quinta-feira, 10 de abril de 2008

Rita Levi Montalcini


Rita Levi Montalcini!

Prémio Nobel da Medicina.


A Dra. Rita Levi, que tem 98 anos recebeu o Prémio Nobel de Medicina há 21 anos, quando tinha 77 !!!
Rita Levi Montalcini , nasceu em Turim, Itália em 1909 e obteve o título de Medicina na especialidade de Neurocirurgia. Por causa da sua ascendência judaica viu-se obrigada a deixar a Itália, um pouco antes do início da II Guerra Mundial.

Emigrou para os Estados Unidos onde trabalhou no Laboratório Victor Hambueger, do Instituto de Zoologia da Universidade de Washington de San Louis. Os seus trabalhos em conjunto com Stanley Cohen serviram para descobrir que as células só começam a reproduzi-se quando recebem a ordem para isso, ordem que é transmitida por umas substâncias chamadas fatores do crescimento. Obteve o Prémio Nobel de Fisiologia no ano de 1986, que compartilhou com Stanley Cohen.

ENTREVISTA
- Como vai celebrar os seus 100 anos?
- Ah, não sei se viverei até lá, e, além disso, não gosto de celebrações. No que eu estou interessada e gosto é do que faço cada dia!
- E o que é que faz?
- Trabalho para dar uma bolsa de estudos a meninas africanas para que estudem e prosperem ..Elas e os seus países. E continuo a investigar, continuo a pensar.
- Não vai aposentar-se?
- Jamais! Aposentar-se é destruir cérebros! Muita gente aposenta-se e
abandona-se... E isso mata o seu cérebro. E adoece.
- E como está o seu cérebro?
- Como quando eu tinha 20 anos! Não noto diferença em ilusões nem em capacidade. Amanhã
voo para um congresso médico.

- Mas terá algum limite genético ?
- Não. O meu cérebro vai ter um século..., mas não conhece a senilidade.O corpo enruga-se, não posso evitar, mas não o cérebro!
- Como faz isso?
- Possuímos grande plasticidade neural: mesmo quando morrem neurónios, os que restam reorganizam-se para manter as mesmas funções. Mas para isso é conveniente estimulá-los!
- Ajude-me a fazê-lo.
- Mantenha o seu cérebro com ilusões, ativo, faça-o trabalhar e ele nunca se degenera .
- E viverei mais anos?
- Viverá melhor os anos que vive, é isso o interessante. A chave é manter curiosidades, empenho, ter paixões....

- A sua foi a investigação científica?
- Sim e continua a ser.
- Descobriu como crescem e se renovam as células do sistema nervoso...
- Sim, em 1942. Dei o nome de Nerve Growth Factor (NGF, fator do crescimento nervoso), e durante quase meio século houve dúvidas, até que foi reconhecida a sua validade, e em 1986, deram-me o prémio por isso.
- Como foi que uma garota italiana dos anos vinte se converteu em neurocientista?

- Desde menina tive o empenho de estudar. O meu pai queria casar-me bem, que fosse uma boa esposa, boa mãe... E eu não quis. Fui firme e confessei que queria estudar.
- O seu pai ficou magoado?
- Sim, mas eu não tive uma infância feliz : sentia-me feia, tonta e pouca coisa. Os meus irmãos mais velhos eram muito brilhantes e eu me sentia-me tão inferior...
- Vejo que isso foi um estímulo...

- O meu estímulo foi também o exemplo do médico Albert Schweitzer, que estava em África para ajudar com a lepra. Desejava ajudar os que sofrem , isso era o meu grande sonho...!
- E tem-no feito... com a sua ciência.
- Sim, hoje, ajudo as meninas de África para que estudem. Lutamos contra a enfermidade, a opressão da mulher nos países islâmicos, por exemplo, além de outras coisas...!
- A religião freia o desenvolvimento cognitivo?

- A religião marginaliza muitas vezes a mulher perante o homem, afastando-a do desenvolvimento cognitivo, mas algumas religiões estão a tentar corrigir essa posição.
- Existem diferenças entre os cérebros do homem e da mulher?
- Só nas funções cerebrais relacionadas com as emoções, vinculadas ao sistema endócrino. Mas quanto às funções cognitivas, não há diferença alguma.
- Porque é que ainda existem poucas cientistas?
-
Não é assim! Muitas descobertas científicas, atribuídas a homens, realmente foram feitas pelas suas irmãs, esposas e filhas. *
- É verdade?
-
A inteligência feminina não era admitida e era deixada na sombra. Hoje, felizmente, há mais mulheres que homens na investigação científica: as herdeiras de Hipatia!
- A sábia Alexandrina do século IV...

- Já não vamos acabar assassinadas nas ruas pelos monges cristãos misóginos, como ela. Claro, o mundo tem melhorado alguma coisa...

(...)

Leia mais em: http://www.bemviver.org/

* Mito da deusa Métis, engolida por Zeus, seu marido (ver Jean Shinoda Bolen, "AS DEUSAS E A MULHER MADURA", Livraria Spirit)


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