segunda-feira, 7 de abril de 2008

Identidade Masculina

Diana Vandenberg - A Chave, retrato de Henk Van Ulsen, 1982


HOMENS, ESSES DESCONHECIDOS

Ieda S. Santos

“Não que as mulheres não precisem ser protegidas. Que o digam os longos anos de dominação masculina só abrandados sob incansável pressão social que vem resgatando sua dignidade. Vitória que as iranianas ainda aguardam e muitas africanas nem sonham. São conquistas, porém, que não alcançaram o equilíbrio, pois a sociedade esqueceu-se de preparar os homens para essa convivência. Resultado: elas cresceram e eles estão querendo avançar, libertar-se dos muitos equívocos relacionados à forma como são educados. Querem humanizar-se e valorizar o afeto. Estão inaugurando o "masculismo", movimento oposto ao feminismo, através do qual deverão rever e reivindicar valores mais humanos.

Para usufruir melhor de suas conquistas, as mulheres necessitam ter com os homens convivência harmónica. Mas o perfil masculino ainda não está completamente delineado. Estudos a esse respeito datam de 20 anos. Educar meninas cercadas por palavras de afeto e meninos por palavras duras e destrutivas está custando caro.
A violência disseminada entre jovens, sobretudo do sexo masculino, é uma das consequências.

"O menino cresce para aguentar e dar pancada, não para aprender a relacionar-se com as pessoas", diz o psiquiatra Luiz Cuschnir, supervisor do Serviço de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e do Centro de Estudos da Identidade do Homem e da Mulher (Iden). Ele dirige o Gender Group que analisa o comportamento de homens e também de mulheres, separadamente, no HC.” (...)

"Nos últimos anos os homens acreditaram que estariam atualizados caso sua sensibilização desenvolvesse o lado feminino." Erraram. Tal atitude os enfraqueceu. Eles foram descartados, pois as mulheres continuam preferindo "energia masculina e segurança".

O oposto também se verificou. Segundo o psiquiatra, há estudos feitos em todo o mundo que demonstram mulheres de perfis rígidos, intransponíveis, em cargos de chefia. "Elas acabaram incorporando o referencial masculino no trabalho." Enquanto isso, os homens estão procurando o "masculino deles", por meio de discussões, reflexões, vivências a respeito do que é ser homem hoje." (...)


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