuo sangue índio, do índio andino equatoriano. Minha avó tecia, sentada quieta, belas colchas, gigantescas, passando meses na sua confecção. Caminhos de mesa, peças de roupa. Com pensamentos distantes. Ao vê-la sempre era isso o que fazia analisá-la: o que pensava?
Eu teço não mantas quilométricas, ainda que possa um dia vir a fazê-las. Teço desde os 9 anos. Com linhas brancas ou coloridas, nomes, flores, pássaros, árvores, animais. Bordo, teço, sentada como minha avó o fazia, pensando, e hoje sei o que acontecia quando ela o fazia: colocava em cada ponto dado um pensamento. Um desejo, um sonho, um pesadelo, um acontecimento, uma previsão…
É isso que creio pensamos e fazemos ao tecer, bordar, colocamos pedaços de nós em cada pedaço, a cada laçada, a cada centímetro concluído.
Serve para mim como recordatório, muito mais do que um álbum de fotos. Serve como tele transporte: ao ver um lençol bordado, uma toalha, uma fronha, uma colcha decorada por mim, lembro com riqueza de detalhes o cheiro do momento, os acontecimentos da época, os sentimentos que vivia…
E desvendei assim o segredo dos tecelões andinos, aqueles que vieram antes de mim.
Tecendo refizeram a nossa história, deram vida às linhas e cores, com seus próprios sentimentos de amor e apego a suas raízes, conseguiram trazer o ontem para o hoje, e principalmente mantiveram vivas suas crenças, seus deuses, seus ritos. Na linguagem da arte tecida.
Bendiciones de Tus Antiguos, sean ellos quienes sean!”

Luciana Onofre

Imagens: Google

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Novos Relacionamentos Precisam-se



Alice Buis

(...)

À procura de nós mesmos
A procura do eu inteiro, completo, poderá ser tão excitante e inebriante quanto a paixão. E com um final bem mais feliz: a outra metade de nós mesmos, que jaz sepultada nas nossas camadas mais profundas, uma vez encontrada e incorporada ao que já temos, jamais nos irá abandonar.

Neste novo contexto, o sexo passa a ser visto de forma diferente. Sim, porque para apreciar uma pessoa inteira, plena - um homem sensível e terno, uma mulher forte e decidida - precisaremos fugir aos comportamentos estereotipados que privilegiam o sexo em detrimento da intimidade, e que transformam a aventura amorosa em "conquista" fazendo-nos perder imediatamente o interesse pelo parceiro tão logo a conquista tenha sido bem sucedida.

Uma vez inteiros e completos, estamos livres para nos relacionar à vontade com quaisquer pessoas, de preferência também inteiras, também completas. Ter-nos-emos livrado da posse, do ciúme, do medo, da insegurança. E para nos mantermos fiéis a essas novas ideias, precisamos de abrir mão da necessidade de exclusividade na relação, sendo essa talvez a mudança mais difícil pela qual temos de passar.

O interessante a este respeito é que, apesar de vivermos defendendo a monogamia e a fidelidade, transgredimos constantemente essas regras nos nossos relacionamentos. Não é isso o que interessa. Quem transgride as regras é apenas um transgressor. O que importa é não aceitar essas regras, e forjar outras. Esse sim, é um comportamento revolucionário, transformador.

O maior bem da vida


Segundo os sociólogos Rustom e Della Roy, "o maior bem da existência humana são os relacionamentos interpessoais profundos, tantos quantos sejam compatíveis com a profundidade". E somente assim, livres das cadeias com que nos prenderam durante gerações, teremos tempo e energia para o amor.

A respeito do amor, Marilyn Ferguson comenta que "nosso conceito cultural das possibilidades do amor é tão limitado que não dispomos de um vocabulário apropriado para descrever as experiências holísticas de amor, o qual abrange sentimento, conhecimento e sensibilidade." Mas considera que a presença do amor é constante e indispensável nos relacionamentos transformadores, que "são caracterizados pela confiança. Os parceiros estão desarmados, sabendo que nenhum deles tirará vantagens. Cada um arrisca, explora, falha. Não há fingimentos, ou fachadas. Os parceiros cooperam. Deleitam-se com a capacidade do outro em surpreender. O relacionamento transformador apoia-se na segurança que emana do abandono da certeza absoluta."

Quanto a mim, nada conheço sobre o amor que se compare à bela epístola de Paulo aos Coríntios, em um trecho que diz: "Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé ao ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei."

Nota: Este artigo é uma adaptação do capítulo 11 do livro Iniciação à Visão Holística, de Clotilde Tavares (Rio de Janeiro, Editora Record, 1996, 3a. edição),

BIBLIOGRAFIA

FERGUSON, Marilyn. A conspiração aquariana. Rio de Janeiro, Record, 1990.

FRANCO, Augusto de. A nova geração: crise e reflorescimento. São Paulo, Thomé das Letras, 1990. 179 p.

RUDHYAR, Dane. Preparações ocultas para uma nova era. São Paulo, Pensamento, 1991. 259 p.

STEINEM, Gloria. A revolução interior: um livro de auto-estima. Rio de Janeiro, Objetivo, 1992. 291 p.
http://www.clotildenews.digi.com.br/amor.htm

sexta-feira, 13 de junho de 2008

O meu computador recusa-se a trabalhar esta manhã...

Grande pânico esta manhã: o meu computador, um daqueles modelos super ultrapassados, com uma volumetria tipo máquina de lavar (ai a "obsolescência perceptiva"!...), mas a que estou habituada e de que gosto muito, recusa-se a funcionar! Já o liguei e desliguei várias vezes e nada. Não percebo nada daquela máquina... Terei feito algo que não devia, ou deixado de fazer? Felizmente, este Universo abundante respondeu ao meu pedido e facilmente, no devido tempo, um portátil chegou até mim... Obrigada aqui publicamente ao Universo e à Vida!

Isto trouxe-me ao espírito o que uma vez disse Carl Sagan sobre a tecnologia, a nossa ignorância e a sua complexidade: "Vivemos numa sociedade dependente da ciência e da tecnologia em que muito poucos sabem algo de ciência e de tecnologia."

Mais pessimista ainda, ele continua:
"Arranjámos as coisas para que ninguém compreenda a ciência e a tecnologia. Isto é uma prescrição para o desastre. Talvez nos possamos aguentar assim durante algum tempo, mas mais tarde ou mais cedo, esta mistura de combustível de ignorância e pólvora explodirão nas nossas faces"...

Ontem a mesma ideia numa reportagem do canal Infinito, onde se defendia que esta é uma tecnologia de origem extra-terrestre - só pode com esta complexidade... rs (?) - e com objectivos obscuros.
O principal problema é, como todos já percebemos, afastarmo-nos da realidade concreta, física, da natureza (e ela que se cuide que nós não estamos nem aí...) e mergulharmos a fundo neste universo virtual, um universo de substituição...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

A Mãe Terra Agradece

Publicidade que ofereço de graça a uma marca de produtos biodegradáveis...

Este post foi retirado de Lealdade Feminina, onde vinha a propósito das tarefas domésticas. Já tinha aqui um outro texto sobre o mesmo tema (limpar a casa). Neste chama-se a atenção para os malefícios dos produtos normais de limpeza, que deveríamos substituir por outros mais ecológicos. A água do Planeta é sempre a mesma, o que lhe juntarmos voltará sempre para nós...

"Nas indústrias utilizam-se sabões nos processos,

assim como em casa utilizamos para os

hábitos domésticos de limpeza.

Esse sabão após ser utilizado vai para a rede

de esgoto e chega aos rios e lagos,

mas felizmente os resíduos de sabão sofrem

decomposição pelos microrganismos existentes

na água dos rios. Pode-se dizer então,

que os sabões são biodegradáveis, ou seja,

não poluem o meio ambiente. Já os detergentes,

acumulam-se no meio ambiente, formando uma

camada de espuma, que impede a entrada

de oxigénio na água.

Na água existem

microorganismos produzindo enzimas

capazes de quebrar as moléculas de cadeia

carbónica linear, que é o caso dos sabões.

Essas enzimas não reconhecem as cadeias

ramificadas como as dos detergentes;

sendo assim, eles permanecem na água

sem sofrer decomposição, causando a poluição."

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Ancorar na Terra e Aspirar ao Céu


"TU NÃO PODES TRANSFORMAR ALGO QUE AINDA NÃO APRENDESTE A AMAR!

Como integrar estes dois seres em nós?
Parece que existem duas etapas:

Etapa de Integração

É necessário estar atento aos momentos em que, espontânea e livremente, percebemos que devemos expandir horizontalmente e viver a expressão dos centros sub-diafragmáticos: dança, riso, paixão, amor humano, sexualidade e erotismo, experiência do mundo, iniciativas pessoais, art d'vivre, fazer dinheiro, criatividade horizontal, gerir negócios, comprar objectos, fazer amigos, etc... - e os momentos em que nosso ser profundo nos pede para nos abrirmos à vibração superior - oração, retiro, aspiração profunda, serviço, meditação e impessoalização da existência.

Os dois impulsos existem nesta etapa e devem ser assumidos.

Se tudo for feito com equilíbrio verificas que há um ritmo para cada aspecto. A respiração total do ser total prevê uma onda de impulso-vida que começa no Alto, desce aos níveis conscientes estimulando actividades inteligentes, desce ainda aos níveis sub-diafragmáticos estimulando expressões de enraizamento e depois volta a ascender até retornar à Sua Fonte.

Numa primeira fase a chave é coordenar os ritmos. Visualizar um "OITO" envolvendo com o primeiro círculo os aspectos superiores e internos e com o segundo ciclo os aspecto externos e de enraizamento.

Nesta etapa é essencial dar um tempo a cada coisa e uma oportunidade de cada aspecto do nosso ser se expressar.

Daí advém o equilíbrio, a alegria de viver e a gratidão da parte humana pelo facto de existir. Isto é essencial, de outro modo a busca do espirito transforma-se num mecanismo oculto do nosso super-ego, através do qual ele nos culpa, castiga e reprime.

Pessoas com super-egos muito fortes tendem a "vidrar" em metas espirituais supremas e a inibir, por puro orgulho perfeccionista, a expressão do ser inferior, sem passar pelas etapas de integração amorosa e auto-compaixão, expressões da alma enquanto psiquismo.

Cuidado com o super-ego, esse instrumento oculto, criado na infância, que sabota a nossa capacidade de sentir alegria e amor, calor instintivo e ancoragem na Terra, procurando destruir constantemente a vontade humana de se abrir à vida enquanto esta se apresenta sob a forma de prazer, alegria humana e pulsação-terra.

O super-ego pretende a sublimação e a espiritualização do homem a todo o custo e a todo o preço apenas como forma de exibir aos "pais" - ao mundo, a um agente aprovador exterior - um troféu máximo.

Este super-ego é frio, calculista, saturnino e inflexível. É um príncipe rígido. Ele é especialmente perigoso porque usa as verdades superiores para ferir o ego - e não para transformá-lo - e imita o Eu Superior sob a forma de um Anjo absoluto e Castigador.

Todos os seres com tendências monásticas ou verdadeiramente espirituais devem vigiar este Ditador interior e denunciá-lo. Ele não serve o ser interno, é apenas uma expressão do medo de solidão traduzido sob a forma de compulsão em ser perfeito para agradar e impressionar os outros ou o Ego. Este sujeito quer ser o máximo, e já para amanhã: não sabe viver processos.

É essencial viver a etapa terrestre, sub-diafragmática, com paz, ritmo e equilíbrio. Como se disse a chave é coordenar essa etapa com os momentos em que a onda-de-vida reflui e pede para se exprimir como elevação, aspiração, oração, serviço, etc...


Enquanto estamos combinando, coordenando e vivendo os dois aspectos alternadamente estamos na etapa de integração. Cada ser tem o seu ritmo de integração, e o seu compasso de expressão. Isso depende das energias de raio da alma e da personalidade, da constante astrológica exotérica e da constante astrológica esotérica. Depende do ponto que cada ser ocupa na hierarquia da vida em função do trabalho de integração começado em vidas anteriores.

Eu diria que os seres com fortes traços espirituais mas com limitações de expressão tem um trabalho profundo para fazer no plano de integração.

Durante a etapa de integração as chaves são, entre outras:

Coordenação Trina: Instinto - Criatividade - Aspiração
Profunda humildade
Auto-perdão e auto-estima
Gratidão por todas as expressões da vida
Alegria de viver.
Contenção da frieza mental através da inteligência sensível - coração.
Contenção do desejo através da inteligência racional - mente.
Auto-Compaixão conduzindo a Compaixão pelos outros.
Abertura à alegria-prazer enquanto expressão de amor a nós mesmos
Simplicidade de mente e coração.
Vigilância do "super-ego" e do seu eterno companheiro o "libertino hedonista".
Amor à Beleza
Disciplina no uso do tempo.

Continua em:

http://axislinea.blogspot.com/

Imagem: Mark Ryden

O Sexo e a Cidade - parte 2


Eu não ia mesmo voltar ao assunto, mas esta manhã, ainda antes de ler os postes de Rosa Leonor e de Lealdade Feminina, acordei de má consciência em relação àquilo que tinha dito sobre a série.

Quanta ingratidão! Sem retirar o que disse, há 2 ou 3 pontos que gostaria de acrescentar para ficar melhor com a minha consciência:

1º trata-se de uma comédia e como tal as coisas são simples, caricaturais, exageradas...

2º a série pôs em acção a

Lealdade Feminina – aquelas mulheres aceitaram-se e apoiaram-se sempre, apesar das diferenças. Mais, aquelas mulheres nunca arrepelaram os cabelos umas às outras para ver quem é que ia ficar com o tipo – coisa que acontece muito tanto no cinema como na vida real. Aquelas mulheres consideraram sempre que a sua amizade estava acima de todos os envolvimentos com quem quer que fosse. E isso foi muito bonito.

e a

auto-suficiência e auto-motivação femininas.

E o sexo? À repressão seguem-se extravasamentos, excessos, confusões e equívocos. É normal. Mas as mulheres precisam mesmo de não evitar o assunto, de encarar a coisa, porque essa é das zona onde mais estamos presas e confusas e à mercê da moral patriarcal...

Precisamos mesmo de falar sobre isso, de enfrentar a fera.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

As Cores do Dinheiro

Excertos de uma conferência - a não perder! - , dada há uns anos no Quíron, por André Louro de Almeida, sobre o dinheiro:

(...)

Um dos paradigmas da economia clássica é o lucro, tu compras um livro de economia clássica e o autor diz: “vou desenvolver a minha tese tendo como princípio que o objectivo de um sistema económico correcto é gerar o lucro” Quem disse? Este é só um dos paradigmas da economia, e contudo é o único que está suficientemente desenvolvido pelas sociedades contemporâneas, mas existe outro pensamento económico, existe um ambiente que se está a formar à escala mundial e que se chama economia da compaixão, em que o paradigma não é o lucro, mas simplesmente, civilização. Significa que uma empresa nunca actuará de forma a destruir os valores da civilização nos quais está inserida, ela nunca crescerá sem ao mesmo tempo produzir crescimento nas famílias em torno.

Já existem na Internet centenas de empresas ligadas à economia da compaixão.

Ex.: Assim que a Body Chop -dirigida por uma mulher extraordinária - se começou a coligar à economia da compaixão, transferiu todas as suas fábricas para África e para o Brasil, mas os ordenados continuaram iguais aos americanos. Significa que ao fim de 2 anos as aldeias em volta começam a gerir riqueza que de outra forma não tinham. Esta descentralização possibilitou que o dinheiro que estava gangrenado nos Estados Unidos fluísse para outras zonas planetárias.

Uma conta enorme que não está a ser aplicada em nada de criativo é uma gangrena do ponto de vista espiritual. Este prana precisa fluir e irrigar todos os pontos da Terra. E é que não só a maior parte do dinheiro está distribuído ao norte do planeta, como principalmente está gangrenado por 8 ou 9 países, e dentro desses países o dinheiro mundial pertence a 20 ou 30 contas! O dinheiro não está a chegar aos povos do 3º mundo.

Existem vários tipos de economia e a única que estamos a utilizar é a do lucro.

(...)

(obs: na economia sueca e norueguesa, intuitivamente, percebe-se que há seres, grandes financeiros, muito avançados. São seres em que o dinheiro que chega até eles é simplesmente o dinheiro necessário para que a tarefa deles se cumpra, pura e simplesmente.)

(...)

Um ser em serviço não metaboliza mais preocupação económica nenhuma! Porque não há mais dinheiro desviado nem para os níveis negro, vermelho, cinzento, nem verde e há um amplo caudal financeiro que é azul. Este ser entrou no paradigma mariano do “seja feita a vossa vontade”.

(...)

Nós sabemos que entrámos na lei do serviço porque a última preocupação que nos passa pela cabeça é: como é que vamos sobreviver amanhã? Passa a ser um problema do Divino. Tu estares vivo passa a ser um problema de Deus, Ele não se vai poder dar ao luxo que tu desencarnes. Antes, com o Picasso e com a Margot Fontaine a civilização são se podia dar ao luxo de que aquele dom desaparecesse, então a civilização paga o necessário para que o dom continue a fluir...
A partir da lei do serviço, Deus subsidia, por assim dizer, o nosso processo.
Adquirimos uma Bolsa para a Ascensão.

(...)

Como é que saímos da lei do serviço (que é uma lei que daqui a uns séculos estará superada) e entramos na lei da transcendência?

Esta última lei tem a ver com a lei da abundância divina.
Jesus diría: ”Quantos pães são necessários hoje? 10.000?"
E eles aparecem out of the blue...

(...)

http://energiamonetaria.blogspot.com/

A Função Humana


"A função humana atinge o seu pico frente ao desconhecido porque toda a massa universal nos usa para sonhar com o Divino." Pinho

“A identificação com os limites expulsa a Auto-Reverência. O Amor ao nosso potencial gera a Auto-Reverência. Só a Auto-Reverência abre os portais dos Mundos Sagrados.”
Pinho


http://axislinea.blogspot.com/

Experiência e Observação


"(...) Daí que ao viver muito e adquirir experiência e capacidade de decidir a partir do nível intuitivo -por oposição a decidir a partir do nível vivencial – vai crescendo até se refinar de tal modo que a maior parte das propostas terrestres são esvaziadas de investimento e projecção até ao momento em que apenas o extraordinário faz sentido.

Por outro lado a situação mais básica ou prosaica pode conter uma porta quirótica para mundos inesperados – como quando ficamos a observar as espirais de espuma ocre depois de mexermos o açúcar no café – o que torna impossível fazer uma avaliação definitiva ou linear da experiência que cada um tem.

Pode ser que uma pessoa tenha vivido muito, adquirido muita experiência, e o principal do elemento mágico-religioso dos episódios da vida lhe ter escapado. Isso implicaria que teríamos um ser maduro mas num sentido um tanto pobre. Certas crianças por outro lado não têm experiência tridimensional acumulada mas podem extrair das situações realidades que o ancião não detectou. (...)"

http://on-land.blogspot.com/

Imagem: Moonlight Secret, Herman Smorenburg

A donzela sem mãos na floresta: tornar-se eficaz sozinha


"Como a donzela sem mãos no conto de fadas, que tem o mesmo nome*, e cujas mãos lhe voltaram a crescer enquanto esteve na floresta, muitas mulheres descobrem que apenas sozinhas, sem apoio e perdidas num terreno desconhecido, lhes acontecem crescimentos psicológicos análogos. Metaforicamente as mulheres jovens deixam que lhes cortem as mãos para anuir ao que significa ser “uma mulher feminina”. Enquanto as raparigas pré-adolescentes dizem com facilidade o que pensam e podem mostrar-se exuberantes, afirmativas e capazes de competir com os rapazes, as adolescentes perdem caracteristicamente a auto-estima e reprimem a auto-expressão.

As mãos representam competência, a capacidade de chegar ao que tem valor pessoal e de o conservar; as mãos são os meios pelos quais exprimimos sentimentos íntimos e sensuais; as mãos são usadas para criar, para consolar os outros e para curar; as mãos sujam-se quando mexemos no solo ou em máquinas, ou entramos em “negócios escuros”; as mãos seguram instrumentos musicais, pincéis de pintar, utensílios de cozinha, ferramentas e armas; as mãos protegem-nos, respondem à curiosidade e são, em muitas facetas, extensões das nossas psiques no mundo. As mãos têm a ver com a auto-estima, a auto-expressão, tanto real como metaforicamente.

Para compreender como “A donzela sem mãos” pode ser uma história com significado pessoal, medite nas suas próprias inibições ou limitações. Talvez um conjunto de “mãos” em especial lhe tenha sido cortado?...

Mãos a crescer mas jamais desenvolvidas, ou que foram amputadas, são particularmente necessárias a uma mulher que sai da casa do pai para a do marido, e depois, a seguir à sua morte ou a um divórcio, tem de entrar no mundo e ganhar o seu sustento, ou o seu e de outros. Ela é como a donzela sem mãos, impossibilitada e sozinha.

Se foi educada para ser uma senhora, há sempre facetas da sua personalidade que estão atrofiadas ou amputadas: aprendeu a não exprimir a cólera, opiniões rigorosas, nem a dizer o que pensa. Capacidades e traços da personalidade que não eram vistos com bons olhos não foram desenvolvidos. Levaram-na a sentir vergonha de quaisquer partes de si mesma que eram impróprias e, por consequência, essas partes foram reprimidas – ou cortadas.”

* Referência a Clarissa P. Estés, Mulheres que Correm os Lobos

Jean Shinoda Bolen, Travessia para Avalon, Planeta Editora

Imagens: Google

Programação Religiosa


"(...) eu comprei uma dessas máquinas maravilhosas - um computador. É um milagre o que acontece naquela tela. Você já examinou por dentro uma dessas coisas? Não dá para acreditar. É toda uma hierarquia de anjos... todos sobre as placas. E aqueles pequenos tubos - aquilo são milagres. Meu computador me proporcionou uma revelação sobre a mitologia. Você compra um determinado programa e ali está todo um conjunto de sinais que conduzem à realização do seu objetivo. Se você começa tateando com sinais que pertencem a outro sistema de programas, a coisa simplesmente não funciona. (...) É preciso entender que cada religião é uma espécie de programa com seu conjunto próprio de sinais, que funcionam..."

Encontrado em:

http://encontro-consigo-livros-sites-blogs.blogspot.com/

domingo, 8 de junho de 2008

A Síndroma de O Sexo e a Cidade


“Mas, voltando ao Sexy and the City, o que me deixa triste é que tantas mulheres tenham como modelo figuras tão superficiais e caricatas como as quatro personagens da série/filme. Essa pobre criatura que acabou de me escrever dizendo que eu sou frustrada provavelmente nunca nem viu uma dessas horrendas bolsas Louis Vuitton ao vivo e é isso que ela considera sonho, glamour.

Quase na esquina do meu apartamento tem lojas da LV, Dior, Yves Saint Laurent e outras do gênero. Nunca tive nem curiosidade de entrar pra ver as roupitchas. Eu - e todas nós que comentamos nesse post - sonhamos sim, fia, mas nossos sonhos são muito mais ambiciosos que a mediocridade de botar um sapatinho Manolo Blahnik ou sair com uma bolsa Chanel - alugada ou não - e achar que está no topo do mundo.

Glamour pra mim é ir pro cinema ver um bom filme com o maridón e depois comer num restaurantezinho indiano a melhor comida do mundo. Glamour é saber viver bem, independente da cidade e da condição social. Glamurosa, pra mim, é a mulher que tem dignidade, honestidade, coerência e, principalmente, respeito a todos, sejam eles mexicanos, filipinos, quenianos ou brasileiros.

Eu até acho que tenho tido uma vida bem “glamourosa”, afinal, ter sempre trabalhado com coisas tão interessante (dar uma palestra em Dubai, ano passado, foi um luxo!), viver uma história de amor maravilhosa com meu Ted, ter uma filha que eu admiro mais que tudo, uma mãe com saúde e ainda conhecer quase 40 países e centenas de cidade em todos os continentes é um l-u-x-o. Mas não acho que ninguém precisa ter tudo isso pra ser glamourosa. Conheço muita gente que nunca saiu do Recife e é chiquérrima.”

http://sindromedeestocolmo.com/
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Lembro-me do tempo em que não perdia um episódio da série. Para uma sociedade tão preconceituosa como a nossa e no estádio em que a maior parte das mulheres se encontra por aqui, já é um sintoma de algum desejo de libertação gostar da série.

O que me fascinava acima de tudo não era tanto essa ideia do gamour, mas a sexualidade tão desabrida daquelas quatro, o seu espírito de aventura e a camaradagem que conseguiam entre si. Gostava disso. Era fresco.

Também tive a minha fase de vuittons e outros sinais exteriores... Depois, embora adore coisas bonitas, desenvolvi a fobia das marcas. Assim como era grande fã de revistas femininas, que agora abomino. A energia que perdemos com essas tretas...

São os equívocos do sistema em que, ou com que, se enrolam as mulheres, que continuam assim a viver não em função delas próprias mas em função do homem - nada de novo, portanto, sob a aparência da emancipação... Mais grave do que isso é o sucedâneo de modernidade e de liberdade que a coisa representa.

É bom sermos mais exigentes e criteriosas na escolha dos nossos modelos e das nossas heroínas.

Oh, sim, estou perfeitamente de acordo: nada se compara à pica que dá ir aos Dubais deste mundo dar conferências... termos voz e ideias próprias e capacidade para agir no mundo. Aí sim vale a pena investirmos a nossa energia!

A Viagem do Che

Há dias peguei-me com alguém por causa do filme Diários de Motocicleta, que conta a história da viagem do jovem Che pela América Latina:

- O que vemos ali é a história branqueada de alguém que torturou e matou...
Eu:
- Não, não viu isso no filme de Walter Sales. O que vemos ali é a história de uma viagem iniciática. É a história de alguém que corta o cordão umbilical e parte à descoberta do mundo fora de si. E depois deixa-se transformar pelo que vê e descobre, tanto fora como no seu interior. Descobre um continente dilacerado, dividido, empobrecido; um povo outrora autosuficiente e grande na sua cultura, reduzido à condição de ignorante, indigente, perdido. Dentro de si, descobre a capacidade de autosuperação e de sentir compaixão, e descobre o seu próprio carisma, que é o poder da sua luz e da sua visão transbordarem e contagiarem outros, mobilizando-os para uma causa que os transcende enquanto indivíduos...

Claro que sabemos que depois aquele sonho descambou em tragédia, porque o recurso à violência... só atrai mais violência.

Mas o que interessa o Che da realidade perante a transcendência que a ficção de Walter Sales consegue? O que temos no filme é a actualização do mito do Herói, com as suas qualidades de integridade e candura, a sua renúncia a objectivos individuais, a sua força obstinada e a sua entrega.
E Gael Garcia Bernal encarna na perfeição esse jovem Che, fisicamente tão frágil, asmático, e ainda mal saído da puberdade, que vemos transformar-se ao longo da viagem, adquirindo força e poder à medida que os perigos e obstáculos vão sendo ultrapassados.

A verdade é que devo confessar que este filme me fascina tanto porque ele ganhou para mim uma dimensão arquetípica e onírica. Ele transportou-me para a atmosfera de um sonho que foi recorrente em certos momentos da minha vida:

No sonho eu fazia uma viagem cujo trajecto tinha de ser sempre a direito, em linha recta. A adrenalina subia quando chegava a locais habitados: tinha de atravessar as próprias habitações, entrar e sair de quartos, salas e pátios, não podendo ser surpreendida por ninguém.

Um jovem, que vagamente me lembrava o meu próprio filho, acompanhava-me...

(continua)

Imagem do filme (Google)

Sonhar com o Animus


Em As Deusas em Cada Mulher, Jean Shinoda Bolen oferece uma interpretação muito interessante para este tipo de sonhos:

“Os sonhos são uma segunda maneira de distinguir um arquétipo de Ártemis ou de Atena de um animus. Indicam se essas deusas virgens são a fonte de uma atitude activa da mulher ou se qualidades como a capacidade de auto-afirmação ou a orientação para objectivos devem ser atribuídos a um aspecto masculino da mulher.

Quando Ártemis e Atena são arquétipos predominantes, a mulher que sonha está muitas vezes a explorar sozinha territórios desconhecidos. Encontra-se no papel da protagonista que luta com obstáculos, escala montanhas ou se aventura num país estrangeiro ou numa paisagem subterrânea. Por exemplo: “Estou ao volante do meu descapotável, a acelerar numa estrada da província durante a noite, distanciando-me de quem quer que seja que me persegue”; “Sou uma estrangeira numa cidade espantosa, semelhante aos jardins suspensos de Babilónia”; “É como ser uma agente dupla. Não devo lá estar e seria perigoso se qualquer das pessoas à minha volta se apercebesse de quem sou.”

As dificuldades enfrentadas ou a viagem fácil nos sonhos correlacionam-se com os obstáculos internos e externos que a pessoa que sonha enfrenta ao tentar autodeterminar-se e ser eficaz no mundo (qualidades do animus). Tal como nos sonhos, ela sente-se natural quando traça o seu próprio caminho. Está a ser o seu eu activo, com intenções muito próprias.

Quando as qualidades assertivas se encontram nas fases iniciais de desenvolvimento, uma mulher que sonha é frequentemente acompanhada por outra figura. Esse companheiro pode ser homem ou mulher, uma presença indistinta ou uma pessoa claramente definida e reconhecível. O sexo do companheiro é uma referência simbólica que ajuda a distinguir se essas aptidões que emergem são vistas como “masculinas” (animus) ou como femininas (deusas virgens).

Por exemplo, se a mulher que sonha está a desenvolver qualidades de Ártemis ou de Atena e se encontra ainda nas fases iniciais da sua educação ou carreira, o seu companheiro de sonhos mais frequente é uma mulher vaga, desconhecida, com traços indistintos (...).

Quando o companheiro numa aventura de sonho é um homem ou um rapaz, a mulher que sonha é muitas vezes uma mulher tradicional, que se identifica com as deusas vulneráveis ou (...) com Héstia ou Afrodite. Para essas mulheres, os homens simbolizam a acção e, por conseguinte, nos seus sonhos, definem as qualidades assertivas ou competitivas como masculinas.

Por conseguinte, quando uma mulher entra, hesitante, no local de trabalho ou no mundo académico, ajudada por um animus ou aspecto masculino de si própria, esse aspecto pode ser representado nos seus sonhos por um homem indistinto, eventualmente um jovem ou um adolescente (ainda em desenvolvimento), que está com ela num local desconhecido e por vezes perigoso.”

Imagem: William Blake

sábado, 7 de junho de 2008

UMA ABORDAGEM PAGÃ SOBRE DIFERENÇA

Encontrado num blog delicioso, que recomendo, sobretudo às mães (e pais):

"uma coisa que eu acho fantástica acerca do paganismo, é que o politeísmo pagão (muitos deuses válidos) abre o precedente na vida das pessoas para o politeísmo ideológico (muitas ideias ou verdades válidas). isso é tremendamente libertário e tolerante. pra mim, além disso, também é símbolo de maturidade pois o diferente deixa de ser ameaçador. é preciso muito treino para que o diferente deixe de nos colocar automaticamente na defensiva. e eu pessoalmente devo parte desse meu treino ao paganismo e ao politeísmo que abre as portas para a existência de múltiplas verdades simultâneas.

o cristianismo e as religiões que pregam um deus único pregam a supremacia, a competição, a exclusão, a dicotomia, a oposição, a esquizofrenia. se não é o meu deus, é errado. até no exercício de uma coletividade, o que se pressupõe é que todos estejam com a mesma ideia (e eu me recordo imediatamente da máxima "quando todos estão pensando igual, ninguém está pensando"). a coletividade baseada num deus único ou numa verdade única é fundada numa concordância que a partir de certo ponto é irreal, impraticável e insalubre.


a crença na verdade única é a base pra toda intolerância e fundamenta o patriarcado afinal de contas. 'apenas um está com a razão, sou eu, e vc deve me seguir' - isso cria uma força muito destruidora e todos nós podemos ver seus efeitos concretizados no nosso mundo. discutir sobre diferenças em pé de igualdade é muito diferente de lutar pra impor sua opinião, mas na prática a gente tem dificuldade em identificar essas duas situações. a ideia do deus único nos educa para lidar de forma imatura com as diferenças, pois implica automaticamente num certo contra todos os outros errados. uma única verdade exclui qualquer possiblidade de outras verdades, outras alternativas. é restritiva... e até onde eu posso ver, restrição não é lá uma boa diretriz para o desenvolvimento humano.

é verdade que quando a gente pensa em comunidade, em valores morais, se torna necessário um consenso e em
certo ponto, até uma imposição. estou pensando estritamente no meu papel de mãe; em coisas que o meu filho tem que me obedecer para não morrer atropelado, para não ficar doente ou para não se tornar um robô replicante de uma hegemonia que tem seus dias contados. toda mãe concorda que algumas coisas não estão abertas a discussão, na tarefa de educar. e aí é que está o grande desafio - a mulher pagã sabe que a tarefa de educar passa por um treino da convivência mais pacífica possível entre os diferentes, apesar de ser absolutamente necessário que durante certo tempo, os que estão sendo treinados ou educados se submetam a um conjunto de regras mais ou menos 'indiscutíveis


(vc pode não comer exatamente ao meio dia, vc pode não comer vegetais ou carne, mas vc tem que comer alguma coisa ora bolas!!!).

a educação, qualquer educação decente, tem como objetivo amadurecer a pessoa, dar ferramentas para que ela se torne autónoma, adulta, inteira. ninguém quer ser educado para permanecer escravo ou eternamente menor do que quem o educou. no meu ponto de vista, a educação baseada na ideia de uma única verdade ou um único deus, não dá ferramentas suficientes para que a pessoa supere a reação defensiva automática diante do diferente, pois pressupõe que um sempre será melhor do que o outro. não existe igualdade possível dentro desse universo conceitual. e, se sempre tem um melhor, ou se sempre tem alguém pensando 'mais certo', não existem adultos.

por anfibia, mãe de um menino de 4 anos, pedagoga e pagã

(Quase só troquei alguns acentos...)

Imagem: Linda G. Fisher

A NOVA TERRA

"A Chegada da Energia do Búfalo Branco", Monique Monos

(...)E assim, Amados Trabalhadores da Luz, nesta época de Radiância Cósmica, à medida que a Luz aumenta, vocês começarão a “ver” de maneira cada vez mais clara. E descobrirão que sua percepção se torna mais clara e mais fina. E verão as velhas energias de sombra e ilusão que ainda existem, ao mesmo tempo em que a Nova Terra nasce. É importante , queridos Trabalhadores da Luz, que neste momento não se permitam serem puxados para dentro das velhas energias de medo, superstição e manipulação, e que não fiquem presos em padrões de “reciclar” as velhas energias e dramas como uma maneira de escapar dos desafios criativos das Novas Energias." (...)
Ler mais em:
http://starchildglobal.com/portuguesa/

A Mulher Inteira

Ingmar Bergman, Lágrimas & Suspiros (1972)

DEMASIADO IMPORTANTE PARA SE IGNORAR!

Blogueado em Mulheres & Deusas:

A Nossa Outra Metade

A nossa outra metade é mulher e não o homem…
O homem é o oposto complementa
r, mas a mulher tem de primeiro unir as duas partes de si mesmas cindidas, para poder chegar à sua totalidade.


Tenho perfeitamente noção do desafio que vos lanço ao fazer esta declaração algo insidiosa, e da possível controvérsia que possa suscitar, mas faço-o intencionalmente. A verdade é que a mulher encontra-se cindida em duas partes antagónicas e mantendo-se dividida em si mesma cria uma dicotomia da sua natureza sendo sempre ou quase sempre uma mulher metade que procura no homem a sua outra metade mulher e não o homem, e porque infantilizada ou imatura, legando sempre o seu poder pessoal nas mãos do outro, não pode ser ainda o complemento do homem. Como a mulher não está consciente da sua totalidade porque separada na sua essência, quase sempre fragmentada nos vários estereótipos que persegue exteriormente, não pode ser esse espelho do feminino profundo porque não está em contacto com ele. Desviada do seu centro, ela busca fora e no homem não uma complementaridade, mas essa parte que lhe falta …Seja a mãe, seja o pai, a autoridade que a proteja, seja a realização amorosa que amputada dela de si mesma nunca conseguirá atingir…tal como na maior parte das vezes acontece com o próprio orgasmo. Por isso, antes que a relação homem-mulher se estabeleça a mulher precisa reunir as duas partes cindidas de si e integrá-las. E isto é válido para as duas mulheres…seja ela a santa seja ela a puta…

Devemos no entanto realçar que este aspecto da integração do feminino profundo que a mulher precisa de consciencializar, tal como o homem aliás, nada tem a ver com a dualidade humana, bem e mal e que é comum aos dois seres, mas que acaba por ter influência na dicotomia da mulher.
O homem apesar de não se encontrar divido em dois nem fragmentado na sua natureza masculina, para além também dos seus estereótipos de macho, falta-lhe integrar o masculino sagrado que vem da integração do seu próprio feminino, mas não havendo o espelhamento dessa mulher inteira, dificilmente o homem pode reconhecer o seu feminino quer na mulher quer em si. O masculino sagrado é conseguido através da iniciação amorosa na revelação da mulher sagrada.

Kate Kretz, Sacred Ovaris

"O Vaso da Transformação só pode ser efectuado pela mulher,
porque ela própria, em seu corpo que corresponde ao da Grande Deusa, é o caldeirão da encarnação, nascimento e renascimento. E é por isso que o caldeirão mágico está sempre nas mãos de uma figura humana feminina, a sacerdotisa e a bruxa".
(Erich Neumann)

Antes de se unir ao seu complemento masculino a mulher tem de ser iniciada ao seu próprio mistério e seguir o caminho da deusa e do feminino sagrado. Muitas vezes isso pode implicar ou pode ocasionar o encontro com outra mulher no exterior e que servirá de certa maneira de espelho. A atracção que muitas vezes as mulheres podem sentir umas pelas outras já no âmbito de uma atracção de cariz sensual ou erótico antes de ser definido como homossexualidade poderá ser sentido como manifestação numinosa do acordar da deusa em si, através de um catalisador que é a outra mulher se esta se sentir ligada à deusa e tiver já o seu feminino mais ou menos integrado. Creio que a maior parte dos casos dados como opção sexual não é mais do que o espelhar dessa outra parte que a mulher renegou consciente ou inconsciente da sua própria feminilidade ou sensualidade e também na procura da mãe que a rejeitou, na maior parte dos casos.

Há muitas mulheres que afirmam não gostar das outras mulheres e também muitas mulheres homossexuais que embora “gostando” de mulheres, são mais masculinas que femininas ou procuram o feminino fora de si adoptando a postura do homem cortejando mulheres mais femininas ou imitando muitas vezes o macho que conquista as mulheres mas as menospreza. É como que uma procura invertida do seu feminino ou uma negação dupla do seu ser mulher. É uma via de compensação para a sua ferida. Aqui eu não discuto a homossexualidade em si, mas uma possível causa na grande percentagem de mulheres que dizem amar as mulheres.
Não me quero debruçar agora sobre essa complexa questão, mas fazer notar que entre esses dois sentimentos de negação da outra mulher ou a sua busca fora, existem muitas manifestações emocionais igualmente complexas.
(continua)
Rlp

TEXTO PUBLICADO EM: http://yinsights.blogspot.com/

Imagem: http://mulholland-drive.blog-city.com/viskingarochrop.htm