segunda-feira, 26 de maio de 2008

A Falsa Emancipação da Mulher

Hoje é dia de tirar os óculos cor-de-rosa... porque...

a verdade liberta!!!

"Actualmente, tem-se a pretensão de que a mulher é respeitada. Uns cedem-lhe o lugar, apanham-lhe o lenço: outros reconhecem-lhe o direito de exercer todas as funções, de tomar parte na administração, etc.; mas a opinião que têm dela é sempre a mesma - um instrumento de prazer. E ela sabe-o. Isso em nada difere da escravatura. A escravatura mais não é do que a exploração por uns do trabalho forçado da maioria. Assim, para que deixe de haver escravatura é necessário que os homens cessem de desejar usufruir o trabalho forçado de outrem e considerem semelhante coisa como um pecado ou vergonha. Entretanto, eles suprimem a forma exterior da escravatura, depois imaginam, persuadem-se de que a escravatura está abolida mas não vêem, não querem ver que ela continua a existir porque as pessoas procedem sempre de maneira idêntica e consideram bom e equitativo aproveitar o trabalho alheio. E desde que isso é julgado bom, torna-se inveitável que apareçam homens mais fortes ou mais astutos dispostos a passar à acção. A escravatura da mulher reside unicamente no facto de os homens desejarem e julgarem bom utilizá-la como instrumento de prazer. Hoje em dia, emancipam-na ou concedem-lhe todos os direitos iguais aos do homem, mas continua-se a considerá-la como um instrumento de prazer, a educá-la nesse sentido desde a infância e por meio da opinião pública. Por isso ela continua uma escrava, humilhada, pervertida, e o homem mantém-se um corruptor possuidor de escravos."

Leon Tolstoi, in "Sonata a Kreutzer"

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Este é um texto do século XIX, mas cuja actualidade é ainda espantosa (e preocupante...). Eu, entretanto, acho que acrescentaria - se me permite, Sr. Tolstoi - que não é apenas enquanto objecto de prazer que a mulher é explorada, mas também enquanto robot doméstico e animal de companhia...

Ter consciência disto e sentir a dor disto é preciso, pois só essa consciência, essa dor/raiva produz em nós a força suficiente para mudarmos as coisas. O que não podemos é ficar nesses sentimentos, sendo destruídas por eles e produzindo com essa emoção negativa mais do mesmo, conforme nos diz a Lei da Atracção.

Então, tenhamos consciência, olhemos para lá e depois imaginemos outro mundo, outro tipo de vida, de relacionamentos. Tornemos possível, usando a visualização criativa, um modelo social de parceria, conforme preconiza Riane Eisler em "O Cálice e a Espada".



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