quarta-feira, 30 de abril de 2008

A ECOLOGIA PROFUNDA


No seu mais novo livro, A Teia da Vida (Cultrix-Amana), Fritjof Capra* mostra como a ecologia profunda - a concepção que não separa os homens da natureza - ganha relevância na nova visão da realidade.

“(...) O paradigma que está agora retrocedendo dominou a nossa cultura por várias centenas de anos, durante os quais modelou a nossa moderna sociedade ocidental e influenciou significativamente o resto do mundo. Esse paradigma consiste em várias ideias e valores entrincheirados, entre os quais a visão do universo como um sistema mecânico composto de blocos de construção elementares, a visão do corpo humano como uma máquina, a visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência, a crença no progresso material ilimitado, a ser obtido por intermédio de crescimento económico e tecnológico, e - por fim, não menos importante - a crença em que uma sociedade na qual a mulher é, por toda a parte, classificada em posição inferior à do homem é uma sociedade que segue uma lei básica da natureza. Todas essas suposições têm sido decisivamente desafiadas por eventos recentes. E, na verdade, está ocorrendo, na actualidade, uma revisão radical dessas suposições.

Ecologia Profunda

O novo paradigma pode ser chamado de uma visão do mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma colecção de partes dissociadas. Pode também ser denominado visão ecológica, se o termo "ecologia" for empregado num sentido muito mais amplo e profundo que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de todos os fenómenos e o facto de que, enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos). Os dois termos, "holístico" e "ecológico", diferem ligeiramente nos seus significados, e parece que "holístico" é um pouco menos apropriado para descrever o novo paradigma. Uma visão holística, digamos, de uma bicicleta significa ver a bicicleta como um todo funcional e compreender, em conformidade com isso, as interdependências das suas partes. Uma visão ecológica da bicicleta inclui isso, mas acrescenta-lhe a percepção de como a bicicleta está encaixada no seu ambiente natural e social - de onde vêm as matérias-primas que entram nela, como foi fabricada, como o seu uso afecta o meio ambiente natural e a comunidade pela qual ele é usada, e assim por diante. Essa distinção entre "holístico" e "ecológico" é ainda mais importante quanto falamos sobre sistemas vivos, para os quais as conexões com o meio ambiente são muito mais vitais. O sentido em que eu uso o termo "ecológico" está associado a uma escola filosófica específica e, além disso, a um movimento popular global conhecido como "ecologia profunda", que está rapidamente adquirindo proeminência. A escola filosófica foi fundada pelo filósofo norueguês Arne Naess, no início dos anos 70, com sua distinção entre "ecologia rasa" e "ecologia profunda". A ecologia rasa é antropocêntrica, ou centralizada no ser humano. Ela vê os seres humanos como situados acima ou fora da natureza, como a fonte de todos os valores, e atribui apenas um valor instrumental, ou de "uso", à natureza. A ecologia profunda não separa seres humanos - ou qualquer outra coisa do meio ambiente natural. Ela vê o mundo não como uma colecção de objectos isolados, mas como uma rede de fenómenos que estão fundamentalmente interconectados e são interdependentes. A ecologia profunda reconhece o valor intrínseco dos seres vivos e concebe os seres humanos apenas como um fio particular na teia da vida. Em última análise, a percepção da ecologia profunda é percepção espiritual ou religiosa. Quando a concepção de espírito humano é entendida como o modo de consciência no qual o indivíduo tem uma sensação de pertinência, de conexão, com o cosmos como um todo, torna-se claro que a percepção ecológica é espiritual na sua essência mais profunda.(...)”

in http://hps.infolink.com.br/peco/nage_02.htm
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Fritjof Cap
ra- físico e teórico de sistemas, autor de "O Tao da Física" (1975), "Ponto de Mutação"(1982), "Conexões Ocultas" (2002)

"O Tao da Física analisa as semelhanças entre os conceitos da Física Moderna e o Misticismo Oriental. Fritjof Capra mostra o que há em comum entre a física atómica e subatómica, a teoria da relatividade e a astrofísica com as tradições místicas orientais do Hinduísmo, Budismo, Taoísmo, do Zen e do I Ching."

"Acredito que a visão de mundo sugerida pela Física Moderna seja incompatível com a nossa sociedade actual, a qual não reflecte o harmonioso estado de inter-relacionamento que observamos na natureza. Para se alcançar tal estado de equilíbrio dinâmico, será necessária uma estrutura social e económica radicalmente diferente: uma revolução cultural na verdadeira acepção da palavra. A sobrevivência de toda a nossa civilização pode depender de sermos ou não capazes de realizar tal mudança". in "Ponto de Mutação"

"Conexões Ocultas - As últimas descobertas científicas mostram que todas as formas de vida - desde as células mais primitivas até às sociedades humanas, suas empresas e Estados nacionais, até mesmo à economia global - se organizam segundo o mesmo padrão e os mesmos princípios básicos: o padrão em rede. Neste livro, Capra desenvolve uma compreensão sistémica e unificada que integra as dimensões biológica, cognitiva e social da vida e demonstra claramente que a vida, em todos os seus níveis, está interligada por redes complexas. Segundo Capra, os seres humanos estão ligados à teia da vida no nosso planeta, daí a necessidade de organizarmos o mundo segundo um conjunto de crenças e valores que não tenha a acumulação de dinheiro por único sustentáculo. Esta mudança de atitude para uma economia ecologicamente sustentável e socialmente justa é fundamental não só para as organizações humanas, como também para a sobrevivência de toda a humanidade."

http://www.agirazul.com.br/fsm4/_fsm/00000198.htm


Imagem: Google

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